PÂNICO EM MONTE CARLO
01/12/04

Durante a visita que fez ao Brasil no final de outubro, Ricardo Divila contou várias histórias da época em que trabalhou para Emerson e Wilsinho, e em especial na equipe Fittipaldi de Fórmula 1. Uma das mais cômicas aconteceu durante o último treino classificatório para o GP de Mônaco de 1976.

Naqueles tempos, os grids deveriam ter no máximo ou 24 e 26 carros (o número mudava às vezes, mas ficava sempre entre um ou outro) e era comum a quantidade de pilotos inscritos exceder esse limite (bons tempos aqueles). Os pilotos mais lentos nos treinos, evidentemente, ficavam fora da corrida.

Em 1975, o GP de Mônaco aconteceu logo depois do acidentado e traumatizante GP da Espanha (quem quiser mais detalhes sobre essa corrida pode procurá-los na seção “Pergunte ao GPtotal”, com a ajuda de nossa ferramenta de busca). Assustados, os organizadores monegascos e a própria FIA determinaram que naquele ano apenas os 18 pilotos mais rápidos largariam no principado. Para o GP de Mônaco 1976, esse número foi ampliado para 20 carros – norma que se manteve inalterada até a corrida de 1986.

Como as listas de inscritos tinham sempre mais de 20 pilotos, pode-se perceber facilmente que a importância dos treinos classificatórios assumia proporções dramáticas. Os pilotos mais rápidos faziam de tudo para largar o mais à frente possível, devido às imensas dificuldades de ultrapassagem nesse circuito. E os mais lentos, obviamente, também se empenhavam ao máximo, já que o risco de ficar fora da corrida era bem maior do que em outros GPs.

A equipe Fittipaldi chegou a Mônaco sob o trauma da não-qualificação de Emerson para a corrida anterior, na Bélgica. Depois desse acontecimento, Divila recebeu carta branca dos patrões para refazer a suspensão do FD 04, o carro usado pela equipe na temporada de 1976. “Deixei a suspensão exatamente como no projeto original. Em Interlagos, o carro foi bastante competitivo usando exatamente essa suspensão”, lembra o projetista.

O circuito de Monte Carlo, porém, é o pior lugar possível para se estrear um novo carro ou alguma modificação. Suas particularidades tornam necessário encontrar um acerto único e que só serve para aquela pista. Não se esqueça que estamos falando de uma época em que o uso de computadores em carros de corrida ainda era uma simples projeção para o futuro. Tudo era feito de maneira empírica e a sensibilidade do piloto, do projetista e dos mecânicos era ainda mais importante do que hoje.

Restando apenas dez ou quinze minutos para o final do último treino classificatório, Emerson tinha algo como o 18º tempo. Alguns ajustes e mudanças de regulagem são feitos. Falta apenas completar o tanque, que está quase vazio, com uma pequena quantidade de gasolina – o suficiente para tentar uma ou duas voltas rápidas. Isso começa a ser feito, mas um pouco da gasolina vaza e, em contato com alguma parte quente, entra em combustão.

O que se seguiu nem poderia propriamente ser chamado de “incêndio”. O fogo era tão pequeno que Divila e Wilsinho Fittipaldi, que estavam ao lado do carro, conseguiram abafar as chamas com as próprias camisas. Mas algum grito de “fogo!” deve ter sido inevitável, e foi ouvido por Ito, um mecânico japonês que acompanhava os Fittipaldi desde a Fórmula 2.

Ito, sem saber que o fogo já estava apagado, aproximou-se do carro pronto para acionar um extintor de incêndio contendo 15 quilos de pó químico. Se isso acontecesse, o carro ficaria inutilizado: seria necessário desmontar tudo para limpar o pó. “O Wilson berrava ‘Não, Ito! Não!’, mas no meio daquela barulheira toda o Ito não ouvia ou não entendia nada. O Wilson resolveu segurar o japonês a qualquer custo e acabou agarrando-o pelo pescoço...”, conta Divila. Foi pior: assustado, Ito acabou apertando o gatilho do extintor, a poucos metros do FD 04, e largou o extintor no chão.

Devido à pressão, a mangueira virava de um lado para o outro e espalhava pó químico para tudo quanto é lado – e, uma vez disparado o gatilho, restava apenas esperar que a carga acabasse. Tudo isso, é bom que se diga, aconteceu com o treino em andamento, com os carros entrando e saindo normalmente dos boxes – no máximo deviam diminuir um pouco ao ver aquela confusão toda. Wilsinho resolveu enfiar a mangueira do extintor no primeiro bueiro que encontrou pela frente, a fim de evitar que o pó se espalhasse ainda mais. Foi pior: o tal bueiro fazia parte da rede de escoamento de água da chuva que percorria toda a extensão dos boxes. Não demorou muito para que o pó começasse a sair pelos buracos vizinhos. “Só se via o pessoal das equipes correndo para proteger os equipamentos daquele pó”, diverte-se Divila, quase 30 anos depois.

Parece incrível que, depois de tanta confusão, as coisas tenham dado certo para a Fittipaldi. Emerson saiu para os últimos minutos de treino e baixou seu tempo em mais de um segundo – o suficiente para largar em sétimo lugar. Na corrida, manteve um ritmo forte e sustentou uma boa disputa com Hans Stuck e Jochen Mass, até que as marchas começaram a escapar. Foi ultrapassado pelos dois alemães, mas mesmo assim terminou em sexto e marcou um ponto no campeonato.

+++

A GP2, categoria que substitui a falecida Fórmula 3000 e fará suas etapas como preliminar dos GPs europeus, já começa seguindo a Fórmula 1 – ao menos no que se refere à aplicação de regulamentos que podem ser considerados verdadeiras merdas.

Primeiro, falou-se em eliminar treinos classificatórios. O grid da primeira corrida do ano seria definido em uma sessão de testes de pré-temporada, e nas etapas seguintes a ordem de largada das corridas seria definida pela inversão do resultado da prova anterior (o vencedor largando em último, o segundo colocado em penúltimo e etc).

Mas chegou-se a uma solução intermediária. A cada semana, serão disputadas duas corridas, uma no sábado e outra no domingo. Um treino na sexta-feira definirá o grid da corrida de sábado, com 150 km de extensão total. O resultado final define o grid da corrida de domingo, só que os oito primeiros colocados (por que não cinco, dez ou todos?) partem em ordem invertida. Detalhe: esta segunda corrida terá 80 km de extensão, metade da primeira. Ou seja, os pilotos terão bem menos tempo de prova para recuperar posições. Será extremamente difícil ver um piloto ganhar as duas corridas do final de semana, por mais talentoso que ele seja. Uma maneira totalmente artificial de dar competitividade à nova categoria.

Ridículo. Lamentável. Medonho. Horrível. Péssimo. A FIA parece estar empenhada em transformar suas categorias outrora nobres no mais ordinário uísque falsificado. Que saudades da Fórmula 2 dos bons tempos, em que os jovens promissores mediam forças com vários pilotos experientes, inclusive campeões do mundo de F 1 em plena vigência de “reinado”.

Este é o legado do sr. Max Mosley na presidência da FIA: a morte de categorias (como o Mundial de Esporte-Protótipos, no fim de 1992), a implementação de uma cascata de regras estúpidas, a tendência a tratar o público como um bando de pessoas idiotas que só conseguem apreciar uma corrida de automóveis se ela tiver “espetáculo”. Que saudades do sr. Jean-Marie Balestre, com todos os defeitos (muitos e grandes) que ele tinha.

Luiz Alberto Pandini
 

 


Ceda, Sr. Bernie
29/11/04

Caro Sr Bernie Ecclestone

Respeitosamente dirijo-me aos sr., ainda que ache pouco provável que venha a ler estas palavras. Mesmo assim, lhe peço: atenda ao apelo de milhões de fãs da Fórmula 1 em todo o mundo e ceda, salvando a categoria mais importante do automobilismo, a única que tem legitimidade para eleger um campeão mundial.

É preciso ceder, sr. Bernie, não há alternativa. Os principais construtores – Ferrari, McLaren/Mercedes, Renault e BMW, ainda que não necessariamente a Williams – exigem uma nova divisão do formidável bolo de dinheiro, coisa de US$ 2 bilhões, que o sr. arrecada todo o ano, ficando com US$ 1,5 bilhão e dividindo o saldo pelas dez equipes.

O sr. ganhou, merecidamente, bilhões de dólares nas últimas décadas, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo, ao liderar a transformação de uma categoria semi-amadora em atração global só comparável à Copa do Mundo e às Olimpíadas. Fez isso em grande parte por méritos próprios, com a sua determinação, dinamismo e visão de negócios equivalente ao dos maiores tycoons da humanidade.

Mas o sr. parece ter ficado cego com o próprio sucesso e refém de uma ambição que não tem fim. É verdade que se não fosse o sr., não haveria tanto dinheiro assim e foi por isso que construtores e equipes concordaram em ceder-lhe tanto. Afinal, o risco e o trabalho eram todos seus.

Os tempos são outros, porém, e o sr. não pode considerar injusto a proposição dos construtores e equipes. Eles têm de se virar apenas com o dinheiro dos seus patrocinadores, um dinheiro cada vez mais escasso e difícil, enquanto têm de investir quantias cada vez maiores em desenvolvimento, tecnologia, equipes, marketing etc.

Sei que é difícil para qualquer pessoa ter tanto dinheiro e abrir mão de parte dele. Sei que não é próprio da natureza humana este tipo de generosidade. Mas veja o preço que terá de pagar caso não ceda. Com o fim do Pacto da Concórdia, em 2007, Ferrari, McLaren, Renault, uma equipe equipada com motores BMW (talvez a própria Williams se bem que nunca se sabe o que vai sair daquelas cabeças teimosas) e provavelmente Honda e Toyota vão organizar o próprio campeonato.

É verdade que, pelo menos nos primeiros anos, este novo campeonato não poderá se utilizar das pistas da Fórmula 1 atual, todas elas amarradas por contratos de longo prazo com o sr.. Também não poderá usar a marca Fórmula 1, que o sr. comprou por cem anos da Fia por uma ninharia. Mas os construtores irão em frente porque têm muito dinheiro para investir e levarão consigo a Ferrari, a equipe que é sinônimo do melhor automobilismo de competição.

E ao sr., caso não ceda, restará organizar uma Fórmula 1 emasculada, apenas com equipes pequenas e sem expressão, correndo em autódromos gigantescos como o da China e Bahrein muito provavelmente com arquibancadas vazias, como as que costumamos ver nas corridas de IRL e Champcar.

Vale a pena, sr. Bernie?

Certamente não vale, tanto mais para um homem como o sr., que ama as corridas e que, em Monza 70, teve a coragem de ir até o local do acidente mortal do seu protegido Jochen Rindt, voltando de lá a passos firmes, o capacete do austríaco sob o braço, para dar a notícia à viúva.

Por isso, atenda ao nosso apelo: ceda. Com seu talento e inteligência será possível buscar uma saída honrosa, deixando o seu nome ainda mais lustroso para as gerações futuras.

Ainda há tempo. O homem que fez em grande parte a Fórmula 1 moderna não pode ser o mesmo que a levará ao túmulo.

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Enquanto torço para que Bernie Ecclestone leia e aceite minhas modestas ponderações, permitam-me algumas notas:

1 – depois de Castilho de Andrade, mais novidades no GPTotal: na próxima quinta, estréia a coluna de Cesare Maria Mannucci, jornalista italiano que há décadas cobre a Fórmula 1 para a revista AutoSprint. Dia 9, é a vez de Ernesto Rodrigues, autor do bestseller Ayrton, O Herói Revelado. Trata-se da mais completa biografia já escrita sobre Senna, trinta mil exemplares vendidos. Ernesto promete enviar todos os meses histórias de Senna que não entraram no livro, além de comentar fatos da atualidade. Teremos mais novidades antes do final do ano mas vou deixar o Panda conta-las.

Castilho, Cesare Maria e Ernesto juntam-se ao Ricardo Divila, revezando-se como colunistas convidados enquanto Alessandra Alves e Tite passam a dividir espaço comigo, Panda e Ico, assinando colunas quinzenais. Bob Sharp segue como consultor para assuntos técnicos.

E com este time para Ferrari e McLaren nenhuma por defeito que o GPTotal vai encarar a temporada de 2005. Te cuida, Schumacher!

2 – Amanhã, terça-feira, dia 30, todos ao lançamento do livro Rally dos Sertões, escrito pelo amigo Tiago Toricelli, que participou da competição como navegador. Como vocês já devem ter visto no banner aí em cima, o lançamento será na Livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera, em São Paulo, a partir das 19h. Estarei lá e aguardo vocês.

3 – Para quem se vira no inglês e tem paciência e curiosidade para entender um pouco mais a esperteza diabólica do Bernie Ecclestone, posso enviar por e-mail uma análise detalhada sobre as relações entre Bernie Ecclestone e os três bancos que, tadinhos, pagaram US$ 1,6 bilhão por 75% da Slec, a empresa que controla os contratos comerciais da Fórmula 1.

O mais incrível é que, a despeito de deterem a maioria das ações da empresa, os bancos não conseguem controlá-la e, caso destituam Bernie do controle, podem perder o contrato que dá a Slec a exclusividade de organização da Fórmula 1.

O material inclui a sentença inicial da Justiça inglesa sobre o caso. Aliás, se os bancos ganharem a disputa, pode até acontecer de Bernie Ecclestone perder o controle sobre a Fórmula 1. Neste caso, desconsiderem os termos do meu apelo. E enviem e-mail ao site caso desejem receber o material.

4 – Já esta oferta, acho, interessa a muito mais leitores. Também gentileza de Divila, tenho em formato digital as três voltas finais do GP da França de 79, com a famosa disputa entre Gilles Villeneuve e Rene Arnoux.

Sei que uma grande parte dos leitores já a viu mas, para quem não a conhece, vale a pena. É um arquivo de cerca de quatro megas e posso enviá-lo a quem enviar um e-mail ao GPTotal. E se quiserem saber mais sobre esta que foi uma das mais espetaculares disputas de posição de toda a história da Fórmula 1, por favor, clique aqui.

Boa semana a todos

Eduardo Correa
 


OS MELHORES E PIORES DE 2004 - 5ª PARTE
26/11/04

Melhor piloto
Massa

Pior piloto
Ralf

Mais Sacana
Briatore, claro !!!

Mais sacaneado
Trulli

Pior carro e equipe
Toyota

Melhor carro
BAR

Revelação
Takuma Sato, o simpático Samurai feroz da Bar, brasileiro gosta !!!

Melhor Idéia de 2004
Vender a Jaguar

Pior notícia
Schumi até 2006 no mínimo.

Pedro Leite, SP Capital


Melhor piloto
Schumacher. Nem dá mais pra escolher outro. Deviam tirar essa opção e só voltar com ela quando ele se aposentar

Melhor equipe
Minardi. Se tivessem o orçamento da Ferrari e se a Ford tivesse um pingo de vergonha na cara para desenvolver um motor decente, o Stoddart e companhha fariam miséria

Pior piloto
Sim, ele, Rubens Barrichello. Porque mau piloto não é só o que pilota mal, mas também quem planeja sua carreira igual a um dono de boteco

Pior equipe
Toyota. Ah se a Minardi tivesse o orçamento deles...

Troféu "Tente outra vez"
Jacques Villeneuve. Tem que dar um tempo para ele se reacostumar...

Troféu "Produto paraguaio"
Mark Webber. Vai levar uma sova de qualquer um que seja seu companheiro. Até o nosso piloto favorito de todos os tempos, Alex Yoong, daria uma canseira nele com um carro idêntico.

Troféu "Chefe de equipe é cego"
Anthony Davidson. Se os chefes de equipem não fossem um bando de Mr. Magoos, ele já teria um lugar garantido como piloto titular em 2005.

Troféu "Bom, nem todos são cegos, mas ainda assim enxergam mal"
Ron Dennis. Demorou pra ver que o Coulthard é um Webber idoso.

Troféu "Joseph Goebbels"
Rubens Barrichelo. Ele acha que uma mentira contada mil vezes se torna verdade. Bom, ele ainda tem que falar mais umas 763 vezes que ainda vai ser campeão, umas 941 vezes que é melhor que o Schumacher e mais uma vez só que um dia vai vencer no Brasil.

Fernando Maurício da Costa, São Bernardo do Campo/São Paulo


Melhor Piloto
Schummi (é lógico)

Pior Piloto
O brother chorão do melhor piloto

Melhor equipe
Ferrari

Pior equipe
O resto, q estão perdidas sem saber o q fazer pra ganhar alguma coisa

Troféu "Esperança em 2005"
David Couthard

Bruno Lopes, São Paulo


Categoria sou terceiro piloto mais não estou nem ai
Kurt Bush - Campeão da Nascar

Categoria Esquecerão de mim
Cristian Fittipaldi, perdeu a vaga para um tal Jeff Green na Nascar, e ficou sem carro para correr este ano.

Categoria, sou segundo mesmo... e dai?
Barrichello, Junqueira... pelo amor de Deus!

Categoria Meu filho, minha vida
Galvão Bueno, torcendo que nem louco para o filho ruim de braço Caca Bueno...

Categoria andei, andei, andei e não encontrei...
Michael Andretti, correu durante anos e nunca ganhou nada. Virou dono de equipe, passou o carro para o Tony Kannan. o que aconteceu? campeão da IRL

Categoria esquisita do ano...
Formula Truck... a única tem radar de velocidade. Será que a Marta Suplicy sabe disso, se bobear ela vai querer cobrar multa de quem passar acima. A raiz do automobilismo, não é a velocidade... esquisito.

Categoria Regra do Ano
Os play-offs da Nascar. Equilibrou o campeonato e deu emoção. Seria interessante se na Formula 1 adotasse isso, já pensou nas 5 corridas finais só disputaria os 10 primeiros? Seria interessante uma corrida apenas com: Schumacher, Barrichello, Buton, Alonso, Montoya, Kimi, Trulli, Massa, Sato e Fisico.

Ricardo, Suzano


Pior Piloto do ano
Klien

Melhor
Zolts Baumgartner, único ponto pra Minardi

Pior Equipe
Hum... Jaguar

Melhor
Bar, já que a Ferrari...

Pior Corrida
Brasil, Barrichelo falou, falou.....

Melhor
Spa

Rafael , Londrina


Melhor corrida
Grande Prêmio do Brasil, como sempre uma corrida muito movimentada

Confusão do ano
Montoya e Schumacher no escurinho do túnel de Mônaco.

As decepções
Williams e Mclaren, com "batmóvel" e "carro tamanduá", respectivamente

Pior corrida
Sem discussões: GP da Hungria

Troféu "sonho de virar purpurina" do ano
Ralf e seus chiliqueS na China

Pior acidente
Ralf, no GP dos Estados Unidos

Melhor ultrapassagem
Rubinho em cima do Trulli, na última volta do GP da França.

Rafael Rego, Belo Horizonte


Melhor
Michael Schumacher, como sempre

Pior
Transmissões cortadas da Rede Globo para transmitir as Olímpiada, logo na melhor corrida do ano, Spa

Di, Sertãozinho


Momento " Vai com Deus"
Coulthard

Momento "A casa é sua"
Trulli na Toyota

Momento "Você voltou? Que bom!"
Fisichela na Renault

Momento "Por que fiz isso"
Para Briatore, por ter chamado o Vileneuve correr as três últimas corridas e para Peter Sauber, por chamar o cara para correr o ano todo em 2005

Melhor disputa caseira
Trulli VS Alonso. Todo mundo fala mal da amizade entre os dois, mas foi a melhor disputa caseira

Pior disputa caseira:
Shumi Vs Rubinho. Não precisa falar, né? 13 x 2 pro alemão é de ferrar.

Melhor disputa caseira para 2005
Montoya VS Raikonen e WeberVs Pizzonia (espero que o brasileiro consiga essa)

Reinaldo Cavicchio, Jundiaí


Melhor
Raiokkonen

Hogan, Recife


O melhor do ano
Jenson Button, pela competência que teve na ajuda do desenvolvimento da Bar. Com certeza 2005 promete.

A melhor equipe
Bar, por ter conseguido confirmar a boa pré-temporada, e dar um banho nas grandes

O pior do ano
Rubens "tudo por milhões" Barrichello, sem comentários

Melhor decisão do ano
Da Sauber, por quebrar um pouco do laço com a Ferrari e começar a andar com as próprias pernas. O carro melhorou muito e vai dar mais trabalho no ano que vem

Troféu "seguindo os passos do mestre"
Bruno Junqueira e a falta de combatividade em relação ao companheiro Bourdais. Porém na F1 o Rubens é o 2° piloto, na IRL não tem isso, é incompetência mesmo.

Troféu "amor ao esporte"
Vai para a Minardi, que apesar dos problemas está lá

Troféu "esperança"
Antonio Pizzonia na Wilians

Troféu "colunista do ano"
Ricardo Perrone, com a coluna potenza no F1 na Web

Rodrigo Motta, Varginha – mg


Pior piloto
Nem vale a pena,embora há que escolha Heidfeld, Pantano, Glock, Klien, Bruni e Baumgartner mas é totalmente injusto diante das tranqueiras que eles possuem

Decepção do ano
Há varias, mas fico com Fernando Alonso e Mark Webber: o primeiro tomou cacete do Trulli, antes do italiano se desentender com Briatore e o segundo só fez corpo-mole o ano todo só pra fazer valer sua clausula e sair da Jaguar.

Trófeu “em boca fechada não entra mosca”
Rubens Barrichello, novamente. Menções honrosas para Antônio Pizzonia, pelas declarações antes do GP da Alemanha e agora na disputa pela segunda vaga na Williams e Kimi Raikkonen que, embora fale pouco, só fala besteira (Schumacher só me vence pelo carro que tem, não considero Schumacher melhor do que eu e por aí vai)

Melhor dirigente do ano
Pela enésima vez Jean Todt. Menção honrosa para David Richards da BAR

Pior dirigente do Ano
Flavio Briatore, que demitiu Trulli e Trouxe Villeneuve de volta apenas para pagar mico. Não se esquecer de Ron Dennis e Frank Williams

Vinícius, São Bernardo do Campo


Troféu "Milagre existem"
Minardi fazendo ponto

Revelação do ano
Jenson Button (e o senhor Briatore disse q ele não era bom)

Troféu "alegria de pobre dura pouco"
Felipe Massa liderando o GP do Brasil

Troféu "vocês pensam que tó morto"
A bela temporada de Fisichella

Trofeu "candidato a vaga de titular absoluto no meu Palmeiras"
Outro pro Fisichella, de preferência no lugar daquela ameba do Elson

Troféu "o melhor em matéria de F-1"
GPTotal (sem dúvida nenhuma)

José Jurandir Brito de Lima Junior, Ferraz de Vasconcelos


Melhor Piloto
Só pra variar Michael Schumacher

Pior Piloto
Jacques Villeneuve e sua volta melancólica

Herói
Baumgartner, ele conseguiu com q a Minardi fizesse pontos no campeonato

Melhor Corrida
Barhein

Pior Corrida
Hungria

Decepção:
O terceiro lugar de Barrichello no Brasil

Livio Manzano Galdeano, São Caetano do Sul


Pior equipe da temporada
Jordan (já vi equipe decair mas como ela não teve como)

Pior piloto
Pantano (como é que um cara desses para na F1?)

Decepção do ano
Rubinho (que cascata é essa que a Ferrari liberou a briga entre os 2? Se liberou é pq sabia quem ia ganhar...)

A melhor em recuperação do ano
McLaren (espero que o bolo não desande ano que vem)

O maior "fritador" de pilotos da temporada
Flavio Briattore (acabou com o Jarno Trulli...)

José Benedito Vizioli Libório, Piracicaba-SP


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GRACIAS, MATADOR!
24/11/04
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Tudo estava preparado para a despedida de Carlos Sainz no Rali da Austrália, etapa que encerrou a temporada 2004 da categoria. Mas o piloto sofreu um acidente dias antes do evento, quando fazia o levantamento de percurso em uma estrada na região de Perth. Com dores no pescoço, Sainz seguiu o conselho dos médicos e optou por não participar da disputa, encerrando de vez a sua carreira aos 42 anos de idade.

Para nós, que adoramos biografias, o incidente infeliz gerou uma daquelas coincidências perfeitas. Carlos Sainz, o maior vencedor da história do WRC (26 triunfos) disputou seu último rali na Espanha, sua terra natal e penúltima etapa da temporada 2004. Ele ficou em terceiro lugar em uma participação emocional, com o público lotando os barrancos em torno das estradas catalãs para saudar um de seus maiores ídolos esportivos.

Com justiça. Não se trata aqui de um mero esportista. Sainz conseguiu, em pleno século XXI, emular o lendário Juan Manuel Fangio. Os jovens volantes o escutam como se ouvissem uma missa celebrada pelo Papa. A voz pausada, o aspecto sério e a sabedoria de quem já completou 187 ralis no WRC são argumentos irrefutáveis para uma boa dose de aprendizado. Fangio tinha o mesmo status de semi-deus quando batia papo nos boxes com gente como Stirling Moss e Peter Collins.

Há mais pontos em comum: a longevidade da carreira, a velocidade pura, a impressionante regularidade, o instinto de sempre procurar (e conseguir) vagas em equipes competitivas. Não fossem contemporâneos (Fangio morreu em 1995) e um espírita logo identificaria nestes dois pilotos a mesma alma.

E o madrilenho Sainz poderia ter se destacado em qualquer esporte. Embora tenha iniciado um curso de direito, o jovem sempre encontrou prazer nas competições. Foi campeão espanhol (juvenil e adulto) de squash. Praticava esgrima, futebol e esqui na neve com a mesma desenvoltura. Mas sua paixão residia mesmo nos carros e no rali.

Seu primeiro carro de corridas foi um Renault 5 TS, no qual se destacou em certames regionais. O primeiro título espanhol veio em 1987, quando juntou-se à Ford. Neste ano, disputou também sua primeira etapa do WRC, em Portugal. E logo mostrou a que veio: era o líder após a primeira especial e se manteve na ponta até abandonar com uma quebra do turbo. Em 88, Sainz ganhou o Espanhol de novo e disputou mais cinco etapas do WRC.

O passo decisivo de sua carreira aconteceu no ano seguinte, quando cedeu ao assédio de Ove Andersson e assinou com a Toyota. Foi guiando pela marca japonesa que o piloto obteve 13 de suas 26 vitórias. Sem falar em seus dois títulos mundiais, em 1990 e 92. O de 91, escapou no último evento e foi parar nas mãos do finlandês Juha Kankkunen.

Os anos seguintes foram desperdiçados em equipes confusas e com carros limitados. Nenhuma vitória com a Lancia em 93 e apenas quatro com a Subaru, em 94/95. Isto sem falar nos inúmeros desentendimentos com o patrão David Richards. De personalidade forte, Carlos Sainz precisava de um dirigente com muito tato para render. Não foi o que aconteceu com o inglês, que dirigiu a BAR na F-1 até este ano. Mesmo assim, o espanhol foi o vice-campeão de 95.

A ciranda continuou nos dois anos seguintes, quando o espanhol correu na Ford. Foram três vitórias com um carro que, nas mãos de outro piloto, sofreria para conseguir marcar pontos. Mas o bom filho à casa torna, e Sainz assinou com a Toyota para correr em 1998 e 99. Logo no primeiro ano, o piloto foi a vítima em um dos momentos mais cruéis na história do automobilismo. No encerramento da temporada, na Grã-Bretanha, o piloto estava em terceiro lugar, o que lhe garantiria o título. Mas o motor do seu Corolla quebrou a 500 metros da chegada da última especial. Seu desespero marcou a todos que assistiram à cena.

Com a saída da Toyota do WRC, Sainz voltou à Ford entre 2000 a 2002. Ganhou dois ralis, mas o chefe Malcolm Wilson não quis renovar seu contrato, achando que o tempo do espanhol havia terminado. Ledo e Ivo engano (copyright Flavio Gomes). Sainz conseguiu uma vaga na Citroën em 2003, trazendo diversos patrocinadores para a equipe, que inicialmente pretendia disputar a temporada com apenas dois carros, os de Sébastien Loeb e Colin McRae.

Foi um dos melhores anos de Sainz. Ganhou na Turquia e se manteve na briga pelo título até a penúltima etapa, na Espanha. Após julgar mal uma curva e sair da estrada, Sainz abaixou o vidro e gritou aos torcedores: “empujar!” Logo, havia mais de uma dezena de malucos colocando o Xsara na pista, emocionados em ajudar o grande ídolo. Não deu, mas o terceiro lugar no campeonato, atrás apenas dos ótimos Petter Solberg e Loeb, mostrou que Sainz ainda tinha muita lenha para queimar.

Em 2004, a vitória na Argentina lhe colocou como o maior vencedor do WRC. Sua regularidade também impressionou: foram apenas três abandonos (incluindo o da Austrália). Terminou o ano em quarto lugar. Aliás, vale aqui uma olhada nos números: em 16 anos na categoria, foram dois títulos mundiais, quatro vices, cinco 3ºs lugares, um 4º, um 5º, um 6º e dois 8ºs, incluindo o do ano de estréia. Me diga um piloto que se manteve por tanto tempo no topo de um campeonato tão competitivo. Difícil, né?

por isso tudo que o dia 31 de outubro de 2004 (fim do Rali da Espanha) fica na história como a despedida de um dos maiores mitos das pistas. Fica, algo comum nestes casos, uma saudade e um vazio. Vamos preenchê-lo então: MUITO OBRIGADO, EL MATADOR!

Um abraço e até a próxima,

Luis Fernando Ramos
 



UMA BELA MANHÃ EM INTERLAGOS
22/11/04

“Tenho saudades de coisas que não conheci.” A declaração do cantor Ed Motta, amante da boa música e estudioso da história dela, é perfeita para definir o estado de espírito de qualquer pessoa que tenha paixão por fatos históricos. Quem, por profissão ou hobby, estuda acontecimentos do passado acaba desenvolvendo a vontade de tê-los vivido, testemunhado ou ao menos acompanhado em tempo real, ainda que à distância.

Aqui no GPtotal não é diferente. A reconstituição de várias das histórias transcritas no site só foi possível por meio de leitura, vídeos, conhecimento do contexto histórico de cada época e, principalmente, a vivência de cada um. Eu, aos 36 anos e tendo começado a acompanhar corridas no final de 1978, não “vi” o nascimento da equipe Fittipaldi de Fórmula 1, entre 1973 e 1974. Pude apenas acompanhar os últimos anos de existência da equipe, torcendo desesperadamente para que ela ganhasse uma corrida que fosse – coisa que infelizmente não aconteceu. E ler, ler muito, sobre como ela surgiu. Também aproveitei (faço isso até hoje) todas as possibilidades de conversar com os personagens da história dela para saber um pouco mais da história da equipe – nunca é demais lembrar: a primeira, e até hoje única, a competir na Fórmula 1 com um carro construído abaixo da linha do Equador. (O respeitado construtor e preparador argentino Oreste Berta construiu seu Fórmula 1, o LR, na mesma época em que o FD 01 ficou pronto. Só que o Berta LR nunca competiu no Campeonato Mundial: dele, ficaram somente os rumores de que o carro disputaria o GP da Argentina de 1975, pilotado por Nestor Garcia Veiga.)

Lembro-me de, moleque, ler os relatos e ver as fotos dos primeiros testes do FD 01 em Interlagos, no final de 1974. Ficava babando, doido de vontade de ter presenciado, no meio daquelas muitas pessoas (as da equipe, mas alguns jornalistas, uns poucos curiosos e muitos fãs legítimos de corridas de automóvel), os primeiros quilômetros rodados pelo Fittipaldi FD 01

Por tudo isso e muitas coisas mais, eu não poderia perder a oportunidade de estar em Interlagos no começo de novembro. Depois de 30 anos, o FD 01 voltou ao autódromo paulistano para um evento de comemoração de sua restauração. Estavam lá Wilsinho Fittipaldi, Ingo Hoffmann, Alex Dias Ribeiro e Christian Fittipaldi, mais Darcy Medeiros (mecânico da equipe Fittipaldi durante toda sua existência e responsável pelo trabalho artesanal de restauração do FD 01), Sid Mosca (famoso pintor de carros e capacetes, criador da pintura dos Fittipaldi patrocinados pela Copersucar, com o beija-flor estilizado), Luiz Carlos Secco (veterano jornalista, talvez o primeiro a dar a notícia de que os Fittipaldi estavam montando uma equipe de Fórmula 1). Ausências sentidas: Ricardo Divila (projetista do FD 01), Emerson Fittipaldi, o mecânico japonês Itoh e o mexicano Jo Ramirez.

 

 
Trinta anos depois, o momento exato em que o Fittipaldi FD 01 sai do box.
Foto de Michel Toni Rost

Foi de arrepiar. Era apenas uma demonstração, mas a expectativa de fazer o carro funcionar e andar na pista era imensa entre todos os presentes. Em alguns momentos, foi como se eu tivesse viajado no tempo e voltado a 1974. Tenho certeza de que várias pessoas sentiram algo parecido. A diferença maior, é claro, estava no nível de tensão do ambiente. Nas fotos de trinta anos antes, pode-se ver profissionais trabalhando duro, envolvidos em uma cartada para o futuro. Naquela bela manhã de sol em Interlagos, eu estava no meio dessas mesmas pessoas – mas elas estavam estavam apenas celebrando uma aventura acontecida no passado.

O uivo de um motor Ford Cosworth V8 de Fórmula 1 é impressionante, maravilhoso, sedutor. Em 1974, seu regime ideal de funcionamento estava em torno de 10.000 rpm. O motor instalado no restaurado FD 01 (o mesmo do GP da Argentina de 1975) estava com o regime máximo limitado a 8.000 rpm, devido a uma deficiência na válvula de combustível. Darci e sua equipe já haviam começado a fazer uma nova, mas ela não ficou pronta a tempo.

Sobraram emoções para todos. “Tive quase a mesma sensação de quando colocamos o carro para andar pela primeira vez. Foi espetacular!”, relembrava Wilsinho Fittipaldi. Ingo Hoffmann, que fez sua primeira corrida na F 1 pilotando o Fittipaldi FD 03 (no fundo, um FD 01 modificado), também guiou o carro. Quando voltou aos boxes, saiu do cockpit profundamente emocionado, quase às lágrimas e com dificuldade para terminar uma frase sequer. Enquanto estive ao seu lado, a única frase que ele conseguiu completar foi “Que sensação incrível!...”. Para Christian Fittipaldi, que guiou na F 1 quando a categoria já havia entrado na era das ajudas eletrônicas, andar no FD 01 foi uma experiência inesquecível. Além de guiar pela primeira vez um dos carros construídos pelo pai, Christian pôde sentir como era a F 1 em que Emerson e Wilsinho competiram: “Tá louco! Vocês eram muito corajosos...”. Alex Dias Ribeiro só guiou para a Fittipaldi em 1979, mas em 1975 era contratado como piloto reserva de Wilsinho, ao mesmo tempo em que disputava o Campeonato Inglês de Fórmula 3. “Minha fase foi outra, mas tive o prazer de guiar o Fittipaldi F5A”, lembrou, referindo-se ao modelo mais bem sucedido da história da equipe.

Aquela manhã de sol em Interlagos foi uma das mais prazerosas da minha vida. Pelo menos uma vez tive a certeza de ter aplacado a saudade de uma daquelas “coisas que não conheci”. Inesquecível.

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Duas boas notícias sobre colunistas do GPtotal. A primeira, sobre Ricardo Divila, é acompanhada por um enorme “Parabéns, campeão!”. Sua equipe, a Nismo (Nissan Motorsport), conquistou o título da divisão principal do JGTC, o campeonato japonês para carros GT. De quebra, os Nissan 350Z permitiram que o japonês Satoshi Motoyama e o irlandês Richard Lyons conquistassem o título de pilotos. Mais detalhes em breve, na próxima coluna do Ricardo.

A outra notícia é a chegada do experiente e vivido Castilho de Andrade para reforçar o time de colunistas convidados do GPtotal. Uma vez por mês, ele vasculhará sua memória para contar algumas boas histórias vividas em corridas nacionais e internacionais.

Para quem não o conhece, Castilho trabalha para os jornais do grupo Estado (O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde) desde 1969, tendo participado de coberturas de F 1 e de várias corridas nacionais e internacionais, além de vários outras modalidades esportivas. Entre 1991 e 1994, trabalhamos juntos na editoria de Esportes do Jornal da Tarde. Outro colunista do site, Luis Fernando Ramos, também trabalhou com ele durante algum tempo. Desnecessário mencionar o quanto eu e o Ico consideramos valiosa a experiência profissional adquirida durante a convivência com o “Casta”, como alguns o chamam.

A estréia do Castilho no GPtotal acontecerá nesta quinta-feira. Seja bem-vindo, mestre, e que este seja o início de mais uma longa convivência.

Luiz Alberto Pandini
 



OS MELHORES E PIORES DE 2004 - 4ª PARTE
19/11/04

Pior
Rubinho

Melhor
T.Kanann


Vladimir, Goiânia


PARA VOTAR, CLIQUE AQUI



Melhor piloto do ano

Vai para Cristiano Da Mata e Takuma Sato, um por peitar a direção da Toyota sem medo de ficar a pé, o outro por não estar nem aí do que os outros pensam sobre suas ultrapassagens e maluquices

Pior piloto do ano.

E o Oscar vai para o Rubinho, pela obra Boca Fechada Não Entra Mosquito - e olha que eu sou fã do cara. No próximo GP Brasil mande a bota do jeito que vc sabe porque piloto bom não promete; acelera

Menção honrosa

Ralf Schumacher. Parado não sei quanto tempo, voltou a correr na China e só porque levou um toque do Coulthard faz aquela frescuriti toda. Quem dera eu estar no lugar dele. Talvez não corresse porcaria nenhuma mas faria menos bichice

Melhor equipe

Vai para a Minardi. Tem menos cash, piloto, projetisa, mecanicos, motor, computador etc e tal mas tem muita paixão em correr o que, no final, é o que vale

Pior equipe

Toyota, nem vou perder meu tempo explicando por que

Melhor corrida

Belgica

A pior

Hungria

Speed Racer, São Paulo

 

Os melhores do ano
Schumacher e Ferrari

Os piores do ano
Minardi e Jordan.

Ricardo Figueira, Funchal, Portugal


Dirigente Mais Feio
Jean Todt

Dirigente Mais Fashion
Flavio Briatore

Troféu empáfia perpétua não enverga e também não quebra:
Ron Dennis

Troféu azedume "ad eternum"
Ralf Schumacher

Preparo físico do ano
Juan Pablo Montoya

Prêmio Lance Armstrong (se pilotasse como pedala ...)
Jarno Trulli

Troféu mosquito zombeteiro
Paul Stoddart

Troféu fala mais bobagem agora que quando corria
Nélson Piquet

Prêmio "aumentem os números dos carros porque eu não dou
uma dentro na locução"

Galvão "Magdo Bueno"

Prêmio "estou gagá, gordo e ganhando bem demais; enfim, desmotivado"
Reginaldo Leme

Wagner Gossen, São Paulo


Troféu Alex Yoong de Pior Piloto
Klien. Até o Baumgartner evoluiu mais que ele durante a temporada

Troféu Sílvio Santos de melhor animador
Takuma Sato

Troféu Eu quero a minha mãe
Ralf Schumacher

Troféu Romário ("O Bonzão")
Mark Webber

Troféu vai tarde
Jaguar

Melhor Corrida
China

Pior Corrida
Hungria, pra variar

Troféu o fênix (ressurgiu das cinzas)
Físico, que vai dar um baile no Alonso

Troféu Saddam Hussen, pelo diálogo "aberto e construtivo"
Toyota (resultado: 1 ponto desde a saída do Cristiano o que mostra que o problema não era ele e sim a cadeira elétrica que deram pra ele guiar)

Troféu Vocês verão do que sou capaz
Coulthard

Troféu el gordito
Montoya

Paulo Vítor Guerra Martins, São Paulo

 

Os Melhores
Schumacher e a F2004

O Pior
Briatore, que conseguiu perder o segundo lugar pra BAR

Guto Mauad, Sorocaba


O melhor piloto
Michael Schumacher

O pior
Giorgio Pantano

Diogo Durao, Lisboa-Portugal


Melhor equipe
Ferrari, nem precisa falar

Pior equipe
Toyota. Fritou um monte de gente e conseguiu ficar atrás da Jaguar

Melhor piloto
Michael Schumacher, que já é o maior de todos os tempos

Pior piloto
Prêmio dividido para David Coulthard e Jacques Villeneuve, foram muito mal

Piloto Revelação
Anthony Davidson

Melhor corrida
Spa, que não saia mais do calendário

Pior corrida
Hungaroring. É dose pra mamute

Melhor estréia
Regra de 10 posições perdidas no grid em caso de troca de motor

Melhor expectativa para 2005
Disputa Kimi x Juan Pablo na McLaren

Pior expectativa para 2005
Webber na Williams

Rodrigo Furlan Lourenço, São Paulo

PARA VER MAIS MELHORES E PIORES DE 2004, VISITE NOSSA PÁGINA DA
1ª QUINZENA DE NOVEMBRO CLICANDO AQUI.


WITH A LITTLE HELP
FROM OUR FRIENDS
17/11/2004

OS MEUS PREFERIDOS


Manuel Blanco

Com muita freqüência, falamos dos nossos personagens preferidos. Inclusive apresentam-se listas que, normalmente, constam de cinco desses personagens. Em certa ocasião, eu mesmo enviei a minha lista referida ao motociclismo e, agora, gostaria de apresentar os meus preferidos da F1. Porém, mesmo reduzindo a lista ao mínimo, cinco me resulta um número escasso e, com vossa licença, na minha lista há de constar sete nomes.

Procurarei explicar, de forma resumida, os motivos que me levam a decantar-me por estes personagens e, por ordem alfabetico, esta é a minha lista: Alexander Hesketh, Arturo Merzario, Bernard Ecclestone, Emerson Fittipaldi, Gordon Murray, Graham Hill e Ricardo Divila.

- A. HESKETH - Mesmo pertencente à nobreza britânica, lord Hesketh estava muito longe da habitual imagem soberba, orgulhosa e distante que se lhe atribui aos seus membros. Hesketh, era uma pessoa "normal" e entranhável que a todos resultava simpática. Famosas eram as suas partidas de poker nos boxes ou trailers, e seu bom humor era sempre ressaltado.

Lord Hesketh, pode considerar-se o último verdadeiro patrocinador da F1, e a sua retirada como o fim do esporte na categoria. Equivocadamente, continua-se usando a palavra "patrocinador", quando, realmente, o único que temos são investidores (talvez até tubarões). Patrocínio é o mecenato ou apoio a uma determinada atividade sem propósitos de lucro, e isso era justamente o que fazia lord Hesketh. Mas, quando os crescentes custos da F1 superaram as suas possibilidades, ele preferiu retirar-se antes que colocar publicidade nos seus brancos carros, mantendo-se fiel à sua concepção do esporte.

- A. MERZARIO - Bravo piloto italiano que não desfrutou das oportunidades que merecia.

Esteve na Ferrari nos piores momentos do desenvolvimento do modelo B3 mas, a sua determinação e profissionalismo sempre foram admiráveis. Em meados de 1973, Merzario já sabia que não seguiria na equipe mas, continuou trabalhando com grande empenho.

No GP do Canadá, Arturo perde o bico do carro num acidente nas primeiras voltas da prova mas, continua na pista. Algumas voltas depois, perde o aerofólio traseiro mas, também segue adiante, dando uma demonstração de tenacidade que me chamou poderosamente a atenção. Arturo, com o carro naquelas pobres (e perigosas) condições, poderia ter abandonado e ninguém o teria censurado por isso. Mas, mesmo sabendo que aquela era a sua penúltima corrida na Ferrari, ele fez questão de acabar a corrida, coisa que faria a 5 voltas do vencedor.

Porém, as maiores provas de sua bravura ainda estavam por vir. Em 1976, foi Arturo quem retirou Lauda do carro em chamas no acidente de Nurburgring e, em 1978, novamente, foi protagonista destacado no resgate de Ronnie Peterson em Monza.

Arturo, sim, que pode considerar-se um herói !

B. ECCLESTONE - O poderoso chefão vem sendo muito criticado ultimamente pela difícil situação na que se encontra a F1. Porém, devemos recordar que a categoria deve sua grandeza a este "homenzinho".

De origen humilde, Bernie sempre sentiu-se atraído pelo automobilismo e, inclusive tentou ser piloto mas, logo percebeu que era muito melhor dirigindo gente que carros e, neste terreno não teve rival.

Nos anos 70, a F1 também atravessava momentos difíceis mas, passavam despercebidos para o público em geral porque a mídia não se ocupava da categoria tanto como agora e, além do mais, a emoção e espetáculo nas pistas eram grandes. Algumas equipes emblemáticas nos anos anteriores, desapareceram (BRM ou Matra), outras surgiam como cogumelos no prado depois da chuva sem aportar nada de bom à categoria. Se inscreviam num GP e desapareciam no seguinte (Trojam, Tokem, Maki, etc).

As equipes negociavam, cada uma por si, com os organizadores dos GPs, TVs etc, e Bernie foi o primeiro em ver as enormes possibilidades que a Fórmula 1 oferecia. Porém, possivelmente, não foi o único pois, apesar da anarquia reinante, a categoria crescia e até chamou a atenção de Roger Penske e Parnelli Jones, os poderosos chefes de equipe americanos, que talvez já estivessem de olho na F1 pois, inclusive começaram a participar com suas equipes.

Mas, Bernie atuou rápido e tomou as rédeas da F1 acabando com a baderna e dotando a categoria da ordem, disciplina e seriedade das quais adolescia. Talvez graças ao Bernie a F1 não acabou sendo uma espécie de Cart européia ou mundial, coisa que me provoca náuseas só de pensar.

Hoje, a F1, novamente, atravessa momentos difíceis e, com freqüência, culpamos o "tio Bernie" de tudo o que de mal acontece nela mas, é que ninguém nem nada é perfeito ou eterno, e tudo tem um principio e um final. Porem, hoje nao parece haver um Ecclestone que salve a categoria de sua autofagia, e temo que uma formula 1 sem o tio Bernie não vai ser melhor que a que tivemos quando ele estava em sua plenitude.

Pelo seu enorme talento negociador, visão de futuro, dotes gerenciais, etc., o Bernie Ecclestone, modestamente, me parece o mais importante personagem da F1. Pilotos, chefes de equipe ou engenheiros há e houve muitos mas, "tio Bernie" só um.

E. FITTIPALDI - Nada há que eu possa dizer sobre o Emerson que não saibamos já.

Pessoalmente, posso dizer que foi o Emerson quem, definitivamente, desencadeou a incipiente afeição à F1 que eu tinha, e graças a ele começamos a ter abundante informação sobre automobilismo aí no Brasil. Envio uma foto minha de 1974 onde, como podem ver, não há dúvida de que Emerson era o meu preferido naqueles tempos pois, eu até exibia umas costeletas inspiradas nas suas.

G. MURRAY - O gênio! Como poderia um aficionado à formula 1 deixar de admirar um cara como o Gordon e seu trabalho? Os seus carros eram autênticas obras de arte, e muitas foram as inovações que o Gordon introduziu na F1 (suspensão pull-rod, freio de fibra de carbono, suspensão hidropneumática, conceito extra plano etc.).

Fossem os brancos BT44, o futurista BT46, os eficientes BT49 eBT53, o revolucionário BT55 ou o extraordinário MP4/4, todos, além de tecnicamente primorosos, eram belíssimos.

G. HILL - Só vi o Hill competir no fim da sua carreira, quando apenas corria por gosto, portanto não tenho lembranças destacadas suas como piloto. Que eu me lembre, as suas melhores corridas foram aquelas de Fórmula 2 em Interlagos no princípio dos anos 70. A minha preferência por Hill se deve ao lido e escutado sobre a sua pessoa. Porém, tudo o que li e ouvi sobre ele, sempre o descrevem como um piloto extraordinário e uma pessoa ainda melhor.

De origem humilde, Hill conseguiu chegar até o cume com muito trabalho de dedicação, e o seu comportamento sempre é recordado como o de um verdadeiro cavalheiro.

Quando a fortuna parecia prestes a sorrir-lhe em sua nova etapa de construtor, a morte truncou tudo. Pena que já não hajam pilotos (pessoas) como Hill.

R. DIVILA - Fiquei muito chateado quando os irmãos Fittipaldi decidiram o relevamento do Ricardo da sua função de engenheiro da Copersucar. Desde fora, e como simples aficionadao, dava para se perceber que o seu trabalho era bom, e os seus carros melhoravam um após o outro continuamente. O FD04 era bom, e Maurice Phillipe conseguiu que fosse ainda melhor. Como diz um ditado popular valenciano - De onde não há nada... nada pode conseguir-se - portanto, se o carro melhorou é que o potencial já estava lá, e isso era mérito do Ricardo.

O FD01, foi um carro que me impressionou muito pelo seu estilo inovador. Criticada na época, pouco a pouco, a sua idéia de carenar o motor acabou impondo-se na categoria. Realmente foi um carro tecnicamente muito atrevido, principalmente considerando que era o seu primeiro carro. Que eu saiba, o atrevimento é algo próprio de ignorantes ou de gênios, e o Ricardo, de jeito nenhum, me parece que seja um ignorante.

Bem amigos, esta é a minha " lista " de preferidos. Se fosse um pouco mais longa, teria que incluir nomes como David Purley, Mauro Forghieri, Frank Williams, Keke Rosberg, Colin Chapman, Ronnie Peterson, etc. mas, creio que esta é bastante representativa das minhas preferências.

Quais são as vossas ?

um abraço,

Manuel Blanco,Valência, Espanha