Oi Eduardo,

Td bom?

Quando a Fórmula 1 era disputada nos anos 70 no antigo Interlagos, qual era o tempo que um F1 levava para dar uma volta no circuito? E qual era o tempo recorde daquela antiga pista antes de ser reformada?

Abraço

Marcio Marques

O GP Brasil foi disputado no velho Interlagos (temos bastante material e planta da pista antiga aqui no site; usem nossa ferramenta de busca) em 72, em prova extra-oficial, de 73 a 77 e depois em 79 e 80.

Na corrida de 72, a melhor volta foi assinalada por Emerson Fittipaldi, com 2m35s2. O recorde anterior da pista deveria ser algo próximo dos 3 minutos se a memória não me falha mas não saberia dizer a quem pertencia e com que tipo de carro foi assinalado.

Nos anos seguintes, até 77, o tempo de Emerson foi pouco melhorado até que o advento dos carros asa e motores turbo fez os tempos de volta cair para 2m28s76 em 79 (Jacques Lafitte, com Ligier Ford) e 2m27s31 em 80 (René Arnoux, com Renault Turbo).

Em relação aos tempos de treino, a situação é diferente. Em 73, Ronnie Peterson marcou a pole para o GP em 2m30s5, pilotando um Lotus 72; em 80, Jean-Pierre Jabouille encerrou a saga do velho e maravilhoso Interlagos, sem favor nenhum um dos mais belos e desafiantes autódromos já concebidos pelo homem, em 2m21s4, que ficou sendo para o recorde definitivo da pista.

Abraços (EC)


Amigos do GPTotal

Tenho dúvidas a respeito da origem da equipe Williams. Gostaria de saber mais sobre a participação de Frank Williams na Fórmula 1 nos anos 70, pois são várias equipes envolvidas: De Tomaso, Iso-Marlboro, Politoys, etc.

Abraços e parabéns pelo site.

Fabio Kagawa, São Paulo

Olá Fábio

Para responder bem à sua pergunta, Fábio, é preciso distinguir a equipe Williams de Frank Williams, seu fundador e principal acionista.

Tomando como ponto de partida o Marlboro Guide, a equipe Williams, como a conhecemos hoje, surgiu em 73, disputando o campeonato deste ano e o de 74 sob o nome de Iso. De 75 em diante, foi inscrita sob o nome de Williams.

Mas Frank Williams está envolvido com o automobilismo e com a Fórmula 1 em particular há muito mais tempo, tendo estreado na categoria ainda em 69, inscrevendo um Brabham para seu grande amigo Piers Courage. Apesar de poucos recursos, mesmo para os padrões da época, a equipe foi bem, tendo terminado o GP dos Estados Unidos em 2o lugar.

No ano seguinte, Frank correria com um carro que levava o sobrenome do ítalo-argentino Alessandro De Tomaso, fabricado por Gian Paolo Dallara, que você certamente conhece. A experiência foi um fracasso e também um tragédia. O carro era péssimo e acabou cobrando a vida de Courage durante o GP da Holanda.

A partir de 71, Frank passaria a comprar carros da March, os increvendo sob diferentes razões sociais. No GP da França de 71, por exemplo, ele inscreveu dois carros sob o nome de Frank Williams Racing Cars. Já no GP Mônaco de 72, seus carros apareceram como Team Williams Motul, um fabricante francês de lubrificantes. Um desses carros foi entregue a José Carlos Pace, que correu pela equipe onze provas.

Talvez você e muitos leitores não saibam mas, nesta altura, Williams era uma espécie de Minardi piorada da Fórmula 1. Certamente era a equipe mais bagunçada e pobre da categoria e há quem jure que Williams chegou a pagar credores com o próprio relógio.

Outro coisa que você talvez não saiba é que faltou muito pouco, mas muito pouco mesmo, para Emerson Fittipaldi estrear na Fórmula 1 pela equipe. Williams havia conhecido Emerson em 69 e chegou a viajar ao Brasil com um contrato para o brasileiro correr para ele, além de ter insistido várias vezes durante os primeiros meses de 70. Mas Emerson resistiu à pressão até que surgiu o convite da Lotus.

Abraços (EC)


Não é bem uma sugestão, mas gostaria que fosse publicada a diferença de regulamentos da F1 desde o primeiro, para podermos avaliar as mudanças.

Nei Gama Teixeira, Porto alegre

Vamos lá, Nei, ressalvando que vamos nos limitar apenas às mudanças mais importantes do regulamento. Minha fonte é o “santo” Marlboro Guide.

1950 e 51: os carros deveriam ter motores de 1,5 litro com compressor ou 4,5 litros sem compressor

52 e 53: não me pergunte por que mas o Mundial de Pilotos foi disputado com carros de Fórmula 2, com motores de 2 litros sem compressor ou meio litro comprimido.

54 a 60. De volta à Fórmula 1, com motores de 0,75 litro com compressor ou 2,5 litros sem compressor. Não havia peso mínimo para os carros.

61 a 65. Os motores deveriam ter entre 1,3 e 1,5 litro, sem compressor. Fixa-se um peso mínimo de 450 kg incluindo água e óleo.

66 a 83. Os motores devem ter 1,5 litro comprimido ou 3 litros sem compressão (o que vai se fixar como padrão até a estréia dos motores turbo da Renault em 77). Peso mínimo de 500 kg nas mesmas condições anteriores. Em 70, o peso mínimo sobe para 530 kg e, em 72, para 550 kg. Eram as primeiras e tímidas medidas para melhorar a segurança daquelas verdadeiras guilhotinas de piloto. O peso mínimo continuaria aumentando até 82, quando é fixado em 580 kg. No ano seguinte, me perdoe mas não sei explicar o porquê, o peso mínimo cai para 540 kg.
No final de 82, os carros asa, como foram concebidos no final dos anos 70, tornam-se proibidos. As autoridades fazem isso por meio de uma série de regras de projeto que não existiam antes simplesmente porque não se concebia o uso do efeito asa nos carros.
No caso do efeito asa, o regulamento recomendou que o fundo dos carros fosse perfeitamente plano entre os eixos dianteiro e traseiro. Na prática, isso tornava impossível o efeito asa mas abria possibilidade para novas e ousadas pesquisas envolvendo o espaço dos carros entre o bico e o eixo dianteiro e o eixo traseiro e o fim do carro.

84 a 86. O regulamento mantém-se mas, no auge do desenvolvimento dos motores turbo, usados por praticamente todas as equipes, as autoridades decidem intervir de forma a limitar o desempenho dos carros, fixando um limite para o combustível que podia ser embarcado - 220 litros, sem direito a reabastecimento durante a corrida. Talvez você se lembre daquelas corridas de Senna pela Lotus em 85 quando, em várias oportunidades, teve de parar por falta de gasolina nas últimas voltas da prova. Em 86, o combustível é limitado a 195 litros e os motores aspirados são proibidos.

87 e 88. As coisas se complicam para os turbos. É fixado um limite de pressão para os compressores: 4 bars. Motores aspirados voltam a ser aceitos, com capacidade de 3,5 litros, peso mínimo do carro de 500 kg e livre consumo de combustível mas sem direito a reabastecimento. No ano seguinte, a pressão do turbo cai mais ainda: 2,5 bars e a capacidade dos tanques dos carros turbo é ainda menor: apenas 150 litros (imagine a ginástica dos engenheiros: cinco anos antes, eles podiam gastar uns 250 litros de gasolina por corrida). Mesmo assim, os motores turbo da Honda mandam na categoria como querem.

89 a 93. Revolução na Fórmula 1! Os motores turbo são banidos. Os carros devem ser equipados com motores atmosféricos de 3,5 litros, peso mínimo de 500 e livre consumo de combustível. O reabastecimento continua proibido.

94. Outra revolução. Várias aplicações eletrônicas, sobre as quais o regulamento até então era omisso, são proibidas, tais como suspensões, controles de tração e outras. O peso mínimo é ligeiramente aumentado e o reabastecimento tornado livre. Mas vem Imola e as autoridades entram em pânico. O desempenho dos carros precisa ser limitado de qualquer maneira. Uma das maneiras encontradas é aumentar o peso mínimo para 520 kg.

95 e 96. Os motores têm a sua capacidade reduzida para 3 litros. O peso mínimo passa para 595 kg incluindo o piloto. Em 97, o peso mínimo passa para 600 kg.

Abraços (EC)

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