.
Medalha de ouro para a França

Bugatti T251 (1955-1956) - Este carro não é propriamente feio. É esquisitão, pesado, estranho. Ok: é feio mas não se pode negar um certa vanguarda aerodinâmica, uma tentativa prematura de carenar os pneus, certamente inspirada pelas carroçarias integrais da Mercedes.

Este Bugatti, que tentou herdar toda a glória da marca conquistada nos anos 30, foi projetado pelo grande Gioacchino Colombo, um dos pais da Alfa 158, e incorporava conceitos revolucionários para a época, como o motor transversal no centro do carro. Foi um fracasso retumbante, porém, e competiu apenas no GP da França de 56.

 


Pesos-pesados

O primeiro Ligier de F 1 foi o JS5, de 1976. Recebeu imediatamente o apelido de "bule voador", devido ao tamanho exagerado da tomada de ar para o motor. Mudanças no regulamento fizeram a Ligier (como todas as outras equipes) modificar seu carro a partir do GP da Espanha. O bule sumiu, mas o apelido ficou. E o Ligier surpreendeu, conseguindo vários bons resultados.

Ferrari Dino 246 (1958-1959-1960) – Outro caso de carro não exatamente feio mas, antes, anacrônico. A Ferrari foi uma das últimas equipes a abandonar o motor dianteiro, sob a alegação do teimoso Enzo Ferrari de que não se punha a carroça à frente dos burros.

Muitas fotos de época mostra o pesado Ferrari ao lado dos pequeninos e velozes Cooper de motor traseiro, um dinossauro competindo com um ágil mamífero. Fica aqui o registro menos da feiúra e mais da falta de percepção da maior equipe de todos os tempos de que a fase dos carrões de motor dianteiro tinha acabado.

Alfa Romeo 177 (1979) - Depois de décadas afastada da F 1 como equipe (permaneceu apenas fornecendo motores), a Alfa Romeo voltou à categoria com seu protótipo de testes, o 177 - um carro grande, lento e pesado como um elefante. Foi usado em apenas algumas corridas e já no final daquela temporada deu lugar ao modelo 179, bem mais atual.

 

O pior do estilo oriental

Honda RA302 (1968). Feio como a necessidade, revolucionário, fracassado, mortal. Este modelo construído pela Honda tinha um motor V8 refrigerado a ar e um chassi todo em magnésio, um luxo caríssimo para a época.

John Surtees, primeiro piloto da equipe, recusou-se a dirigir o carro, considerando-o inseguro e pouco desenvolvido. Mas a Honda insistiu em inscrevê-lo no GP da França de 68 para o piloto local Jo Schlesser. A iniciativa acabou em tragédia. O carro era inguiável, Jo tinha pouca experiência e acabou batendo num barranco. O carro explodiu em chamas e os bombeiros nada puderam fazer.

Tentou-se de novo em Monza, mas Surtees foi firme. O carro voltou para a garagem e a Honda abandonou as pistas no final daquele ano.

Maki 102A (1976) - A Maki tentou correr na F 1 em alguns GPs entre 1974 e 1976, quase sempre sem conseguir classificação para largar. Este modelo, pilotado por Tony Trimmer, é o último. As linhas originais do primeiro, de 1974, eram tão estranhas que a equipe modificou profundamente o carro antes de colocá-lo para correr pela primeira vez.

Kojima KE 007 (1976) e KE 009 (1977). Bem sucedida nas competições japonesas, a Kojima tentou a sorte na Fórmula 1, com carros projetados pelo mesmo engenheiro do "belo" Maki. O modelo KE 007 fez a volta mais rápida do GP do Japão de 76, corrida disputada sob um verdadeiro dilúvio. O Marlboro Guide, não sei dizer porque, não reconhece o feito.

Theodore TR1 (1978) - Theodore "Teddy" Yip, um milionário de Hong Kong apaixonado por automobilismo, patrocinou pilotos e construiu carros entre o final dos anos 70 e o começo da década de 80. Este TR1 era horrível e muito pouco competitivo, mas com ele Keke Rosberg conseguiu a façanha de vencer sob forte chuva uma tumultuada edição do Daily Express International Trophy, uma tradicional prova extracampeonato realizada em Silverstone.

 

Hors-concours

BMW Eigenbau (1953) - Não, a foto não está distorcida e o carro não está amassado - ele parece deformado, mesmo. Criação coletiva de engenheiros alemães (provavelmente depois de uma longa noitada regada a quantidades oceânicas de chope), fez umas poucas corridas e desapareceu.

March 711 (1971-1972) - Basta olhar para perceber porque este carro entrou em nossa escolha. A asa dianteira nem mereceria esse nome: parece uma tábua de passar roupa mal adaptada. Com um deles, porém, o sueco Ronnie Peterson chegou ao vice-campeonato em 1971, sem vencer nenhuma corrida.

Ensign N179 (1979) - Essa "escadaria" na frente do carro é formada pelos radiadores de água e óleo. A razão de colocá-los ali foi distribuir o peso e deixar as laterais totalmente livres para o perfil asa. A idéia mostrou-se inócua e o carro fez apenas uma corrida (África do Sul) com essa configuração. Na etapa seguinte, seu infeliz piloto, o irlandês Derek Daly, teve à disposição um carro mais convencional, menos feio e igualmente pouco competitivo.

 

O escolhido do Eduardo Correa
É uma bela brincadeira escolher o meu feio preferido, mas vamos lá. Acho que é a Ligier mesmo. Poderia escolher as aberrações vindas do Oriente ou o BMW (onde é que o Panda descobriu esta fofura, eu juro que não sei...). Mas prefiro eleger um carro sério, que obteve bons resultados e deu origem a uma linhagem que poderia perfeitamente ter chegado a um ou dois títulos mundiais, não fosse a inconstância dos carros de Guy Ligier - imprevisíveis e intratáveis como seu patrão.

O escolhido
do Pandini

O páreo é muito duro, mas o Ensign é o pior de todos - tanto pela estética propriamente dita quanto pela tentativa absolutamente infeliz de ser original. Menção honrosa para o BMW Eigenbau, de 1953, e o Alfa 177, de 1979. O primeiro ficou mais ou menos como um chocolate que derreteu ao sol e depois, resfriado, endureceu com as devidas deformações. O segundo, por parecer um batmóvel pintado de vermelho.