O legado feminino da NASCAR

Olá, amigos!

O repentino anúncio da saída de Danica Patrick da categoria principal da NASCAR me fez refletir sobre o legado feminino na história da NASCAR. Fazendo uma breve pesquisa, constatei que muitas mulheres participaram das corridas, desde muito tempo atrás. A primeira delas foi Sara Christian, que em sua primeira corrida conseguiu um respeitável 14º lugar entre 33 pilotos. Isso aconteceu em 1949! Impressionante. Na segunda corrida da NASCAR, em Daytona, mais duas mulheres participaram da corrida, Ethel Mobley e Louise Smith.

Até os dias atuais, dezesseis mulheres participaram de corridas da categoria principal da NASCAR, com destaque para Janet Guthrie, que disputou 33 corridas entre 1976 e 1980. Janet tem o excelente retrospecto de cinco Top 10 nessas 33 corridas, uma média bastante boa. Pra medir o nível de talento de Janet, basta dizer que em sua primeira corrida ela chegou à frente de Dale Earnhardt, além de ter sido a primeira mulher a liderar uma corrida da NASCAR. Além disso, Janet foi a primeira mulher a competir nas 500 milhas de Indianapolis. Não é a toa que em 2006 foi indicada ao Motorsports Hall of Fame.

Apesar do pioneirismo dessas mulheres e do relativo sucesso de Danica nos últimos anos, até hoje a categoria só teve 16 mulheres piloto, um número extremamente baixo para a quantidade de anos desde o começo da NASCAR. É possível determinar o motivo para esse número tão tímido? Com certeza, talvez não, mas alguns pontos podem ser considerados na discussão. Falta de oportunidade para meninas nas categorias de base, falta de apoio de patrocinadores (ainda que Danica seja uma ótima representante), falta de pilotos mulheres com talento, ambiente de corridas extremamente voltado para homens, falta de incentivo das próprias organizações de automobilismo, machismo, são vários fatores. Ainda que muitas coisas precisam mudar para que as oportunidades sejam iguais para homens e mulheres, e talvez demore muitos anos pra isso acontecer. Claro que isso não é uma exclusividade do automobilismo, já que não temos jogos de futebol, basquete e outros esportes com categorias femininas sendo televisionadas ou patrocinadas. Talvez uma exceção seja o vôlei, mas mesmo assim, de forma tímida.

Tudo vira um ciclo sem fim quando temos poucas mulheres correndo, poucos patrocinadores apoiando, pouco dinheiro para investir em equipamento e publicidade, poucos resultados nas pistas e poucas oportunidades. No exemplo mais recente da própria Danica, acompanho suas corridas e também um pouco de sua vida fora das pistas, através de redes sociais. Acho que falta um pouco de apetite e foco nas corridas, o que causa a impressão de que as corridas não são sua prioridade. Dá pra dizer para um chefe de equipe manter um piloto, seja homem ou mulher, simplesmente porque ele tem apelo com fãs e alguns patrocinadores? Esses donos querem resultados, que irão trazer patrocinadores e esses irão trazer dinheiro. Fim de papo.

Me diga quais resultados expressivos Danica trouxe para a Stewart Hass nos últimos anos? Pole positions? Top 10s? Isso é suficiente para manter um piloto no time? Estamos vendo pilotos homens com mais sucesso sendo demitidos, como aconteceu com Kasey Kahne e Matt Jenseth, por que com ela seria diferente, certo?

Minha reflexão fez com que eu pensasse que o fim do contrato com Danica pudesse ser considerado algo normal, afinal, os resultados não vieram. Mas o que dizer das oportunidades para as mulheres? Aí o negócio fica mais complicado, já que sabemos que isso não acontece, além de todos os outros pontos já citados. Qualquer categoria ganha com uma igualdade maior de gêneros, não importa o segmento. Um grid com 15 mulheres pilotos seria demais, não? Atrairia um novo público, novos patrocinadores, novos negócios e oportunidades. Como poderia ser ruim? Isso é algo que me intriga e que permaneço sem uma resposta concreta.

Voltando ao campeonato de 2017, os playoffs começaram e já temos uma polêmica fora das pistas. Alguns acreditam que a Toyota está sendo favorecida de alguma maneira, já que seus carros estão sempre na frente. Pilotos da Toyota estão rindo a toa, dizendo que seu time somente faz um trabalho melhor que os concorrentes, mas os torcedores não estão totalmente convencidos.

O time da Toyota troca muitas informações entre todas as equipes que carregam sua marca, fazendo com que a evolução seja mais colaborativa e veloz. Os outros fabricantes trabalham de forma diferente, mas equipes de grande porte, como a Hendrick, por exemplo, assumem que o concorrente está fazendo um trabalho melhor. Na minha opinião acho que quem reclama está realmente vacilando no seu programa de desenvolvimento. Kyle Larson corre com Chevrolet e venceu diversas provas no ano, sempre andando na frente. Dale Earnhardt Jr. foi um dos que disseram que eles simplesmente estão fazendo um bom trabalho.

Traduzindo em números, até o momento tivemos oito vitórias da Ford, dez da Chevrolet e onze da Toyota. Parece bem equilibrado, não? Acontece que das últimas dez provas, sete foram vencidas por carros Toyota, então as teorias começaram a tomar forma.

A primeira prova dos playoffs foi vencida pelo Toyota número 78 da Furniture Row pilotado por Martin Truex Jr, na minha opinião, um dos favoritos ao título, junto com Kyle Larson. Chase Elliott, que ainda não venceu na categoria máxima da NASCAR, chegou em segundo lugar e Kevin Harvick fechou os três primeiros. Denny Hamlin e Kyle Larson completaram os cinco primeiros.

Essa foi apenas a primeira prova dos playoffs, mas pela consistência demonstrada no ano, daria pra apontar três principais postulantes ao título de 2018: Martin Truex Jr., Kyle Larson e Kyle Busch. Jimmie Johnson nunca pode ser descartado, mas até agora ele e Chad Knaus não pegaram a mão do carro, ainda que tenham vencido três provas no ano. Em 2016 eles estavam em posição semelhante e levaram o título, por isso nunca é bom descartar um time desse calibre. Os novatos ainda podem aprontar, com Chase Elliott e Ryan Blaney, mas acredito que não consigam chegar com chances na última etapa.

E você, o que acha sobre a representação das mulheres na NASCAR? Danica merece mais prestígio ou os resultados não convencem? Pra quem você está torcendo para levar o título de 2017?

Grande abraço!

7 thoughts on “O legado feminino da NASCAR

  1. Belo texto Rafael!

    Sou da seguinte opinião:

    No esporte a motor, deveria existir categoria somente feminina, como ocorre em todos os outros esportes.

    Elas merecem isso!

    Abraço!

    Mauro Santana
    Curitiba PR

    1. Mauro,

      também concordo mas as coisas estão mudando … o voley de praia me aprece vai ter duplas mistas nas próximas olimpiadas …

      Fernando Marques

  2. Eu tenho uma teoria sobre a Danica.
    Se ela se chamasse ‘Danico’ ou qualquer versão masculina, ela nem teria subido à Indy! Ela simplesmente é muito fraca como piloto, mas muito forte como peça de marketing, principalmente pela beleza. Apenas por isso ela conseguiu um lugar, privilegiado diga-se, nas principais equipes das grandes categorias americanas. O problema dela não é ser mulher, é (falta) de competência pura e simples.
    Quer exemplo de uma mulher que foi uma baita piloto? Michelle Mouton é o nome da fera!

    1. Olá, João!

      Ainda que tenha conseguido ligeiro sucesso, não dá pra dizer que Danica venceria Jeff Gordon, Kyle Busch ou Kevin Harvick em uma disputa, não é mesmo?

      Ainda assim, Michelle Mouton não é um nome conhecido, concorda?
      Abraços!

  3. Rafael,

    este negocio de mulher vencer na Nascar ainda vai demorar … não por abuso ou culpa do machismo que cultua o automobilismo em geral … mas por falta de ainda não ter aparecido realmente uma mulher “boa bota” nas pistas …
    O caso da Danica Patricck, acho que ela cometeu um erro de estratégia ao sair da Formula Indy para a Nascar … na Indy ela se destacava bem e tinha mais chances de fazer sucesso … estaria eu errado?

    Fernando Marques
    Niterói RJ

    1. Fernando,

      Você está totalmente certo. Ela cometeu o mesmo erro de Sam Hornish Jr( tricampeão na Indy e não ganhou nenhuma corrida na Nascar em 11 anos) e Dario Franchitti( campeão, percebeu logo seu erro e voltou correndo para a Indy sendo campeão novamente + 3 vezes demonstrando o erro que foi sua saída). Ela não aprendeu com o erro deles e quis seguir o mesmo caminho. Não se mexe em time que está ganhando…. Cada macaco em seu galho…….

      Márcio

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