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ola moçada
vcs poderiam me informar um pouco mais sobre o tgp,que é um campeonato
realizado pela fia que conta com a participaçao de carros antigos,gostaria
que vc contassem(se vcs souberem)sobre os carros,pilotos e provas que
acontecem.
abraços
glaucio dos santos fonseca, manaus
Olá,
Gláucio. A TGP (Thoroughbread Grand Prix, sendo “thoroughbread”
uma palavra com o mesmo significado que a nossa expressão “puro-sangue”)
é aberta somente a carros com motor aspirado de 3,0 litros –
ou seja, os que eram admitidos no Campeonato Mundial de F 1 entre 1966
e 1986. Carros com motores turbo ou posteriores a esse período
não são admitidos porque sua potência é excessiva
para as habilidades dos pilotos da TGP – todos amadores e, claro,
muito ricos, já que a restauração e manutenção
de um carro de F 1 de qualquer época é bastante cara.
Podem-se encontrar carros de praticamente todas as marcas na TGP. Os mais
numerosos,
claro, são os ingleses: há uma boa quantidade de Lotus,
Tyrrell, Brabham e Williams competindo. Mas há também uma
Ferrari e até mesmo um Fittipaldi F5A. É importante lembrar
que muitos proprietários de carros de F 1 antigos preferem deixar
suas máquinas em museus (abertos ao público ou particulares)
a arriscar um prejuízo para suas máquinas. E é importante
lembrar que muitos dos carros da TGP têm sua decoração
ligeiramente diferente da original. Os números, por exemplo, quase
sempre são diferentes do que os pilotos usavam nos GPs oficiais.
Outra
curiosidade: nem sempre os carros mais competitivos das temporadas oficiais
são os vencedores das provas da TGP. Em 2004, por exemplo, o campeão
foi o português Rodrigo Gallego, que correu com um March 761. Esse
carro venceu uma corrida em 1976 (graças principalmente à
habilidade de Ronnie Peterson), mas “queimou” as carreiras
de Alex Dias Ribeiro e Ian Scheckter em 1977.
A TGP tem um calendário próprio. Em 2004, realizou a corrida
de abertura da temporada como preliminar do GP de Bahrein de F 1. As outras
etapas foram realizadas em Jarama (Espanha), Donington (Inglaterra), Monza
(Itália), Zolder (Bélgica), Lausitz (Alemanha), Brno (República
Tcheca) e Estoril (Portugal).
Segue uma coletânea de fotos dos carros que correm na TGP. Abraços.
(LAP)
 
 
 
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Olá galera do GePeTo,
Vendo as alterações no regulamento para a próxima
temporada no que diz respeito à aerodinâmica, que tem a finalidade
de reduzir down force e aumentar o arrasto, me veio a cabeça ulgumas
dúvidas:
1) Quando os carros de F1 passaram a ter as rodas descobertas isto ocorreu
por que, na época se achava que o carro seria mais rápido
ou foi por uma imposição do regulamento?
2)
Hoje em dia será que um F1 com rodas cobertas seria mais rápido?
Obrigado!
Fabiano, Itajaí/SC
Olá, Fabiano. Na verdade, os carros de Grand Prix, depois chamados
de “Fórmula 1”, sempre tiveram as rodas descobertas.
Os primeiros automóveis (os de rua, mesmo) não tinham rodas
cobertas. Depois os pára-lamas passaram a ser usados, mas continuaram
fora dos carros de corrida para diminuir o peso – lembre-se que
no começo do século a aerodinâmica ainda era uma ciência
muito pouco estudada, ao menos em comparação com hoje. Mais
tarde, na década de 30,
alguns carros carros de Grand Prix, principalmente os Mercedes e Auto
Union, usaram carrocerias que cobriam as rodas em circuitos de alta velocidade.
Na década de 50, a primeira do Campeonato Mundial, as carrocerias
que cobriam integralmente as rodas só foram usadas pela Mercedes
(somente em pistas de alta, como Monza e Silverstone) e pelos carros esporte
que eventualmente se misturavam aos verdadeiros F 1 em algumas corridas
– notadamente o GP da Alemanha,
onde a extensão do circuito de Nurburgring (mais de 22 km) incentivava
os organizadores e a própria FIA a aceitarem outros tipos de carro,
como os Fórmula 2 e os carros esporte, para “preencher”
a pista. Em 1957, por exemplo, o GP da Alemanha, teve a participação
de três Porsche 550, um carro esporte de dois lugares. Nas corridas
de carros esporte, ele era um carro bastante competitivo em sua categoria
(até 1.500 cm³), mas obviamente pouco podia fazer contra autênticos
monopostos de F 1 com motores de 2.500 cm³. Somente na década
de 60 é que o regulamento passou a exigir que as corridas fossem
disputadas somente por carros monopostos (um só lugar)
e com rodas descobertas.
Sobre a segunda pergunta: depende de como as rodas seriam cobertas. Se
as carenagens ganhassem linhas fluidas, haveria um ganho expressivo de
velocidade na maioria dos circuitos. Na década de 90, o campeonato
europeu Intersérie, historicamente destinado a protótipos
(rodas cobertas), admitia carros de F 1, F 3000 e F Indy de anos anteriores,
mas exigia que a banda de rodagem dos pneus fosse coberta com uma pequena
carenagem feita em fibra de carbono. Nesse caso, o ganho aerodinâmico
era nenhum, já que as linhas originais continuavam praticamente
inalteradas. Abraços. (LAP)
Gostaria de saber se já houve alguma
ligação entre a Ford e a Weslake, que fornecia motores para
a Eagle nos anos 60, pois li numa revista antiga que alguns Gulf-Mirage
foram equipados com um motor Ford v-12, e até uma Brabham BT-39
foi construída, testada, mas nunca chegou a correr.
Um abraço
Alexandre Fanteza, Pouso Alegre, MG
Oi Alexandre
Sua resposta é uma gentileza do Victor Lagrotta, grande amigo
da gente aqui no GPTotal. Aí vai ela:
Para surpresa de muitos, existem dois motores Weslake. O primeiro foi
construído para a equipe Eagle de F-1 de Dan Gurney, e foi, de
certo modo progenitor do segundo, o motor Ford-Weslake V-12. Ambos foram
construídos pela Weslake & Co. de Rye Horbour, Inglaterra.
O
primeiro motor teve o financiamento da Goodyear, que queria perder a imagem
de empresa atrasada e caipira investindo pesado em competições.
Foi ela quem bancou US$ 186 mil no desenho, construção e
desenvolvimento do motor que, com Gurney, obteve uma vitória em
Spa em 1967, mas foi amplamente superado pelo Cosworth DFV, que era mais
compacto e potente.
Como diz o ditado, em automobilismo a velocidade final depende de quanto
dinheiro você tem... Detalhe: existe uma história deliciosa,
sem relação com os motores Weslake, de que Bruce McLaren
(sim, o próprio), que liderava uma das equipes da Ford em Le Mans
66, tendo Chris Amon como co-piloto, e tinha forte patrocínio da
Firestone (sendo o único a correr com eles), enfrentou problemas
de descolamento da banda de rodagem.
Depois do terceiro pneu em frangalhos, e provavelmente décima
cueca suja, McLaren percebeu que a única chance era mudar para
Goodyear. Então, pediu um jogo de pneus no box ao lado, montou
no carro, mandou o Amon detonar (até parece redundância,
o cara tinha o pé mais pesado que carga tributária do governo
Lula) e foi acertar a parte política com o patrocinador; melhor
pedir penico na pista que cumadre (nota: vasilhame infame de aço
inox utilizado para recolher dejetos) no hospital, ou asa no céu.
Resultado: vitória, embora discutível pela decisão
dos comissários, uma vez que os três Ford GT-40 MK II cruzaram
juntos a bandeirada. O Panda vai fazer, dia desses, um especial e contar
como decisões mercadológicas estapafúrdias atrapalham
o esporte. 
Voltando ao motor, quando Harry Weslake, Stuart Turner (diretor da Ford
Motorsport) e Len Bailey (projetista que fez o desenvolvimento do GT-40)
encontraram-se no GP da Inglaterra de 1970 e selaram a nova parceria,
a idéia não era usar o motor na F-1, uma vez que o DFV era
extremamente bem sucedido. Entretanto, muitas equipes pretendiam utilizar
o motor em provas de longa duração, fato que tinha grande
oposição de seu desenhista Keith Duckworth. Ele sabia que
algumas características do motor não casavam bem com provas
longas, principalmente por problemas de vibração harmônica
ao redor dos 8 mil – 9 mil RPM. Portanto, um motor Weslake V-12
com o emblema da Ford preencheria uma brecha no campeonato de esporte-protótipos
e poderia ser uma alternativa viável se o motor DFV perdesse o
fôlego.
Os termos do acordo entre Walter Hayes (Diretor de competições
da Ford Europa), John Wyer (team manager da lendária equipe Gulf)
foram os seguintes: a Weslake desenvolveria o motor, a Ford compraria
e revenderia para a Gulf, que teria exclusividade, assim como a Lotus
teve com o DFV na Fórmula 1. Se o motor não atendesse certos
parâmetros de desempenho, a Ford seria obrigada a comprar de volta
o motor pelo mesmo preço que vendeu.
Em comum com o motor usado pela Eagle na F1, o motor tinha apenas as
dimensões dos cilindros (75 x 56.6 mm, total 2.995 cc), mas o bloco
de liga de alumínio e todos os componentes foram projetados para
suportar os rigores de provas de longa duração. O motor
completo pesava 175 kg , sem a embreagem.
No primeiro teste de dinamômetro em 20 de dezembro de 1971, ele
alcançou 450 HP, comparados com os 451 de um DFV no mesmo equipamento.
Com um pouco de desenvolvimento, ele estava fazendo mais de 460 HP.
O relacionamento começou a azedar em setembro de 72, com a insistência
de Weslake em entrar no mercado de motores de F-1, e a realização
de um teste em Silverstone em um Brabham BT-39 pilotado por Graham Hill,
com péssima repercussão (o carro, não o piloto; dizem
as más línguas que os resultados vazaram através
de um jornalista amigo de Duckworth; na guerra, no amor ou nos negócios
vale tudo...).
Os fatos só pioraram quando em sua primeira e única corrida
nos Gulf-Mirage M-6, as 24 horas de Daytona, ambos os motores quebraram
nos treinos, assim como o único carro que participou da corrida.
Nos testes em Le Mans, a equipe Gulf-Mirage apareceu com um M-6 equipado
com um motor DFV (certamente uma resposta comercial, se não tecnológica,
da Cosworth ) e outro com o Weslake, que fez tempos até 16 segundos
piores que o DFV (teoria conspiratória: um mecânico, ex-funcionário
da Cosworth, teria montado de maneira errada as engrenagens do cambio,
causando perda de velocidade final).
Segundo
Derek Bell, que pilotou ambos os carros, o problema do M-6 com motor Weslake
ocorreu devido ao estilo cupê fechado da carenagem, com maior arrasto
e pior aspiração de ar para a admissão. Derek dirigiu
carros idênticos em Silverstone, um com DFV e outro com Weslake,
sem diferença substancial entre ambos, exceto que o Weslake apresentava
torque em rotações mais baixas, tendo uma condução
mais agradável, enquanto que, comparativamente, o DFV V-8 tinha
uma entrega de potência mais estúpida que carcereiro do cadeião
de Pinheiros (copyright do Tite; depois ele diz que não fuma nem
toma chá de cogumelo!).
A coisa estava mais complicada e estressante do que exame de DNA na TV,
a Ford tinha um enorme abacaxi nas mãos, e o pau quebrou na casa
do Noca, com dois motores pretensamente não concorrentes disputando
clientes nos mesmos mercados, e um deles exigindo ainda grandes investimentos
(entendeu agora a comparação com o resultado do teste de
DNA?).
A crise do petróleo de 1973 veio solucionar o caso, quando os
orçamentos da Ford Motorsport foram muito reduzidos, e o suporte
para o Weslake desapareceu. A Ford tinha investido £ 39 mil e não
tinha nada em troca, embora Harry Weslake dissesse que investiu mais de
£ 150 mil. Determinado a reaver parte do investimento, Harry processou
a JWA (John Wyer Automobiles) por falha na instalação e
desenvolvimento e o caso teria chegado até a Suprema Corte se não
tivesse sido feito um acordo (muito provavelmente com ajuda financeira
da Ford, que queria evitar mais embaraços). Para efeito judicial,
o sexto e último motor construído foi testado na Swindon
Racing Engines e atingiu 464 HP a 10.750 RPM, validando as afirmações
de Harry Weslake .
O ato final da tragédia ocorreu quando Michael Daniel, gerente
geral da empresa e enteado de Harry Weslake, a fim de evitar que ele gastasse
mais dinheiro no motor e afundasse a empresa, vendeu os projetos, moldes
e ferramental para Terry Hoyle por £ 10 mil.
Assim, Harry Weslake nunca realizou o seu sonho de construir um motor
de F-1 para derrotar o DFV. Ele morreu quatro anos depois, em pleno estádio
de Wembley, assistindo o seu motor para motos dominar a final do campeonato
de speedway .
Grande Abraços (Victor Lagrotta)
Sempre li sobre o campeonato de 1959, onde
o Brabham com um Cooper vence o campeonato empurrando seu carro na reta
final sem gasolina.
Porém, vendo o resultado desta corrida
percebo que ele chegou ainda na mesma volta do lider, 4'57"3 atrás
e o quinto colocado, Innes Ireland, com um Lotus Climax chegou 3 voltas
atrás do lider Bruce Mclaren. Portanto, caso o Jack Brabham não
tivesse cruzado a linha nesta volta ainda seria campeão, correto?
Gostaria que vocês, os maiores comentaristas
de f1 do brasil me exclarecessem esta dúvida.
Robinson Araujo, Cuiabá
Errado, Robinson.
Isso porque o regulamento da época obrigava o piloto a terminar
a receber a bandeirada para ser classificado, independente do número
de voltas percorridas. Por isso, era comum pilotos que abandonaram nas
últimas voltas ficarem como "Não classificados",
enquanto pilotos mais lentos eram considerados "classificados".
Somente mais tarde essa regra foi alterada e ficou parecida com a atual,
que determina uma distância mínima percorrida (atualmente,
90% das voltas do vencedor) para o piloto, mesmo não terminando
a corrida, ser considerado classificado e, se for o caso, receber os pontos.
Abraços. (LAP)
Sempre fui fã dos Lancia de Rally, talvez
por que tenha começado a gostar de carros na década de 80.
Até hoje acho o 037 e o Delta lindos!
No entanto reparei que a marca sumiu do cenário,
o que aconteceu? Ela chegou a correr na Fórmula-1??
Gustavo Conrado Homrich, Porto Alegre
...
Grandes amigos do GPTotal !
Mais uma vez eu venho pedir ajuda as pessoas
que sempre me ajudaram e mais uma vez fico muito grato pela atenção.
Gostaria de tirar uma dúvida sobre o
que teria sido a fusão da Lancia com a Ferrari na década
de 50. Eu até hoje não entendo se eram parceiras ou se não
tinham uma coisa a ver coma outra. Por favor, gostaria que alguém
me ajudasse.
Obrigado pela oportunidade.
Leonardo Gabriel, Brasília-DF
Oi Gustavo, oi Leonardo
A Lancia integra o grupo Fiat, que vem, já há alguns anos,
contendo seus investimentos em outras categorias em benefício da
Ferrari. Daí o sumiço da Lancia e da própria Fiat
dos ralis (ainda que muita gente na Itália prepare carros da marca
para as competições locais) e o quase sumiço da Alfa,
que também pertence ao Grupo e que já disputou Fórmula
1, Fórmula Indy, DTM e Turismo europeu.
Quanto
à presença da Lancia na Fórmula 1, aconteceu nos
anos 50. Foram apenas quatro GPs: Espanha 54 e Argentina, Mônaco
e Bélgica 55, nenhum ponto marcado, ainda que tenha obtido duas
poles e uma melhor volta, com Alberto Ascari e Eugenio Castellotti. Lembra-se
daquela incrível história do mergulho de Ascari, com carro
e tudo em Mônaco? Pois ele pilotava um Lancia na ocasião.
Fim da história da Lancia na Fórmula 1? De jeito nenhum.
Na verdade, a marca protagonizou um dos acontecimentos mais inesperados
dos 55 anos da categoria.
Durante o verão europeu de 1955, pressionada por dívidas
enormes, a Lancia decide abandonar as competições, decisão
reforçada pela morte, em 26 de maio, de Alberto Ascari (uma história
quase que inacreditável. Usem a nossa ferramenta de busca para
saber mais sobre ela, assim como sobre o “mergulho” de Ascari
em Mônaco).
Mas o que fazer com os carros e patrimônio da equipe? O Lancia
D50 era considerado um carro à altura dos Mercedes, a força
dominante da Fórmula 1 à época,
precisando apenas de mais tempo e investimento em seu desenvolvimento.
Aparece em cena, então, a Fiat, que paga uma considerável
importância para ficar com a Lancia e faz com que esta doe seu acervo
de carros de Fórmula 1, ferramentas e mesmo técnicos à
Ferrari. Detalhe: nesta época, a Fiat não era, como é
hoje, acionista da Ferrari. Para a equipe, foi mais do que um presente
de Natal pois seus carros, nos últimos onze GPs (desde a estréia
da Mercedes), haviam perdido oito para a marca alemã.
Mas Enzo Ferrari, do alto do seu orgulho, não gostou muito da
história e sempre minimizou o pagamento feito pela Fiat, apresentando-se
como a pequena equipe que luta contra os gigantes estrangeiros.
Os resultados da “doação” não apareceram
de imediato e a Mercedes fez dobradinha
no GP seguinte, disputado em Monza. Mas esta foi a última corrida
da equipe alemã na Fórmula 1. Em 56, com o Lancia rebatizado
como Lancia Ferrari D50 (ainda que Enzo tenha sempre insistido que o carro
teria sido todo refeito), Juan Manuel Fangio como primeiro piloto e uma
oposição enfraquecida, a Ferrari vence cinco dos oito GPs
do ano (incluindo Indy) e dá ao argentino o seu quarto título.
No ano seguinte, os Lancia Ferrari aparecem apenas na primeira corrida
do ano, Argentina. Depois, a Ferrari apresenta um novo carro e as coisas
voltam ao normal.
Abraços (EC)
Nos últimos meses, quatro leitores (Herik Nelson, de Belo Horizonte-MG;
Fábio Augusto, de Sorocaba-SP; Marcelo Cardoso, de São Paulo-SP;
e Guilherme Soares da Silva, de Santos-SP) enviaram ao GPtotal perguntas
sobre o mesmo tema: o FD 01, o primeiro carro da equipe Copersucar-Fittipaldi.
Aproveitando a recente apresentação do carro, totalmente
restaurado, estamos finalmente dando as respostas. Divirtam-se! (LAP)
Olhar
hoje o Fittipaldi FD 01 é um exercício de nostalgia e de
estudo da evolução da Fórmula 1. Procure qualquer
foto de carro de F 1 do começo da década de 1970 e tente
achar um que tenha motor totalmente carenado (coberto). Tarefa difícil,
a não ser que você olhe para o FD 01. Cobrir o motor, algo
que se tornaria comum poucos anos depois, foi apenas uma das idéias
do projetista Ricardo Divila ao projetar seu primeiro carro de Fórmula
1 – o primeiro da equipe Fittipaldi, o primeiro feito na América
do Sul, o primeiro inteiramente projetado por um engenheiro sul-americano.
O formato do FD 01 foi desenvolvido a partir de testes feitos no túnel
de vento da Embraer. Boa parte da forma original do carro nasceu desses
testes. Por ser seu primeiro F 1, Divila lembra que fez e refez praticamente
todos os cálculos possíveis para que nada desse errado.
O perfil da carroceria foi traçado para levar o fluxo de ar de
volta à tampa do motor e para dentro dos dois dutos localizados
na traseira – um perto do cockpit, outro já na extremidade
final. Esses dutos levariam ar fresco para os radiadores de óleo
(localizado dentro da carenagem, em posição longitudinal)
e de água (localizado atrás da caixa de câmbio).
Em entrevista concedida no final de 1974 à revista Grand Prix,
Wilsinho Fittipaldi contava as dificuldades iniciais: “Não
tínhamos fábrica, pessoal, nada. Tivemos que começar
tudo do zero. Depois de montarmos a fábrica, encontrar pessoal
e treinar essas pessoas, passamos quase todo o ano trabalhando todos os
dias até meia-noite, uma hora da manhã”, conta. Em
outra entrevista, concedida meses antes à mesma revista, Wilsinho
revelou que o FD 01 usaria a caixa de direção do Chevette,
um carro pequeno que havia sido lançado no Brasil no ano anterior
pela General Motors. E brincou: “Tem gente que vai achar que estamos
fazendo Mecânica Continental, mas a caixa de direção
do Chevette é perfeita para nós. Além disso, o Lotus
72 usa caixa de direção do Ford Cortina (NDR: modelo médio
que era um dos mais vendidos da Ford na Grã-Bretanha). Outros tempos...
Sobre o projeto em si, Divila afirmava: “Queríamos um carro
simples, com muitas alternativas internas. O FD 01 tem pontos de fixação
diferentes para a suspensão e podemos mudar qualquer coisa para
achar os pontos corretos. Felizmente, tínhamos outros F 1 por perto
e pudemos estudar como essas coisas funcionam em outros carros”.
Esses “outros F 1” eram nada menos que um Lotus 72 (ex-Graham
Hill), um March 711 (ex-Ronnie Peterson), um Tyrrell 002 (ex-François
Cevert) e um Brabham BT 34 (que o próprio Wilsinho pilotou em 1972,
seu ano de estréia na F 1). No final de outubro de 2004, perguntei
a Divila, que estava no Brasil, como é que os Fittipaldi haviam
conseguido comprar todas essas jóias. Resposta: “Esse negócio
de preservar carros pelo valor histórico é algo que só
começou a ser levado a sério na década de 1980. No
começo dos anos 70, ninguém ligava para carros de corrida
usados: para as equipes, era lixo. Era comum os carros serem ‘canibalizados’
para a construção de novos. Podia-se comprar um F 1 ‘aposentado’
a preço de banana”. Outros tempos, parte 2...
Segundo dados da época, o FD 01 tinha distância entre-eixos
de 240 cm, bitola dianteira de 151 cm e traseira de 150 cm. Para quem
acha estranho a bitola traseira menor que a dianteira, explique-se: “bitola”
é a distância obtida entre o centro dos pneus de um mesmo
eixo. Embora os traseiros fossem na época bem mais largos que os
dianteiros, a diferença no tamanho dos eixos propriamente ditos
acabava deixando as bitolas com dimensões bastante parecidas. O
monocoque central era feito em duralumínio com especificação
2024. Somados, os três tanques de combustível (dois laterais
e um sob o assento) tinham capacidade para 180 litros.
Nessa configuração, o FD 01 fez vários testes em
Interlagos, no final de 1974, e estreou no GP da Argentina de 1975, prova
que abriu a temporada daquele ano. Wilsinho pretendia apenas terminar
a corrida e colher o maior número possível de informações
sobre o carro. Mas a corrida de Wilsinho terminou na 13ª volta: a
quebra da junta esférica da suspensão traseira jogou o carro
contra o guard-rail e provocou um princípio de incêndio.
Wilsinho escapou ileso, mas o carro ficou bastante danificado.
Na segunda corrida, em Interlagos, o carro já surgiu modificado,
com os radiadores em posição normal, colocados nas laterais,
e com uma tomada de ar idêntica à dos demais F 1 da época.
Esta última mudança foi ditada pelo fato de a configuração
anterior obrigar Wilsinho a dirigir em posição muito baixa
(para deixar livre o fluxo de ar para a tomada do motor, mais baixa que
o usual nos carros da época) e que prejudicava sua visibilidade.
Desta vez, o FD 01 (que já era chamado por alguns de FD 02, devido
à aparência completamente diferente) chegou ao final em 13º
lugar, sendo quase tão festejado quanto José Carlos Pace
e Emerson Fittipaldi, que fizeram a primeira dobradinha brasileira em
um GP de F 1. (LAP)
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