Na pista, no templo.

Décima etapa das vinte possíveis, Silverstone marca a metade do mundial de 2017 da Fórmula 1. Caprichosamente a marca acontece no berço dessa civilização, onde tudo começou. E onde tudo começou a F1 chega respirando novos ares, mais leve, mais jovem e celebrando sua historia.

Tivemos festa em Londres para testar a receptividade do publico nas ruas ao mesmo tempo que vemos a celebração dos 40 anos da Williams.

Na pista, a duvida de quem vai domar o clima inconstante de Silverstone. Vettel amplia sua vantagem ou Hamilton conseguirá finalmente fazer a vantagem aparente do seu carro virar uma vitoria?

A Formula 1 de uma nova era cada vez mais proxima dos fãs deu mais um exemplo da força do automobilismo na terra onde nasceu.

Um grande evento no centro de Londres na quarta-feira foi tomado pelo público. Dezenove pilotos, 10 equipes, dois carros históricos, shows de rock, ex-campeões mundiais, carros de dois lugares. Uma prévia do que a Liberty Media quer fazer em 2018 em 8 cidades pelo mundo.

Depois das entrevistas na pista após as classificações, a liberdade de uso das mídias sociais, a volta do canal no youtube sem restrições, a nova F1 deu mais um passo em se reaproximar do seu público.

Pra fechar a semana, ainda anunciou uma parceria com o Snapschat para alimentar a ferramenta con conteúdo gerado por equipes e pilotos. Sem restrições. Sem censura.

Tudo isso tem sido custurado com boa dose de bom senso, ainda ajudado por um grande campeonato. Alimentam a rivalidade entre Vettel e Hamilton, mas não deixam de homenagear o passado.

Vida longa a nova F1!


Melhores momentos do F1 Live – London
(Dica, lá pelo décimo minuto, Ricciardo faz um V8 cantar como gostamos)

No campeonato nada mais animado que a disputa entre Vettel e Hamilton. Hamilton claramente tem em mãos um carro melhor que Vettel nesse momento. O único problema é que o inglês não conseguiu capitalizar essa vantagem em uma sensível redução de pontos para o alemão no campeonato.

Depois de sua ausencia na festa em Londres, Hamilton aposta que essa concentração adicional vai fazer o jogo virar a seu favor. E é bom que faça isso nessa prova. Falta só mais uma corrida para as férias de verão e uma diferença de 20 pontos no campeonato parece muito grande para se carregar na segunda (e misteriosa) metade do campeonato.

Silverstone tem todas as caracteristicas para favorecer o carro da Mercedes e a vantagem dos prateados continuar. Sem erros de seus pilotos (e falhas mecânicas) não é dificil apontar uma dobradinha da dupla, no mínimo uma vitória de um dos dois. A Mercedes continua o carro mais refinado em termos de aerodinamica e adora um tempo não muito quente. É o carro favorito para passar de pé em baixo pela Copse, seguindo para contornar a maravilhosa sequencia da Maggotts, Becketts e Chapel com larga vantagem para os demais.

Para essa corrida, teremos os mesmos Pirellis disponíves no Bahrein, China e Baku. É a quarta pista do calendario a receber a trinca de Medios, Macios e Super-Macios. É possível traçar um favorito com base nos pneus disponiveis? Talvez lá em 2015, ou 2016. Em 2017 3 carros diferentes levaram essas 3 provas, Mercedes, Ferrari e Red Bull. A única constante nessas 3 provas foi a pole de uma Mercedes.

Apesar das seguidas alterações, Silverstone ainda encanta. Seu legado na F1 esta em jogo. O circuito exerceu sua opção contratual de não sediar mais corrida se os termos continuarem os mesmos. @019 pode ser o ultimo GP Inglês em Silverstone? É dificil apostar nisso, seria um golpe durissimo para os fãs da F1. Arquibancadas cheias, publico fanático, proximidade com as sedes das equipes, solo onde a F1 nasceu.

A verdade é que da forma que está o circuito vai falir. Se é tão importante para a F1, que os promotores reconheçam isso e ofereçam um contrato mais vantajoso para todos. Em paralelo, há uma proposta para uma corrida de rua em Londres. Não no centro, em uma área a ser recuperada, às margens do Rio Tamisa, do lado oposto ao Aeroporto da Cidade


Aqui pra gente lembrar a pintura de Button em 2011 sobre Massa e Vettel sobre Alonso em 2014.

O contrato atual de Silverstone vai até 2026. Além das melhorias que precisam ser feitas com dinheiro do governo, o contrato prevê um acrescimo annual de 10% na taxa paga pelo direito de receber a corrida. Exemplificando, se o contrato começou em 10 milhões de libras, vai terminar no ultimo ano com 23.4 milhões de libras. É inviavel.

Seria interessante uma corrida com chuva para aparecer algum piloto menos favorecido no meio dos postulantes ao título. Só isso para misturar o grid.

Ferrari e Mercedes deram um grande salto frente à Red Bull nessa fase do campeonato e devem manter a batalha pela vitória e pódio restrita aos seus 4 pilotos. Hamilton precisa dos 25 pontos e precisa de Bottas em seus melhores dias para tirar pontos de Vettel. Uma dobradinha da Mercedes cortaria a distância do inglês para o alemão pela metade. Hamilton precisa dessa reação e carrega para a prova essa pressão. Se a dobradinha da Mercedes acontecer com Bottas no posto mais alto, a situação fica dramática para o inglês que verá seu novato companheiro de equipe conseguir cortar a diferença em quase 50% e entrar definitivamente na briga pelo título.

Do lado do box vermelho, Kimi parece que quer dar motivos para renovação do seu contrato. O mais velho piloto do grid se dá bem em pistas de alta e vai buscar um pódio. Para continuar na F1 vai precisa se recuperar na classificação do campeonato e compensar as duas corridas que não terminou.

Para Red Bull, infelizmente só resta Verstappen na busca por um bom resultado nos pontos. Ricciardo já chega com punições por troca de caixa de cambio. Terão que torcer também pelo clima. Em pista seca a Red Bull não deve ameaçar o pódio.

Na briga pelos pontos a Haas (na verdade Grosjean) vem de uma grata surpresa na Austria. Sinal de alerta acesso na Force India e bandeira vermelha na Toro Rosso. O time americano tem mostrado condições de andar junto com os Indianos e a frente dos italianos. Para a Force India ainda há muito conforto na tabela de Construtores, mas STR está só 4 pontinhos na frente. Seria muito legal se a Haas tivesse dois pilotos do mesmo nível (mirando a qualidade apresentada por Grosjean recentemente).

Lembrando que do jeito que as coisas andam para Williams, não seria impossível ver a equipe ser ultrapassada por STR e Haas. Impressionante o que o carro piora a cada nova atualização. Está muito cedo para pensar no carro de 2018 e alguém precisa dar um jeito no carro de 2017. Paddy Lowe deve estar pagando pelos seus piores pecados. São quarenta anos de histórias que merecem um ano de maior respeito.

Na mesma competente tocada de sempre, a Force India traz um caro atualizado para Silverstone. Sua corrida doméstica deve apresentar os carros cor de rosa facilmente entre o 10 primeiros. Fechando essa metade do campeonato, podemos dizer que é o “time do ano”. Um belo campeonato com uma bela dupla de pilotos. Na cola deles chegando sempre a Toro Rosso. Será que seus pilotos conseguem terminar a prova? Sem quebras e sem erros bobos? Os dois estão com seus contratos, vamos dizer, ‘esclarecidos’. Sainz ligado ao time (em qualquer modalidade que a Red Bull marque presença) e Kvyat confirmado na STR para 2018. Podem seguir suas vidas com mais tranquilidade.

Não vamos falar hoje do escudo-pra-brisa que Vettel testou na sexta-feira. Não dá pra acreditar que vão instalar algo parecido em um F1.

Para a Renault, o mesmo drama da Haas. Um piloto só no carro. Não é perseguição (quem ganha perseguindo um piloto?), é um fato da vida que Palmer não entrega o mesmo que Hulkenberg.

A Renault deve antecipar o retorno de Kubica. Sim, ele mesmo. Robert estava previsto para retornar no treino livre 1 do GP da Italia. Agora a imprensa inglesa aposta na presença dele ns testes privados que acontecem após o GP da Hungria. Seria o primeiro contato dele com os carros de 2017, já que seus dois testes foram com carro de 2012. Ainda é cedo para dizer se ele volta para F1, mas o seu retorno para esses testes certamente pressionam Palmer a entregar um pouco mais do que vem entregando hoje.

No fundo do grid vamos ter a Sauber novamente em agonia e desespero. Anunciaram seu novo chefe de equipe. Frederic Vasseur tem uma missão imediata que é resolver a questão dos motores. Oficialmente o contrato com a Honda ainda não foi desfeito, mas caminha nessa direção. O time não pode ter outro ano como esse, é nítida a falta que um motor atualizado faz. O time se arrasta com um Ferrari 2016.

O grande mistério continua sobre a Mclaren. As atualizações de carro e motor tem deixado o tíme mais descolado do fim do pelotão em classificação. Eventualmente proximos ou dentro do Q3. O problema é que sem confiabilidade o carro não anda em corrida ou larga em último por punições. Alonso nessa corrida vai trocar tudo e mais um pouco, leva nas costas 30 posições no grid. Sexto motor, oitavo turbo, oitava MGU-H e sexta MGU-K. Só poderia usar 4 de cada o ano inteiro…..

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Ficha do Grande Premio da Austria

2017 FORMULA 1 ROLEX BRITISH GRAND PRIX

Edições: 50 (1950-2017)
Perímetro: 5891 metros
Voltas: 52 (306.198 km)
Volta mais rápida: 1’29.243 (2016 – Lewis Hamilton – Mercedes)
Volta mais rápida em corrida: 1:30.874 (Alonso – Ferrari)

Lembrando 2016

Vitória: Lewis Hamilton – Mercedes – 1:34’55.831
Pole position: 1’29.287 (Lewis Hamilton – Mercedes)

Pirelli - Medios - Macios - Super Macios

Circuito de Silverstone

A históra da F1 está sendo reescrita pelos seus novos donos. Mais proxima do público, mais feliz com tudo que alcançou até aqui. Nada melhor que marcar essa fase de renascimento onde tudo começou.

O templo da velocidade merece uma bela disputa entre os pilotos que disputam o título.

Silverstone tem todos os elementos para que essa briga seja resolvida na pista e não nas declarações na imprensa. Com chuva, com sol, com novidades e deciliosamente recheada de tradições. Na pista do templo é onde a história dos campeões é escrita.

Boa prova!
Abraços,
Flaviz Guerra

One thought on “Na pista, no templo.

  1. Flaviz,

    Nada mais sugestivo do que o nome do atual proprietário da F1: Liberty Media, para promover como citado “a LIBERDADE de uso das MÍDIAS sociais” na F1, tomara que continuem avançando cada vez mais nesta questão. Chegou a era da liberdade, abaixo a ditadura!!

    Hamilton não vai poder contar com Bottas por causa da punição recebida pelo ultimo, terá a seu lado na 1ª fila um Kimi pressionado por Marchione e com Vettel logo atrás de si. Será que teremos surpresas na largada? Tomara!!

    Márcio

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