Bom, é a primeira vez que escrevo para este site, um dos melhores que já vi sobre Fórmula 1. Li a pouco uma resposta a uma pergunta sobre os tabefes que o Senna queria dar no Schumacher em 92, e vi uma citação sobre uma briga com o Elio de Angelis no GP da África do Sul de 1985. Que briga foi essa? Sequer sabia que havia ocorrido. E os dois eram companheiros de equipe...
Márcio Vilarinho Amaral (Recife-PE)


Olá, Márcio. A imagem que mostramos aqui foi publicada na época pela revista italiana Auto Sprint, a preferida do Edu. A reprodução não é das melhores porque a foto estava em uma dobra de página. Ela mostra Senna e de Angelis instantes depois do incidente que deu origem à briga nos boxes.
Na sétima volta, de Angelis se preparava para fazer a curva no final da reta dos boxes quando foi surpreendido com uma fechada de Senna, que havia resolvido passar seu companheiro de equipe por fora. Os dois carros se tocaram e o italiano precisou tirar o pé do acelerador para evitar um acidente grave.
Senna completou apenas mais uma volta e abandonou a corrida com pane no motor. De Angelis parou após 52 voltas (a corrida teve 75), pelo mesmo problema. No box, o italiano acusou Senna de ter agido como “um perfeito idiota”. Os dois começaram a discutir, trocaram empurrões e chegaram a se bater. Nessa confusão, de Angelis teria dado um soco em Senna.
De Angelis, vencedor de dois GPs (Áustria/1982 e San Marino/1985), era considerado um dos pilotos “cavalheiros” da F 1. Era rico, refinado e tocava piano perfeitamente. Em 1986, trocou a Lotus pela Brabham. Disputou quatro GPs antes de morrer devido aos ferimentos sofridos em um acidente durante testes no circuito de Paul Ricard. Foi por causa desse acidente que o traçado do circuito francês foi modificado (para pior, na minha opinião) a partir do GP da França de 1986. Abraços.(LAP)

Soube que na história da Fórmula 1 pilotos mexicanos disputaram grandes prêmios. Teria sido algum dos Hermanos Rodriguez? Quantos pilotos deste país chegaram a esta categoria? Quais os seus nomes? Quantos Gps conquistaram no total?
Paulo Roberto (Rio de Janeiro-RJ)


Olá, Paulo. Sim, houve pilotos mexicanos na F 1, dos quais o maior destaque foram justamente os "Hermanos Rodriguez", Pedro e Ricardo. Este, muito jovem, correu no começo dos anos 60 e morreu justamente por ocasião do primeiro GP do México, pilotando uma Ferrari. Correu pouco, mas fez bonito e era considerado um piloto de futuro. Pedro, por sua vez, também era extremamente habilidoso, um dos melhores do cenário mundial em sua época. Venceu apenas dois GPs (África do Sul/1967 e Bélgica/1970), mas fez nome como piloto da Porsche e da Ferrari no Mundial de Marcas (protótipos e carros esporte, corridas de longa duração). Morreu em 1971, no auge da forma e da popularidade, durante uma corrida do campeonato europeu de Intersérie (protótipos) disputada em Norisring, na Alemanha. Uma ironia: o acidente foi involuntariamente provocado por um piloto alemão chamado Kurt Hild, que pilotava um Porsche 910. Rodriguez era piloto da equipe oficial da Porsche no Mundial de Marcas, mas nessa corrida estava ao volante de uma Ferrari (os tempos eram outros...). Exatamente a mesma marca do carro que seu irmão pilotava quando morreu.
Além deles, lembro (de memória e sem consultar livros) de Moisés Solana (que correu somente GPs do México nos anos 60, tendo a particularidade de ser o único piloto da história a largar em um GP com o número 13) e, nos anos 70 e 80, Hector Rebaque, que chegou a ser companheiro de Nelson Piquet na Brabham. Abraços. (LAP)

Caro Edu, antes de mais nada gostaria de dizer que estou devorando seu livro. Já li diversos livros sobre o tema, mas nenhum me fascinou tanto. Durante a hora que passo dentro do ônibus a caminho do trabalho venho rindo como se estivesse vendo as imagens diante de mim. Tenho apenas 24 anos, e não conhecia as histórias da época em que Émerson barbarizou na F-1.
Surgiram então duas dúvidas:
Na sua opinião, o acidente de Rindt foi decisivo para a carreira do Rato? Émerson seria capaz de batê-lo como fez com Peterson?
E como ficaria o ranking de vitórias se fossem computadas as corridas extra-campeonato?
Abraços, e parabéns mais uma vez
Márcio Madeira da Cunha (Nova Friburgo-RJ)


Olá, Márcio. Quem responde é o Pandini, já que o Edu está curtindo férias na ilha de Sumatra, na Indonésia. É muito difícil saber como teria sido a carreira de Emerson se Rindt não tivesse morrido. Pouco antes de morrer, o piloto austríaco havia manifestado desejo de se afastar da F 1 e correr somente uma ou outra prova de F 2, mas ainda não havia tomado nenhuma decisão. Mas, por aí, já se pode prever que dificilmente Rindt chegaria "na ponta dos cascos" em 1972, o ano do título de Emerson.
Quanto às corridas extracampeonato, cabe uma explicação: elas eram numerosas até o começo dos anos 70, mas era muito raro terem todas as equipes na lista de inscritos. O GP do Brasil de 1972 (extracampeonato) não teve Ferrari, Tyrrell e McLaren. Por isso, uma pontuação hipotética considerando os resultados dessas provas seria de muito pouco valor. Mas é bom lembrar que, em 1972, Emerson correu os 12 GPs válidos pelo campeonato, mais as cinco ou seis corridas extracampeonato e várias provas de Fórmula 2. Venceu cinco GPs oficiais, três provas de F 2 e quatro extracampeonato de F 1. Foi campeão de F 1 e também do torneio de F 2 realizado no final do ano, com três provas em Interlagos. Não foi à toa que ele virou ídolo. Abraços. (LAP)

Caro Panda,
no ano de 88 por pouco não foi quebrada a lei das hegemonias que o Edu descreve tão bem em seu livro. Sei dos vários motivos que não permitiram que a Williams continuasse a desenvolver o carro de 87. Mas a pergunta é a seguinte: SE a Williams continuasse em 88 a correr de Honda, com Piquet e Mansell, e desenvolvendo o ótimo chassis de 87, o que você acha que poderíamos ter visto em 88?
Como ficaria, na sua opinião, a classificação final? Quero saber tb a opinião do Edr quando ele voltar. Eu lamento que essa conjuntura não tenha se formado. Penso que Senna seria campeão da mesma forma, porque estava muito estimulado com seu primeiro carro campeão. Mas não seria fácil, nem consigo imaginar quem seria o vice. Mansell estava em grande forma, Piquet pontuando demais, e Prost, bem, a McLaren de 88 parecia ter um carro melhor do que a Williams poderia desenvolver.
Abraços,
Márcio Madeira da Cunha (Nova Friburgo-RJ)


Oi, Márcio. Vou confessar: detesto fazer análises sobre o que não aconteceu. Mas tentarei responder à sua pergunta.
Também acho que a disputa em 1988 seria mais acirrada. Não daria favoritismo absoluto a Senna, não. Acho que tanto ele quanto Piquet e Prost poderiam ficar com o título. Só não incluo Mansell por causa de um fato concreto: em 1988, ele ficou duas corridas afastado por causa de uma catapora contraída de um dos filhos.
A própria Lotus poderia ter entrado na briga se não tivesse feito um carro tão ruim. Aliás, a história desse carro despertou especulações na época, inclusive de que Gerard Ducarouge, projetista da Lotus, teria feito um carro ruim de propósito, em troca de US$ 2 milhões. Não escrevo de jeito nenhum quem seria o maior suspeito de ter pago esse dinheiro caso a história seja verdadeira, mas coloque no papel as pessoas que teriam interesse e benefícios em ver a Lotus fora da jogada e você terá em mãos uma boa lista de suspeitos, inclusive pessoas cuja moral e caráter são considerados ilibados. Se você acha US$ 2 milhões muito pouco para um projetista se arriscar a "queimar" sua imagem (como realmente queimou), lembre-se que o maior salário da época entre pilotos era o de Piquet (cerca de US$ 6,5 milhões) e que as equipes de ponta tinham orçamentos da ordem de, no máximo, US$ 25 milhões a 30 milhões.
Escrevi uma longa carta sobre isso em novembro de 2001. Se você quiser lê-la, procure-a pela data nas "cartas anteriores" do GPtotal. Abraços. (LAP)

Primeiramente quero parabenizar vocês pelo excelente site Gptotal, que trada o automobilismo de maneira a alimentar a paixão que este esporte nos causa. Gostaria de saber um pouco mais sobre o desentendimento que Senna teve com Schumacher em um teste, quando o alemão estava no início da carreira. Queria saber onde foi o teste, o que realmente houve e se os dois chegaram às vias de fato.
Gostaria de saber também se Enzo Ferrari chegou a disputar algum GP nos anos 50.
Paulo Henrique Vicente (Jundiaí-SP)


Olá, Paulo. O episódio a que você se refere aconteceu em Hockenheim, semanas antes do GP da Alemanha de 1992. Não sei exatamente o que aconteceu na pista (testes não têm a mesma quantidade de câmeras de TV presentes em um GP), mas Senna não gostou e quis ir resolver a coisa no tapa (repare na quantidade de brigas desse tipo em que ele se meteu ao longo da carreira e perceba que ele não era tão “bonzinho” assim quanto se pensa). Com certeza houve uma troca de empurrões, mas não sei se o brasileiro bateu (como fez com Irvine no Japão, em 1993) e/ou levou (como aconteceu com Elio de Angelis na África do Sul em 1985 e com Mansell na Bélgica em 1987).
Sobre Enzo Ferrari, imagino que a pergunta se refira a ele ter disputado um GP como piloto, certo? Caso seja isto, a resposta é não. Ele correu com sucesso entre 1918 e o começo dos anos 20, quando parou de correr para cuidar do departamento de competições da Alfa Romeo.
Abraços. (LAP)

Caros amigos,
Sou um apaixonado pelo automobilismo em geral, mas com uma queda maior pela Fórmula 1, claro.
Sempre que posso adquiro literatura a respeito. Inclusive, possuo a obra "Pela glória, pela pátria" de Eduardo Correa, livro este que li e reli diversas vezes.
Tomei conhecimento do site por meio de uma mensagem enviada ao celular de minha namorada diretamente pela TCO, operadora de celular.
Olhando o site, já o indiquei a vários amigos e espero que eles gostem dessa página tanto quanto eu gostei.
Bom. Como aqui é lugar para fazer pergunta, passo a fazê-la, já que é uma curiosidade minha que há tempos tenho e em nenhuma obra da área explicou. Até o GP da Espanha de 1973, a numeração dos carros era modificada a cada prova. A partir do GP da Bélgica daquele ano, a numeração passou a seguir as regras vigentes até 1995, com numeração específica para cada equipe, só havendo modificação entre o piloto campeão (nº 1) com a equipe do piloto campeão anterior.
A pergunta é o seguinte: quando a numeração dos carros era modificada a cada corrida, qual era o critério utilizado para atribuir a numeração aos pilotos a cada prova??
(Ex: na estréia de Emerson na Fórmula 1, em Brands Hatch, ele utilizou o Lotus nº 28. Porém, em Watkins Glen, na primeira vitória dele, Émerson utilizou a Lotus nº 24).

Grato pela atenção,
Danilo Botelho Fávero (São José do Rio Preto-SP)

Olá, Danilo. Sua pergunta é um dos grandes mistérios de minha vida. Fiz a mesma pergunta a várias pessoas ligadas à F 1 e nunca consegui uma resposta - elas também não as tinham... Já cheguei a tabular listas de inscritos de GPs de 1950 a 1952 (para comparar, por exemplo, a numeração com a classificação do campeonato), mas desisti ao perceber que ia enlouquecer sem chegar a qualquer resultado prático.
Imagino que cada organizador distribuía os números seguindo critérios que - pelo menos por enquanto - acho que só Deus sabe quais seriam. Exemplos: havia corridas em que só se usavam os números pares (2, 4, 6 e etc); no GP da Alemanha de 1952, todos os carros tinham números acima de 100 (vai saber por quê...). Também acontecia de dois pilotos de uma mesma equipe ficarem com números distantes e não consecutivos (5 e 16, por exemplo, e não 5 e 6). Não havia sequer o hábito de atribuir ao primeiro piloto da equipe o número mais baixo, como é comum hoje. No GP da Áustria de 1972, por exemplo, Emerson Fittipaldi, líder do campeonato, correu com o número 31 e seu companheiro Dave Walker, que terminou o ano sem marcar um ponto sequer, tinha o 21.
Enfim, era um samba do crioulo doido. Se algum leitor tiver respostas ou hipóteses válidas, por favor envie-as ao GPtotal. E aproveito para comunicar que em breve entrará no ar um especial sobre números dos carros de F 1. Não terá a resposta que você pediu, mas vai esclarecer muitas outras dúvidas. Aguarde!
Abraços e escreva sempre. (LAP)

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