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Desde que acompanho a Fórmula 1 tenho
notado que os pneus, especialmente os traseiros, atingiram as medidas
máximas da história nos anos 70.
Vocês saberiam dizer qual era a largura
dos pneus nesta época e também em outras? Estes limites
com certeza sempre foram definidos pelo regulamento imagino que acompanhando
a evolução dos compostos de borracha em cada período.
Imagino também que a largura foi aumentando
pela necessidade de transmitir cada vez mais potência ao solo, com
a fundamental ajuda dos apêndices aerodinâmicos.
Pelo que já li, sei que na época
as rodas dianteiras eram aro 13, exceto no Tyrrel P-34, de aro 10, mas
não sei o tamanho das rodas traseiras.
E mais uma coisinha, quando os pneus passaram
a ser slick, e quando surgiram os pneus especiais para chuva.
Parabéns pelo Site. Cheguei até
ele pelo Grande Prêmio e me tornei um fã. Gostei muito dos
especiais sobre os carros bonitos, feios e esquisitos e sobre o grande
e inesquecível Gilles Villeneuve (quando ele morreu eu tinha só
7 anos mas já adorava F-1). É bom ver gente competente e
sem rabo preso como vocês e o Flávio Gomes na ativa.
Um abraço,
Luciano Balarotti, Curitiba-PR
Caros Edu, Panda e demais amigos do GPTotal:
Gostaria, se possível, da ajuda de vocês
para tirar uma dúvida sobre largura dos pneus da F1. É o
seguinte: ao vasculhar algumas fotos antigas de diversas revistas, notei
uma variação imensa em se tratando das dimensões
dos pneus da F1. Por exemplo: vi uma foto da Brabham - Alfa Romeo do José
Carlos Pace, com aqueles pneus traseiros enormes e dando a impressão
de serem bastante largos também.
Em seguida, comparei essa foto da Brabham com
a da Willians de Clay Regazzoni, e a impressão que se tem é
de uma diminuição do diâmetro dos pneus traseiros
(sem alteração da largura), ou um aumento do diâmetro
dos pneus dianteiros.
Até 1982, tem-se a impressão
desse padrão para todos os carros. Já em 1983, a Brabham
BT-52 do Piquet já aparece com os pneus dianteiros com o diâmetro
maior que os traseiros, (dando a impressão de terem a mesma largura
dos da Brabham do Pace).
Se não me falha a memória, creio
que em 1993, o regulamento da F1 estipulou uma diminuição
da largura dos pneus, para uma conseqüente diminuição
da velocidade em curva, mas que no final do mesmo ano devido a evolução
da eletrônica (controle de tração, suspensão
ativa, etc), os carros já tinham um desempenho em curva igual ao
do ano anterior.
Se vocês, ou algum leitor do site, puderem
me informar sobre essa evolução das dimensões dos
pneus, no período citado, ficarei muito grato.
José Everson de Abreu, Vitória
- ES
Prezados Luciano e José Everson
Pergunta difícil a de vocês. Tenho poucos registros sobre
questões como dimensões de pneus e rodas antes dos anos
60. E mesmo nos anos 70, ainda assim, foi difícil de achar.
Algumas das medidas que passarei aqui, na falta de documentação
escrita, foram retiradas através de meu potente escalímetro
No2, a partir de desenhos técnicos dos carros. E como esses desenhos
foram provavelmente escaneados, tratados, editados, viraram fotolitos,
depois chapas de impressão e finalmente impressos nos meus livros,
creio que possa haver erros de precisão. Portanto, alguns valores
são aproximados. Caso alguém tiver documentação
escrita com as medidas precisas, seria muito bem-vinda!
Você, Luciano, está certo e errado ao afirmar que os pneus
atingiram medidas máximas nos anos 70. Durante os 1os campeonatos
da F1, os pneus eram praticamente os mesmos
que calçavam os carros dos anos 30 e mesmo dos anos 20.
Pouca coisa evoluíra até então. Escolhi a Ferrari
Lancia D50, de 1954 como exemplo. Os pneus traseiros tinham aproximadamente
75cm de diâmetro, montadas em aros de até 18". A largura
era de apenas aproximadamente 20 cm. Os pneus dianteiros eram ligeiramente
menores e mais estreitos.
Vale dizer que, na época, os motores transmitiam menor
potência ao solo e os compostos de borracha eram menos eficientes.
O arrasto aerodinâmico provocado pelas rodas era considerado pequeno
comparado ao "corpo" do carro, enorme e de motor dianteiro.
E por fim, rodas de maior diâmetro e menor largura significavam
mais pressão contra o solo (lembrando: a pressão é
inversamente proporcional à área em que o peso é
aplicado), além de não causar demasiado atrito e perda de
rendimento.
O troféu “medida máxima dos pneus”, categoria
diâmetro, vai assim para os monopostos dos anos 50.
A partir do meio da década de 60 em diante, os motores foram para
o centro dos carros, que ficaram mais baixos, menores e mais aerodinâmicos.
Os pneus acompanharam essa evolução. Em pouco tempo os aros
de roda diminuíram, assim como o diâmetro e perfil dos pneus.
A largura, por sua vez aumentava progressivamente.
Em 1967, o Brabham BT 24 calçava rodas aro 15 com pneus de aproximadamente
63 cm de diâmetro e 38 cm de largura. Os pneus tinham perfil mais
baixo para diminuir o arrasto aerodinâmico e otimizar a tração.
A novidade principal, porém, era a largura crescente. O antigo
problema de falta de pressão contra o solo foi finalmente solucionado
com a adoção dos aerofólios (o peso é aumentado
"artificialmente", compensando a perda de pressão contra
o solo que pneus mais largos trariam). O arrasto e desgate excessivos
causados pelo atrito com o solo em pneus largos foram compensados com
materiais mais modernos e maiores potências dos novos motores. Estava
aberta aí uma nova frente de batalha. Os pneus começaram
a ser vistos como instrumento para se levar vantagem frente aos concorrentes.
Três fabricantes participavam a essa altura: Goodyear, Dunlop e
Firestone.
A partir de 69, entretanto, os aros de roda foram fixados em
14" a 16" para os traseiros e 10" a 12" para os dianteiros.
Não tenho registros de limites de largura nem diâmetro dos
pneus em si, que acredito eu, começaram a ter dimensões
regulamentadas apenas mais tarde.
Nos anos 70, chegamos ao máximo em largura. A Dunlop sai de cenário
enquanto os pneus se tornam cada vez mais parecidos com os utilizados
em dragsters. Aros de apenas 13" começam a ser utilizados
montados com pneus de até 24" e posteriormente, no caso do
Tyrrell 006 de 72, 26,5". Muita borracha e pouco metal.
Em relação a largura, ainda não possuo registros
de regulamentação. Exemplo disso é o Lotus 72D que
utiliza pneus com 14" na traseira e 9" na dianteira enquanto
o Surtees TS9 tem mesma bitola na frente mas 18" atrás.
Em 76, temos novo regulamento técnico, que restringe algumas medidas
relativos a rodas e pneus. A largura ficou limitada a 21" e os aros
a 13". É em 1976 que é lançado o citado Tyrrell
P34 de 6 rodas. As dianteiras realmente tinham aro 10" e as traseiras
13". O diâmetro permanecia inalterado. Para dar um exemplo
de medidas, tenho o incrível Lotus 79, com pneus traseiros de aproximadamente
65 cm de diâmetro e 49 cm de largura. Os dianteiros tinham cerca
de 25 cm de largura por 49 cm de diâmetro.
A partir dos anos 80, o diâmetro dos pneus traseiros praticamente
permaneceu inalterado. Os dianteiros, por sua vez, começaram a
ficar cada vez maiores. A largura foi sendo diminuída gradualmente
devido a novas regulamentações.
Primeiro o limite caiu pra 18" e finalmente, 15" a partir de
93. Por sua vez, a largura dos dianteiros, que eram sempre muito mais
estreitos, sempre estiveram muito longe dos limites estabelecidos pelo
regulamento, crescendo atualmente principalmente devido à volta
dos pneus com sulcos, para compensar a perda de área de contato
resultante. O regulamento atual estabelece que dianteiros e traseiros
devem ter até 66 cm de diâmetro. Por sua vez, os dianteiros
devem ter entre 30,5 cm a 35,5 cm de largura e os traseiros 36,5 a 38
cm.
Quanto aos pneus de chuva, eles são mais "idosos" que
os slick. Já em 1968, pneus de chuva já eram utilizados,
lançados pela Dunlop. Vale lembrar que nessa época os pneus
possuíam sulcos, mas como os de hoje, apenas longitudinais.
Os pneus slick foram lançados a partir da fase européia
de 1971. Também inspirados nos dragsters, o pneus slick surgiram
na batalha travada entre Firestone e Goodyear, tendo rapidamente se tornado
padrão entre as equipes.
Aproveitando, os famosos pneus de classificação apareceram
a partir de 1972. Esses compostos eram especiais para durar apenas uma
ou duas voltas lançadas. Duraram até 75, quando a Firestone
se retirou e a Goodyear ficou sozinha na categoria.
Voltaram a ser utilizados a partir de 1977, com a entrada da Michelin,
que trouxe uma grande inovação: os pneus de construção
radial, ao invés dos diagonais utilizados pela Goodyear.
Esse tipo de construção, que a Goodyear adotaria apenas
6 anos mais tarde, possibilitava que o pneu tivesse maior eficiência
e paredes laterais mais retilíneas. Os diagonais eram obrigados
a ter laterais bastante arredondadas, que acabavam gastando alguns cm
de largura da área de contato efetiva com o solo.
Para encerrar, aproveitando que havia uma carta sobre pneus de concreto
esses dias, a partir da entrada da Michelin, a Goodyear se viu em franca
desvantagem em relação à rival.
Fornecia compostos para a Renault e posteriormente também
para a Ferrari, enquanto a Goodyear ficava com as restantes. Diante disso,
a fábrica americana abertamente declarou que ia fornecer os melhores
compostos apenas apara seus pilotos prediletos (detalhe: não eram
equipes prediletas, mas
pilotos, ou seja, dentro de uma equipe um piloto poderia receber pneus
especiais e o outro não).
Exemplo disso foi a temporada de 78. Andretti, Peterson (ambos Lotus),
Lauda, Watson (ambos Brabham), Hunt (McLaren), Scheckter (Wolf), Depailler
(Tyrrell), Emerson (Coopersucar) tinham pneus especiais garantidos.
Além disso, corrida a corrida, o melhor dos pilotos entre os que
usavam "pneus de madeira", como ficaram conhecidos os compostos
inferiores também ganhavam o direito de utilizar os pneus especiais
no restante do fim de semana.
Isso prosseguiu até 80. Em 81, a Goodyear anunciou sua saída,
mas voltou atrás após ter seu número de equipes bastante
reduzido. As restantes iam receber pneus da Michelin, Pirelli e Avon.
Foi o período em que mais fabricantes estiveram presentes na Formula
1 ao mesmo tempo.
Espero que tenha ajudado.
Abraços (Claudio Habara)
Pandini,
Gostaria de saber como Nélson Piquet
venceu o GP da Alemanha de 1981. Alguns dizem que foi sua melhor corrida
na F-1.
Um abraço
William Lopes Machado, Brasília-DF
Olá, William.
Não digo que foi a melhor corrida de Piquet na F 1, pois algumas
vitórias foram bem mais marcantes (cito as três vitórias
de 1980 mais San Marino/1981, quando ele venceu sob chuva depois de cair
para 9º na largada; Brasil/1982, apesar da posterior desclassificação;
França/1985; Hungria/1986, onde ele deu uma aula de pilotagem e
controle da máquina a Ayrton Senna; e Austrália/1990). Mas
Alemanha/1981 foi sem dúvida uma de suas melhores atuações,
e pode-se dizer que ali Piquet venceu o campeonato de 1981. Por isso,
vale a pena recordar essa corrida.
Piquet
vinha de uma fase bastante negativa: nas cinco corridas anteriores, abandonou
em quatro e só marcou pontos em uma (França, onde terminou
em 3º mas teve a vitória nas mãos; é uma corrida
da qual vale a pena falar em outra oportunidade). O brasileiro chegou
à Alemanha ocupando o 2º lugar no campeonato, 17 pontos atrás
de Carlos Reutemann. A corrida na Alemanha não prometia muito:
a pista, muito veloz, favorecia os motores turbo – que, na época,
só eram usados por Renault e Ferrari. Nos treinos, os dois Renault
fizeram os melhores tempos, com Prost à frente de Arnoux. As Williams
de Reutemann e Jones dividiram a segunda fila. Piquet largou em 6º,
atrás da Ferrari de Pironi. Nada muito animador.
Até pouco além da metade da corrida nada indicava que Piquet
teria alguma possibilidade de vencer. Prost pulou na ponta, seguido por
Reutemann e Jones. Arnoux atrasou-se logo na primeira volta ao parar no
box e Pironi, que completou a primeira volta em 3º, quebrou logo
depois. Surpreendentemente, os dois Williams acompanhavam o ritmo de Prost.
Jones passou Reutemann e partiu para cima do francês, conseguindo
a ultrapassagem em um lance de extrema esperteza: na entrada do estádio,
Prost e Jones encontraram pela frente o Renault de Arnoux, retardatário.
Arnoux abriu para a direita e deixou os dois passarem. Prost passou Arnoux
e Jones conseguiu, em poucos segundos, passar Arnoux pela direita e Prost
pela esquerda, assumindo a liderança. Isto aconteceu na 20ª
volta.
Pouco depois, Reutemann parou com o motor quebrado – o que já
era uma grande ajuda a Piquet na luta pelo título. Em seguida,
o brasileiro passou por Prost e começou a se aproximar de Jones.
Seria difícil conseguir a ultrapassagem, mas Jones começou
a ter problemas e perdeu a liderança para Piquet na 38ª volta
(a corrida tinha 45). Em seguida, o australiano parou no box e perdeu
qualquer chance de pontuar. Prost terminou em 2º e Laffite, em 3º.
Essa vitória recolocou Piquet na luta pelo título: em apenas
uma corrida, diminuiu sua desvantagem sobre Reutemann de 17 para 8 pontos.
Na etapa seguinte, na Áustria, caiu para 6 (Piquet foi 3º
e Reutemann 5º). Na Holanda, Piquet empatou com Reutemann: terminou
em 2º, enquanto o argentino abandonou após uma colisão
com Laffite. Na Itália, Piquet tinha tudo para assumir a liderança
do campeonato: na última volta, estava em 3º lugar, à
frente de Reutemann, quando o motor estourou. Mesmo sem completar a última
volta, classificou-se em 6º - mas o argentino abriu 3 pontos. Faltavam
as corridas do Canadá e Las Vegas: Piquet foi 5º em ambas
e Reutemann não pontuou em nenhuma. Resultado final do campeonato:
Piquet 50 pontos, Reutemann 49, Jones 46, Laffite 44, Prost 43 –
sete pontos separando os cinco primeiros colocados.
Por que digo que foi na Alemanha que Piquet venceu o campeonato?
Porque, depois de tantos azares (e antes de um outro), ele teve ali um
GP em que tudo deu certo para ele e errado para seus mais perigosos adversários.
Basta ver que o título teria ido para o espaço se nessa
corrida Jones tivesse terminado em 2º lugar e Reutemann em 5º.
Abraços. (LAP)
Alguns dias atrás, remexendo meus armários,
encontrei uma caixa de brinquedos antigos com miniaturas de carros, peça
antigas de Autorama Estrela e kit de montagem de carros de corrida que
eu adorava passar o tempo montando com cola, prazer e paciência.
Tive a oportunidade de montar um Kit na escala
de 1/20 do McLaren MARK 8D, quando era garoto. Na caixa, mencionava que
este McLaren foi o vencedor das provas CAN-AM e tinha o currículo
de vencedor com a seguinte descrição sobre o carro:
"Em 1970, o McLarem Team continuou mostrando
seu domínio, vencendo a maioria das provas (menos uma) do torneio
CanAm.
Isto se deve a espetacular preparo técnico da equipe McLaren e
a magistral direção do piloto Denis Hulme".
Na caixa informa que 10 corridas foram realizadas na temporada de 1970
com os seguintes resultados:
Bowmanville – 1o. lugar Dan Gurney
Mt.Tremblant - 1o. lugar Dan Gurney
Watkins Glen - 1o. lugar Denis Hulme
Edmonton - 1o. lugar - Denis Hulme
Lexington - 1o. lugar - Denis Hulme
Elkhart Lake - 1o. lugar Peter Gethin
Atlanta - 3o. lugar Lotar Motschenbacher
Brainard - 1o. lugar Denis Hulme
Laguna Seca - 1o .lugar - Denis Hulme
Riverside - 1o. lugar Denis Hulme.
Creio que nesta época Denis Hulme participava
também da F-1 e como ele arranjou tempo para ser campeão
nesta categoria, é mais incrível.
Este torneio de CAnAm ainda existe nos EUA?
Estes carros não eram utilizados em Le mans?
P.S: Pena que eu não tive tempo de escanear
a foto para mandar para vocês, pois é um bonito o carro..
Lanço o desafio vocês têm a foto dele com alguns dos
pilotos acima mencionados?
Um grande abraço
Wellinghton Rocha de Lemos, Rio de
Janeiro
Olá, Wellington
O torneio Can-Am teve seu auge entre o final dos anos 70 e o comecinho
dos anos 70.
Em 1974, a crise do petróleo e a falta de interesse das equipes
fez o nível do campeonato cair a tal ponto que ele simplesmente
não foi realizado em 1975 e 1976. Voltou em 1977, tendo até
1981 ou 1982 a participação de pilotos de F 1 como Patrick
Tambay (campeão em 1977 e 1980) e Alan Jones (campeão em
1978).
A partir de 1982 ou 1983, começou novamente a decair e acabou
de forma melancólica após a temporada de 1986.
Quanto às fotos, é só curtir.
Abraços (LAP)




Acompanho a F 1 desde pequeno, mas não
tenho boa memória. Uma das coisas que mais me marcou foi uma vez
em que fui com meu tio em Interlagos e entramos por um "buraco"
na grade. Desse tempo lembro das Renault turbo amarelas que andavam lá
na frente, deixando todo mundo pra trás, mas sempre quebravam no
fim. Acho que os pilotos eram Prost e Jabouille. Eles ganharam alguma
corrida ou o campeonato? Um abraço.
Itamar Lucas (São Paulo-SP)
Olá, Itamar. Pela descrição, você foi assistir
ao GP do Brasil de 1980, o último realizado no traçado original
de Interlagos. Naquele ano, os pilotos da Renault eram Jean-Pierre Jabouille
e René Arnoux - Prost entraria na equipe no ano seguinte, no lugar
de Jabouille.
Jabouille
fez a pole position com o tempo de 2:21.40, a uma média de 200,460
km/h para os 7,873 km do traçado. Essas marcas ficaram para a posteridade
como recorde oficial e absoluto do circuito antigo. As posições
seguintes ficaram para Didier Pironi (Ligier), Gilles Villeneuve (Ferrari),
Carlos Reutemann (Williams), Jacques Laffite (Ligier) e Arnoux. Estavam
inscritos 28 carros e o regulamento limitava o grid a 24 carros.
Antes de descrever a corrida, vale lembrar que na época os pilotos
largavam e iam até o fim sem parar para trocar pneus ou reabastecer.
Villeneuve lagou muito bem e liderou as duas primeiras voltas. Depois,
teve problemas de pneus que o jogaram para os últimos lugares.
Jabouille recuperou a liderança e sumiu dos adversários
até parar por quebra dos turbos quando havia completado 25 das
40 voltas da corrida. Pironi também teve problemas nos pneus e
teve que parar para trocá-los. Voltou atrasado, andou forte e ficou
em 4º. Reutemann teve a transmissão quebrada logo na largada
e só completou uma volta, apenas para levar o carro de volta aos
boxes e constatar que não havia mais nada a fazer. Laffite, que
estabilizou-se no segundo lugar após as primeiras voltas, abandonou
na 15ª por quebra do motor.
Com os cinco primeiros colocados no grid fora da disputa, a vitória
caiu no colo de Arnoux, que não precisou ultrapassar ninguém
para vencer. Elio de Angelis (Lotus) e Alan Jones (Williams) tiveram atuações
parecidas com a do francês e terminaram em 2º e 3º, à
frente de Pironi. A melhor disputa da corrida aconteceu nas voltas finais
entre Alain Prost (McLaren) e Riccardo Patrese (Arrows). Patrese defendeu
a posição durante um bom tempo mas foi ultrapassado por
Prost na curva da Junção. O francês já era
considerado um piloto de futuro: fazia em Interlagos sua segunda corrida
na F 1, depois de ter impressionado ao ficar em 6º na Argentina.
Ao receber a bandeirada, Arnoux ficou tão feliz que mordeu a língua
e os lábios, que ficaram sangrando durante algum tempo. E não
chegou a completar a volta de honra: a gasolina acabou logo depois da
Junção e o francês voltou aos boxes montado na carenagem
do Arrows de Patrese, que vinha logo atrás. Como curiosidade, vale
ressaltar que Arnoux completou as 40 voltas em 1h40:01.35, a uma média
de 188,933 km/h. Arnoux fez também a volta mais rápida (2:27.31,
média de 192,420 km/h), que ficou sendo o recorde eterno da melhor
volta no circuito antigo.
Os brasileiros não tiveram sorte. Nelson Piquet, que vinha de
um 2º lugar na corrida de abertura da temporada,
na Argentina, teve muitos problemas nos treinos e só conseguiu
o 9º lugar no grid. Na corrida, largou mal, caiu para 13º e
na 13ª volta estava em 6º, mas aí furou o pneu traseiro
esquerdo. Piquet deu quase uma volta inteira com o pneu furado e o carro
batendo no chão. Foi aos boxes para fazer a troca e voltou, mas
ao chegar na Subida do Lago (primeira curva para a direita) a suspensão
traseira esquerda quebrou (provavelmente como conseqüência
dos impactos contra o asfalto quando o pneu estava furado) e Piquet bateu.
Emerson Fittipaldi, por sua vez, teve um pneu estourado e bateu forte
na Curva do Sol nos treinos de sexta-feira. Largou em 19º (três
posições atrás de seu companheiro Keke Rosberg, que
havia estreado na equipe com um 3º lugar na Argentina). Na corrida,
Emerson estava em 11º, com Rosberg em sua cola, quando ultrapassou
o McLaren de John Watson no retão. Rosberg, que ficou com o vácuo
dos dois carros, ganhou muita velocidade e foi praticamente obrigado a
ultrapassar Emerson e Watson. Entrou na curva 3 já à frente
de Emerson. Logo depois, o carro de Emerson começou a ter problemas
e ele perdeu muito tempo com paradas nos boxes. Depois da corrida, Emerson
reclamou muito de Rosberg: “Ele deve estar daltônico. Agiu
como se nossos carros fossem de cores e equipes diferentes”.
Abraços. (LAP)
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