jornalista Ernesto Rodrigues está terminando a mais completa biografia sobre Ayrton Senna editada até agora.

Para ajudá-lo, abrimos este espaço, onde os eleitores poderão manifestar suas dúvidas – e talvez elucidá-las - sobre histórias e lendas sobre o grande brasileiro.

Escrevam à vontade.

Para saber mais sobre o livro do Ernesto clique aqui e mãos à obra.


uanto a última carta de nosso amigo Afonso Pazzini, gostaria de dizer, numa muito boa que a pergunta sempre feita é Senna ou Schumacher, pq é a única plausível de ser feita.

É claro que não se pode comparar os dois, como vc disse, em 95% dos casos. Mas pq não discutir Senna ou Prost: porque todos sabem que o ÍRTO, era superior.

Fale sobre isso com o Edu, que ele irá dizer o que acha do Prost. Um narigudo, baixinho e arrivista (ao máximo). Aquele título de 89 foi fruto do acaso - não quero me estender qto a isso - para não dizer do roubo. Em 86, ganhou por pura sorte, ou por puro Mansell. Mas o título de 85, independentemente da superioridade do McLaren, ele deu banho, aproveitou isso. E tb acho q ele merecia otítulo em 84, não Lauda. E 93 rapaz?

Alain diz até hoje q Donington foi a gde tragédia da carreira dele, isso sem contar o Brasil e a Austrália. Em 88 fez mais pontos q Senna, mas foi por "rabo", ganhou menos e fez (muito) menos poles... não é preciso compará-los, assim como não é necessário SennaXMansell ou Piquet...

ABRAÇOS!

Marcel Pilatti, Curitiba


OIS!!!

Sei que questões técnica, além de enfadonhas e maçanates, são, às vezes, muito difíceis de se explicar de uma forma mais didática, mas não deu pra resistir.

Li isso num site que tenta dar uma versão mirabolante pra morte do Senna: "Ele era um piloto muito preciso. Um piloto do calibre de Senna consegue manter o carro na mesma rota, com variações de apenas uma polegada, volta após volta. A maioria dos pilotos de F-1 consegue uma precisão de seis polegadas. Portanto, o traçado do carro de Senna na curva de Tamburello foi, provavelmente, igual em todas as voltas."

Isso foi publicado no THE SUNDAY TIMES por Tim Rayment e Peter Windsor

Minha questão: O que quer dizer isso? É algo sobre precisão do piloto? Sobre constância? Se é, quanto seria a do Schumacher, quanto era a do Prost, do Piquet?

Abraços

Alex Sotto, São Paulo

Conheço esta reportagem, Alex. Ela foi uma espécie de líbelo de defesa da Williams frente a provas recolhidas pela Justiça italiana, uma tentativa de negar a hipótese, nesta altura já inatacável, da quebra da barra de direção em plena aproximação da Tamburello.

Deve ter sido uma defesa complicada de montar porque a equipe não queria comprometer a Goodyear, fornecedora de pneus, mas isso é outra história...

Talvez pela complicação da tese defendida pela Williams (digo pela reportagem assinada pelo Peter Windsor, que é um dos jornalistas que mais entendem e conhecem F1 mas que já trabalhou para a Williams nos tempos de Nigel Mansell - ele foi um dos que correram atrás do triciclo de Mansell em Portugal), acabaram sacando esta história de seis polegadas.

É claro que um bom piloto vai repetir sempre o melhor trajetória, volta após volta, mas daí a pregar uma etiqueta "uma polegada" neste e "seis polegadas" naquele vai uma distância que só um estudo detalhado apurando várias voltas em vários trechos do circuito e tirando médias poderia apontar.

Curiosamente, li recente reportagem do próprio Windsor onde ele faz algo do gênero, tomando como base uma curva de Barcelona e depois comparando a forma de abordar a curva piloto a piloto. A reportagem saiu na última edição de F1 Racing.

Abraços (EC)



Olá amigos do GPTotal

As comparações entre pilotos da atualidade e de outras épocas é impossível.

Como comparar pilotos que correm na atualidade, com controle de tração, câmbio automático, controle de largada, pneus com um maior grip, carros muito mais estáveis e duráveis, enfim todos as tecnogias hoje disponíveis, com pilotos que faziam tudo no braço, que tinham que se preocupar em poupar mais o carro. Isso não tira o mérito dos pilotos de hoje, porém todas as diferenças existentes entre hoje e outras épocas torna impossível comparações.

Ninguém sabe como os pilotos de hoje reageriam se corressem em outras épocas. Lembro da declaração de Piquet quando entrou na Brabham dizendo que nem adiantava olhar no retrovisor pq o carro trepidava tanto q ñ dava para enxergar nada. E os tempo de Fangio, onde errar significava morrer. Hoje os pilotos podem arriscar muito mais, pois tantos os carros como os circuitos são mais seguros.

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Schumacher sem sombra de dúvida é o piloto mais rápido da F1 atual. Quando está na frente é difícil pegá-lo, quando está próximo arma o bote na estratégia de Pit (q ele e sua equipe fazem muito bem).

Como todos ele tb possui os seus defeitos, não se dá muito bem quando está sobre pressão (como no início deste campeonato) ou quando não tem um carro bem equilibrado. Tb fez algumas trapaças feias como a de jogar o carro em cima de Hill, além daquele campeonado q correu com aquela Benneton totalmente ilegal. Acho q ele deveria ser punido por alguns atos, como a espremida no muro q ele deu no Ralf o ano passado ou a jogada pra lá q ele deu em Rubinho este ano.

Fez isso pq sabia q seu irmão e seu companheiro fariam de tudo para não encostar nele. Esse tipo de coisa é muito perigosa. Além de ter um companheiro de equipe a sua disposição. Ele tb ñ teve muito sucesso antes da F1. Porém nada disso tira o mérito de suas conquistas, e Schumacher é o melhor piloto de F1 de sua época.

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Quanto a pilotos medíocres concordo plenamente com o Panda, um piloto não pode ser julgadado apenas pelo q fez na F1. Muitos pilotos foram terríveis na F1 mas tb foram imbatíveis em outras categorias. Cada piloto se adapta melhor a uma categoria, porém há aqueles excepcionais q fazem sucesso em várias.

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Para mim não existe o melhor e sim os melhores pilotos, a qual cada um tem o q lhe agrada mais. Acho q as pessoas deveriam respeitar mais as opiniões dos outros.

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Entendo pq os fãs de Piquet não gostam de Senna. Os 2 eram inimigos e Senna em determinada época acabou tento mais atenção da mídia, por estar em ascensão e Piquet em final de carreira. porém acho isso uma tremenda besteira de ambas as partes. Fãs de Piquet e Senna parem com isso!!! Incluindo vc, amigo Panda.

O GPTotal é um site excelente e único na internet, continuem sempre com esta democracia.

Um abraço a todos

Cláudio Duarte, Jundiaí - SP


Vendo a discussão, quem é melhor: Senna ou M. Schumacher? Dou continuidade a algumas coisas que escrevi aqui anteriormente.

Há questão de semanas coloquei no site algumas corridas de recuperação de Senna e outras do alemão, mas tem um grande quesito que JAMAIS poderá comparar os 2: A ÉPOCA EM QUE CADA UM CORREU.

Senna correu numa era que tinham "cobras" ao lado dele, como um tal de Alain Prost, que foi a pedra no sapato do nosso campeão. E com esse Prost, protagonizou muitas disputas, polêmicas e não-polêmicas, mas interessantes para os apaixonados por F1. Em M. Schumacher, o que temos que ver é que ele é o melhor nessa época em que vivemos atualmente (desde 01), seje por falta de adversários a altura, seje por equipamento "perfeito".

O que deveria ser levado a "comparação" é Senna vs. Prost. Isso sim vale muito comentário e comparação. Mas por que?

1) Correram praticamente na mesma época;
2) Contaram quase sempre com o mesmo equipamento (leia-se: McLaren Honda);
3) Eram verdadeiras raposas nas corridas em que disputaram, nesse quesito principalmente Prost;
4) Dispunhavam sempre de ÓTIMAS condições de trabalho. Ex: Prost teve a equipe Renault inteira a seu favor em 1983, a Ferrari em 1990 (apesar do Mansell atrapalhar Prost em algumas provas) e a Williams Renault de 1993. Já Senna sempre teve os melhore$ contrato$ e de 1988 a 1991 (esse nem tanto) o melhor carro da F1.

Gostaria de que o pessoal que vê o site e a dupla dinâmica (EC X LAP) falassem sobre esses 2 gênios do esporte (esses sim!), e que possamos abrir uma discussão: Senna ou Prost? Quem foi melhor? Quem foi mais ferrado para ganhar provas? Prost é tetra, Senna é tri.

Na minha opinião, é inválido em 95% dos fatos comparar Senna e M. Schumacher, e 100% válido comparar Senna e Prost.

É isso aí, um abraço!

Affonso Pazzini Junior, Santo André/SP



Eu adoro o site de vocês!

Eu gostaria de saber quantas ultrapassagens históricas Schumacher fez? E as - com certeza várias, mas não sei quantas, por isso estou pedindo a ajuda de vocês - de Senna?

Ramsés da Silva Mesquita, Imperatriz-MA



O que há mais a saber sobre Senna?

Ao invés de ficar fazendo comparações, devia-se perguntar pq ele e a Xuxa se separaram e ir mais fundo no relacionamento com Adriane Galisteu...aliás todo mundo que se aproximou dele teve ou tem seu brilho também...não faço essas perguntas como fofoca, mas para mostrar que ele sabia como eram as pessoas que o cercavam.

Carlos, Valinhos



Uma lembrança rápida: No GP da França de 92, "Miguel" se classificara atrás (4o) de Senna (2o).

Dada a largada, Schumy destrói a traseira do McLaren Honda, impossibilitando o retorno de Ayrton à pista; mas, não se sabe como, Schumacher pôde voltar a correr - houve relargada. E o que fez ?

Novamente arrebentou com outro carro, mas desta vez, a vítima foi Patrese, que havia largado em 3o...


Fernando Costa, Santos


Oi Dudu e Panda (sei que não sou íntimo de vcs, mas já li tanta coisa que vcs escreveram e tenho tanto apreço pelo site que me permiti esse arroubo)

depois de ter lido paticamente todas as mensagens dessa coluna, algumas um pouco mais apressadamente, é verdade, gostaria de fazer algumas considerações e defender algunas pontos de vista.

Em primeiro lugar, apesar de ser sennista convicto, não vou me preocupar em compará-lo com outros pilotos (no sentido de procurar mostrar ter sido ele o maior de todos ou algo do gênero), basicamente por três motivos

1) não pude ver piquet correr a não ser no final de sua carreira, longe de carros realmente competitivos e após seu auge, de modo que não me sinto confortável em falar dos dois comparativamente.

2) é algo muito subjetivo, sem verdades absolutas, sendo puro exercício de retórica (na acepção original do termo, como os gregos antigos o entendiam), dada as aproximações que se têm que fazer para estabelecer critérios comparativos entre pilotos que vievram em universos diferentes - cabe dizer que quando fangio largou a F1, senna não era nem nascido; compará-los seria comparar um campeão de rali com um campeão de f1).

3) não acho que deva ser esse o propósito dessa lista de discussão, por achar que isso pouco acrescenta em sabor ao livro.

Isso posto, vamos lá : a melhor colaboração, no meu entender, foi a trasncrição do tal diálogo pós suzuka 93, entre senna e o irvine. Houve outros muito bons, principalmente os que inicaram a lista. Mas vou me centrar em algunas ruins, buscando não atacar seus autores, mas sim aclarar a discussão.

Um de que lembro bem, discorria sonbre o tipo físico de senna, muito franzino, para não dizer frágil, fazendo comparações não só entre ele e schumi, mas também comparando ambos a corredores de atletismo.

Bom, Senna, começou a carreira em f1 com um preparo físico inapropriado, tanto que ficou arrasado após completar seu primeiro gp, mas corrigiu isso, principalmente com auxílio do cobra, chegando a ser muito bom corredor (se eu não me engano sua basal era da ordem de 45 bpm, algo BEM baixo mesmo) e bem resistente ( cabe não confundir um tipo físico franzino com fragilidade : paul tergat é franzino e estupidamente resistente).

É claro que mesmo depois de bem preparado, ele "quebrou" fiscamente em algumas corridas, quando dirigiu em condições mais exigentes do que o normal (brasil 91, por exemplo), mas vale lembrar que mesmo um campeão de Ironman quebra em situações adversas, que excedem o seu preparo (como triatleta amador posso falar de cadeira, pois já vi muitos super-atletas quebrados de se jogar fora).

Vamos a outra questão : suzuka 89. Por mais sennista que eu seja, não consigo falar que roubaram o título do homem em 89, pelo simples motivo que para ganhá-lo era necessário que ele vencesse tanto suzuka quanto austrália (e ele bateu nessa corrida, na traseira do brundle, se não me engano).

Se ele vencesse formalmente suzuka, adelaide seria completamente diferente : ele dirigia com outro pano de fundo psicológio, prost possivelmente largaria, etc. Se alguém quiser se referir à vitória de suzuka roubada, tudo bem, mas ao roubo do campeonato, fica complicado, a não ser por absoluto ufanismo.

Mônaco 89 : vi uma entrevista do senna prum documentário promocional feito pelo Banco Nacional, em que o galvão aborda o assunto e a impressão que o senna dá é de que foi por falta de concentração (ele não fala em momento algum em perda de pressão, nem fica procurando dar desculpas - é essa postura dele em outros momentos, que me leva a acreditar que realmente dirigira só com a sexta no final do gp brasil 91, a quem quiser discordar, incumbe o ônus da prova e desde já, para facilitar a tarefa de qualquer boquirroto de plantão, aceito qualquer telemtria que prove o contrário, pq só no gogó fica fácil cair de pau.

Nego só não discorda de donnington 93, dizendo ser impossível fazer o que senna fez (em síntese : quarto pra primeiro na primeira volta; pilotar com slicks quando todo mundo tava de biscoito, fazendo N paradas a menos do que todo mundo; quase um minuto de vantagem em cima do Hill), pq tava na cara, pra quem quisesse ver
na Tv de cada um.

Mônaco 84 : ninguém garante que senna teria vencido a prova, pois ele poderia bater, dadas as condições. o que eu não engulo é o argumento do alemão voador da tyrrel (nota : não vi essa corrida - tinha só 4 anos - o que se segue é exercício de lógica), pelo simples motivo de que senna era notoriamente conhecido por ser um exímio (senão o melhor de todos os tempos) piloto em duas condições :

1) nas ruas apertadas do principado (10 largadas, 6 vitórias, esse segundo, o abandono em 89 por batida, com 52" em cima do Professor, notem bem DO PROFESOR e 85) e 2) em chuva (precisa dizer pq? se precisar, registrem aí, de novo, donnington 93). Mas se alguém me aparecer com provas FÁTICAS (parciais, tempos de volta, VT), eu retiro o que disse.

Cabe ainda dizer que não foi "marmelada" : qualquer um sabe que com bandeira vermelha vale a volta anterior e eu já vi corrida ser parada por muito menos que aquele aguaceiro (que eu vi só em trechos, em VT, é verdade; aliás, aproveitando o parêntese, o próprio senna pediu pela interrupção de pelo menos dois gps quando liderava e começou a garoar : suzuka 88 (auto-explicativo) e brasil 91 (idem, pode ter sido em 93, mas acho que foi em 91 mesmo, pq eu 93 o aguaceiro favoreceu ele).

Outro negócio que me irrita (mas juro que não vou comparar os dois) é dizer que o schumi correu com rivais que poderiam ter sido expressivos e o schumi que os enguliu e tal, desqualificando o argumento sobre a concorrência nos tempos do senna.

Beleza isso é verdade, mas isso não faz desses rivais tão bons quanto os pilotos do período de senna ( citando os mais óbvios : prost, piquet, lauda, mansell e pq não dizer, o próprio schumi). É óbvio que no meio desses leões, a tendência é de que nenhum despontasse muito em relação a todos, por serem excepcionais, mas isso não tira os méritos de schumacher (ainda que faça quedar por terra a tese dos numerólogos, pq sem dúvida o alemão tem o mesmo naipe dos demais, pelo menos), mas sim valoriza o senna (tão genial que arrancou 3 títulos desse pessoal : 2 do prost no auge e um do mansell com um carro bem mais competitivo no final da temporada - vide o "calor" que senna passou em monza 91).

Outro ponto é que Senna NUNCA entraria numa fase decadente, pelo simples fato de que ele largaria a F1 antes disso, justamente pq pra ele só fazia sentido vencer : era calça de veludo ou bunda de fora (daí sua regularidade em provas não ser das melhores, sobretudo em relação ao prost). o barato do senna não era ter 20 títulos mundiais, mas sim se superar sempre que póssível, alcançando o aparentemente impossível numa volta, num carro, numa temporada (e que de fato era impoosível para a maioria dos "meros mortais").

E pra quem acha que 94,95 e 96 seriam anos ruins, vale dizer que senna foi em 94 um piloto consumado, extraindo o máximo do seu carro, aliando sua velocidade e arrojo com confiança e maturidade (maturidade que lhe faltou em outras dipsutas, sobretudo nas categorias logo abaixo da f1, simplesmente pq não se resignar em não ser capaz de vencer sempre e em todas as circunstânicas - quase perdeu o cameponato de 83 pro brundle por causa disso).

Naturalmente que não estava perto do seu limite fisiológico (vide prost e piquet, que correu até 39 anos). podendo, em teoria, correr até mais ou menos 99 ou 2000. De certa forma sua morte em 94 foi bem embelmática : morreu como o clark, num carro não tão bom quanto o desejado, num acidente besta, mas ao menos liderando uma corrida em que fora pole, fazendo o que mais lhe dava prazer na vida) e morreu, sobretudo, após dar plenas mostras em 93 de sua genialidade (vale lembrar que ele liderou o campeonato por um bom tempo, mesmo contra o foguete da Williams; mas isso não conta tanto, o que conta são os momentos como os daquele Gp da europa - às vezes um GP vale mais do que mil palavras, para parafrasear um clichê). orfãos e viúvos de senna ficamos todos nós, que nunca pudemos assistir a um embate sennaXschumacher no auge dos dois, que haveria de ser algo glorioso, isso eu lhes garanto.

abraço a todos, um especial pro meu amigo de gp total, marcio madeira,

Guilherme Paião, Rio

PS: ao futuro autor do livro, cito como parâmetro (com certa pretensão é verdade, posto que o mesmo já deve tê-lo lido), a obra-prima do Cristopher Hilton " A Face do Gênio", um dos melhores trabalhos que já vi nessa linha.


Pessoal do GPTotal,

já li em vários lugares que o Piquet preferiu a Lotus pelo dinheiro ao invés de correr pela Mclaren. Isso procede? E se for verdade, quem ficaria de fora na Mclaren em 88, Senna ou Prost? Se fosse o Senna, vocês têm idéia de onde ele iria correr em 88?

Robson Heringer, BH

Há mais de uma versão para esta história, Robson, e você pode comprar a que quiser. De minha parte, acredito na versão que me foi contato pelo próprio Ayrton Senna em janeiro de 94, de que foi ele quem proporcionou a aproximação final entre Honda e McLaren depois de se desentender com a Lotus no começo da temporada de 87.

Claro que podem e devem ter havido contatos entre Piquet e a McLaren e que eles tenham sido sérios mas você deve entender que equipes e pilotos de ponta não jogam com uma única opção de futuro.

Você encontrará muitas pessoas (creio que o Panda é um deles) que acreditam que Piquet não quis a vaga na McLaren por conta dos compromissos envolvidos e a convivência com Prost e só então o caminho se abriu para Senna. Eu acho que as duas hipóteses podem muito bem ter corrido em paralelo até que, num dado momento, ou Piquet se desinteressou por força de dinheiro ou outros elementos do contrato ou Ron Dennis resolveu apostar num jovem de reconhecida capacidade. Uma coisa é inegável: já há algumas temporadas Senna tinha decidido e investido em ligar seu futuro ao da Honda.

Sei que o Ernesto Rodrigues entrevistou longamente Ron Dennis e também o pessoal da Honda, de forma que espero por esclarecimentos quando do lançamento do livro.

Abraços (EC)



REFLITAM...

Ayrton Senna, Motivos para ser considerado o melhor da história:

1. Em pouco tempo na F1, chegou ao recorde de poles, e ainda detém outros muito importantes;
2. Tinha um estilo de corrida agressivo, em que de todas as formas, procurava ultrapassar os rivais;
3. Guiando na chuva, era praticamente invencível;
4. Protagonizou a melhor corrida da história do esporte;

Motivos para não ser considerado o melhor da história:

1. Foi campeão em apenas uma das 4 equipes em que correu;
2. Não conseguiu sequer pontuar pela Williams quando se transferiu para lá a fim de títulos;
3. Era realizado descarte dos piores resultados do ano;

Michael Schumacher, Motivos para ser considerado o melhor da história:

1. Único piloto a igualar a marca de cinco títulos mundiais;
2. Após anos de acertos, recolocou a Ferrari no topo da categoria;
3. Detém quase todos os recordes da F1;
4. Dividiu a Benetton em ´antes e depois de Schumacher`;

Motivos para não ser considerado o melhor da história:

1. Compete em uma era onde a tecnologia facilita muito o trabalho dos pilotos;
2. Praticamente não enfrentou rivais com a mesma ou parecida capacidade técnica;
3. Ao longo de sua carreira teve várias atitudes anti – desportivas;

Abraços

André Souza, Rio



Quando "Schumy" conquistou seu penta - campeonato, e o recorde de vitórias e pontos, em várias partes do mundo começaram a surgir comparações entre ele e Ayrton, que é tri - campeão e recordista de poles, muitas das quais presumindo que o alemão é melhor.

Para começar, vamos lembrar que no GP do Japão de 1989, Senna foi inegavelmente "roubado". Quando ia ultrapassar Alain Prost, levou uma batida proposital em seu carro. O francês abandonou a prova, mas ele conseguiu voltar à pista e vencer. Então, o 'chefão' Jean Marie Ballestre, o desclassifica alegando motivos banais, e Prost é declarado campeão da temporada. (Em 96, o tal diretor revelaria à imprensa que interferiu no resultado para favorecer seu compatriota).

Deve-se então destacar o GP da Austrália de 1994. Schumacher fez o mesmo que Prost contra Damon Hill. Quem chegasse na frente (margem de pontos) entre os dois, se sagraria campeão. O alemão bate propositadamente no carro do britânico, ficando então com o título por diferença de 1 ponto. Senna seria tetra, Schumacher também.

Estatísticas: Schumacher venceu mais (64/41); Senna fez mais poles (65/51); Schumacher somou mais pontos (953/648); Senna venceu mais de ponta - a - ponta (19/12); Schumacher fez mais melhores voltas (52/19); Senna venceu mais em Mônaco (6/5); Schumacher foi mais ao pódio (114/80), e disputou mais GPs (182/161).

Mas correndo juntos, Schumy só se sai melhor no quesito voltas mais rápidas, 10 à 5, em todos os outros (vitórias, poles, pontos, etc), Ayrton leva vantagem, inclusive a primeira pole e o primeiro título do alemão aconteceram após a morte de Senna. Foram 41 corridas juntos, desde Bélgica
91 até Ímola 94 . Nas posições do grid, Senna 31 à 10, de prova, 28 à 13.

Opiniões: Senna é quase uma unanimidade, não só na opinião dos fãs e espectadores em geral, mas de grandes nomes da F1. Em todos os países do mundo onde a F1 é popular (Brasil, Inglaterra, Itália, França, Alemanha, Argentina, Escócia, Canadá, Austrália, Japão e outros) quando são feitas eleições do tipo "quem é o melhor ?", Senna lidera com vantagem.

Jackie Stewart, Niki Lauda, Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell, Stirling Moss, John Watson*, Clay Regazzoni, Gerhard Berger*, Juan Pablo Montoya, Damon Hill, Johnny Herbert, Rubens Barrichello, Mika Hakkinen, David Coulthard, Thierry Boutsen, Bernie Ecclestone, Ken Tyrrel, Ron Dennis, Frank Williams, John Barnard, Peter Warr, Gerard Ducarouge, até mesmo o maior rival, Alain Prost, e principalmente, o maior campeão da F1, Juan Manuel Fangio*, disseram, de alguma forma, considerar Senna o melhor piloto da história.

Melhor e Maior: "Maior" é aquele que conquistou mais, o que tem números mais expressivos, e no mundo da F1, a discussão entre os especialistas nesse aspecto, é entre o já citado Fangio, "el penta", e o próprio Schumacher. Ambos são penta - campeões, mas o argentino possui as melhores médias, enquanto o alemão, os recordes absolutos.

"Melhor" é aquele com maior talento natural, ou seja, analisa-se as 'características' de suas vitórias e 'performance' de pole positions, regularidade em todos os tipos de circuito e carro que pilota, etc.

Nesse aspecto, a discussão até hoje, é entre Ayrton e Jimmy Clark, o qual foi "apenas" bi - campeão com 25 vitórias e 33poles.

Fórmulas menores: Senna é o único piloto em toda a história do automobilismo, a ser campeão em todas as principais categorias de acesso à F1. Venceu os campeonatos de F-Ford 1600 e 2000 (inglesa e européia), e a F-3 britânica. Já Schumacher, foi campeão apenas na F- Koenig (que foi extinta por falta de competitividade), a F-3 alemã, onde corria contra Frentzen, piloto da Sauber, e F-3 Inglesa.

Grandes vitórias de Senna: Portugal 85; Vitória absoluta (ponta-a-ponta, com pole e melhor volta) sob muita chuva. Seu belo desempenho levaria o chefe da Lotus, Peter Warr, à dizer: Que controle de carro fabuloso! Espanha 86; Os motores Renault do Lotus, estavam muito atrás dos Honda da Williams, mas ele conseguiu vencer, registrando a segunda menor diferença entre o 1o e o 2o colocados de um GP, apenas 0.014s (84cm). Japão 88; Na largada, Ayrton tem problemas no carro e
cai para a 16a posição, mas impõe seu ritmo, e ultrapssa todos os rivais, vencendo a prova e, por conseqüência, o campeonato. Brasil 91; Senna larga na pole e lidera toda a prova, mas a dez voltas do final, ele perde todas as marchas (menos a sexta !) e consegue levar seu McLaren até o fim. Mônaco 92; A McLaren estava em plena decadência, e os Williams tinham ares de imbatível, mas ele consegue bater o favorito Mansell, que comentaria mais tarde: "...ele fez o trabalho com tanta perícia, que eu ia para a direita, depois para a esquerda, e não conseguia ultrapassar, pareciam haver três carros à minha frente".

Europa 93; Essa é considerada a melhor corrida da carreira de Senna e uma das melhores da história (se não a melhor). Largando na quarta posição, ele ultrapassa os concorrentes na 1a volta, e, além disso, teve a audácia de dirigir com pneus lisos quando chovia. Austrália 93; Foi a última corrida de Ayrton na McLaren, e também, sua última vitória. Ele largou na pole, venceu de ponta-a-ponta, e, pela 1a vez na história da F1, a equipe inglesa passou a Ferrari em n de vitórias na F1, 104 a 103. Merece ser destacado também, Mônaco 84, onde não venceu, somente porque o diretor da corrida, Jacky Ickx, interrompe a prova logo após Senna (Toleman-Hart) ultrapassar Prost (McLaren-Porsche) valendo, então, as posições da volta anterior.

SENNA POR FANGIO: "Não posso tirar da cabeça, o acidente que levou aquele que eu considero o mais digno de meus sucessores e o único capaz de superar meu recorde de 5 títulos. O assunto dá voltas em minha cabeça e tenho de pensar na fatalidade como causa desta tragédia. Senna era o piloto mais seguro que vi em minha vida, razão pela qual descarto, completamente, a hipótese de o acidente ter sido um erro dele. Ele não era de ter medo, e penso que, se tinha dúvidas antes da corrida, era porque, tecnicamente, seu carro não estava à altura da Benneton de Schumacher, e teria de se arriscar muito. São coisas que ninguém pode saber, e que Senna levou consigo. Coisas que eu e ele sabíamos, um do outro, sem nunca termos conversado à respeito, pois foi assim que nos entendemos desde o primeiro momento: Poucas palavras, mas muito carinho. Sua 'partida' foi um grande golpe, nunca a morte de um colega me afetou tanto!"

SENNA POR BERGER: "Ayrton era o piloto mais perfeito e mais dedicado que já existiu. Um conjunto de percepção, concentração, força e velocidade, aliado à um talento para dirigir verdadeiramente abençoado, e à capacidade de não cometer erros nos momentos decisivos. Tinha a visão absoluta do todo, sabia tudo e podia tudo. Ele estava simplesmente dois ou três degraus acima de ´ todos nós`. Alguém que não o conhecesse tão bem, ou que não tivesse trabalhado com ele, provavelmente, não acreditaria. Certamente, hoje na Fórmula 1, há muitos pilotos que pensam que poderiam ter derrotado Senna. Tudo que posso dizer quanto a isso é: Que pena, eles não sabem o quão distantes estão de Ayrton. Tive a felicidade de conhecê-lo suficientemente bem para fazer essa avaliação. Ele era algo de sobre - natural, não há outra maneira para expressar isso!".

SENNA POR WATSON: "No treino de classificação para o GP da Europa de 85, eu vinha na curva Wetsfield e estava numa volta que valia para marcar tempo. No mergulho da curva, eu vi aquele carro preto vindo muito rápido atrás de mim Exatamente no fundo do mergulho, Ayrton veio por dentro - deixei espaço. Testemunhei visível e auditivamente algo que jamais tinha visto alguém fazer num carro de corrida. Era como se ele tivesse quatro mãos e quatro pernas. Estava acelerando, freando, pisando na embreagem, reduzindo a marcha, virando o volante... o carro parecia num fio de navalha, entre o controle e o descontrole. Tudo isso durou apenas dois segundos. O que ele estava tentando fazer agora, era manter a pressão do turbo. Ele chegou ao ponto desejado da pista, para fazer a tomada da curva. O carro mergulhou com uma arrogância, que fez meus olhos se arregalar. No duro, era um mestre controlando uma máquina. Nunca tinha visto um carro turbo pilotado daquela forma. A
habilidade do cérebro em separar cada componente, e juntá-los novamente, com aquele ritmo e coordenação, foi algo marcante, um privilégio de se ver!".

Schumacher não é, nem nunca será o melhor piloto de todos os tempos. O fato de ele ter se tornado penta - campeão este ano, não significa, de modo nenhum, que ele é o melhor da F1. Não há dúvidas de que esse número se estenderá para hepta, suas vitórias serão 80, e muitas outras coisas. Se tornará o 'maior', mas nunca, o 'melhor'. Agora, o pior é quando alguém diz que em 94, Schumacher mostrou ser o melhor, pois venceu todas provas que correu contra Senna.

O primeiro detalhe, é de suma importância: O carro de Schumacher era completamente irregular, com várias alterações que infringiam as regras da F1 (uso do controle de tração, mudanças na bomba de gasolina, dispositivos automáticos para largada, desgaste maior e mais rápido do "solo" do carro, etc.), as quais lhe permitiam, "se sair melhor".

Vamos então às corridas. GP do Brasil: Senna faz o melhor tempo nos treinos livres, classificação e warm-up. Schumacher foi sempre o 2o. Ayrton lidera a prova com +4s sobre Schumacher. Na parada nos boxes, a Benneton faz um trabalho mais rápido (6,5) do que a Williams (8,4), e, então, Schumacher sai na frente (ressalta-se que ele NÃO ultrapassou Senna). Daí, é que Ayrton roda, tentando alcançar o alemão.

GP do Pacífico: Novamente, a vitória absoluta nos treinos, e logo na largada um tal de Mika Häkkinen tira Senna da prova, e Schumacher vence facilmente.

GP de Ímola: Repetem-se os feitos da classificação, e na 7a volta a fatalidade, quebra a barra de direção e Senna morre, então. Você acha que Schumacher começou a correr em 94? O que aconteceu nos anos anteriores?

Schumacher estreou no GP da Bélgica 91, pela Jordan. As outras 5 do ano foram pela Benneton, fez 4 pontos. Em 92, todos sabem que a McLaren era uma grande me... (Williams imbatível, Benneton a 2a, e McLaren atrás) e o que acontece? Senna vence três provas e faz uma pole. Schumacher uma vitória e nenhuma pole. 93 foi o ano em que Senna mostrou ao mundo o que podia fazer.

A McLaren trocara recentemente os Honda pelos Ford. Vale destacar que a McLaren, como cliente, apenas recebia esse motor (Cosworth), enquanto a Benneton era sócia, recebendo o melhor (Zetec). Senna vence 5 corridas, com uma pole e é vice. Schumacher uma vitória, nenhuma pole, e é 4o.

O que dizer do GP da Europa? Como pode alguém conseguir fazer o que Senna fez? Você não lembra? Grid: Prost, Hill, Schumacher e Senna (chovia torrencialmente). Na largada, Schumacher faz uma de suas tradicionais vigarices (ler mais adiante). Aperta Senna rudemente na primeira curva, e então começa o show. Tão logo Senna ultrapassa-o. Ele está em 4o (no momento do aperto de Schumy, Karl Wendlinger passa ambos) e faz a ultrapassagem sobre Karl por fora, numa curva onde todos, sem exceção, fizeram por dentro.

Ele está em 3o, faltando os Williams: Senna passa ambos magistralmente antes de terminar a primeira (isso mesmo, primeira) volta, para não mais perder a liderança. E o que se sucede na corrida ? Vitória de Senna com melhor volta.

Schumacher? Um festival de erros prematuros. É ultrapassado por Rubinho (da Jordan Hart) na primeira volta, e demonstrando sua falta de competência na chuva, roda. Essa e outras corridas de Senna (Mônaco 84, Portugal 85, Japão 88 e Brasil 91), são consideradas 5 das 14 melhores da história, sendo Japão e Europa, 2 das 5. Agora, me diga uma corrida realmente magistral de Schumacher? Creio que não haja.

Já foi citado como Schumacher foi campeão em 94, fazendo como Prost em 89, batendo no adversário, pois fora superado na pista. E em 97? Bom, aí a justiça foi feita. Ele tenta bater em Jacques Villeneuve, mas o canadense volta à pista e só não vence a prova porque deu, literalmente, a vitória e o 2o lugar a Hakkinen e Coulthard. (Justiça feita "contra" Schumacher em 97, também foi feita "para" Senna em 90...) No GP da França de 2000, quando Coulthard iria ultrapassar Schumacher, este faz o que lhe é tradicional, fecha o adversário, mas por sorte seu motor quebra algumas voltas após e Coulthard vence.

Mas o que mostra realmente a anti-esportividade dele, foi essa última corrida (Áustria 2002). Se ele é mesmo ´o melhor`, porque essa palhaçada?

Barrichello derrotou-o durante o fim de semana todo. E ele venceu graças à ordem da equipe. E o que dizer do GP de San Marino deste mesmo ano? Schumacher exigiu da equipe Ferrari, o carro de Rubens Barrichello, pois concluiu que o acerto dele era superior ao seu. Se ele é mesmo ´o melhor`, por que ele mesmo não realizou o acerto?. Essas são algumas (junto com Europa 93) das várias falcatruas de Michael Schumacher, o "Dick Vigarista" da F1. Só que no desenho "corrida maluca", Dick sempre perde, e na Fórmula 1 atual (que também é uma corrida maluca), Schumy sempre vence.

O piloto britânico Johnny Herbert, em uma entrevista declarou que 3 dos 5 títulos de Schumacher só aconteceram com grande ajuda: "Em 95 e 00, mereceu..." disse Herbert, "...pois venceu carros superiores ao seu, Williams e McLaren, respectivamente. Entretanto, 94, 01 e 02, podem ser contestados".

Por que?

94, por tudo que já foi dito aqui anteriormente; 01 e 02, venceu sem competidores: além de os Ferrari serem, sem dúvida, os melhores carros da F1, seu companheiro de equipe está impedido de vencê-lo . Mas em termos de falta de habilidade, nada na carreira de Michael se compara às corridas que disputou no DTM (Alemão de Turismo) em 1990 e 1991. Schumacher tinha 22 anos na época e era um piloto rodado, com participações na F-3 de seu país e nas corridas de Macau e Fuji. Em 1990, foi chamado pela Mercedes para disputar o Mundial de Protótipos. Terminou o campeonato em quinto. No final do ano, para aprimorar seu ritmo de corrida, a montadora decidiu dar-lhe um carro para o encerramento da temporada do DTM, em Hockenheim. Carro oficial, de fábrica, número 65. Mercedes-Benz 190 E 2.5/16 Evo 2, vencedor de cinco corridas no ano. Mesmo com o equipamento competitivo, Schumacher conseguiu só o 15º tempo nos treinos, quase 5s atrás do pole, Jelinski, da Audi. Para fazer... nada.

A corrida do jovem piloto durou apenas uma curva, mas uma curva que mudou a história daquela temporada. Michael bateu na traseira do BMW de Johnny Cecotto, líder do campeonato, que brigava pelo título com Hans Von Stuck. Com o abandono do venezuelano, Stuck venceu as duas provas, ficando com a taça. Schumacher, com o carro destruído, sequer pôde correr na segunda bateria. E o autódromo, lotado, sequer imaginava que aquele novato atrapalhado seria aclamado anos depois. Schumacher, mesmo com a barbeiragem, seguiu com a Mercedes em 1991. Disputou novamente o Mundial de Protótipos, vencendo uma corrida em Autópolis, no Japão. No meio do ano, mais uma oportunidade para correr no DTM. Seria no veloz circuito de rua de Norisring. Schumacher teve uma vez mais um carro oficial de fábrica, da equipe Zakspeed, com o francês Fabien Giroix e o alemão Roland Asch como companheiros. Asch fez a pole e largou na frente na primeira bateria. Schumacher foi apenas 19º no grid, terminando a corrida em 24º. Vitória do dinamarquês Kurt Thiim, da equipe... Mercedes. Com problemas mecânicos, Michael pouco correu na segunda prova do dia 30 de junho de 1991.

Um mês depois, na pista montada no aeroporto de Diepholz, Schumacher voltou a ocupar um Mercedes no Alemão de Turismo. Da mesma equipe Zakspeed, carro número 20. Nos treinos, a mísera 21ª colocação. Pole-position para Jacques Laffite, da equipe... Mercedes. E abandono para Schumy, logo no começo. Na segunda bateria, largando novamente em 21º, uma atuação discreta até o 14ª lugar, posição final. Três etapas no DTM, melhor treino um 15º, melhor corrida um 14º, barbeiragem que decidiu campeonato... a F1 está bem servida de pentacampeão, não?

Juan Manuel Fangio sempre disse que Senna é o melhor piloto que vira em sua vida (não era nem Jim Clark, nem Stirling Moss, simplesmente... Senna). Aí você pensa: "Fangio não viu Schumacher correr". Pois bem, Fangio morreu em 17 de julho de 1995. Carreira de Schumy até então: Campeão com 15 vitórias e 12 poles.

Vamos então à "pergunta que não quer calar": Michael Schumacher é melhor que Ayrton Senna?

A resposta: NÃO.

Senna era notoriamente mais veloz e agressivo do que Schumacher, conduzia seus carros de uma maneira visivelmente mais inspirada (o que é comprovado pela maneira como vencia e fazia poles).Tudo o que conseguiu na F1 foi correndo contra pilotos mais rápidos e experientes (Prost, Piquet, Lauda, Mansell e Berger) do que os adversários do alemão (Hakkinen, Hill, Villeneuve, Coulthard e Rubinho), além de que nunca teve "tanta" tecnologia a seu dispor, ou carros "tão" superiores, quando o teve, seu companheiro de equipe era Alain Prost .

A resposta à pergunta que dá o título a esse texto é: SENNA, sempre.

obs: essa conclusão é um plagio do Edu em seu livro, onde comparou Pace e Emerson, e achei que a mesma era válida para SennaXSchumy, se ele liberar os direitos autorais, beleza!!!

PS: peço a qualquer fã de Schumacher que escreva algo me contradizendo, ou seja, demonstrando que o alemão é superior ao brasileiro...

Para mim, Schumy é um dos 5 melhores da história, e está atrás de Senna, Clark e Fangio, apenas...

Marcel Pilatti, Curitiba


OIS!!!

No especial sobre o Senna, tem uma pergunta sobre uma corrida em Nuburgring em 07/84, respondo que os vencedores foram o Stefan Bellof e Derek Bell.

Abraços...

Alex Sotto, São Paulo


Comparar Senna e Schumacher é como tentar descobrir quem era melhor entre Clark e Nuvolari. Além disso é uma discussão totalmente vazia, que me parece "dor de cotovelo". Qual o propósito? Automobilismo não é futurologia para se afirmar que Senna teria feito isso ou aquilo se estivesse vivo.

Senna e Michael são de épocas diferentes, com carros diferentes e principalmente, exigências de pilotagem diferentes. Como compará-los então?

Senna começou em 84, com carros túrbo. Nesse período era impossível se guiar um carro "no limite" durante uma corrida por um período prolongado. Isso porque o carro não era resistente o bastante e o piloto não tinha o preparo físico necessário. Guiar nesse período era mais técnica e tática do que força. Em uma analogia com o atletismo, seria como disputar uma São Silvestre.

Nesse período, Senna se destacou mas não conseguiu se impor. Em 88, quando foi para a imbatível Mclaren, a F1 iniciava uma transição na maneira de se guiar. O carro se tornava cada vez mais confiável e os 1os artifícios de ajuda 'a pilotagem começavam a aparecer: câmbios sequencial e semi automático e depois os controles eletrônicos. Nesse período Senna apareceu como um dos melhores, faturando seus 3 títulos.

Era uma F1 que de encaixava como uma luva em seu estilo. Guiava sem pensar muito em economizar o carro: abrir diferenças grandes no início e administrar em seguida. Usando a mesma analogia anterior, seria algo como os 1500 m rasos.

Em 94, aconteceria uma mudança crucial para os pilotos: a volta do reabastecimento. Senna já vinha reforçando sua preparação física tempos antes. Porém, sua formação física era franzina.

Quando se formou piloto, não se buscava um atleta e sim, um piloto arrojado e técnico. Com a volta do reabastecimento e os carros mais confiáveis ainda, começamos a ter corridas em ritmo de classificação, já que ao invés de carregar o peso de gas para uma corrida inteira, com um jogo de pneus duros para aguentar o tranco, tínhamos o carro levinho para apenas 1/3, 1/4 da corrida e pneus molinhos novinhos a cada pit.

Para tanto, se ocarro dava conta do recado, faltava o piloto fazer sua parte mentalmente e fisicamente. Aí entra Schumacher, novato em 91, atingindo a maturidade em 94. Biotipo de atleta, capacidade de concentração esplêndida, capaz de fazer uma corrida inteira "sem tirar". Senna era incrível? Sem dúvida. Mas era incrível naquele sprint de 400 m dos 1500m rasos. Schumacher pegou a formula no estilo 200 m rasos. E o sprint dele é de 200m em 200m rasos. Ele provavelmente não é tão técnico quanto seus antecessores, Senna inclusive, mas é sem dúvida mais preparado para as corridas de 94 para cá.

A f1 mudou e pede um piloto como Schumacher como campeão. Assim como quando a F1 mudou em 88, pedia um Senna como campeão. São tempos diferentes. Exigências diferentes. Comparar é estupidez.

Agora, Schumacher é pior q Senna pq Senna correu contra campeões, grandes pilots e bla bla bla????

Será que o alemão é tão superior e por isso não deixa espaço para outro grande piloto aparecer?

Na época em q Senna corria, havia uma polarização pelo proximidade de nível entre os melhores pilotos. Esse últimos anos, a exceção de Mika, Schumacher é absoluto. Não porque os outros são ruins, ou mesmo, não tão bons quanto os rivais de Senna.´Não existem rivais pq o alemão é muito bom. Muito superior. Por isso é penta. Por isso ganha tudo. Coisa que só Fangio conseguiu. É uma leviandade afirmar que o alemão tem rivais fracos. Os outros não tem resultados pq Schumacher é tão bom que os impediu de obtê-los.

Abraços

Claudio Habara, São Paulo


E aí pessoal?

Eu estava pensando uma coisa esses dias e gostaria de saber a opinião de vocês a respeito dela: o Piquet foi convidado pela Mclaren para disputar a temporada de 1988, correto? Digamos que ele dissesse sim a Ron Dennis, qual seria o destino de Ayrton Senna?

Analisando friamente as coisas, eu imagino que aconteceria o seguinte: Senna ficaria mais um ano na Lotus para, em 1989, ser contratado pela Williams ou Ferrari. Se ele aceitasse correr para Frank Williams, Senna passaria as temporadas de 1989/90 ganhando corridas ocasionalmente para, a partir de 1991, vencer quatro campeonatos consecutivos.

Se Senna assinasse com os italianos, sua carreira seria semelhante à do Rubens Barrichello, apenas um figurante com lampejos de "craque". Ele teria um 1989 discreto e poderia até ameaçar as McLarens em 1990. Mas em 1991 sua carreira caminharia para um fim melancólico. Queria saber o que vocês acham da minha teoria, se ela poderia se confirmar ou se é apenas um delírio?

Rafael Batista, São Paulo-SP

Olá, Rafael

Agradecemos a confiança que você tem em nossa opinião, pois só Deus poderia dizer se suas teorias seriam confirmadas ou não... Mas, falando mais sério agora, suas conjecturas não são absurdas... de todo.

Você cita as possibilidades de desempenho de Senna de acordo com a competitividade de cada equipe nas temporadas citadas. Perfeito, mas a verdade é que de 1991 a 1994 a Williams (ou melhor, seus pilotos) ganhou dois campeonatos, e não quatro. Em 1991, a Williams só se acertou mesmo (ou seja, ficou confiável E rápida) quando a primeira metade da temporada chegava ao fim. Só a partir do meio do ano é que elas ficaram em ponto de bala. E em 1994, considerando que Senna saísse vivo do acidente na Tamburello, ele estaria perdendo de Schumacher por 30 pontos a zero. O título não seria impossível (Damon Hill quase chegou lá...), mas certamente seria um osso duríssimo de roer.

Levando em conta esses mesmos critérios, lembre-se que Piquet estaria aproveitando a grande competitividade dos McLaren e provavelmente conquistando os títulos que Senna ganhou em 1988, 1990 e 1991 (nem vamos mencionar 1989, que foi um caso à parte). Ele seria hexacampeão do mundo e teria entrado para a história como o primeiro homem a bater o recorde de títulos de Fangio...

Quanto às conjecturas sobre o que aconteceria se Senna assinasse com a Ferrari para 1989, não tenho reparos a fazer. Parece pura fantasia imaginar Senna com um fim melancólico na F 1, mas uma decisão errada é capaz de fazer esse tipo de coisa com qualquer piloto, por melhor que seja.

De qualquer maneira, você está de parabéns por conseguir me levar a fazer uma das coisas que mais detesto: discorrer sobre "se".

Abraços. (LAP)


O que falta falar sobre Senna?

Pela quantidade de respostas parece que ainda falta muito, ou então não falta nada.

Na verdade é uma pena que tenha se descaracterizado a idéia inicial de contar neste espaço histórias, "causos" ou curiosidades de Senna, bem como esclarecer dúvidas sobre algumas de suas façanhas como a corrida sem freios (?) ou só com a sexta marcha.

Ou que tal uma pole que ele conseguiu utilizando um jogo de pneus composto por um pneu duro, dois médios e um mole (saiu na Grid, depois tenho que procurar).

Mas este fórum acabou entrando na velha e estéril discussão sobre quem é o melhor piloto de todos os tempos. Isso é impossível de responder sem titubear.

É muito simplista analisar números absolutos já que não há nenhuma homogeneidade no número de provas de cada um e nem mesmo na pontuação e regulamentos de cada campeonato.

Se por um lado os piltoso mais modernos levam vantagens por disputar muito mais provas e pontos a cada temporada, não se pode desprezar o fato de que os grandes do passado podiam, durante algumas temporadas, assumir a direção do carro do colega de equipe se o seu próprio carro tivesse problemas. O fantástico Fangio ganhou corridas dessa forma.

Os números relativos já são um pouco mais plausíveis mas mesmo assim são sujeitos a uma série de questionamentos. A própria estratégia de cada um deve ser levada em conta. Senna era o rei da pole e quando saía na frente abria vantagem nas primeiras voltas e não precisava forçar o ritmo quando o carro ficava mais leve, por isso, a exemplo de Clark não tem tantas melhores voltas em corridas.

Prost ao contrário não arriscava demais o pescoço para garantir uma pole se pudesse garantir uma boa posição de largada sem tantos riscos. Em compensação era muito regular nas provas e fazia muitas vezes as melhores voltas, sem deixar de preservar o equipamento.

No entanto, essas foram características que foram se consolidando com o passar do tempo já que o início da carreira de ambos foi marcado por muita vontade de acelerar e pouca cabeça para administrar corridas.

Schumacher parece as vezes juntar os dois estilos, criando um terceiro muito próximo à perfeição, que quando encontra um carro à altura não dá chance para ninguém mais. Mas se Senna ou Prost corressem com atenção exclusiva da McLaren em 88 fariam da mesma forma que o alemão nos últimos anos. Da mesma forma que se o Piquet corresse com outro piloto que nao fosse o queridinho da equipe Mansell, teria muito mais chances de ganhar também em 86, que foi uma das melhores temporadas de todos os tempos.

Já me alonguei demais. So queria tecer alguns cometários sobre a inutilidade de discussões assim, que chegam a gerar comentários ríspidos e respotas idem.

O maior piloto de todos são muitos. Um para cada gosto pessoal, determinada época histórica, país, etc.

E só para exemplificar como nem sempre são os resultados que fazem um gênio cito um nome mágico, que emociona grande parte dos amantes do automobilismo:

GILLES VILLENEUVE.

Ganhou apenas seis corridas, conquistou somente um vice-campeonato, mas está presente na maioria das listas sérias dos melhores do mundo. Porque masi do que vencer ele encarnava o papel do herói que o público queria ver.

Um abraço a todos e um viva a tantos pilotos inesquecíveis.

Luciano Balarotti, Curitiba


Valho-me do presente espaço p/ postar algumas colocações, dentre as intermináveis e vastas comparações entre Ayrton Senna e Michael Schumacher, p/ a seção sobre as curiosidades da vida de Senna em pauta no site:

Começando pelo piloto alemão q ainda nos privilegia de seus elevados serviços a categoria, citando de antemão que qualquer colocação a respeito de cada um dos pilotos dará margem, a pelo menos uma dúzia de contra-argumentos do mesmo tópico.

Sendo o alemão penta-campeão mundial e muito próximo do hexa certamente isso poderá induzir a muitos a fazer tal colocação sobre a hegemonia entre pilotos de todos os tempos q participaram da F-1, ora, vem então a 1a questão: È mesmo Michael Schumacher o melhor piloto de todos os tempos...???

Argumento: sim, pois ele possui os melhores números da categoria, vitórias, melhores voltas, 1a fila, pontos, e tudo mais o q tenha onde se fazer comparação....

Contra-argumento: seria isso o suficiente p/ podermos afirmar q é MS o melhor piloto de todos os tempos, creio q não, pois esses "gordos" números do alemão, não nos dão uma margem segura p/ essa afirmação (e onde pelo menos 90% dos fãs do piloto alemão se apóiam) pois ai entrariam 2 ptos fundamentais p/ q se chegasse a essa afirmação segura, que seriam contra quais adversários e em qto tempo esses números foram obtidos....resposta.....os pilotos q disputaram contra MS não estão sequer entre os 10 melhores pilotos da categoria ou seja o alemão não teve adversários a altura, ( ao passo q o brasileiro apesar de fazer toda a sua carreira em equipes médias/ponta teve sempre os melhores pilotos no seu encalço), pois enquanto todos os outros pilotos q compõe o hall dos melhores da categoria se engalfinharam entre si em acirradas e ferrenhas brigas, o q certamente ocorreu muito pouco com o alemão e qdo isso ocorreu ele não se saiu digamos "limpo" da história; e o segunda contra-argumentação desse tópico seria a do número de GPS disputados pelo alemão, o q lhe dá uma considerável vantagem sobre os outros campeões ( exceto Prost e Piquet, q tb passaram dos 200 GPs e concluíram com sobras suas carreiras na F-1 ). Quero dizer com isso q MS também ultrapassará os 200 GPS.

Esses seriam apenas 2 quesitos q julgo bastante válidos pra se entrar nessa intrincada questão, sem desmerecer nenhum dos talentos de MS o q certamente o coloca "entre" os melhores da F-1 em todos os tempos.

Passamos então na sequência do tópico a análise de Ayrton Senna, sempre levando em conta o critério adotado p/ julgamento no caso do piloto alemão:

Apesar de não ter os números "recheados" igual ao seu rival, o brasileiro desde q ingressou na categoria, sempre teve adversários a sua altura, entre eles Lauda, Prost, Piquet, Mansell, principalmente no caso do francês, ou seja o brasileiro sempre esteve competindo na mais árdua e dura acepção da palavra, perdeu, ganhou, bateu e apanhou em um tempo em q havia muitos e qualificados adversários, muitas vezes em superioridade de talento e equipamento.

Tb podemos fazer a seguinte indagação: pq Senna é considerado por muitos o melhor piloto de todos os tempos...? em vista de seus resultados na época em q ele e MS começaram sua batalha pela hegemonia na F-1, ora, se na época em q os dois iriam colocar a prova seus enormes talentos, infelizmente o brasileiro partiu, mas podemos por ai, observar q os números do brasileiro eram infinitamente superior aos do alemão, ( q obviamente estava ainda em início de carreira ), sendo assim, se estivesse Senna continuado competindo não estaria MS com esses "gordos" números q o mesmo possui atualmente, ou estaria mas Senna poderia ter engordado mais ainda os seus, ultrapassando certamente o piloto alemão mas claro, méritos enormes ao alemão q aproveitou sua época e se fez gigante na história da categoria...

E por último podemos citar tb o fato de q o brasileiro teve a carreira interrompida, pois poderia e certamente o teria feito ainda umas 3 ou mais temporadas na categoria, o q impossibilitaria o piloto alemão de ultrapassar as marcas e recordes de Senna, ao passo de que MS mesmo depois de conquistar praticamente todos os recordes da F-1 ainda não deu sinais de q irá se retirar tão cedo...

Para concluir, cito então os dois principais fatores q me fazem crer q o brasileiro foi ligeiramente superior ao piloto alemão: os adversários q Senna teve ao longo da carreira, aliada a brusca interrupção da mesma, sendo q MS provavelmente não teria ainda os números do brasileiro, sem contudo deixar de apontar um fator q não posso deixar de ignorar e que favorece muito mais o piloto alemão q o brasileiro, a constância em corrida, o qual os dados mostram q Shumacher possui muito mais pódios e voltas rápidas na carreira q Senna, (e muito menos abandonos em provas tb), mas q não muda meu conceito final a respeito da superioridade do brasileiro.

Moises Sobrinho, Foz do Iguaçu-PR


Edu, Panda e caros leitores do GPTotal,

essa história de "Quem é o Melhor?" dá discussão em qualquer coisa, não só na nossa Fórmula 1, vejam só como é que é....

Música: Qual foi a melhor banda de todos os tempos? A grande reposta, certamente, será BEATLES, com o maior número de discos vendidos no mundo, músicas conhecidíssimas e amadas em toda a parte, etc. Mas muitos consideram o Queen, com a fabulosa Bohemian Rhapsody, e Led Zeppelin, Rolling Stones, e também Bee Gees, não ficam atrás... E o melhor cantor? FRANK SINATRA, "A Voz", ou Elvis Presley "Rei do Rock", Michael Jackson "Rei do Pop"... No Brasil é a mesma coisa, ROBERTO CARLOS é o "Rei da MPB", mas e Tim Maia, Caetano Veloso, Tom Jobim e Gilberto Gil não são "páreo"?... dá "briga" até nos compositores....

E os guitarristas? JIMMY HENDRIX (o cara que tocava guitarra de todas as formas imagináveis, até com os dentes) é o ícone maior, mas e quanto à Carlos Santana, Jimmy Page, B.B. King?

Cinema: Qual o melhor filme já produzido? Eu diria, sem hesitar, O PODEROSO CHEFÃO, mas Cidadã Kane, geralmente é citado como a revolução do cinema e Casablanca, Mágico de OZ, 1a Noite de um Homem não superam a grande saga dos mafiosos?... Um aspecto que também gera "disputas", é sobre o grande cineasta da história: STEVEN SPIELBERG é a resposta certa? Não seria Alfred Hitchcock, Akira Kurosawa, Orson Welles ou Stanley Kubrick, Francis Coppola... e os atores, CHARLES CHAPLIN ou Al Pacino, De Niro, Nicholson, Brando...

Esportes: Acho que o único que não tem debate é o Basquete, Michael Jordan é um nível isolado, mas não é o que mais pontuou ou ganhou títulos, Kareem Abdul-Jabar e Magic Johnson estão na frente....

No futebol, Pelé é como Michael Jordan, e ainda é o que mais fez gols (nada de Friedenrich...) e foi campeão, mas não sou poucos, nem loucos, os que dizem que Di Stefano, Garrincha, Maradona ou Cruyff são melhores... alguns falam até em Ronaldinho...

No Boxe, MIKE TYSON ou Muhamad Ali, Evander Hollyfield, Lenox Lewis, e por que não, Popó...No Tênis é mais moderno, Agassi, Sampras, Guga ou Hewitt?...E essas encrencas vão para o Vôlei, Atletismo, Natação, Baseball, e, acreditem, no Xadrez, com Blue e Kasparov ...

Então por que seria a Fórmula 1, apenas a Fórmula 1 a ter essa resposta única?

São intermináveis as discussões nos bares, colégios, casas, clubes, etc. Nos últimos anos é só aquela "duplinha", Senna X Schumacher, sendo que existiu um cara que tem as melhores médias - Fangio (como foi escrito pelo Ingo), e outros mais antigos que não tem números tão impressionantes mas que foram gênios - Clark e Moss, e ainda outros 5 que impressionaram muito nos 70 e 80 - Fittipaldi, Stewart, Gilles, Piquet e Prost... e teve um cara que talvez tenha sido decididamente o melhor, mas que correu na época em que não havia campeonato - Tazio Nuvolari, e o Edu sabe disso melhor que qualquer um...

Para a mídia e para história o que vale mais é a quantidade e não a qualidade. Vejam o caso Fangio. Praticamente nem se fala na excelente qualidade dos seus resultados e sim no número de vezes que foi campeão. Como também não interessa se ele ganhou com ajuda de outros pilotos e carros.

O número de títulos é o mais importante. Por exemplo Fangio-Prost. O francês só tem um campeonato a menos do que o argentino, mas tem 27 vitórias a mais...

Mas a realidade é só uma: Infelizmente os dois maiores gênios (para mim os 2 únicos) da Fórmula 1 morreram com ainda muita coisa para conquistar nas pistas. Caso tivessem corrido mais alguns anos certamente estariam no topo das maiores estatísticas da categoria número 1 do esporte das 4 rodas.

Jim Clark e Ayrton Senna, que não possuem os maiores números, mas aquilo que
fizeram nas pistas, era de uma genialidade incomparável, que quaisquer outros pilotos, mesmo Fangio e Schumy não conseguiram demonstrar... E Senna ainda mais, simplesmente por aquele Grande Prêmio da Europa em 93, que levou até mesmo que não gostava (nem gosta) do brasileiro se curvar à sua maestria - né Panda?... para mim aquilo foi mais importante que "os Penta" de Michael ou Juan Manuel... ninguém vai repetir...

GRANDE ABRAÇO !!!

Marcel Pilatti, Curitiba

Marcel,

apenas uma observação à última frase do seu artigo. O GP da Europa foi realmente uma bela corrida de Senna. Mas uma corrida não supera os feitos de Piquet, nem os de Schumacher, nem os de Fangio na minha preferência pessoal.

Abraços (LAP)


As cartas que leio aqui reforçam minha impressão que, para se fazer um livro sobre Senna, é imprescindível se falar sobre o efeito do marketing na massa brasileira.

Tenho impressão que Senna é o "herói" que Bertold Brecht afirma ser necessário às nações menos capacitadas. Lendo algumas cartas, vejo que o efeito da mídia tornam cegas as pessoas para determinados fatos e acontecimentos. Senna é uma divindade para muitos, que argumentam contra de forma absurda e rechaçam qualquer um que possa ser considerado igual ou superior.

E olha que já vai fazer 10 anos que ele se foi...

Claudio Habara, São Paulo


Prezado Edu,

Sou leitor assíduo e admirador do site. Já escrevi outras vezes e sou grato pela atenção com que me responderam. Gostaria de entrar no assunto Airton Senna mas agora no campo das suposições.

Sabemos que comparar grandes pilotos para elegermos o melhor de todos os tempos, como vcs mesmos já disseram muitas vezes, é um exercício que fatalmente cairá no terreno da pura subjetividade. Por isso, os grandes conhecedores do automobilismo gostam de comparar números. Nisso é inegável a superioridade de Schumacher em relação ao Senna.

Em sua época, Airton Senna dividia seus recordes com pelo menos mais três gênios que todos conhecem. Schumacher não teve e não tem ninguém para dividir. Ele ganha tudo muito fácil. Supondo que o Senna tivesse no lugar do Schumacher, como seriam os seus números? Não seriam ainda mais expressivos? Senna era um obstinado pela vitória, será que ele perderia aqueles títulos para o Villeneuve e para o Hakkinen?

Airton Senna nunca amarelou. Schumacher amarelou em algumas ocasiões com adversários muito mais fracos do que os de Senna. Na minha modesta opinião, no conjunto de todos os requisitos para se avaliar um piloto, Senna talvez não tenha sido o melhor, mas dentro de um cockpit pilotando um F1 no limite nunca existiu outro piloto mais rápido.

Abraços,

José Luís, S.J.Campos - SP


Muito se fala em qual o melhor piloto de todos os tempos, nunca se chega a nenhuma conclusão. O motivo é muito simples, pois por mais que as trapalhadas de Bernie e Max conduzam a F1 para algo frio e calculista, este é um esporte, e uma categoria apaixonante, com uma característica marcante, a cada ano só faz 1 rei com mais 2 ou 3 destaques entre apenas 20 terrestres candidatos.

Portanto esqueçam os números, apesar de importantes, a F1 é paixão, são tantos possíveis melhores de todos os tempos de acordo com o gosto e preferência de cada fã, que é impossível uma opinião comum.

De qualquer forma a discussão de boteco (com todo respeito ao GPTotal, que seria o melhor de todos, além da competência dos seus "pilotos") sobre quem é o melhor é muito legal.

Não canso de repetir aos sennistas que Piquet foi Bi-campeão em temporadas que sua equipe não ganhou o campeonato de construtores, que foi o Bi-campeão com o menor número de gp's disputados, canso de ouvir que Senna ganhou mais corridas e ainda seria campeão, que ganhou três título em quatro disputados, só agradeço por não precisar discutir com um alemão, mas sei que encontraria argumentos facilmente. Os números são importantes, mas não traduzem a emoção que cada um sente ao ver despontar na reta, as cores do carro e do capacete do seu ídolo.

Todos os grandes merecem respeito. Fangio, Brabhan, Clark, Stewart, Fittipaldi, Lauda, Piquet, Prost, Senna , Schumacher todos merecem ser considerados por seus fãs os melhor entre todos. Sei que Fangio arrebentou, que Clark parecia mágico, que Emerson foi o pioneiro, que Prost era o professor, que Senna era muito completo, e daí, contínuo com Piquet, o primeiro campeão turbo, o cara que ganhou sem ter o melhor carro, o cara que deu um nó em 50 ingleses de uma só vez em 87, o piloto que acertava carros como nenhum outro.

Proponho inclusive uma eleição no GPTotal, cada um manda os seus 10 pilotos em ordem de preferência, além de citação de um ou outro piloto que merece estar entre os melhores, me comprometo a fazer a apuração dos votos, e já encaminho a minha lista.

Piquet - pelos motivos acima citados
Clark - pela capacidade reconhecida e sempre comentada por inúmeros profissionais da F1
Fangio - pelos cinco mundiais de F1, por derrotar tanto os europeus.
Fittipaldi - Pela vida dedicada ao automobilismo, pela Copersucar, pelo pioneirismo e pela Lotus 72.
Senna - Pelo arrojo e busca da perfeição
Schumacher- pelos 10 anos ininterruptos de favoritismo ao título de cada temporada, pela busca dos recordes, pelo "hexacampeonato"
Jack Brabhan- pelo tricampeonato e pela equipe que construiu
Lauda- pela superação.
Prost - pela capacidade de, se pintados os seus pneus, dar setenta voltas em qualquer autódromo sobre o mesmo trilho, pelo coro que tomou de Piquet e Senna em 83/88 e devolveu a ambos em 86/89
Stewart- pela pilotagem perfeita, pela competivividade aliada ao respeito pelos adversários e a luta pela segurança.

E entre os melhores Gilles Villeneuve e Ronnie Peterson - pelo provável sucesso que não chegou devido as mortes prematuras.

Celso, Salvador

Celso,

sua carta já merece destaque pelo respeito a todo mundo que um dia conseguiu guiar um F 1 e vencer uma corrida. Eu me irrito profundamente com pessoas que querem aumentar o mérito do piloto preferido diminuindo o dos outros - ou, pior, escolhendo a dedo as melhores corridas e números de um, as piores de outro para "provar" que X é melhor que Y. Basta ler as cartas para ver como isso acontece com freqüência.

Que cada um curta seu piloto preferido, sem se preocupar com números dos outros. Meus preferidos, por exemplo, são Piquet, Gilles, Fangio e Michael Schumacher. Não importa o que digam os números, os rankings e as pesquisas de opinião, eles continuarão sendo meus preferidos. Zanardi merece uma citação à parte, pelos motivos que você já deve ter lido na minha coluna de semanas atrás.

Abraços (LAP)


Boa tarde,

Dia desses vi uma belíssima explanação de um leitor desse site - Sr. Ingo, de Joinvile - acerca de recordes e contestava quem houvesse sido melhor piloto e apresentou dados. Interessante. Fangio em 1º no geral. Schumacher em 1º nos dias atuais.

Schumacher fala essa semana: "os pneus deverão decidir as vitórias e o título neste ano". (para mim, Schumacher amarelou). Tá com medo de perder para um novinho (Raikonnen).

Quando se faz comparativos como o que o Ingo fez, deve-se analisar sob todos os aspectos: carro, motor, chassis, pneus e, também, é claro, piloto.

Senna e Schumacher correram em épocas, podemos dizer, diferentes, apesar de terem corrido juntos por cerca de três anos.

Comecemos pelas poles. Há uma máxima que quando dois pilotos fora de série (como Senna e Schumacher) têm carros iguais, o que larga na pole, em tese, manter-se na frente, por conseqüência,...

Pneus. Antes não havia tanto investimento, portanto, é difícil dizer quem levou vantagem nesse quesito;

Motor. Montoya o ano passado tinha o melhor motor e andou foi longe de ser o campeão, portanto, só motor não vai fazer o campeão;

Chassis. A Renault está fantástica, mas não deverá ser a campeã, logo, só chassis não traz título. Na verdade, tem que ter um grande conjunto e ter um grande piloto.

Nos cerca de quarenta grandes prêmios que correram juntos, obviamente, Senna foi muito superior ao Schumacher, agora temos que considerar que Senna já era um piloto experiente ( e isso faz muita diferença), podemos até dizer que no geral, em 92 e 93 Schumacher tinha um carro melhor que o de Senna, iguais no início de 94 e inferior em 91.

Tenho certeza que tendo os dois na melhor fase, teríamos corridas esplendorosa vencidas ora por um, ora por outro e o que faria a diferença seria o estado de espírito de um e de outro, como o 11 de setembro para Schumacher e a morte de Ratzemberg para Senna.

Eles andariam juntos, sempre... penso entretanto, que, quando se exigisse o máximo do máximo, Senna tiraria aquela pole fantástica, largaria na frente e venceria, apenas para provocar o desempate, porque, convenhamos o Schumacher anda por que sabe, mas nosso Senna era realmente fantástico.

É uma pena que Deus nos tirou esse prazer de ver Senna e Schumacher correndo juntos, um ganhando em Mônaco e outro ganhando na Áustria... e por aí vai.

Um abraço.

José Airton, Teresina


Ola! Pessoal,

o verdadeiro MISTER MÔNACO é aquele que participou de 10GPs 6 vitórias, 1 segundo lugar, aquele roubo famoso que acabaram a prova na volta 32 em que SENNA passou o Prost, aí eles apelaram e só valeu a volta anterior, bom pelo menos ficou a marca, tirou 36 seg em 10 voltas, 1 terceiro lugar e dois abandonos, em 85 e em 88 quando estava em primeiro com vantagem de 52seg e faltavam 12 voltas.

E aí quem é o verdadeiro MISTER MÔNACO?

Jair de Oliveira Coelho, Rosário do Sul


Caríssimos alucinados,

Dirijo-me assim aos fãs do automobilismo porque sei que, quem gosta desse esporte, muito mais do que no futebol, leva sua paixão a níveis inimagináveis. Desde 1989 vou a todas as corridas de Fórmula 1 e a muitas outras do automobilismo nacional. Quando falo para qualquer fã de futebol, que nos tempos em que o Ayrton Senna corria, eu chegava a Interlagos às 23 horas do sábado, para assistir à corrida no domingo, poucos acreditam e os que acreditam, supõem que eu seja um louco estúpido. Posso até ser, mas isto não vem ao caso agora.

Fato é que, como eu, existem milhares e, por isso mesmo, vemos um debate tão acirrado entre "Piquetistas" e "Sennistas". Grossa bobagem!


Talvez como poucos, tive o privilégio de ser fã ardoroso de ambos. Sempre soube reconhecer em cada um deles, os defeitos e virtudes que tinham. E, acreditem, desfrutei de momentos memoráveis.

A bem da verdade, somente seria possível comparar um com o outro, se eles tivessem corrido na mesma equipe, no auge da forma.
Sabemos, por exemplo, que em velocidade pura, Senna "dava um pau" no Prost. Mas o mesmo não se pode afirmar em corrida, em que as estratégias do francês eram admiráveis e ele dava um suadouro no nosso patrício.

Sabemos também que, em velocidade, Piquet e Mansell eram "pau a pau" (pelo menos até Piquet visitar a "Tamburello", em 1987). Mas em acerto e conhecimento do carro, Piquet humilhava Mansell.
Estas comparações nunca foram possíveis entre Piquet e Senna ou mesmo entre Senna e Schumacher, de forma que tudo fica no campo da pura especulação.

Só para mostrar como isto é relevante, em 1986 todos imaginavam que Keke Rosberg era extremamente veloz e ia dar uma tremenda canseira no Prost. Deu até pena do Keke...

Exatamente por isso, e até pela qualidade extrema dos pilotos, a comparação fica extremamente prejudicada. Num esporte em que o equipamento tem importância fundamental, o comparativo só pode ser real, se os carros forem os mesmos. E, mesmo assim, se for em uma equipe como a Williams e a McLaren, porque na Ferrari com Jean Todt, nem pensar (a equipe em 1º lugar). Quem tiver dúvidas sobre isto e achar que é só por causa do Schumacher, vide Ari Vatanen-Jack Ickx-Peugeot-Paris Dacar-moedinha.

Dentro desta perspectiva, as comparações entre os pilotos me causam enfado, risos ou náuseas, pela falta de premissas confiáveis. Por favor, Pandini, não caia mais nesta armadilha. Piquet tinha seu encanto como piloto e quando ele resolvia ultrapassar, ultrapassava de qualquer jeito (vide Hungria/86 ou Espanha/87).

Senna, por sua vez, era um "show man" e a gente sempre podia confiar que ele estava dando o máximo do máximo. Era um Villeneuve (pai) que não errava (ou pouco errava).


Mas, se não quisermos fugir do assunto (o que falta ser dito sobre Senna), posso opinar sobre isto de camarote. À exceção de "O caminho das borboletas" (aaargh!!), que eu não li e não gostei, já li todos os livros que saíram publicados sobre Ayrton, além de tudo o que eu já tinha lido e visto sobre ele em vida. Entendo que a carreira dele como piloto é exaustivamente conhecida por mim e por todos aqueles que realmente gostam, ou veneram o automobilismo.

Portanto, o que falta ser dito, é sobre o homem, o ser humano. Mas é importante não confundir isto com programa de fofocas do Nelson Rubens (eu aumento, mas não invento). O que interessa, são histórias relacionadas ao esporte, e o melhor exemplo, foi a narrada pelo Geraldo Tite Simões na 1ª semana de junho. Ótima!

É exatamente isto o que eu espero: fatos curiosos que, ao mesmo tempo que exaltam o grande esportista, mostrem que ele era gente de carne e osso, magistral e politicamente incorreto.

São as minhas considerações, s.m.j.

Maurício Jorge de Freitas, São Paulo


Caros amigos e referências,


Confesso que não esperava tanta discussão em torno da minha carta, então, agora, logo depois de ler o With a Little Help From Our Friends, gostaria de esclarecer alguns pontos.

Em primeiro lugar, sou radicalmente contra a utilização de números para justificar essa discussão sobre quem é o melhor. O problema é que tudo o que leio sobre Fórmula 1 e sobre comparação entre Senna e Schumacher usa números. É isso que tentei criticar: por que falar de número de vitórias e não de GP da Europa de 93? Por que falar em quantidade de poles position e não falar das poles em si, como Portugal 86 ou Monza 90?

Se esse tipo de discussão for adiante considerando aspectos quantitativos, nós já sabemos quem levará a melhor. Isso não só vale para Senna ou Schumacher, mas também para Clark, Fangio, Nuvolari, Ascari, Moss...


Agora, pessoalmente falando, admiro infinitamente mais Senna que Schumacher. Até que alguém me prove o contrário.

Abraços e muito obrigado ao Panda e ao Edu pela atenção.

Daniel Médici, São Paulo


O circo da F1 ,que movimenta milhões,cheio de normas tecnicas que devem ser seguida por carros, equipes pilotos e circuitos. Como pode o autódromo de San Marino , na Itália ser liberado para disputar uma corrida de F1 em 1994 com um muro de concreto erguido ridiculamente a 13 metros na tangente de uma curva feita a 310km/h (na época)

Isso era permitido na época?

Andre Cabrea, Brusque

Muitas decisões das autoridades esportivas são inexplicáveis, Andre. No caso do muro, não faltaram aviso: pelo menos quatro pilotos de F1 sofreram acidentes graves no mesmíssimo lugar: Nelson Piquet, Gehard Berger, Michelle Alboretto e Ricardo Patresse.

Abraços (EC)


Eu gostaria de saber sobre o piloto italiano Elio de Angelis.

Como era o relacionamento como companheiro de equipe de Ayrton Senna na Lotus , e qual foi a causa da morte dele, guiando uma Brabham no circuito de Paul Ricard?

Vinícius Brião, Curitiba

O relacionamento com Senna durante a temporada de 85 foi horrível mas não lembro de detalhes, assim como pouco sei sobre o acidente do italiano em Paul Ricard. Sei apenas que foi num teste privado da Brabham e que não havia boas condições de socorro na pista. (EC)


Pandini e Edu

segue fotos do Fórmula 3 que foi transformado em Protótipo pelo Nelson Piquet para que o Nelsinho pudesse treinar sem problemas.

Se vocês forem ao Yellow Book da Fia vão ver na definição de Formula que o carro obrigatoriamente devera ser monoposto, com rodas a mostra ,sem instrumentos de iluminação. Tempos depois veio a obrigatoriedade da lâmpada traseira que hoje e praticamente utilizada por todos mesmo com tempo seco.

Em outras palavras isto ai pode ser tudo menos um formula e assim o regulamento não foi burlado o termo apropriado com certeza e colocado a margem!

As fotos anexadas foram feitas por mim nos 1.000 Km de Brasília de 2002 quando o carro foi inscrito e aceito pela CBA como protótipo.

Embora pai e filho devessem correr juntos o carro fez andou apenas o primeiro tanque sendo guardado. Isto me leva a crer que sua inscrição foi feita apenas como forma de conseguir uma espécie de "Homologação Branca" pela autoridade automobilística.

Outro detalhe: Quando a CBA parou o Campeonato em 2002 para que a Codasur se pronunciasse descobriu-se que não havia proibição para treinos livres!

Um abraço


Roberto Costa, Fortaleza


Cada declaração de Nelson Piquet reforça minha tese de que ele é o Eddie Irvine brasileiro.

Não se afobem, Piquetmaníacos. Essa tese não diz respeito à habilidade de Piquet na pista. Jamais! Piquet foi um fora-de-série, e conquistou o tricampeonato mundial coberto de louros. Chegou lá por talento e astúcia. Hoje revive o automobilismo sob um outro prisma: sendo o pai que ele nunca teve, dando apoio financeiro, logístico e técnico para ver a carreira do filho decolar. Uma atitude louvável. Se dependesse somente da dedicação de Piquet, Nelsinho seria octacampeão mundial. No entanto sabemos que o gene da aptidão para F1 é recessivo, Damon Hill está aí e não me deixa mentir. Em todo o caso, comparar o fanfarrão irlandês Irvine a Piquet, dentro da pista, seria elogio demais a esse desbocado súdito da rainha Elizabeth.

Já fora da pista, a comparação não é tão absurda. A semelhança entre Piquet e Irvine é o fato de ambos possuirem uma boquirrota metralhadora, e não hesitarem em dispará-la sem convite nem aviso prévio. Piquet jamais se fez de rogado em externas suas críticas, por vezes preconceituosas e injustas. Que Rubinho jamais será campeão todo mundo sabe. O Montezemolo sabe, o Brawn sabe, o Todt sabe, o Schumacher sabe, até o próprio Rubinho sabe. Aliás, essa é a razão pela qual Barrichello está na Ferrari. As pretensões de vitórias italianas já estavam bem guardadas sob as asas da águia alemã. No Rubinho buscaram um escudeiro e não outro campeão para causar tumulto e dor de cabeça. Ainda assim, o brasileiro deu suas derrapadas fora da pista, falando o que não devia, quando não devia. Bom, mas minha pergunta é: o que o Piquet ganha malhando o obstinado ferrarista?

Outro alvo frequente da língua de Piquet é Ayrton Senna. Tudo bem, os dois não se davam e são coisas da vida. Apenas acho inoportuno e inadequado criticar alguém que não pode mais se defender. O mais novo mexerico do Nelson (aliás quem chegou agora poderia achar que eu estou escrevendo sobre outro notório fofoqueiro de mesmo nome, o Nelson Rubens) dá conta de que Senna só queria guiar carros bons. Recentemente, um leitor escreveu confirmando e concordando com a visão de Piquet. Pergunto, sensatos leitores, e quem, em sã consciência, quer guiar carros ruins? Será que foi em busca de um carro ruim para 83 que Piquet sacrificou a temporada 82 desenvolvendo os motores BMW? Ou será que ele foi para Williams em 86 atrás de um calhambeque? Deu azar então, pois o FW-11 de 86, e o FW-11B de 87 eram dois foguetes. Diante disso, a gente pensa, o que será que ele ensina ao Nelsinho? Que é errado querer carros bons num esporte implacável que premia somente os mais rápidos? Acho que o raciocínio de Piquet está ralentando.

Mas, no fundo até consigo entender o Nelson (Piquet, é claro). Afinal de contas, Senna morto é mais assunto do que Piquet vivo e, para quem tem ego, isso deve dar uma dor de barriga...

Peter Marx, São Paulo


Schumacher não é, nem nunca será o melhor piloto de todos os tempos. O fato de ele ter se tornado penta - campeão este ano, não significa, de modo nenhum, que ele é o melhor da F1. Não há dúvidas de que esse número se estenderá para hepta, suas vitórias serão 80, e muitas outras coisas. Se tornará o 'maior', mas nunca, o 'melhor'. Agora, o pior é quando alguém diz que em 94, Schumacher mostrou ser o melhor, pois venceu todas provas que correu contra Senna.

O primeiro detalhe, é de suma importância: O carro de Schumacher era completamente irregular, com várias alterações que infringiam as regras da F1 (uso do controle de tração, mudanças na bomba de gasolina, dispositivos automáticos para largada, desgaste maior e mais rápido do solo do carro, etc.), as quais lhe permitiam, se sair melhor. Vocês sabem que isso foi comprovado...

Vamos então às corridas.

GP do Brasil: Senna faz o melhor tempo na classificação e warm-up. Schumacher foi sempre o 2o. Ayrton lidera a prova com certa vantagem sobre Schumacher. Na parada nos boxes, a Benneton faz um trabalho mais rápido (6,5) do que a Williams (8,4), e, então, Schumacher sai na frente (ressalta-se que ele NÃO ultrapassou Senna). Daí, é que Ayrton roda, tentando alcançar o alemão.

GP do Pacífico: Novamente, a vitória absoluta nos treinos, e logo na largada um tal de Mika Häkkinen tira Senna da prova (sem o brasileiro poder fazer nada), e Schumacher vence facilmente.

GP de Ímola: Repetem-se os feitos da classificação, e na 7a volta a fatalidade, quebra a barra de direção e Senna morre, então.

Você acha que Schumacher começou a correr em 94? O que aconteceu nos anos anteriores?

Schumacher estreou no GP da Bélgica 91, pela Jordan. As outras 5 do ano foram pela Benneton, fez 4 pontos. Em 92, todos sabem que a McLaren era uma grande me... (Williams imbatível, Benneton a 2a, e McLaren atrás) e o que acontece? Senna vence três provas e faz uma pole. Schumacher uma vitória e nenhuma pole. 93 foi o ano em que Senna mostrou ao mundo o que podia fazer.

A McLaren trocara recentemente os Honda pelos Ford. Vale destacar que a McLaren, como cliente, apenas recebia esse motor (Cosworth), enquanto a Benneton era sócia, recebendo o melhor (Zetec). Senna vence 5 corridas, com uma pole e é vice. Schumacher uma vitória, nenhuma pole, e é 4o.

O que dizer do GP da Europa? Como pode alguém conseguir fazer o que Senna fez? Você não lembra? Grid: Prost, Hill, Schumacher e Senna (chovia torrencialmente). Na largada, Schumacher faz uma de suas tradicionais vigarices (ler mais adiante). Aperta Senna rudemente na primeira curva, e então começa o show. Tão logo Senna ultrapassa-o. Ele está em 4o (no momento do aperto de Schumy, Karl Wendlinger passa ambos) e faz a ultrapassagem sobre Karl por fora, numa curva onde todos, sem exceção, fizeram por dentro. Ele está em 3o, faltando os Williams: Senna passa ambos magistralmente antes de terminar a primeira (isso mesmo, primeira) volta, para não mais perder a liderança.

E o que se sucede na corrida? Vitória de Senna com melhor volta. Schumacher? Um festival de erros prematuros. É ultrapassado por Rubinho (da Jordan Hart) na primeira volta, e demonstrando sua falta de competência na chuva, roda. Essa e outras corridas de Senna (Mônaco 84, Portugal 85, Japão 88 e Brasil 91), são consideradas entre as melhores da história, sendo Europa, a melhor. Agora, me diga uma corrida realmente magistral de Schumacher? Creio que não haja. (talvez Bélgica 95, alguns dizem, Espanha 96, mas não chega nesse nível)

Já foi citado como Schumacher foi campeão em 94, fazendo como Prost em 89, batendo no adversário, pois fora superado na pista. E em 97? Bom, aí a justiça foi feita. Ele tenta bater em Jacques Villeneuve, mas o canadense volta à pista e só não vence a prova porque deu, literalmente, a vitória e o 2o lugar a Hakkinen e Coulthard ("justiça" igualmente feita por Senna em 90). No GP da França de 2000, quando Coulthard iria ultrapassar Schumacher, este faz o que lhe é tradicional, fecha o adversário (por sorte seu motor quebra algumas voltas após e Coulthard vence).

Mas o que mostra realmente a anti-esportividade dele, foi essa a corrida na Áustria 2002. Se ele é mesmo ´o melhor`, porque essa palhaçada? Barrichello derrotou-o durante o fim de semana todo. E ele venceu graças à ordem da equipe. E o que dizer do GP de San Marino deste mesmo ano?

Schumacher exigiu da equipe Ferrari, o carro de Rubens Barrichello, pois concluiu que o acerto dele era superior ao seu. Se ele é mesmo ´o melhor`, por que ele mesmo não realizou o acerto?. Essas são algumas (junto com Europa 93) das várias falcatruas de Michael Schumacher, o "Dick Vigarista" da F1. Só que no desenho "corrida maluca", Dick sempre perde, e na Fórmula 1 atual (que também é uma corrida maluca), Schumy sempre vence.

O piloto britânico Johnny Herbert, em entrevista a uma tradicional revista (desculpem a falha na memória, mas realmemte a entrevista aconteceu, se alguém puder que me "corrija"), declarou que 3 dos 5 títulos de Schumacher só aconteceram com grande ajuda: "Em 95 e 00, mereceu..."; disse Herbert, "...pois venceu carros superiores ao seu, Williams e McLaren, respectivamente. Entretanto, 94, 01 e 02, podem ser contestados".

Por que? 94, por tudo que já foi dito aqui anteriormente; 01 e 02, venceu sem competidores: além de os Ferrari serem, sem dúvida, os melhores carros da F1, seu companheiro de equipe está impedido de vencê-lo.

Mas em termos de falta de habilidade, nada na carreira de Michael se compara às corridas que disputou no DTM (Alemão de Turismo) em 1990 e 1991. Schumacher tinha 22 anos na época e era um piloto rodado, com participações na F-3 de seu país e nas corridas de Macau e Fuji. Em 1990, foi chamado pela Mercedes para disputar o Mundial de Protótipos. Terminou o campeonato em quinto.

No final do ano, para aprimorar seu ritmo de corrida, a montadora decidiu dar-lhe um carro para o encerramento da temporada do DTM, em Hockenheim. Carro oficial, de fábrica, número 65. Mercedes-Benz 190 E 2.5/16 Evo 2, vencedor de cinco corridas no ano. Mesmo com o equipamento competitivo, Schumacher conseguiu só o 15º tempo nos treinos, quase 5s atrás do pole, Jelinski, da Audi. Para fazer... nada.

A corrida do jovem piloto durou apenas uma curva, mas uma curva que mudou a história daquela temporada. Michael bateu na traseira do BMW de Johnny Cecotto, líder do campeonato, que brigava pelo título com Hans Von Stuck. Com o abandono do venezuelano, Stuck venceu as duas provas, ficando com a taça. Schumacher, com o carro destruído, sequer pôde correr na segunda bateria. E o autódromo, lotado, sequer imaginava que aquele novato atrapalhado seria aclamado anos depois. Schumacher, mesmo com a barbeiragem, seguiu com a Mercedes em 1991.

Disputou novamente o Mundial de Protótipos, vencendo uma corrida em Autópolis, no Japão. No meio do ano, mais uma oportunidade para correr no DTM. Seria no veloz circuito de rua de Norisring. Schumacher teve uma vez mais um carro oficial de fábrica, da equipe Zakspeed, com o francês Fabien Giroix e o alemão Roland Asch como companheiros. Asch fez a pole e largou na frente na primeira bateria. Schumacher foi apenas 19º no grid, terminando a corrida em 24º. Vitória do dinamarquês Kurt Thiim, da equipe... Mercedes. Com problemas mecânicos, Michael pouco correu na segunda prova do dia 30 de junho de 1991.

Um mês depois, na pista montada no aeroporto de Diepholz, Schumacher voltou a ocupar um Mercedes no Alemão de Turismo. Da mesma equipe Zakspeed, carro número 20. Nos treinos, a mísera 21ª colocação. Pole-position para Jacques Laffite, da equipe... Mercedes. E abandono para Schumy, logo no começo. Na segunda bateria, largando novamente em 21º, uma atuação discreta até o 14ª lugar, posição final. Três etapas no DTM, melhor treino um 15º, melhor corrida um 14º, barbeiragem que decidiu campeonato... a F1 está bem servida de pentacampeão, não?

Juan Manuel Fangio sempre disse que Senna é o melhor piloto que vira em sua vida (não era nem Jim Clark, nem Stirling Moss, simplesmente... Senna). Aí você pensa: "Fangio não viu Schumacher correr". Pois bem, Fangio morreu em 17 de julho de 1995. Carreira de Schumy até então: Campeão com 15 vitórias e 12 poles será que Fangio era cego?

Marcel Pilatti, Curitiba


Olá, amigos da velocidade

Lendo os comentários no especial sobre o Senna, muitos leitores escrevem que a Williams-Renault FW-16, de 1994, era uma porcaria que ficava a milhas de distância da Benneton-Ford B-194.

Eu, na minha modesta opinião, discordo totalmente, pois, vamos analisar apenas as corridas que o Senna fez naquele ano: em Interlagos ele foi pole e rodou quando estava em segundo tentando recuperar a posição que ele perdeu para o Schumacher nos boxes; em Aida, Senna novamente foi pole e foi jogado para fora pelo Hakkinen ou pelo Larini, não lembro bem e, em San Marino, Senna de novo foi pole e, quando do fatídico acidente, ele estava em primeiro (inclusive alguns falam que a colisão foi obra do destino, pois, até então, Senna era o "rei" da F-1, e, quando do acidente, Schumacher, o segundo da corrida, assumiu a liderança da prova e o seu trono, como se fosse uma herança do brasileiro, mas isso é uma outra história...).

Além disso, muitos se esquecem que a Williams foi campeã de Construtores com até certa folga em relação a Benneton e, como todos sabem, perdeu o campeonato de Pilotos por um ponto, graças àquela manobra do Michael "Dick Vigarista" Schumacher.

Um abraço a todos

Rafael Batista - São Paulo-SP


Sir. LUIS,

"SE SENNA NÃO TIVESSE MORRIDO TERIA SOFRIDO DERROTAS FRAGOROSAS PARA SHUMACHER", talvez, como em 91, ou talvez como em 92 ou talvez como em 93 ou talvez como nas disputas das poles em 94(Senna não completou corridas em 94); sinceramente, tem gente que não sabe nem responder a uma crítica; mostre-me UMA derrota fragorosa de Senna para Shumacher.

Que tal o ano de 93, com Shumacher com carro superior e três anos de experiência... vamos lá estou esperando!

Jose Airton Soares, Teresina/PI


Ola!

Este site é destinado aos amantes do automobilismo, o sr: LA Pandini, além de entender bem pouquinho, quase nada de F1, nao respondeu minha pergunta, ficar ainda puxando o saco do Piquet e do Schumacher depois disso tudo dizer que SENNA morreu graças a isso nao levou derrotas do Schumacher é no minimo, desrespeito com uma pessoa que nao pode defender-se.

Por isso sr: LAP tenha respeito, senao com o piloto brasileiro, respeite sua memoria, teu idolo Piquet falou que o alemao era melhor por ter vencido mais corridas que SENNA, entao eu diria que ele Piquet é igual ao D Hill venceram quase os mesmos números de GPs.

Deixa de ser puxa-saco, vocês tem que ser imparciais...

Jair de Oliveira Coelho, Rosário do Sul

Não espere imparcialidade da minha parte, sr. Jair. Neste site, eu escrevo aquilo que penso, sem me preocupar em mascarar minhas opiniões apenas para agradar leitores. Estes, se discordarem, têm o devido espaço para manifestações, como acontece com o sr.

Quanto a entender de automobilismo, basta ler o conteúdo do GPtotal para que eu fique muito tranqüilo a respeito do conhecimento que tenho de automobilismo (e não só de F 1, como parece ser o seu caso). Mas, se o sr. quiser entrar em competição de conhecimentos comigo, aceito com o maior prazer.

Atenciosamente,

Luiz Alberto Pandini


Olá, Luis!!

Meu nome é Adriano, tenho 17 anos, e sou fã de automobilismo desde os 4 anos de idade.

Acompanhei praticamente todo o período que se pode batizar de ''Era Senna'', nos quais ganhou 3 títulos mundiais e um vice, em 89. Achei muito interessante a iniciativa do site de abrir este espaço aos internautas para que pudéssemos enviar dúvidas com relação à carreira e vida pessoal de Ayrton Senna.

Porém, lendo os comentários deixados pelos leitores, pude observar que a maior polêmica em debate se refere à qualidade de Schumacher e Senna, debate inclusive estimulado por você, fã declarado de Piquet, um piloto excepcional e que também dispensa comentários.

Sou fã de Ayrton Senna, e confesso, não gosto de comparações entre o alemão e o brasileiro, muito menos das comparações insinuantes de Piquet a Ayrton realizadas por você (coisas do tipo ''as viúvas de Senna são patéticas''). Mas comentarei isso mais adiante.

Comparar Schumacher a Senna seria um dos maiores erros cometidos pelos fãs de automobilismo, e acredito que este seja apenas um vício dos brasileiros; não creio que esse comparativo seja realizado em outros países. Não é necessário usar argumentos do tipo ''Senna ganharia muito mais se não tivesse falecido em Ímola'', ou ''Schumacher é este grande campeão simplesmente por que guia um carro que qualquer um guiaria, além de suas trapaças em 94, 95 e etc..''.

Senna foi um piloto fantástico, um dos que melhor se adaptou à Fórmula 1 do final dos anos 80 e início dos 90. Era um piloto que dirigia com o coração, ciente de que estava ali para vencer, não para chegar em segundo ou terceiro. Lutava para ter o melhor equipamento pois julgava ter capacidade suficiente para dirigir sempre o melhor - seria até antiético por exemplo imaginar que Ayrton assinaria um contrato com a Ligier pra correr a temporada de 94 simplesmente pra provar o quanto ele era capaz, e ser campeão com esse carro.

Competiu com gênios daquela geração, como Piquet, Mansell, Prost, entre outros. Morreu em Ímola, no auge da forma física, guiando um Williams-Renault mal projetado. Sua morte deixou dúvidas em todos os seus fãs, principalmente sobre quantos títulos ainda seria capaz de ganhar.

Michael Schumacher tem o mesmo perfil de Senna, igualmente obcecado por vitórias. Indiscutivelmente pentacampeão mundial, com todos os méritos possíveis. Pegou a Benneton em fase ascendente, e, apesar de todas as falcatruas insinuadas (algumas comprovadas) sagrou-se bicampeão em 94 e 95, automaticamente promovendo-se a novo dono das pistas após a morte de Senna.

Com o passar do tempo, foi o piloto que melhor se adaptou à nova Fórmula-1, do final dos anos 90 e início dos anos 00. Teve adversários difíceis a ser batido, não tanto por qualidade nas pistas, mas pela alta qualidade dos carros (Villeneuve e Hill - exceção feita a Hakkinen). Perdeu alguns títulos com a Ferrari. Sagrou-se tricampeão consecutivo em 2000, 2001 e 2002. É um piloto fora de série, que hoje realmente corre sem adversários, simplesmente por que não deixou espaço pra eles, devido à sua grande capacidade nas pistas.

Comparar Schumacher a Senna é impossível. Schumacher começou a competir na última fase da carreira de Senna (independente de sua morte em Ímola, sabe-se que logo Ayrton se aposentaria).

Cada um escreveu sua carreira a seu modo. Senna encantou por ser um excelente homem de marketing, saber lidar com os fã de todo o mundo, e por sua alucinante forma de guiar nas pistas (Como em Donington'93). Schumacher encantou e encanta por ser o homem capaz de quebrar todos os recordes possíveis e de ser o piloto que melhor se adaptou à nova Fórmula 1, exercendo total controle do carro, mesmo diante dos problemas (Como em Mônaco'03).

Portanto, acho que é o momento de colocar um ponto final nessa história, o destino não quis que Senna e Schumacher se enfrentassem no auge da forma de ambos para decidir quem é mais piloto, deixemos cada um com sua carreira e com sua história dentro das pistas, Schumacher jamais irá apagar o brilho de Senna, assim como Senna também não irá apagar o brilho que Schumacher exerce nas pistas atualmente. São homens fantásticos, atletas quase perfeitos, que se eternizaram por suas conquistas e servirão de referência para os futuros pilotos das próximas gerações, assim como Fangio, Stewart e Clark serviram de referência para eles.

Quando a você Luis, acho desnecessário minimizar os feitos de Senna ou menosprezar o comportamento de fãs de Ayrton, acredito que com o seu profissionalismo como jornalista não é necessário menosprezar Ayrton Senna e procurar apenas seus defeitos apenas para promover Nelson Piquet. Automobilismo não é um esporte como o futebol, onde cada um escolhe um time para torcer. É um esporte onde todos os pilotos de uma mesma nação devem ter a mesma preferência.

Infelizmente o torcedor brsileiro não soube diferenciar as coisas. Nelson Piquet é um piloto excepcional, fantástico, com um alto número de vitórias, poles e o Tricampeonato mundial, uma lenda viva no automobilismo mundial. Portanto, acho melhor enaltecer a fase de ouro dos brasileiros naquele período do que acirrar disputas entre dois dos maiores pilotos da história.

Afinal, o Brasil quase foi pentacampeão mundial consecutivo (1987 com Piquet, 1988 com Senna, 1989 o vice com Senna, 1990 e 1991 também com Senn, mais dois mundiais). Tão cedo o Brasil não terá esse nível de competitividade dentro do automobilismo.

Aguardamos Felipe Massa e Nelson A. Piquet para retomarmos as glórias na Fórmula 1. Só espero que dessa vez a rivalidade fique dentro das pistas, e não se estenda ao torcedor, para que não hajam discussões como as que vem se estendendo ha muito tempo.

Um grande abraço a todos desse site, um dos melhores na categoria Automobilismo.

Até mais.

Adriano Becker, Guarulhos/SP

Adriano

sua carta exprime enorme bom senso ao analisar essa coisa que considero insana: determinar quem é o melhor piloto do mundo, de todos os tempos, etc.

Para mim, é uma discussão tão inútil quanto querer convencer alguém a mudar de time, ou discutir se a Alessandra Negrini é mais bonita ou mais feia que a Ana Paula Arósio, ou se os Beatles são melhores que os Rolling Stones.

Por isso, comento apenas a última parte da sua mensagem, aquela em que você analisa a minha reação a determinadas mensagens. Como você já percebeu, este site se diferencia porque seus colunistas e colaboradores têm total desprendimento para expôr histórias e pontos de vista dificilmente vistos nas grandes mídias.

Da mesma maneira, os leitores têm aqui uma tribuna absolutamente democrática para se manifestar contra ou a favor de nossas opiniões, ou de qualquer outra.

O que me desagrada são certos leitores que vão além de discordar de mim: mandam argumentos diversos (alguns furadíssimos), longas estatísticas e dados (sempre puxando apenas para aquilo que lhes interessa), tentando convencer-me de que estou errado por gostar mais de um piloto do que de outro.

Isso realmente não tem perdão da minha parte.

Acho que quem quiser idolatrar qualquer piloto pode fazê-lo sem necessidade de ficar tentando provar que está certo e que os outros estão errados.

Eu sei que às vezes exagero nas respostas. Isso até já me custou algumas antipatias. Por outro lado, tem muita gente que concorda comigo - o que me faz ver que talvez não esteja tão errado assim.

Por último, seria muito pretensioso da minha parte achar que algo que eu publique neste site vai contribuir para desmantelar ou criar mitos. Minhas opiniões são apenas isso: opiniões.

Abraços e fique à vontade para escrever sempre. Para elogiar ou criticar.

Abraços (LAP)


Olá amigos!!!

Ao ver a sessão sobre Ayrton Senna, gostaria de tirar algumas dúvidas:

1. As equipes de fórmula 1 utilizavam o circuito do Rio para testes de pré temporada?

2. Quando o Ayrton fez os testes com o modelo Mp4/3B? No fim de 1987 ou no começo de 1988?

3. Qual foi a data de lançamento do modelo Mp4/4 e onde foram realizados os primeiros testes?

Aproveitando: nunca deixarei de elogiar este belo trabalho que vocês fazem neste site. É simplesmente incrível!!! Vocês mereciam um programa de TV antes de cada corrida.

Abraços

Marco Aurélio Godinho, Curitiba

1 - Sim. Normalmente, eles aconteciam em janeiro ou fevereiro, e o GP do Brasil era em março. Interlagos também era usado para testes, quando os calendários permitiam. Em dezembro de 1972 e dezembro de 1978, algumas equipes estiveram em Interlagos para testes.
2 - Começo de 1988, com certeza; final de 1987, sem certeza (creio que só Prost andou com o MP4/3B no final de 1987).

3 - não sei, mas foi pouco antes do GP do Brasil.Se não me engano, o MP4/4 não chegou a ser testado no Rio, só na Europa.

Obrigado! Mas assim nosso ego vai parar na estratosfera e ficaremos insuportáveis...

Abraços. (LAP)


Não vejo a hora de lançarem essa nova biografia do Ayrton Senna.

Ganhei de presente de Natal em 2001 o livro do Lemyr Martins (li tudo quase em um dia) e encontrei alguns fatos ali que me impressionaram. Não me interesso por fatos da vida pessoal dele, isso é assunto para a revista Caras, mas no livro do Lemyr Martins vi alguns fatos que me impressionaram. Um deles foi a negociação dos motores Honda e sua posterior ida à McLaren. Gostaria de saber mais sobre isso.

Agora há um fato que pra mim parece obscuro: o Senna teve de pagar uma multa contratual de US$ 150 mil à Toleman antes de ir para a Lotus em 1985. No livro "Uma estrela chamada Senna" de Lemyr Martins está escrito: "...um generoso mecenas que, por modéstia e condição, impôs o anonimato eterno, ofereceu-se para pagar uma multa contratual de US$ 150 mil à Toleman. Senna estava livre para competir pela Lotus..."

Esse fato é um dos que mais me deixou curioso. Por mais que existam fatos obscuros em sua carreira de piloto, minha admiração e respeito por Ayrton Senna serão eternos, pois todos nós temos fatos meio obscuros a respeito de nossas vidas. Isso não diminui nosos méritos enquanto pessoas, será justo que fatos dessa natureza diminuiriam o mérito, os talentos e qualidade de um grande brasileiro como Ayrton Senna? Eu espero que não. Mas a curiosidade existe...

Um abraço à todos do GP Total!

José Paulo de Vicencio Junior, São Paulo


Luis!

Senna conquistou "apenas" 3 campeonatos, como vc disse, porque morreu no auge da carreira...

Não adianta vc teimar: onde já se viu dizer que Senna teria derrotas fragorosas para Schumacher?

Faça-me o favor, o Damon Hill que é o Damon Hill endureceu as coisas para o Schumacher.
Imagine o Senna!

Samuel Reuse, Curitiba

Samuel,

O esforço das viúvas de Senna para diminuir os méritos de outros pilotos seria comovente, se não fosse patético.

LAP


Que ano Senna fez um teste ou pilotou uma Porsche New Man. Aonde foi, porque, e vocês tem fotos???

Carvalho, Macaé

Olá Carvalho

Foi uma única corrida, em 15 de julho de 84, durante os 1000 km de Nurburgring, com o 956 da equipe Joest, uma das mais profissionais e competentes da categoria.

Senna disse que tinha curiosidade de ver como era um protótipo, recebeu o convite e o aceitou. Nem ele nem seus companheiros de equipe, o veteranéssimo Henry Pescarollo e Stefan Johansson, fizeram algo de notável, terminando em 8o. Não sei quem ganhou a corrida.

Role esta página para baixo e você verá ao menos uma foto de Senna ao volante do Porsche. Temos mais uma, que está no link logo abaixo da introdução desta página.

Abraços (EC)


Sobre o Senna

Por melhor que ele fosse, era inimigo do meu grande ídolo nas pistas, Nelson Piquet, e por isso mesmo, nunca consegui torcer para o cara. Mais do que o sucesso nas pistas, o que mais me irritava a seu respeito era a assessoria de imprensa descarada (Xuxa, Galvão Bueno, Seninha,as declarações de cunho religioso) e principalmente, o falso bom-mocismo fora das pistas, que encobria um estilo de pilotagem muitas vezes desleal dentro delas.

Edu Di Lascio, São Paulo


Sobre Ayrton Senna:

1) Esclarecer o fato sobre o boato que ele teria pago U$ 2 milhoes a um projetista da equipe Lotus em 1988 para que o projeto do caaro fosse feito errado. Resultado a Lotus de 1988, com Piquet ao volante, foi um dos piores carros da história de equipe.

2) Se no GP de Monaco em que Senna nateu sozinho na estrada do túnel, ficou comprovado que foi perca da pressa do peneu dianteiro esquerdo, ou falta de concetração

Paulo Henrique Vicente, Jundiaí


Caro Pandini,

em, resposta à sua resposta, é possível, mas se colocasse esta possibilidade em termos percentuais ela seria de 20% em respeito a capacidade técnica de Schumacher.

Explico meu raciocínio: mesmo para os que não gostam de Senna é impossível
não admitir que ele era infinitamente superior a Damon Hill e Jacques
Villeneuve e na disputa que Schumacher teve com ambos, nas mesmas condições
de equipamento que estas batalhas foram travadas, Senna teria 80% de chances
de ganhar o campeonato de 94 que Hill perdeu para Schumacher, e teria ganho
também os títulos que Hill e Villeneuve ganharam posteriormente.

Senna era um profissional de auto gabarito e capacidade técnica estava com apenas 33 anos em 94, poderia perfeitamente com sua preparação física e psicológica
correr até os 35, 36 anos. Quando visse que não daria mais, pararia, tinha
experiência, as manhas e segredos para ser vencedor, tinha o equipamento que
precisava para obter sucesso. Prove disso são os títulos de Hill e
Villeneuve ao qual Senna era superior, enquanto Schumacher era apenas um
iniciante que estava começando a se destacar, um osso duro de roer, mas um
iniciante.

Para quem havia enfrentado Prost, Mansell, Piquet e outros, não seria tão complicado enfrentar um iniciante como o Schumacher da época.

Um abraço.

Jeferson Loreto


Sobre a biografia de Senna... penso que falta contar melhor sobre aquelas 7 voltas de arrepiar no GP de Mônaco onde o Senna segurou o Mansell de todas as formas ...!

É isso, abraços

Gustavo, São Paulo


Sou fã de Ayrton Senna e Emerson Fittipaldi e sempre fui vidrado em automobilismo.

Penso que os anos de Senna-Prost, não foi a mais romântica da fórmula-1, como foi nos tempos de Jim Clark e Graham Hill e até mesmo do "Rato" que teve o privilégio de correr ao lado deste último e de tantas outras feras. Mas, sem dúvida foi a dupla que mais protagonizou duelos dentro e fora das pistas.

Admiro todos os grandes campeões que passaram pela Fórmula-1. Todos tiveram méritos, alguns se superaram e entraram para a história como Fangio, Jim Clark, Senna e o próprio Schumacher. É injusto fazer uma comparação entre Fangio, Schumacher, Senna ou Lauda, uma vez que ambos correram em épocas distintas, mas todos provaram ser os melhores em suas gerações.

Já assisti trechos das corridas de Emerson Fittipaldi em 72, ano de seu primeiro título e fiquei impressionado com sua rapidez, então compreendi que não era à toa que seu apelido no circo era "rato". Mas gostei de ver ele correr na fórmula Indy, onde provou mais uma vez que sua velocidade ainda era a mesma de 72. Seu título de 89 e a vitória nas 500 milhas ajudaram a abrir as portas da fórmula Indy para o mundo.

Só fico um pouco triste e apreensivo com os rumos que a fórmula-1 contemporânea periga tomar, envolvendo apenas jogo de interesses, às vezes, até desrespeitando os próprios pilotos que são os verdadeiros donos do espetáculo.

A técnologia não é tudo e prova disto é o legado que Fangio, Jim Clark, Emerson Fittipaldi, Graham Hill, Senna, Piquet e tantos outros nos deixaram. Para mim a Fórmula-1 e apaixonante, um desafio para o piloto que supera todos seus limites físicos e piscológicos.

Luiz Carlos Ribeiro Júnior, Ribeirão Preto -SP


Sobre a dúvida do nosso amigo Daniel Médici de São Paulo, a corrida foi em 93 e o vencedor foi o Alain Prost. Senna liderava mas o seu kart acabou quebrando.

Abraços

Caio Murillo Maioral, São Paulo


Ola amigos Panda e Edu!

Quanto ao especial sobre o Senna, me lembro que eu tinha um poster do Senna testando um F-Indy, se nao me falhe a memoria, era o do Emerson...

Acho que poderia ser escrito um capitulo a parte neste livro sobre isso... Tal como colher depoimentos do pessoal da Penske que acompanhou o treino. Acho que renderia boas historias...

Abracos


Rafael, Miami/USA


Pessoal,

muitos perguntam, quem é melhor Senna ou Schumacher, como um apaixonado por Fórmula 1 e a acompanho desde 84, portanto o início da carreira de Senna e atualmente a de Schumacher, digo sempre a quem pergunta isto, Ayrton teve de duelar contra grandes pilotos, já Schumacher, contra grandes carros.

Ayrton teve uns ossos duros de roer na carreira, portanto sim sempre procurou pilotar pelas grandes equipes, o que não é demérito algum pois Fangio utilizava a mesma tática (como na época de Fangio um piloto podia pilotar o carro do companheiro caso o seu quebrasse, Fangio talvez por opção da equipe que defendia, utilizou-se deste artifício algumas vezes), os adversários de Ayrton eram se me recordo bem, Prost (tetra-campeão mundial, claro que um título deste foi surrupiado de Ayrton, perguntem ao Ballestre), Piquet (tri-campeão mundial e um dos melhores da história), Mansell(Campeão mundial e logo após campeão da Cart (quando esta era forte e um campeonato mundial, com pilotos de nível)), fora outros grandes pilotos de qualidade da época como Berger (antes do acidente da tamburello) e Alesi (nos cascos e cheio de leite) que por correrem em uma época de "grandes" não tinham como se destacar, portanto correr com o melhor equipamento era vital para obter sucesso na época, quando Ayrton teve de pilotar para a McLaren com motor Ford de especificação anterior em 93 ainda sim conseguiu melhores resultados que Schumacher de Benetton e motor Ford de ultima especificação (mesmo caso da Sauber e os motores Ferrari que utiliza) e ainda deu um cansaço no Prost com o carro de outro mundo Willians com tudo eletrônico.

Quando Schumacher começou a se destacar, pegou um período de renovação na Fórmula 1 e um periodo que digo de "segundos pilotos", pois Senna havia morrido, Piquet e Prost se aposentado, Mansell estava fora, voltou com a McLaren após, mas nem de longe era o leão de antes, portanto Schumacher com seu talento excepcional teve esta ajuda do destino, como diz o ditado "Em terra de cegos quem tem um olho é Rei", portanto ao invés de ter de brigar com pilotos teve de brigar com os carros melhores das outras equipes, começou com a Williams que após o início horroroso do campeonato de 94 que inclusive acarretou a morte de Senna se recuperou, nesta fase teve de lutar contra Hill e Villeneuve, contra Hill o páreo foi um pouco melhor pois estava andando de Benetton no auge do seu desenvolvimento, contra Villeneuve a coisa foi mais feia, pois estava no seu primeiro ano de Ferrari e no início do desenvolvimento desta, após Villeneuve e Williams a rival passou a ser a McLaren e Mika Hakkinen.

Contra este o principal problema foi novamente a Ferrari em desenvolvimento no segundo ano de equipe e no terceiro ano com a Ferrari já mais forte o adversário foi uma perna quebrada em Silvertone e o caminho aberto a Hakkinen e a McLaren para o bi-campeonato mundial (Schumacher já poderia ser Hexa), nos anos seguintes até hoje o melhor carro foi sempre a Ferrari de Schumacher.

Acredito que "se", voltamos aos "se", não tivesse acontecido a tragédia de Imola, com certeza Ayrton teria ganho os dois títulos de Hill e Villeneuve e que não teria sido tão bobinho com Schumacher como foi Hill na disputa do título de 94, portanto contando apenas os títulos disputados pelos pilotos da Williams após a morte de Senna, resultado seis títulos mundiais e menos três para Schumacher, mas isto é "se".

O que difere na carreira destes gigantes e dois dos melhores de todos os tempos é a diferença de épocas e adversários que tiveram pela frente, Ayrton por necessidade tinha de correr com os melhores carros para enfrentar os melhores pilotos, Schumacher teve um tempo em sua carreira após conquistar dois títulos mundiais para ir a Ferrari e poder desenvolvê-la e torná-la o que é hoje e se consagrar como o piloto que a tirou do buraco e se tornar penta-campeão mundial com a possibilidade de mais títulos até sua aposentadoria.

O melhor seria termos tido um duelo dos dois melhores da história na pista, mas o destino não quis assim e Schumacher carregara para sempre na sua carreira este estigma de quem terá sido o melhor ele ou Senna e acredito que ele luta contra isto todos os dias de sua carreira, pode conquistar dez títulos mundiais, mas sempre terá a pessoa que dirá e se Ayrton Senna estivesse vivo, teria ganhado???

Um abraço a todos.

Loreto, Canoas - RS

Loreto,

só para apimentar a discussão e aproveitando a sua conclusão. Também é fácil inverter o raciocínio e pensar que, se Senna não tivesse morrido, teria sofrido derrotas fragorosas para Schumacher.

Abraços (LAP)


Aquela corrida do Japão que Ayrton deixou Berger ganhar, realmente não entendo, pois não era de sua personalidade tal presente... team orders, para ele!!, também dificil de engolir !!

Outra... como Ayrton não conseguiu em 93 da Ford a útima versão do motor que era fornecido a Benneton de Shummy, mesmo tendo melhores resultados que o alemão?

abraços

Eloy, São Paulo


Vi uma vez um vídeo sobre Senna em que um engenheiro (participante do episódio) confirmava que nosso querido ídolo ganhou de fato uma corrida sem usar os freios (não lembro se por necessidade ou ousadia).

O fato ocorreu numa destas categorias anteriores a F-1...

Isso é verdade mesmo ou só lenda?

Samuel Reuse, Curitiba-PR


Edu,

seguindo o especial Ayrton Senna, vi uma sugestão de 1 internauta que quer saber sobre os segundos pilotos de Senna. Entao ai vai:

- Toleman/1984: Johnny Ceccotto e Stefan Johansson - Ceccotto era um 2o. piloto que não incomodava Senna, que sempre largou das ultimas pposições e tal. Se encontrou de verdade nas corridas de longa duração, correndo em pareceria com Nelson Piquet inclusive e na DTM alemã. Johansson, como o Edu dizz, é um "cheque sem fundo". Mas na corrida que foi companheiro de Ayrton na Toleman (Portugal), fez uma ótima corrida, sempre entre os 8 primeiros. Foi uma carne de pescoço para Niki Lauda que tinha largado em 11o. e chegou em 2o., garantindo o título daquele ano. Porém nunca incomodou Senna.

- Lotus/1985: Elio de Angelis - Senna chega na Lotus e vê pela frente um piloto muito experiente (competia desde 1979 - Shadow), e no início do campeonato há um grande equilíbrio entre ambos no campeonato, com Elio chegando a liderar o campeonato na sua 1a. metade. Ele venceu o GP de San Marinoe sempre andou em evidência até a temporada "européia". Senna passou a se destacar mais, e fazer Elio comer poeira. Teve aquele episódio de Kyalami, que saíram no braço, nada mais. Elio deixou a equipe no fim do ano, se sentindo prejudicado pela equipe ao previlegiar Senna, e foi para a Brabham, no lugar de Nelson Piquet.


- Lotus/1986: Johnny Dumfries - Piloto contratado com o aval de Senna, pois sabia-se que este nao era pareo para disputas. Concorria-se a vaga na época Derek Warwick, que Senna vetou sua contratação. Dumfries foi pra lá de discreto no campeonato, e dispensado ao fim da temporada.

- Lotus/1987: Satoru Nakajima - Contratado por força da Honda, que então passou a equipar os motores da Lotus naquela época. Tão discreto quanto Dumfries, ganhou notoriedade pela TV, que fez testes de camera Onboard em seu carro em várias corridas naquele ano... e só!


- Mclaren/1988 e 1989: Alain Prost - Sem dúvida, Ayrton teve omo "companheiro" um dos 5 maiores pilotos de todos os tempos da F1, e que Ayrton teve muitas disputas, sendo que segundo ele, Prost era o piloto que impunhava respeito na pista. Senna ganhou 1 título (88) no braço e na categoria, pasando a ter respeito aumentado durante o campeonato, chegando a ter suspeitas que a Honda preparava um motor melhor para ele que Prost. Vira-se o ano, e em 1989, a sorte vira para o lado do francês. Senna teve vários problemas como Saidas de pista (Inglaterra), Quebras (Canada, EUA, Itália, França) e Acidentes (Japao, Brasil, Portugal). Pra piorar, desses GP's que citei, Prost ganhou na França, EUA, Itália e Inglaterra, além de chegar em 2o. no Brasil e em Portugal. 1989 significou o início da inimizade entre eles, no GP de San Marino, onde Prost alegou que Senna tinha quebrado um acordo, ao ultrapassa-lo após a 1a. curva antes da 1a. volta. E isso td culminou.. já sabemos neh... naquela maozinha francesa em Suzuka a favor do francês, que já foi muito comentada no site.

- McLaren/1990, 1991 e 1992: Gerhard Berger - Esse com certeza, o melhor companheiro de equipe que Senna já teve na F1, dentro e fora das pistas. Senna ganhou nesssa época 2 títulos mundiais (1990 e 1991) e deu uma corrida de presente para Berger (Japão/91). Em 1992, Berger venceu no Canadá e na Austrália, sendo discreto, nao podendo ajudar Ayrton na luta pelo título com Mansell, que tinha até então um carro de outra galáxia.


- McLaren/1993: Michael Andretti e Mika Hakkinen - No começo daquele ano, Michael vinha com a credencial de ser o campeão da Indycar 1 ano antes e ser filho do Super-Mario Andretti. Poém as coisas não correram bem para ele. Bateu no Brasil, em Donington e em Kyalami, fez pontos expressivos em Monza e logo após demitido do time. Ron Dennis sempre o cobrou muito por resultados, e Senna teve um relacionamento normal com Andretti, que chegou inclusive, a colocar o patrocínio da extinta K-Mart (rede de supermercados nos EUA) no aerofólio traseiro da McLaren Ford). Após a demissão, foi chamado Mika Hakkinen, então piloto de testes naquele ano e com um futuro promissor. No 1o. treino oficial largou na frente de Senna (em Portugal), e correu bem no Japao e Australia, provas que Senna venceu. Hakkinen, que prosseguiu na McLaren até o fim de sua carreira, teve na equipe 2 títulos mundiais, o desenvolvimento da Mercedes Benz no MP4, e a recuperação do terrível acidente nos treinos livres do GP da Australia de 1995, que ficou em coma.

- Williams/1994: Damon Hill - Hill, que já havia sido o 2o. piloto da Williams na época de Prost, foi "comportado" e "limitado" enquanto Senna esteve na equipe. Hill começou a mostrar as "asas" a partir do GP da Espanha, após o falecimento do nosso inesquecível campeão, que já tinha como companheiro de equipe David Coulthard.

No geral, o único companheiro de equipe que Senna se deu realmente bem, era Gerhard Berger, que ambos colecionam muitas histórias extra-pista.

Muito obrigado e um abraço!

Affonso Pazzini Junior, Santo André/SP


E ai Edu?

Segue aqui a transcrição da briga entre o Senna e o Irvine em 93, Tokyo. Abração!

Falam muito sobre o "encontro" entre o Ayrton Senna e o Eddie Irvine depois que acabou o GP do Japão de 1993. Abaixo, a transcrição do que aconteceu nesse evento:

A cena: Eddie Irvine sentado sozinho em uma mesa no stand dentro do box da Jordan. O Gerente comercial da Jordan, junto com Rubens Barichello e outras pessoas, na maioria membros da equipe, também estavam presentes. Suzuka 93 foi a primeira corrida de F1 na vida do Irvine e todos estavam vendo um tape do incidente entre Senna-Hill-Irvine.

De repente a porta abre e entra Ayrton Senna acompanhado por Norman Howell, diretor de comunicações da McLaren e Giorgio Ascanelli, o engenheiro chefe da equipe de mecânicos do Senna.

Senna procura pelo Irvine, pergunta onde ele está, pois ele não o vê ou nem mesmo reconhece o estreante. Eddie Irvine levanta a mão dizendo quem é, e o Senna vai até ele ...

Irvine : Aqui!

Senna : Que merda você pensou que você estava fazendo?

Irvine : Eu estava correndo!

Senna : Você acha que estava correndo? Voce conhece a regra que você deveria não negociar ultrapassagem para facilitar com que os líderes da prova passem um retardatário?

Irvine : Se você estivesse indo rápido o suficiente, não haveria tido problemas.

Senna : EU TE ULTRAPASSEI! E você saiu da pista na minha frente três vezes, no mesmo lugar, como um bosta dum idiota, bem onde tinha óleo. E você estava jogando brita e tudo que tinha de sujeira na pista na minha frente por três voltas! Quando eu te passei, você percebeu que era eu que estava atrás de você e agora na sua frente. E quando eu fui para trás do Hill, porque ele estava com pneus slick e tendo dificuldades, você deveria ter ficado atrás de mim. Você arriscou demais a todos e quase me tirou da corrida.

Irvine : Aonde foi que eu te pus em risco?

Senna : Você acha que não me pôs em risco?

Irvine : Eu por acaso encostei em você? Por acaso encostei uma vez que fosse?

Senna : Não, mas você ficou a dois dedos do meu carro, e eu era o porra do líder da prova. EU ERA O PORRA DO LÍDER DA PROVA!

Irvine : A miss is as good as a mile. (essa expressão é algo como "quase, não significa que aconteceu")

Senna : Te digo uma coisa. Se você não se comportar adequadamente na próxima corrida, você pode ir repensando sua profissão. Eu posso te garantir isso.

Irvine : Os comissários disseram "Sem problemas. Não houve nada de errado."

Senna : Ah, é? Espera só até a Australia. Espera até a Australia, quando os comissários vierem falar com você. Aí você me diz se eles vão te repetir essa frase.

Irvine : Olha, eu vou pra pista e faço o melhor para minha vida e minha carreira.

Senna : Não está certo! você QUER fazer o melhor. Eu entendo, porque eu também estive como estreante. Mas desse jeito isso é muito pouco profissional. Se você é um retardatário, porque aconteceu de já tomar uma volta ...

Irvine : Mas eu iria ter te seguido se você tivesse conseguido passar o Hill!

Senna : Você tem que deixar o lider passar ...

Irvine : Isso eu sei!

Senna : ... e não vir fazendo as coisas que fez. Você quase bateu no Hill na minha frente três vezes, porque EU VI, e eu poderia ter estampado os dois como resultado disso, e não é essa a maneira de se guiar.

Irvine : Mas eu estou competindo! Estou competindo! Só aconteceu de você ...

Senna : VOCÊ NÃO ESTÁ COMPETINDO! VOCÊ ESTÁ GUIANDO COMO UM BOSTA DUM IDIOTA. VOCÊ NÃO É PILOTO, VOCÊ É UM BOSTA DUM IDIOTA!

Irvine: É o que você diz. Você é que estava no lugar errado, na hora errada.

Senna : EU????? NO LUGAR E HORA ERRADOS?

Irvine : Sim. Eu estava disputando posição com o Hill.

Senna : É mesmo? É mesmo? Então me fala uma coisa: Quem deveria ter preferência? Você, ou o líder da prova que está te passando e te metendo uma volta?

Irvine : O líder da prova.

Senna : E o que foi que você fez?

Irvine : Você, você estava muito lento, e eu tinha que te passar para tentar chegar no Hill.

Senna : Verdade? E como te meti uma volta se eu estava muito lento?

Irvine : Chuva. Porque no seco você estava mais rápido que eu e no molhado não.

Senna : É mesmo? Então como foi que eu te passei no molhado?

Irvine : ?..ahn??

Senna : como foi que eu te passei no molhado?

Irvine : Eu não consigo me lembrar. Na verdade, não consigo me lembrar da corrida toda, mais.

Senna : Exatamente. Porque você não tem competência nenhuma nem mesmo prá lembrar. É isso aí, você sabe.

Irvine : É justo. É justo. É o que você pensa.

Senna : Você toma cuidado, cara.

Irvine : Eu tomo. Vou ficar esperto com você.

Senna : Você vai ter problemas não só comigo, mas com muitos outros caras, e também com a FIA.

Irvine : Ah é?

Senna : Pode ter certeza.

Irvine : Ah é? Bom.

Senna : É? É bom saber disso.

Irvine : Te vejo por aí, na pista.

Senna : Bom saber.

Irvine : Te vejo na pista ...

Aparentando ir embora, Senna volta e dá um soco no Irvine com sua mão esquerda. A porrada acerta na lateral direita da cabeça do Irvine. Irvine perde o equilíbrio e cai sobre a mesa. Senna continua berrando enquanto é puxado para fora da sala do box.

Irvine grita "Processo de segurança aqui! Vou te processar!"

Senna (saindo) replica "Você tem que aprender a respeitar quando você está errado!"

Thomas Visani, São Paulo


Olá companheiros do GPTotal.

Apesar de ter Senna como ídolo,depois de muito pensar e refletir,também encontrei alguns fatos que deixam evidentes alguns misterios sobre ele, aqui estão:

No livro "Uma estrela chamada Senna" do Lemir Martins, esta registrado no capítulo"Histórias Secretas" a assustadora história do japonês do numero 42, eis aqui pequenos trechos desse mistério:

Depois que Senna voltou do mundial de kart,continuou a vencer com o 42 (número de seu kart). No dia da conquista do paulista em 1976, um mecânico que nós só conheciamos pelo apelido de "Japa" aproximou-se dele e, num tom como depois me definiu como mistério e súplica, pediu que abandonasse o número 42.Ayrton que não se sentiu com coragem para retrucar.Ficou paralisado ouvindo o Japa justificar o motivo de tal apelo:

-O 42 é shi ni (shi é 4 e ni é 2), que em japonês, pronunciados juntos, formam a palavra "morte".
-Quando um japonês faz 41 anos, entra no yakudoshi,um periodo aziaco. Para safar-se da fase agourenta, o aniversariante precisa ganhar uma grande festa espontânea dos amigos e retribui-la com a mesma pompa quando completar 42 anos.

Em 28 de Abril de 2000, nos treinos da indy, no Rio, eu encontrei o Japa... Depois da corrida o Japa se mostrou novamente, e então fui rápido ao seu encontro. Posso ter me enganado, mas a impressão é que ele já esperava por mim.Gentilmente, começou a falar do assunto que eu trazia na cabeça e que ainda nem havia introduzido.

-Pena, mas o que aconteceu estava escrito-ele disse....

-Shi ni, é morte, ele disse

-Pois é, o Ayrton parou na 41 vitória,não chegou a 42.

-Não importa quem chegue a 41 vitória.Quando atingi-la, será com uma grande...- fez uma pausa.
Michael Schumacher que na altura, com 40 vitórias na carreira,há quatro corridas vivia uma inexplicavel fase ruim. Mas ele enfim alcançou a 41 vitória igual Senna e nessa data os tifosi lhe fizeram uma grande festa.

Naquele dia ouvi a voz mansa do Japa em meu ouvido: "Não importa de quem seja, será com grande tristeza". A vitória de Schumi foi triste pois nessa corrida um fiscal morreu atingido por destoços de um carro.

Quinze dias depois Schumy retribuiu a festa que os tifosi lhe deram com a 42 vitória nos EUA, depois sendo campeão.

Fabio Rodrigues, São Paulo


Edu,

Para informação do leitor Mário, de São Paulo, sobre o patrocínio do Ayrton Senna, na época do kart, se não me falha a memória, o patrocinador dele era a Gledson. Esse também foi o patrocinador do Nelson Piquet e do Alfredo Guaraná Menezes.

Abraços,

Fernando, São Paulo


Olá Edu

Li com atenção todas as opiniões expressadas pelos leitores e admiradores do GPTotal. Coisas novas sobre Senna nestas opiniões, nestes relatos fiquei a saber. Tudo o que li reforça ainda mais minha opinião sobre Senna.

Senna era um obstinado pela vitória. Como resultado de corrida, só admitia um: vencer. Cada corrida era única. Os treinos da sexta feira e do sábado eram passado. Agora, novamente sentado dentro de seu carro, aguardando a autorização de partida, o único resultado aceito é novamente chegar à frente de todos os outros que, assim como ele, ali estão com o desejo, com a vontade de ser o primeiro a receber a bandeirada de chegada, o símbolo do objetivo alcançado. Senna além do desejo, da vontade de vencer, sempre mostrou ter necessidade de vencer.

Talvez ai esteja uma das origens dos grandes campeões: o desejo, a vontade e antes de tudo a necessidade de vencer. A próxima corrida era um novo desafio, um novo limite a ser superado, um novo objetivo a ser conquistado.

Seria essa a razão de seu comportamento e de sua intolerância com quem viesse a lhe dificultar essa conquista?

Senna a meu modo de ver queria ser sempre o melhor, mais para si mesmo, do que para os outros. Isto pode explicar ter conquistado tantos amigos e igual número inimigos.

Qual o melhor: Senna ou Schumacher?

Fácil responder com paixão, mas nenhuma garantia de estar certo na resposta. Dois obstinados pela vitória, sem dúvida, por isto mesmo, dois super campeões. Senna já foi levado, Schumacher ainda está por aqui e, tudo indica, ainda pretende ficar por muito tempo.

Acho que Ayrton, ao ser levado, ensinou algo a Schumacher que entendeu, compreendeu e não esqueceu.

Um abraço.

Ingo Hofmann, Joinville


Caros amigos,

Sobre a série "O que falta saber sobre Senna", gostaria de acrescentar o seguinte.

Nelson Piquet disse, recentemente, que Senna só queria correr em carros bons. Essa é uma opinião que ele vem sustentando há bastante tempo, e eu, pessoalmente, concordo com ele.

Senão, vejamos: Senna parecia não ter muita paciência ou vontade de acertar um carro mais "difícil": quis sair da Lotus, menos de um ano depois de ter levado os motores Honda para lá, porque "só seria campeão na McLaren".

Na McLaren, quando viu os Williams ascenderem, cismou que queria correr para esta equipe, usando até frases desnecessárias, como quando disse que correria para eles até mesmo "de graça", e fez aquela confusão em 93.

Agora, se (sei, a velha história do "se..."), mas SE não houvesse acidente e sendo o Schumacher campeão com um humilde Benetton-Ford V8 contra os poderosos Williams-Renault, o que ele faria no final do ano? Iria dizer que queria correr pela Benetton "de graça" também? Afinal, a Williams de 94 se revelou um carro efetivamente ruim, pelo menos na primeira metade da temporada.

Acho esse, então, um ponto interessante para ser abordado.

Outro ponto é a personalidade de Senna, que eu, particularmente também, acho controversa.

Vetava companheiros de equipe, mas pôs a boca no trombone quando Prost fez isso em 93, na Williams; agrediu Schumacher e Irvine por "condução perigosa", mas atingiu propositadamente Prost no Japão/90. E se esse acidente, para mim injustificável, tivesse conseqüências mais sérias? Não venham dizer que ele "sabia o que estava fazendo": acidentes são imprevisíveis.

Essa a minha contribuição. Obrigado e parabéns pelo site! Estou na fila para comprar o livro!

Um abraço

Eduardo, Rio de Janeiro


Edu

Sobre o Senna, não tenho que refletir muito pois passei boa parte do tempo que dedico às corridas matutando sobre esse fenômeno.

Sei que você é do time do Piquet e reconheço que a ultrapassagem na Hungria que ele fez sobre o Ayrton, talvez seja uma das maiores demonstrações de coragem que já assisti, mas o diferencial é que Senna FAZIA MAIS QUE ISSO em todas as classificações, QUANDO SUPERAVA A ELE MESMO.

Note como são poucas as voltas mais rápidas dele em corridas, em comparação com outros pilotos. Acertado para a corrida um F1 jamais rendia como numa classificação. Ali, com pouca gasolina, enfim era ali, nos treinos que se podia apreciar, o MÁXIMO de performance de um carro e ninguém jamais conseguiu o que Senna fazia. Era de arrepiar.

Muitas vezes eu jurava que o cara ia se arrebentar, naqueles minutos finais de treino. E ele nunca errava. Fazendo uma comparação com um ato sexual, na minha opinião Ayrton gozava no sábado e não no domingo.

Aposto que o lado mais escondido dele era esse. Ele ganhava dele mesmo e sempre. As vitórias e campeonatos, recordes e etc, evidentemente lhe davam muito prazer, e ninguém tira da minha cabeça que ele queria ser penta campeão como Fangio, mas sucessivamente (aliás a sucessão é que determina quem é bi, tri, tetra, não é mesmo?)

Esse seria o primeiro ponto, na minha opinião. Conseguindo esse penta, viria o segundo mistério: Quando Ayrton iria se retirar das corridas? Eu penso que ele iria anunciar essa decisão na coletiva daquele dia do penta. Será? A segunda hipótese, infelizmente confirmada pelo destino, ele se arrebentar numa corrida. Porque para mim, ele jamais iria continuar correndo, quando, pela idade, já estivesse sem reflexos para acompanhar os mais moços. E nem se passaria para a Indy.

PS.: E para ser um verdadeiro sonho (meu) o penta seria a bordo de um Ferrari, naturalmente.

Alexandre, São Paulo


Na minha opinião Piquet não tem muito o que falar de Senna. Pra começar se o próprio Piquet fosse tão bom ele teria conquistado muito mais do que seus 3 campeonatos.

Será que a crítica dele maior é por que com certeza Senna chegaria facilmente a marca de Prost com 4 mundiais ou ate mesmo a do próprio Schumacher.

Seu filho quem sabe pode fazer melhor. Mas é esperar para ver.

Abraços

Francisco Gabriel M. da Silva, Goiânia

Se Senna fosse tão bom, também talvez tivesse conquistado muito mais do que "apenas" 3 campeonatos...

Abraços (LAP)


Olá Edu e amigos,

prosseguindo com a biografia Senna, tenho mais um tema a se abordar: "Corridas de Chuva". Irei abordar as corridas que Ayrton disputou debaixo d' agua, que foi sem dúvida, uma de suas marcas registradas:


- GP Monaco/1984: Ayrton larga em 13o., com sua Toleman no principado, e começa a partir de então dar um show. Pasou Niki Lauda, Rene Arnoux e cia. limitada, contando com tropeços dos adversários também, como Nigel Mansell. No momento que Ayrton se preparava para passar o líder Alain Prost, Senna sente pela 1a. vez a força da cartolagem na F1. A prova é interrompida e valem a metade dos pontos. O mundo fica indignado (torcedores e imprensa) com a atitude do diretor de prova (Jack Ickx), e exalta a grande atuação de Senna;

- GP Portugal/1985: A 1a. vitória! Ayrton fez o chamado "hat-trick", com pole, volta mais rápida (1'44"121) e a vitória, depois de 2 horas sobre forte chuva no Estoril. Ayrton fez uma prova perfeita, sem erros, e explorando toda sua capacidade de dirigir na chuva. O brasileiro em geral começa a mostrar a simpatia por Ayrton.

- GP Bélgica/1985: Ayrton novamente vence, fazendo também a pole, numa prova confusa, com acidentes e a condição climática se alternando, tendo no final pista seca.

- GP Inglaterra/1988: Senna dá um show em Silvastone! Larga na 2a. fila, atrás das 2 Ferrari (Berger e Alboreto), e vence de forma espetacular, sem dar chance para ninguém! Gugelmin fez também uma ótima prova e chegou em 4o. lugar, em sua temporada de estréia.

- GP Alemanha/1988: Quase como um repeteco da prova anterior, Senna dá outro show em Hockenheim, e vence de ponta a ponta.


- GP Australia/1989: O GP do "Aquaplay" foi muito confuso, pois caia uma chuva torrencial em Adelaide, e a drenagem era horrível da pista. Ayrton entra na traseira de Martin Brundle na 1a. metade da prova, e seu McLaren vira um triciclo. Era então uma época conturbada, após a "sacanagem" da FISA...

- GP Belgica/1989: Prova que Ayrton faz a pole, melhor volta e vence novamente. Principalmente no início, caia uma forte chuva sobre Spa, que causou muitos estragos, e varias largadas...

- GP Canada/1989: Ayrton infelizmente não teve a sorte necessária, já que a McLaren não tinha ido "bem" nesta prova. Prost abandona com problemas de suspensão e Senna, a 3 voltas do fim, quando liderava, com pane elétrica. Foi muita decepção para os brasileiros.

- GP Canada/1990: Numa prova confusa pelo chove-seca-chove-seca, Senna vence novamente, fazendo dobradinha com Piquet em 2o.. Esta foi a última vez que Ayrton protagonizou uma dobradinha brasileira no pódio.


- GP San Marino/1991: Corrida que começa com chuva e vexame da Ferrari, já que Prost rodara na volta e apresentação e abandonava o GP. Enquanto chovia, Riccardo Patrese seguia a frente de Senna, até que o motor Renault da Williams falhou e Senna assumiu a ponta, e com a pista secando, garantiu a posição até a bandeirada final.


- GP Australia/1991: Situação semelhante a de 2 anos atrás, com uma péssima drenagem de pista, e Ayrton vencendo uma prova que teve somente 13 voltas completadas, do total de 81. Muitas batidas e desencontros fizeram o GP.


- GP Brasil/1993: Esse GP foi inesquecível para todos nós! Senna, com um carro/motor bem inferior ao da concorrência, conta com esse fator divino para vencer a prova. Prost até antes da chuva, liderava, porém não soube administrar a condição e bateu em Christian Fittipaldi, na volta 33. Essa foi a 1a. vez em que o Safety Car entrou em ação na F1, desde que foi instituído, no GP da Inglaterra de 1992. Quando o SC saiu da pita, Senna, na subida do laranjinha passou Damon Hill numa manobra espetacular e quase mandou o autódromo abaixo, de alegria dos fanáticos torcedores em Interlagos. Após vencer, Senna para o carro na reta oposta, e fica literalmente nos "braços do povo". Uma cena que jamais deverá ser esquecida.

- GP Europa/1993: Com certeza, tivemos a 1a. volta mais espetacular da história da F1 até hoje. Senna larga em 5o., passa Schumacher, Wendliguer, Hill e Prost antes da passagem da 1a. volta, e domina a corrida em sua totalidade. Com certeza, uma corrida espetacular, realizada em 11 de abril de 1993, domingo de Páscoa.

Se for abrir uma estatística dessas 13 provas, de um total de 161 disputadas (8,07%), Senna venceu 10 corridas (77% do total), que mostra uma grande superioridade enquanto esteve na ativa.

Antes dele, pilotos como Jacky Ickx e Gilles Villeneuve eram aclamados pelo alto grau de habilidade na chuva. No momento atual, M. Schumacher, Montoya e Coulthard mostram que têm grande capacidade na chuva, porém convenhamos, os tempos são outros, e naquela época não tínhamos os aparatos eletrônicos que se tem hoje.

Portanto mais um ponto que Senna foi imbatível e inesquecível.

Um abraço,

Affonso Pazzini Junior, Santo André/SP


Interessante saber que existe alguém se propondo a escrever uma biografia completa sobre Ayrton Senna, e que o GPTotal está abrindo esse espaço para que as pessoas se manifestem.

Em primeiro lugar, espero que o livro, beneficiado pelo passar dos anos (que já diminuíram, mas não anularam, toda a comoção causada pela sua perda) tenha a isenção necessária a um relato biográfico de uma pessoa, e não aquela tendência a tratar o Senna como um super-homem, que aparece (moderada até, mas aparece) no livro do Edu.

É necessário, sim, explicar que o Senna, além de excepcional piloto, era um excepcional marqueteiro, e como isso aconteceu. Na minha opinião, ele deitou e rolou com o que eu chamo de "fenômeno da coitadização", que é o sentimento de inferioridade que o brasileiro tem diante do estrangeiro, e a supervalorização da vitória no esporte, que assume traços de desforra, vingança. A mídia contribui muito para isso, e tudo começou com o futebol.

Senna chegou à F1 e tratou de pôr lenha nessa fogueira. Não havia tanto auê até então, até porque a F1 estava, em 1985/86, apenas começando a ser esse grande mercado de capital e interesses comerciais que se tornou. Mas tratou de ser aquele personagem que o brasileiro adora em novelas, porque nem sempre reproduz (podendo estar, até mesmo na organização das instituições, mais próximo da malandragem do Piquet): bom menino, trabalhador ao extremo e implacável na perseguição de suas metas, disciplinado, jeito manso, religioso, educadíssimo, o genro que toda mãe gostaria de ter, e por aí vai.


E vencedor (apesar de que em seus três primeiros anos de F1 ele me lembra muito o Juan Pablo Montoya de hoje, muito rápido, mas trapalhão, sem tanta consistência no controle do carro até o final da corrida e com poucas vitórias perto do que se falava dele. Em 1988, ele passou a ter um carro que lhe dava sobras frente à oposição, e ficou mais sereno (embora Mônaco tenha sido uma bela rateada naquele ano). Ele não sabia perder)

Desde o começo (até antes de entrar na F1! a única vez que a Globo
transmitiu uma corrida de F3 ao vivo foi exatamente em 1983, quando o Senna iria ganhar o campeonato inglês!), ele foi muito ajudado por Galvão Bueno, personagem de muita importância na construção desse fenômeno.

A briga com Piquet foi sintomática disso: era óbvio que a mídia brasileira dava mais atenção, já em 1986, a Senna, um piloto mais jovem e então com menos resultados, do que a um tricampeão, então o piloto mais vencedor do automobilismo brasileiro. O fato é que só isso não contava: ser bem-relacionado com as pessoas certas poderia ser mais importante, até para se construir o momento certo. Para mim, o motivo principal de toda essa novela à parte foi o descontentamento, justo até, do Piquet com essa situação (contra a qual ele nada podia fazer, até porque não eram os resultados, que ele já tinha, que contavam), e com o fato de o público brasileiro (até hoje, por sinal) não lhe dar o merecido valor.

Ele contou com a sorte em momentos cruciais também: a imprensa européia diz, em uníssono, que Senna não venceria o GP de Mônaco de 1984, se a corrida não fosse interrompida e tivesse prosseguido como estava. O alemão Stefan Bellof, vindo do fundo do grid com uma pobre Tyrrell, estava virando muito mais rápido do que ele, à razão de segundos por volta.

Senna, mais do que ser cético com todo esse mito em torno da sua pessoa, se deixou levar. Aparentemente, acreditava que era um super-homem, que detonaria todos os recordes da F1 e que jamais seria superado, quando encerrasse a carreira com seus 40 anos, no auge, e iria curtir sua aposentadoria nos Estados Unidos, tornando-se o rei dos Indycars e ganhando várias 500 Milhas de Indianápolis.

E, nisso, nunca foi o bom menino do circo: mesmo tendo se tornado um paradigma a ponto de a Williams ter construído, com sucesso, um carro anti-Senna, conquistou muitas inimizades. Talvez nenhum outro piloto tenha feito tantos inimigos no circo como ele.

Esse sucesso de Senna foi benéfico para o circo, porque abriu as portas de um mercado de cerca de 160 milhões de consumidores e espectadores, que, em números absolutos, deve ser o maior da F1, desconsiderando-se a Europa unificada. Os países mais populosos do planeta, onde o grande capital deseja muito dominar, ignoravam a F1: China, Rússia, Estados Unidos, Índia...

Aí o destino fez sua parte: veio Michael Schumacher, que ingressou no circo de uma forma muito antipática e, mesmo tendo se esforçado durante todos esses anos para apagar um pouco as várias atitudes antipáticas que teve ao longo dos anos (e que comprovaram que essa obsessão pela vitória nem sempre decorrem da personalidade do ser humano que está ali trabalhando como piloto, mas sim da necessidade de sobreviver e vencer em um ambiente altamente cruel exatamente com o ser humano (tanto que esses pacientes de psiquiatra não costumam ser vistos pela CART, IRL e outras categorias), chegou como um baluarte e um chamariz do mercado alemão, não tão consumidor como o do Brasil mas um grande fornecedor e investidor, então em ascensão, o que seria interessante para um negócio que vive sempre no fio da meada.

Além da necessidade de reerguer a Ferrari, que é um mito global e muito maior do que Senna foi. Senna tinha 33 anos. O Davi alemão, de 24, chegou mais cedo para roubar o ramo de ouro, usando os termos do livro do Edu, mas talvez fosse meio cedo para os planos de Senna.

Acho que, mesmo que ganhasse o campeonato de 1994, Senna iniciaria uma trajetória decadente que era inconcebível ao seu mito, ao seu personagem e à sua pessoa.

Percebeu que estava chegando uma nova geração de pilotos para destroná-lo e que isso aconteceu muito rápido, a ponto de desestabilizá-lo, preocupado que estava em ocupar de novo um lugar na melhor equipe. E talvez fosse o momento de parar de correr, para evitar todo o desgaste da decadência, ainda mais no Brasil, que, talvez concentrando mais holofotes por quilômetro quadrado nos esportistas do que qualquer outro país, endeusa a vitória mas é implacável com a derrota.

Por isso mesmo, pensei por algum tempo que a morte de Senna tivesse sido uma farsa, já que ninguém viu o cadáver. Ele talvez tivesse escapado, e ido curtir a vida em alguma ilha distante, com outra identidade e deixado seu mito entrar na História glorificado para sempre.

Mas nem mesmo a F1 é tão divina assim. O destino se cumpriu mesmo e Senna, o homem que queria se confundir com seu próprio personagem e mito, se foi.


Então, escrevi toda essa bobagem (e me perdoe quem leu no site e achou demais, além das minhas viagens siderais) para pedir que, no livro, além da isenção, seja bem enfocado o fenômeno de marketing que Senna foi (e continua sendo).

É isso!


Alexei Michailowsky - BH


Gostaria de fazer uma pergunta para a seção dedicada a Ayrton Senna: Afinal de contas, foi o brasileiro que venceu a corrida de kart em Bercy? Como foi esse festival?

Daniel Médici, São Paulo

Não sei lhe responder; sei que Senna participou da corrida ao menos uma vez mas não lembro o ano e o resultado. Vamos aguardar pela ajuda dos leitores.

Abraços (EC)


Ayrton tinha como sua principal característica, a determinação. A sua vontade de vencer uma corrida, de ser o melhor, de ser o mais rápido, de bater recordes, de fazer bem feito, de ser perfeito em tudo, era uma obsessão. Detestava perder.

Por causa disso tudo, foi um vencedor nas pistas, nos esportes que praticou, nos exercícios que se propôs a fazer, na sua dedicação à família, à religião e ao seu misticismo. Por causa disso, também colecionou algumas inimizades, sofreu difamações, calúnias e injustiças. Atingindo não só a sua vida profissional, como também a particular. Incompreendido por alguns, idolatrado por outros, amado e principalmente respeitado por todos.

Já em 1985 no início da carreira, Michele Alboreto disse que Senna pilotava com a faca nos dentes. Pouco se importou com o comentário. Teve em 86 um desentendimento com Nigel Mansell, durante o GP da Bélgica, com o "leão" querendo briga nos boxes ao final da corrida. Em Suzuka 93 saiu no braço, com Eddie Irvine, após este o ter atrapalhado quando liderava a corrida e o irlandês disputava o 6º lugar com Hill. Chegou a ser punido com suspensão pelas "senhores da F1", após esse episódio. E Senna se sentiu injustiçado. Com Schumacher também se desentendeu após um treino em Hockenhein, com os ânimos sendo serenados, pela "turma do deixa disso".

Em todas essas situações, após refletir reconheceu ter exagerado nas atitudes. Mas o seu grande "inimigo/amigo" foi sem dúvida Alain Prost. Não admitia ser ultrapassado pelo francês de maneira alguma. Discutiu, dividiu perigosamente retas e curvas pelos autódromos do mundo, correndo pela mesma equipe ou não, mas tudo dentro de um certo respeito mútuo.

Também dividiram muitos pódiuns, mas mal se cumprimentavam, e comprometiam as comemorações, lá em cima. Decidiram campeonatos jogando os carros um contra o outro em duas oportunidades. Prost ganhou em 1989.

Mais uma vez se sentiu injustiçado, por achar que os dirigentes do automobilismo defendiam seu opositor.

Teve atritos sérios com Jean Marie Balestre dirigente máximo da FIA, ( também francês) que o ameaçou até com a interrupção de sua carreira. Senna não estava na lista de participantes para a temporada de 1990. Tudo contornado com interferência da Mc Laren, da Honda e patrocinadores.

E 364 dias depois da tumultuada decisão de 89, Senna ganhava o campeonato de 1990, dando o troco no francês. Varias tentativas de uma reaproximação entre os dois pilotos foi tentada, sem sucesso, por amigos comuns (que na F1 são raros) e jornalistas.

Certa vez em um programa na TV italiana, as vésperas de um GP de Monza chegaram a trocar um constrangedor aperto de mãos. Por uma daquelas coisas inexplicáveis da vida, começaram a se falar novamente no inicio do campeonato de 1994.

Prost disse certa vez, que conversou com Senna no sábado de treinos do GP de San Marino (motivados talvez pelos acidentes de Barrichello e Ratzenberger) e que sentiu que ambos teriam se falado mais ainda, se houvesse tempo. Ficaram com a impressão de que toda a turbulência dos anos anteriores tinha ficado para trás.

Não houve tempo para se saber o quanto isso seria verdadeiro.

Prost foi presença marcante nos funerais de Senna. Foi respeitado pelos torcedores brasileiros e pela família Senna. E prometeu que em homenagem a Senna não sentaria mais em um Formula 1.

O piloto Senna que brigava na pista, disputando posições nas corridas e tomadas de tempo, também brigava nas renovações de contratos, valorizava seus feitos, lutava pela categoria trazendo benefícios e o reconhecimento também para os outros corredores.

Tanto o piloto Senna como o homem Senna, tiveram erros e acertos. Porem sempre com hombridade, Senna reconheceu seus erros.

Poucos dias antes do triste GP de San Marino, em uma conversa com o jornalista Lemyr Martins sobre uma possível biografia autorizada, Senna disse: - Eu não posso falar ainda. Se contar coisas da minha vida profissional, posso provocar confusões no circo. Coisas de bastidores, negociações, armações de chefes de equipes e pilotos. A fogueira de vaidades que é a Formula 1. Nada disso vai trazer um resultado positivo. Vamos falar de outro assunto. E encerrou a conversa.

Pensamentos, idéias, planos, segredos, promessas...uma vida.

Coisas que foram interrompidas por aquele maldido muro da Tamburello num 1º de Maio em que alguém estava trabalhando para nos dar mais uma feliz manhã de domingo a que estávamos acostumado.

Ayrton era gênio. E aos gênios permitem-se certas coisas que seriam imperdoáveis aos outros simples mortais.

Principalmente, quando esse gênio se torna nosso único ídolo.

Romeu Nardini, São Paulo


Saudações Edu


Acredito que nada na vida de Senna foi mais obscuro do que a sua morte. Afinal de contas, o que aconteceu com a integridade das imagens que devem ter sido captadas pela camera de bordo e até onde Franck Williams pode estar envolvido no que pode ter acontecido?

Como o que eu acabei de escrever ja deve ter sido cogitado, gostaria que fosse jogada mais luz sobre o que moveu Senna na crise que aconteceu entre as temporadas de 89 e 90, chegando a ameaçar (não sei se seriamente) a sua participação nesta ultima. Afinal de contas, o que ele pretendia ao jogar o seu prestigio contra o presidente da FISA (Ballestre)?

Realmente não se bem como isso repercutiu no exterior, mas aqui no Brasil ele conseguiu (principalmente atravez de terceiros) criar a ilusão de que ele é que estava certo em Suzuka 89 e dar a impressão de que lhe haviam roubado o titulo, quando nos sabemos que ele perderia de qualquer jeito dado o seu resultado (ou falta de) no posterior GP da Australia. Sera que ele queria apenas disputar o campeonato de 90 em posição de força, ou havia algo mais? Realmente esses fatos não são tão obscuros quanto a sua tumultuada saida da Toleman ou a sua possivel ida para a Brabham mas, na minha opinião, carecem de explicação seria. Espero ter contribuido de alguma maneira.


Pablo Habibe Figueiredo, São Luis


Olá, Edu,


Assuntos a explorar para a biografia do Senna:

- a participacão de Ayrton em testes e corridas em outras categorias, como os 1000 Quilômetros de Nurburgring de 1984 em um Porsche 956 e seus testes na Penske da CART. (é verdade que o Senna fez uma prova de rallye?)

- detalhes (muitos detalhes!) sobre sua participacão em categorias inferiores, como a Fórmula Ford (então 1600 e 2000) e F-3.

- o famoso treino que Ayrton fez na Williams no inverno de 1983, a primeira vez em que ele testou um F-1;

- sua não-classificacão para o GP de San Marino de 1984, quando ele não conseguiu um lugar no grid (a única vez em que isto ocorreu);

- sua não-participacão no GP da Itália de 1984 - punido pela equipe Toleman por estar em negociacões com outras equipes com vistas à temporada de 1985;

- a amarga negociacão com a McLaren em 1993 - em que Ayrton conseguiu o impossível: dobrar Ron Dennis. Mas Ayrton era um homem acostumado ao impossível...

- sua admiracão por Juan Manuel Fangio e os encontros entre estes dois gênios.

- seu relacionamento com Nuno Cobra, em minha opinião seu melhor amigo.

- seu papel na reforma do autódromo de Interlagos no verão de 1989/1990 e sua preocupacão em manter o tracado original do circuito viável para o automobilismo.

- o veto de Senna à contratacão de Derek Warwick pela Lotus, que fez a equipe inglesa optar por Johnnie Dumfries como segundo piloto.

- o casamento e o divórcio de Ayrton Senna. Ayrton casou-se cedo (em torno dos 20 anos), divorciou-se cerca de dois anos depois, e sempre foi muito reservado com relacão a este assunto. Como também sou expatriado, este assunto me parece interessante, pois creio que ele se casou procurando estabilidade emocional para melhor se adaptar à vida fora do Brasil, e pouco além disso. A maioria dos fãs nem sabe que o Ayrton foi casado, e se você parar alguém na rua e perguntar quem era a mulher do Ayrton, garanto que quase todo mundo responderá "Adriane Galisteu"...

Apenas algumas idéias...

Lamento ainda a falta de cês cedilhas!

Abracos, mantenha contato (espero que nos encontremos em um circuito
um dia)

Muzza, EUA


Vou me concentrar apenas nas coisas da carreira do Senna:

1- o cancelamento do contrato com o BANERJ quando ele foi para a Toleman, deixando o banco na mão. Isto foi armação daquele manager brasileiro, o Botelho?

2- o fato dele ser sócio do tal advogado de Londres no contrato do Jacques
Villenueve

3- os vetos a vários colegas de equipe

4- o fato dele ter a Honda na mão e levar (forçar ?) os motores dos japoneses para a McLaren

5- ele ter discutido o salário com o Ron Dennis (ele queria 20 milhas e o Ron 5; acertaram no cara-ou-coroa e o Ayrton perdeu).

6- o fato dele ter ganho uma McLaren do Ron também na moedinha.

7 - dizer para o Ron não investir em técnicos e pagar mais salário para ele; o Ron prometeu nunca mais cair nessa. Lembre-se das campanhas de 92 e 93.

8 - o veto do Patrick Head na sua ida para a Williams em 93

9 - correr sem contrato em 93, recebendo por corrida; o pagamento era feito no paddock (via transferencia eletrônica). Acho que 8 e 9 estão ligados.

10 - o acidente em treinos privados em Hockenhein em 88 ou 89, por quebra do
aerofolio traseiro, quando ele capotou 7 vezes e houve muita pressão da familia para deixar de correr.

11 - o famoso treino em Monza, quando a Ferrari tinha as duas primeiras posições com o Mansell e o Prost, e ele jogou a barata no chão e arregaçou o carro. O Agnelli tava tomando champagne e mandou o copo longe, falando um palavrão. Dizem que nesse treino o Ron ajoelhou na pista em agradecimento.

(10 e 11 o Edgard Mello Filho sabe bem.)

12 - o famoso treino em Monaco quando ele entrou em alfa e quase passou para a outra.

Victor, São Paulo


Olá Edu.

A meu modo de ver, sobre Senna, não se explorou muito sua vida de cidadão
comum, não se sabe muito sobre como vivia o simples mortal Ayrton Senna.
Parece que sabe-se muito sobre o piloto Ayrton Senna mas, pouco sobre o
homem Ayrton Senna. Talvez fosse o caso de esmiuçar-se mais o aspecto
religioso e espiritual de Ayrton. Neste campo acredito possa haver algo que
poucos saibam. Senna sempre me pareceu diferente, neste aspecto, dos demais
pilotos.

Dê uma olhada em videos de sua última corrida. Há um momento de Senna na
garagem da Williams e outro já dentro do carro alinhado para a largada.
Observe a expressão de Senna naquelas imagens. Tem-se a impressão de que
estava sabendo ou adivinhando o que estava por acontecer.

Gostaria muito de poder ajudar mais......

Abraços

Ingo Hofmann, Joinville


Caro Edu,

imagino que te interesse minha opinião enquanto fã de Ayrton e possível leitor do seu amigo. Bem, existem milhares de livros publicados sobre a vida de Senna. Creio que possa dividi-la em quatro esferas:

- A vida pessoal;

- A carreira;

- O empresário;

- A filantropia.

Sobre a vida pessoal do Beco, encontra-se desde o livro do seu amigo Francisco Santos O que faltava saber até O caminho das Borboletas (Deus me livre!) de Adriane Galisteu. Depois do livro dela, não cabe mais escrever muito sobre a vida particular de Ayrton em seu último ano de vida.

Penso que poderia ser dada uma ênfase maior ao momento de decisão vivido por Senna, quando aos vinte anos viu seu casamento acabar, abandonou os negócios do pai e voltou para a Inglaterra arriscando ser mais um a não vingar. Que peso essa escolha teve sobre seu desempenho tão decidido? Quantos pilotos naquela idade já tinham vivido tantas coisas? Seria interessante tentar investigar também o tal dossiê sobre Adriane, supostamente em poder de Leonardo no Gp de Ímola.

Gostaria de ler também um pouco mais sobre as dificuldades que Ayrton enfrentou para tirar os brevês. O livro do Lemyr traz cópias desses documentos, mas eu bem sei que a coisa não é tão simples de ser obtida (tenho um irmão que é piloto). Não sei por que esse assunto nunca interessou muito a ninguém. São muitos os fãs de automobilismo que se interessam (como nosso amigo Edgard Mello Filho e a maioria dos pilotos) por aviação.

Sobre a carreira de Ayrton como piloto, que é o que mais me interessa, restam poucas nuvens. Em recente discussão com o Panda, ele questionou a dimensão das negociações de Senna com a Honda. Sabendo da implicância do nosso amigo, dei um desconto, mas talvez ainda reste alguma dúvida sobre o assunto.

Tem a tal corrida em alguma categoria de base vencida sem os freios. Seria bom dissipar as dúvidas que restam sobre o que realmente aconteceu, uma vez que este foi um feito impressionante. (Sabemos que o Lemyr romantiza um pouco as coisas, como dizer que aos 6’236 milésimos – não lembro o número que ele deu – da décima volta Mansell passou reto...)

Além disso, tem a corrida em 84 na reinauguração de Nurburgring com os Mercedes 190. É outro episódio que me parece muito pouco explorado. Pô, o cara bateu ninguém menos que Lauda – o campeão daquele ano, Prost e tantos outros em igualdade de condições! Dizem que os pilotos não levaram a competição a sério, mas quer saber, Senna e Schumacher, mesmo no auge da glória, sempre correram para vencer. E cá entre nós, se Prost tivesse vencido ninguém diria isso. Houve também um episódio, se não me engano na Alemanha em 92 em alguma sessão de treino, em que Senna parou sua McLaren para ajudar no socorro a um piloto acidentado.

Sobre o Senna empresário, sei apenas que era tão feroz e ágil quanto o Senna piloto. Talvez uma pesquisa mais detalhada revele algum episódio interessante.

E sobre seu lado filantrópico, por sua própria vontade os fatos foram em grande parte preservados. Tudo que se consiga descobrir nesse sentido é interessante e válido.

Adorei poder dar minha opinião. Um sincero abraço, e boa sorte ao seu amigo.

Márcio Madeira da Cunha, Nova Friburgo


Edu, buenas!

Senna? De obscuro? Assim, de imediato? Não me ocorre nada.

Acho que as oitenta e tantas entrevistas que o cara fez com gente da pesada vão nos dar um belo livro. Eu só gostaria de esgotar o assunto sobre as conversas dele com a Ferrari. Só isso!

Mas, se eu esbarrasse com ele antes da Tamburello, perguntaria duas coisas:

Um: o que realmente aconteu naquele GP de Monaco, quando você tinha duas horas e vinte minutos de vantagem para o segundo colocado? Por que bateu? Bateu por que? Nenhum carro por perto, nada lhe atrapalhou, nenhuma gaivota bateu na sua viseira, então por que? Não vale dizer que "deu um branco"!

Dois: (uma curiosidade menor): qual foi a influencia dêle sobre o novo (atual) traçado de Interlagos?

Aliás, como eu acho o livro não vai falar disto, bem que o GPTotal poderia investigar o assunto, com calma e chegar nos "culpados": quem projetou, quem aprovou, quem era contra e quem isso e aquilo.

Abraços e bom fim de semana!

Manuel, Santos


Olá Eduardo

Nunca fui fã de carteirinha de Senna. Porém, acompanhei sua trajetória completa na F1. Como aficcionado por automobilismo, era impossível não "trombar" com ele em jornais, revistas, rádio ou tv quase que diariamente. Estou considerando como pontos obscuros aqueles que geram polêmicas, dúvidas e são pouco aprofundados. De bate e pronto lembro de 4.

1. A vitória de Senna no GP Brasil de 91.

Creio que o GP Brasil de 91, vencido por Senna "apenas com a 6a marcha", seja
sua corrida em casa de longe mais polêmica. Ainda hoje, há uma divisão entre os
que acreditam nisso e os que simplesmente consideram o feito impossível e
exagerado. Eu particularmente considero totalmente inviável da forma como
divulgam o acontecimento. Apesar do Bob Sharp ter respondido que era
perfeitamente possível e do Tite ter comentado o mesmo, sem querer parecer
presunçoso, isso não me entra na cabeça. Guiar um carro de F1 sem prejuízos
enormes de tempo, em Interlagos apenas com a 6a marcha é algo sem fundamento num habitat de máquinas que andam cada vez mais no limite, onde pequenos erros causam prejuízos enormes de performance. Não apenas em retomadas, mas em frenagens, o desempenho é totalmente comprometido.

Lembro que o Tite afirmou que isso era possível em motos. Lembro que motos 2 tempos não utilizam freio motor como em um F1. E o Bob Sharp lembra de corridas antigas em q ficou apenas com 2 marchas e venceu. Porém, a pista era outra (predominatemente mais rápida) e o carro era outro, com escalonamento para apenas 4 marchas. Enfim, haveria espaço para polêmicas sem fim sobre esse assunto.

Creio que houve uma supervalorização nessa história. Assim como há uma desvaloriação exagerada quando a pessoa é descrente. No fim das contas a vitória aconteceu e nada deveria tirar seu valor.

Essa polêmica tranformou-se em sombra de dúvida sobre uma vitória indiscutível.

2. Senna como fenômeno de marketing

Acho que Senna foi um dos instrumentos de marketing mais fortes no Brasil do fim dos anos 80 e início dos 90. Suas vitórias eram trasnformadas em quase lendas.

Sempre heróicas e cheias de dificuldades. Na minha opinião, Senna foi um piloto
fora de série que ganhou muitas corridas com carros igualmente fora de série.
Trata-se de um dos melhores de todos os tempos. Mas sempre achei que existiu
exagero no que se refere aos feitos do piloto. Um ponto que acho muito
importante é analisar as razões para se mitificar esse esportista de destaque.

Seria para aumentar a audiência de TV? Amplificar resultados de patrociandores? Interesses políticos?

3. Sábado, 30/04/1994

Pouco se fala sobre esse dia.

Todos sabem que foi o dia da morte do austríaco Roland Ratzenberger. Creio que foi o dia que marcaria o início do fim. Muito se especula sobre quantos títulos Senna ganharia, quantas corridas mais, quantas poles, quantas vezes bateria o alemão. Eu creio que após esse dia, se o destino não tivesse sido justo com ele, Senna nunca mais seria o mesmo dentro das pistas. Eu me lembro de entrevistas de Senna falando sobre o medo, morte e principalmente, limite. Limite foi uma retórica constante que Senna utilizava.

Sempre tive a nítida impressão que Senna era o piloto mais temerário a morte que os demais. Ele dava importância demasiada a morte, apesar de repetir que sua busca ao limite envolvia o medo e temor, mas que nunca isso o afetara.

E naquele 30/04/94, Senna viu a morte de perto pela 1a vez nas pistas. Ao parar
com seu carro na curva Tosa, logo após a Villeneuve, Senna deparou-se com o Dr. Syd Watkins e o ajudou a tentar salvar em vão o novato Roland.

Naquele momento, o piloto viu que sua retórica de limite não valia na realidade. O austríaco não tinha ultrapassado limite algum. E estava morto, instantaneamente.

Outra morte na F1 no período em que Senna correu, somente no distante 1986, em testes privativos em Le Castelet, sendo a vítima seu desafeto Elio De Angelis. Senna ainda era um newcomer. Em 94, as coisas eram diferentes. O peso da experiência era muito maior e aquele golpe do destino, Senna não assimilou. A morte finalmente era real e poderia aparecer a qualquer momento. E pior sem ultrapassar limite algum. Podia ser, ao se quebrar uma coluna de direção, por exemplo.

Nesse sábado, acredito que tudo isso passou por sua cabeça. Sentiu-se vulnerável, mortal, e chorou.

Diferente do que principalmente os fãs afirmam, acredito que Senna não
conseguiria bater sistematicamente Schumacher. Acredito que o pedal da direita
ia ficar cada vez mais duro e que a trajetória descendente seria imediata.
Acredito ainda que o fim na Tamburello foi justo. Alguém achou por bem levar o
piloto mais temeroso e que mais buscou a morte, quando ainda estava no auge.

Abraço

Claudio Habara, São Paulo - SP


Caro Edu,

Não sei se conseguirei responder exatamente a sua pergunta mas vamos lá:

acho que um dos pontos mais obscuros da vida de Senna foi o fato de ele ser um piloto que constantemente criava confusões com os outros, apesar de muitas pessoas não saberem disso e outras simplesmente se negarem a acreditar.

Posso até estar equivocado, porém, ao contrário de Piquet, Senna aparentava ser uma pessoa calma, mas talvez seu grande problema foi sempre achar que estava certo e disfarçar essa sua faceta.

De cabeça, lembro de ele ter brigado com Elio de Angelis no GP da África do Sul de 1985 e com Irvine no GP do Japão de 1993. Acho que Senna fazia questão de levar muito a sério algo inútil que todos esperavam que podia acontecer em uma corrida. Senna parecia ter uma obsessão tão grande pelas provas que não admitia em hipótese nenhuma que alguém mais lento o atrapalhasse. Parecia não ser racional o suficiente a ponto de entender que essas coisas poderiam acontecer a qualquer hora. E muitas vezes, por causa disso, criava discussões tolas e sem sentidos com pilotos que, tecnicamente, eram inferiores a ele.

Senna era muito melhor, então por que a necessidade de se discutir com quem nunca chegou perto do que ele era capaz? Também acho que Senna morreu com a mágoa de nunca ter batido na pista claramente Nélson Piquet, seu grande desafeto desde que Senna procurou Piquet naquele trágico GP da Bélgica de 1982, embora ele tivesse poucas oportunidades para isso.

Espero que eu tenha ajudado em alguma coisa

Abraços

William Lopes Machado, Brasília-DF


Olá Edu,

Quando procuro algum ponto obscuro na vida do Senna só posso achar em sua
vida pessoal. A sua vida profissional é praticamente um livro aberto podendo
cada passo ser acompanhado cronológicamente.

Ao contrário, a sua via pessoal foi muito bem bem preservada, assim se existem pontos obscuros pertencem a este lado da sua vida, que acredito em nada acrecentaria em sua imagem, ficando tudo no campo da fofoca. Depois desta lição de moral vamos às fofocas, afinal um veneninho iconoclasta vai bem de vez em quando.

- Do encontro histórico Senna-Fangio nada do teor das conversas foram
reveladas ao mundo, apenas que eles combinaram entre si que poderiam
divulgar o que foi conversado. Será que eles não fizeram um comentario
pessoal a alguém próximo ?

- O ano de 1993 foi bem atípico, com aquela história de contrato corrida a
corrida, especulações da sua ida à Cart. Realmente ele pensou sériamente em
entrar na Cart ?

- No últimos anos o relacionamento pessoal com o jornalista Reginaldo Leme
ficou deteriorádo. Qual seria o motivo da mágoa ?

- O Senna conhecia pessoalmente o Milton Nascimento ? Eram amigos ? Existe
uma música que o Milton compôs para o Senna ?

[]'s

Olavo, São Paulo


 

Edu

Lendo sua coluna, comecei a viajar no tempo e a lembrar quais pontos da carreira de Senna, mais me despertam curiosidades.

Vários são os episódios que me visitam como por exemplo alguns traços do maquiavelismo de sua personalidade (que o sucesso embotou dos olhos do público) desde os tempos do " Tche" no Kart, passando pela Europa e chegando a F1, suas variações de percepção de Prost durante os tempos de Mclaren e etc.

Porém o que chega a mente, são seus últimos meses de vida, onde ele certamente estaria vivendo seu mais forte momento de pressão.
Um Semi-Deus, tricampeão, unanimidade planetária, predestinado a evaporar todos os recordes de um esporte que por sua essência é para poucos, e de repente se vê desafiado a empurrar mais para frente a inexorável roda do tempo.

Ele fez sua escolha, guiar o melhor carro daquele momento, emprestar seu talento para ampliar ainda mais sua lendária trajetória, e o que se deu, foram momentos de muita apreensão, superação e frustrações.

Edu, os primeiros quatro meses de 94 devem ter sido de "arrepiar" dentro da Williams. Me lembro de uma cena (aliás para mim é uma das mais emblemáticas) onde estavam Senna, Frank Willianns, Patrick Head e mais uns dois diretores, na parte interna dos box, e o velho Frank tomava uma sopa enquanto Senna de cócoras as seu lado, falava em tom de desabafo e súplica, estava visivelmente transtornado.

Não dava para saber o que falavam, mais dadas as 2 primeiras corridas, e a pressão de Schumacher, deveria tratar-se de descobrir onde estava o "botão mágico" que os tirariam daquela situação.

Bom meu caro Edu, respondendo a sua solicitação, se há uma fase da carreira de Senna que (em minha opinião) não foi suficientemente conhecida, ela é, dos seus últimos meses de vida.

Foi bom começar o dia com estas lembranças.

Um forte abraço

Martin, São Paulo


Olá Edu, td bom?

Vou citar aqui alguns pontos ou fatos obscuros sobre a carreira de Ayrton Senna na F1.

GP de Mônaco/1988: Senna liderava com folga (vantagem de quase 1 minuto para Alain Prost), quando há 10 voltas do final, perde a concentração e bate na curva de acesso ao túnel. Sai da corrida, mas por um erro dele, e não falha mecânica. Este foi um fato, que se ele pudesse de arrepender, e administrar mais a vantagem do que descer a bota, ele se arrependeria. Mas nunca deu o braço a torcer.

GP da Espanha/1991: Em prova que poderia decidir o campeonato daquele ano, o circuito da Catalunya sediou pela 1a. vez um GP de F1. E ali, uma "presepada" do nosso Ayrton. Em vez de ir em 1o. e decidir a parada, deixou Gerhard Berger se soltar na liderança, e atrás de Ayrton, tinhamos Mansell e M. Schumacher. Na minha opinião, Berger é quem deveria segurar a galera, e deixar Ayrton lá na frente.

A pressão que Mansell fazia em Senna pelo 2o. lugar era muito grande, tanto é que Mansell chegou a passar Ayrton na reta
principal antes da parada nos boxes. Nos pits, as situações se inverteram, com Senna ganhando no boxe a posição de Mansell. Porém a pressão continuou. Até que Senna rodou na curva "LaCaixa" (a última do autódromo) e caiu para o 7o. lugar. Mansell ganhou a corrida e Ayrton ainda chegou em quinto, por causa dos abandonos de Berger e uma saída de pista de M. Schumacher.

Creio eu que se Senna tivesse na frente e deixasse Berger de escudo, a tática daria certo e Senna poderia chegar na frente de Mansell e garantir por antecipação seu 3o. título mundial.

GP da África do Sul/1985: A corrida de Ayron na Lotus-Renault em Kyalami não teve vida longa, mas enquanto durou (com problemas de rendimento) foi uma dor de cabeça para seu companheiro de equipe Elio de Angelis, que estava se despedindo da equipe, por causa de Senna. Nas poucas voltas que esteve na pista, Senna não deixava seu companheiro de equipe (que estava com um carro muito melhor que Senna) passar, e naquela altura, o campeonato já estava decidido, com 2 equipes francesas (Ligier e Renault) não participando daquele GP por questões políticas.

Ao final do GP, De Angelis e Senna se "socaram", por causa da fúria do italiano, inconformado. A presepada de Senna nesse caso foi não ter aberto caminho para seu companheiro de equipe, com um carro em condições mecânicas melhores, e que poderia até lutar pela vitória.

Mas, em termos de falhas, Ayrton um piloto que nunca admitiu absolutamente nada, e não gostava quando alguém fazia esses comentários.

Lembro-me bem quando o Galvão Bueno, num programa sobre a morte de Ayrton, há 9 anos, disse isso. Quando falavam de algumas peripécias que Ayrton fazia, ele parecia um menino "mimado" que soltava um sorriso de orelha a orelha e sempre querendo ouvir mais.

Um outro fato que foi um tanto obscuro, mas deu um título mundial a Senna, foi o GP do Japão de 1990. Senna largou na pole, mas Prost (que tinha que vencer a todo custo) foi melhor na arrancada, e iria fazer a 1a. curva na frente, até que...... Senna corta a lateral da Ferrari do francês e ambos param na caixa de brita. Esse foi o troco da "roubalheira de 1989", onde a FISA deu o título para Prost (fato já comentado no site anteriormente).

Eu, como grande admirador de Senna, sempre o analisei muito bem, mas é muito difícil achar erros deste piloto. Pois sempre foi um perfeccionista, exigiu o máximo de si e de seu equipamento, com muitas vezes sendo "nocauteado" fisicamente, como no GP do Brasil de 1991 e no GP da África do Sul de 1984.

Bom, por enquanto é o que lembro... Se quiser, traduzo todas essas sugestões para você!

Um abraço,

Affonso, Santo André


Caro Eduardo,

Sou ex-engenheiro de telemetria da Minardi e atuei durante os anos de 88 a 92 na F1 baseado em Faenza, na Itália sede da Minardi.

Obviamente vivemos todo esse áureo período do Ayrton durante GPs, testes, treinos etc. Como muitas vezes a Minardi dividia hotel com a McLaren na época, temos muitas passagens juntos

Ainda em 91 desenvolvi um programa técnico com a Embraer e que tentamos realizar até 93 quando saí da F1. O Ayrton muito me ajudou e incentivou, aliás nunca fomos amigos mas sempre tivemos amizade um pelo outro e ele sempre nos deu grande apoio e força durante esses anos na F1. Ele foi na sua única visita à Embraer comigo para ver o programa técnico e conhecer a fábrica, o Leo estava junto, fomos de helicóptero com ele ao comando.

Neste experiência de vida pude observar a força viva do ídolo. Chegamos à 1h20 e somente a diretoria sabia da visita, tanto que a imprensa não foi avisada a pedido do Ayrton, e às 3h da tarde ao passarmos pelos vários departamentos a fábrica foi parando e na nossa saída havia uns 2000 operários, técnicos , engenheiros secretárias etc em volta do helicóptero.

Está tudo registrado no jornal interno da Embraer chamado Bandeirante, pois a única imprensa ali era a assessora de imprensa da Embraer que fez fotos e a matéria.

Esta e outras histórias estão nas colunas que escrevo no site pitstop.com.br e se interessarem posso esclarecer e aprofundar.

Abraço e sucesso

Octavio Guazzelli, São Paulo


Edu,

Obrigado pela oportunidade, talvez minha opinião não ajude muito. Quando o assunto é o Senna sou muito rigoroso, na verdade acho tudo obscuro na vida de Senna, tudo um pouco superficial, e para ser mais rigoroso ainda, tudo meio programado. A vida de Senna me interessa muito pouco por esses motivos. Diferente do lado profissional da coisa.

Sou fã de Piquet, mas respeito demais Senna, era realmente um piloto
excepcional, empolgante, dia desses estava vendo uma largada que tenho gravada de Spa em 97, entre Piquet e Mansel, é incrível, mas é difícil separar a parte pessoal da profissional dos protagonistas desse esporte que adoramos e a pessoal do Ayrton sempre me decepciona.

Até hoje os livros sobre Senna que mais me interessam são - Guerreiro de Aquário e Herói da Mídia, com títulos sugestivos,
mas não li ainda, também fujo um pouco do Lemyr Martins, gosto
mesmo é do Zamponi e do GPTotal é claro.

Voltando ao assunto, claro que eu adorava a volta com a bandeira em
punho, mas às vezes nem sabia se era sincero; adorava quando ele dizia que fazia pelo povo brasileiro, mas as vezes penso que ele não
tinha coragem de dizer que na verdade era para ele.

Até hoje me pergunto porque morrem pessoas como Ayrton Senna, até fui no velório da assembléia legislativa, acho que era remorso por ter sempre sido um crítico tão feroz. Gostaria muito de mudar minha visão sobre Senna, dia desses ouvi dizer que no GP de San Marino 94, ele pediu uma bandeira da Áustria para homenagear Ratzenberger, achei bem legal, mas já veio a dúvida das intenções novamente.

Talvez Edu, eu não goste de Senna porque de certa forma na minha cabeça, ele representou um pouco o fim da carreira de Piquet, dividiu as atenções etc. Acredite, nasci em 75 e entre 81 e 83, já falava que queria ser Piquet, em 87 colecionei todas as revistas Grid e só tinha 12 anos, não perdia nada, aos 14 xingava até a mãe de Colin Chapman por conta daquela Lotus maldita, aos 16 só queria usar roupas Benetton. E também porque sei que nesse esporte nenhum bonzinho pode ser tri-campeão, logo não acredito que Senna possa ser uma fera nas pistas e o pacato, justo e bondoso cidadão que
pintam fora delas.

Chega de enrolar, desculpe, imagino que seja bastante ocupado.

Edu talvez o que deveria ser clareado sobre Senna é a influência dele
nas redações dos grandes jornais e meios de comunicação do Brasil.

Certa vez Flávio Prado, naqueles programas Cartão Verde após o Gp Brasil com participações do Piquet , declarou que Senna não era tão bonzinho e tinha decidido carreiras de colegas dele na Folha de SP por terem criticado demais. Tenho certeza que o Flávio Prado confirmaria isso. Enfim esclarecer todo o trabalho de marketing que cuidou da imagem do homem e do piloto que virou herói e mito com a sua morte. Convenhamos se apelarmos para o romantismo, o cara morreu no campo de batalhas, guerreando, com milhares de fãs assistindo, AO VIVO, é um caso raro na humanidade cultuadora da qual fazemos parte, se pensarmos por este lado, em níveis mundiais é pequena a adoração, só seria maior a comoção, se Pelé morresse depois de fazer um gol do título na final de uma copa do mundo. Bem outro exemplo é Kennedy, mas este não estava com a espada na mão.

Também gostaria muito de saber porque Senna teve tantos desentendimentos com tantos pilotos ou profissionais da F1, sempre surgem novas estórias. Sempre tenho a sensação que foram mais numerosos que o normal.

Mais uma vez desculpe Edu, me estendi demais, sou muito prolixo.

Um grande abraço

Celso, Salvador


Edu,

Tome lá.

1) Quando começou a correr de kart , ele era patrocinado pela Staroup ou Gledstone?

2) É verdade que o Bernie, num determinado jantar na Europa, vislumbrou que o Senna seria o grande piloto que foi, inclusive em termos de marketing pessoal, quando ele não era porra nenhuma?

3) O Senna, com aquela cara de bom filho, que acreditava em Jesus, ajudava os necessitados, quando entrava no carro, se transformava no maior filho da p... da F-1, onde a única coisa que lhe interessava era vencer e dane-se a ética e o escambau?

É isso. Abs,

Mário, São Paulo


Olá Edu,

Gosto muito do site, acesso o GPTotal várias vezes ao dia e minha única tristeza é não acessá-lo aos fins de semana, pois não tenho computador em casa.

Quanto aos aspectos obscuros da vida e da carreira do Ayrton, posso, como torcedor do Piquet que sempre fui, sugerir como mote a verdadeira história da inimizade entre os dois (que, inclusive, foi mote de colunas no GPTotal este ano).

Também, como sugestão, a relação que Ayrton teve com a Xuxa, inclusive com aquela história macabra dos "beijinhos" que a Xuxa deu em Senna no final de 1988 (lembra dessa?).

Quanto à carreira mesmo, sempre tive curiosidade e nunca consegui realizar o porquê dos carros da Williams em 94 serem tão ruins. Sei que os Benettons tinham controle de tração "escusos", mas a queda de rendimento dos Williams de 93 pra 94 foi gritante. Outra coisa: existiu mesmo o contrato por corrida em 93, na McLaren?

O que vale destacar é que Senna foi sempre muito reservado, tanto dentro quanto fora das pistas. Por isso, ao mesmo tempo, Senna desperta e não curiosidade em seus fãs.

Um abraço e conte comigo sempre. Parabéns pelo site.

Daniel, Brasília


Olá Edu,

em minha opinião, um destes fatos obscuros foi o de não ter assinado com a Williams para a temporada de estréia em 84, já que o teste dele tinha sido tão bom em 83, e o motivo que o levou a assinar com a Toleman pois, se não me falha a memória, já tinha lido que ele havia sondado por equipes mais tradicionais. Além disso, esclarecer como, a partir de Mônaco/84, o carro dele passou a render tão bem.

Outra boa é a relação dele com os segundos pilotos "fracos" da época da Lotus (Dumfries/86 e Nakajima/87), ou com o Johnny Ceccotto na época da Toleman.

Lembro-me que mais pro final da temporada entrou outro cara no lugar deste, pois houve um acidente com o Ceccotto. Aliás, acho um bom mote pra sua coluna falar sobre os companheiros de equipe menos conhecidos de Senna.

Abraços,

Júlio Lima, Belo Horizonte