1974 - o bi, apesar da Ferrari

Equipe McLaren
Carros McLaren M23
Corridas 15
Poles 2
Vitórias 3: Brasil, Bélgica e Canadá
Outras colocações 2º no GP da Inglaterra e Itália, 3º na Espanha e Holanda, 4º na Suécia e Estados Unidos e 5º em Mônaco
Volta mais rápida -
Colocação no campeonato 1º, com 55 pontos

Emerson nunca admitiu que os acontecimentos de Monza o levaram a trocar a Lotus pela McLaren. Elegante como sempre, Emerson só tinha palavras gentis para com Chapman, a quem sempre considerou como uma professor.

O fato é que ele trocou e fez muito bem, pois 74 foi um ano péssimo para Lotus, assim como os seguintes. O campeonato foi divertido e cheio de alternativas: em 15 corridas, houve sete vencedores diferentes, nenhum deles com mais de três vitórias, pilotando para cinco equipes, todas com chances reais no campeonato. Para a última corrida, nos EUA, Emerson e Clay Regazzoni chegam com o mesmo número de pontos, com Jody Scheckter com chances matemáticas de batê-los. Dennis Hulme, Niki Lauda, Carlos Reutmann e Ronnie Peterson também ganharam corridas ao longo do ano.

Emerson ganhou fácil no Brasil e depois na Bélgica e Canadá.

A última corrida do ano, em Watkins Glen, nos Estados Unidos, Emerson e Regazzoni somam 52 pontos e Scheckter 45. As esperanças de Scheckter acabaram cedo, com as Brabham de Reutmann e Pace disparando na frente. Regazzoni tem problemas na largada e se atrasa. Ele disse, anos mais tardes, que o seu caráter "não lhe permitia pensar seriamente no título" e que dormiu profundamente na noite anterior à corrida.
Enquanto isso, Scheckter continua correndo em 5º, vigiado de perto por Emerson, em 6º. Scheckter estava preocupado demais em fazer uma corrida tática para ser competitivo enquanto Emerson estava em casa, tranquilo como sempre. Eles ganham uma posição quando Lauda quebra e o brasileiro mais uma quando o motor de Scheckter pára repentinamente, a quinze voltas do final.
Daí em diante, Emerson apenas cuidou do carro e correu ao encontro ao seu segundo título.

1975 - o último ano competitivo

Equipe McLaren
Carros Lotus McLaren M23
Corridas 13
Poles -
Vitórias 2: Argentina e Inglaterra
Outras colocações 2º no GP do Brasil, Mônaco, Itália e Estados Unidos e 4º na França
Volta mais rápida 1
Colocação no campeonato 2º, com 45 pontos

Em 75, as Ferrari e Lauda tornam-se demasiado poderosas para Emerson, a McLaren e qualquer outra equipe. Apesar de não terem ido bem nas primeiras corridas, restavam poucas dúvidas no começo da temporada européia que o campeonato de 75 era uma questão burocrática para a Ferrari liquidar. E assim foi

O McLaren de Emerson praticamente não mudou em 75. Ele ganhou na Argentina e na Inglaterra, sua última vitória na Fórmula 1. Chegou em 2º no Brasil, atrás de José Carlos Pace, em meio a uma incrível festa de todo Interlagos e se recusou a correr na Espanha, alegando falta total de segurança para piloto e público. na corrida, um acidente provoca a morte de quatro espectadores.

O GP da Inglaterra foi uma das corridas mais loucas de todos os tempos. Dezesseis pilotos bateram - doze na última volta. Dezenove pilotos fizeram pit stops e sete líderes revezaram-se nove vezes na liderança. A largada deu-se com tempo bom, mas uma tempestade de proporcões tropicais se abateu sobre o autódromo. Cinco voltas depois, a chuva parou e a pista começou a secar. Então começa de novo, com violência redobrada e apenas numa parte do circuito, o que pega boa parte dos pilotos desprevinidos, chegando aos 290 km/h ao final da Reta do Hangar e encontrando na Stowe uma versão moderada do dilúvio universal.

Emerson vence - a sua última vitória na Fórmula 1. Em provas complicadas, prevalece a técnica, a calma e, sim, a sorte.

Emerson termina o ano em 2º no campeonato, 19,5 pontos atrás de Lauda. Entre 72 e 75, conquistou dois títulos e dois vice. Ganhou 14 GPs e honrou a Fórmula 1 com sua elegância e esportividade. No ano seguinte, mergulharia no inferno chamado Copersucar..

1976 - começa a aventura Copersucar

Equipe Copersucar
Carros Copersucar Fittipaldi FD04
Corridas 15*
Poles -
Vitórias -
Outras colocações 6º nos GP dos Estados Unidos Oeste, Mônaco e Inglaterra
Volta mais rápida -
Colocação no campeonato 16º, com 3 pontos
*Emerson não se classificou para o GP da Bélgica

Emerson, em 75, se encontrava em posição de exigir - exigir - o melhor lugar na melhor equipe. Preferiu tornar-se construtor e piloto de uma equipe jovem, sem raízes e tradições, que imaginava ser possível construir um carro vencedor apenas com a força de vontade de seus membros.

Não foi, em absoluto, uma atitude de negócios, como se insinuou vários vezes, o que levou Emerson à equipe. Ele certamente ganharia muito mais fora dela. Além do que, era evidente que ele e seu irmão Wilsinho estavam dispostos a investir tudo o que pudessem ganhar na própria equipe.

Além disso, Emerson parecia desmotivado em apenas disputar o campeonato pela McLaren ou outra equipe qualquer. Ganhar um terceiro título não parece tão importante para quem ganhou dois - ganhe-os e verá você também.

A Copersucar-Fittipaldi lutou desde o começo contra uma espécie de maldição. Os poucos sucessos ou momentos de otimismo foram duramente punidos com largos períodos de resultados negativos. A equipe nunca teve uma fase de relaxamento e distensão, onde a consistência dos resultados pudesse crescer e se fortificar.

Era arriscado construir um carro naquela altura ainda que houvesse um grande estímulo à criação de novas equipes, dada a rápida expansão e profissionalização da Fórmula 1. Os desenvolvimentos aerodinâmicos aconteciam em grande quantidade, culminando com a criação do efeito solo. Olhando em retrospecto, as chances de insucesso de um projetistas eram muito grandes.

Aproximadamente nos mesmo período de vida da Copersucar-Fittipaldi, muitas outras tentativas sólidas e bem intencionadas forma feitas e encerradas sem qualquer resultados. Por exemplo: Alfa Romeo, ATS, Ensign, Hesketh, Lola, March, Parnelli, Penske, Shadow, Surtees, Theodore e Wolf, para citar apenas as mais regulares e duradouras. Em diferentes escalas, todas fracassaram.

Na verdade, mesmo potências como a Lotus, McLaren e a Ferrari entraram em colapso. A Lotus não sobreviveu. A McLaren só se reergueu depois da troca do seu controle acionário e a Ferrari gramou 18 anos sem títulos. Apenas uma equipe conseguiu trocar o fundo do grid pelas vitórias no período: a Williams.

Ricardo Divila construiu um novo carro para a estréia de Emerson, o FD 04, sem dúvida o carro mais belo da temporada.

Em Interlagos, na abertura do campeonato, as coisas parecem ir bem. Emerson é o 5º no grid, um segundo mais rápido do que Moco, com Brabham. Larga bem e chega a ocupar o 3º lugar por alguns momentos mas termina a primeira volta em 8º. Daí em diante, o motor falha intermitentemente e ele se arrasta até o final, chegando em 13º, a três voltas de Niki Lauda, num prenúncio do que seriam os anos seguintes.

O inferno se revela plenamente na África do Sul: 22º no grid e 17º na corrida, 8 voltas atrasado. O carro, segundo Emerson, tinha uma "completa falta de grip em todos os lugares".

Nas corridas seguintes, fios de esperança e decepção pesada se alternam: 6º em Long Beach, numa corrida onde apenas dez carros chegaram ao final. Não consegue classificar-se para o GP da Espanha. Em Mônaco, chega em 6º, depois de fazer o 7º tempo no grid. Abandona na Suécia e França. Consegue um novo 6º na Grã Bretanha e... mais nada. Nem no ano que estreara na Fórmula 1, Emerson fizera tão pouco assim.

O acidente de Lauda em Nurburgring, na metade final da temporada, rende a Emerson um convite para substituí-lo. Emerson nem se interessou pelos detalhes: simplesmente não concebia a hipótese de abandonar a própria equipe, mesmo para realizar um sonho de infância: "Você entende que o Chico Landi me carregou no colo e o Ferrari com o qual ele correu fora comprado com ajuda do meu pai ? Era um sonho correr pela Ferrari mas eu não podia mais me permitir pensar naquilo", lembra Emerson.

1977 - Novas esperanças em amarelo

Equipe Copersucar
Carros Copersucar Fittipaldi FD04 e F5
Corridas 14*
Poles -
Vitórias -
Outras colocações 4º nos GP da Argentina, Brasil e Holanda e 5º nos Estados Unidos Oeste
Volta mais rápida -
Colocação no campeonato 12º, com 11 pontos
* Emerson não se classificou para os GPs da Alemanha e Itália

Em 77, o prata da Copersucar Fittipaldi, por algum motivo, é trocado pelo amarelo. Dave Baldwin desenha o F5 (sem o D, de Divila), um carro de aparência pesada, que Wilsinho testa em Interlagos.
As primeiras corridas da temporada são promissoras. Correndo ainda com o FD 04, Emerson consegue dois 4ºs lugares na Argentina e Brasil e um 5º em Long Beach.

O F5 estréia na Bélgica e volta a rotina: nas dez corridas seguintes, apenas um 4º na Holanda. Na Alemanha, Emerson falha na classificação pela segunda vez na sua carreira e haveria um terceira, logo depois, na Itália. A situação está tão deteriorada que, nos EUA, Emerson volta ao 04.