Um ano barulhento!

Finalmente um circuito tradicional. Um verdadeiro autodromo. As forças da F1 estavam silenciosamente escondidas entre pistas de rua, parques e muros. Desde Barcelona a F1 estava em uma sequencia de provas que davam todos os motivos (e desculpas) para se desconfiar das reais performances dos carros.

Após um barulhento Grand Premio em Baku, a calma do campo austriaco é um cenário ideal para alinharmos as nossas expectativas com o desempenho real dos carros. A impressão que fica é que tem muito time que vai precisar trabalhar duro para tentar novas conquistas na temporada.


O Red Bull Ring ou A1-Ring ou Osterreichring, não é sombra do que a pista foi no passado. Foi mutilada pela segurança e pela proximidade com o público. Isso nos trouxe a pista com tempo de volta mais curto do ano. Não é a pista amis veloz, absolutamente. Nem é a pista mais curta.

Nas quatro ultimas aparições desde seu retorno em 2014 a pista austriaca tem apresentado as provas de menor duração da categoria. Aqui, a corrida não passa de hora e meia.

Mas nem tudo está nas costas de ter transformado o traçado original em um traçado curto. O asfalto é liso, as temperaturas não são muito elevadas e as curvas de média e alta velocidade não colocam os pneus no seu limite.

Do ponto de vista de pura competição e do saudosismo que temos da F1 de outras épocas é, definitivamente, um belo cenário para uma corrida de domingo. Ninguem vai ficar poupando pneus. Pode-se acelerar a volta toda e resolver na pista o que precisa ser feito.

A cereja do bolo são as caixas de brita. É sensacional ver um piloto lutando para ficar no traçado porque sabe que pode ser o fim da sua jornada se escapar em determinada curva. Você tem que mostrar que é rápido dentro do traçado ou fim de prova. Nada de insosas mensagens de “Track Limits”, seguidas de palmadas na mão com “perdeu sua volta, viu?”.

Não há necessidade de se falar mais nada sobre a rinha de galos entre Vettel e Hamilton. Hamilton posa de moralista, Vettel de arrependido e a FIA de entidade filantropica.

É um soluço na história da “nova era” da F1.

Uma voltinha com o mestre Satoru Nakijima e seu Lotus Honda

São 3 vitórias em 3 provas. A Mercedes vai deixar a vitória desse ano escapar?

É bastante difícil, mesmo com a punição de Hamilton pela troca de cambio antes do prazo estipulado no regulamento. Alguns fatores podem explicar isso.

O regulamento de motores estabilizado deu chance para os demais fabricantes se aproximarem, é verdade. Todos estão mais próximos e usando soluções diferentes das adotadas pela Mercedes. Isso é maravilhoso porque permite por mais 3 anos uma boa guerra entre fabricantes. Mesmo se aproximando, a vantagem da Mercedes na integração dos sistemas elétricos com a sua força de combustão ainda é grande. Na reta de Baku a Mercedes tinha o motor que mantinha o uso das baterias por mais tempo e quando a potencia extra (antes do fim da reta) acabava era o motor com maior velocidade final. A integração é a chave.

Outro fator fundamental é o mesmo regulamento que aproxima todos. Já falamos aqui no GPTotal das explicações sobre o regulamento que os times pediram antes do começo da temporada. A Renault havia questionado o uso do óleo do motor como material comburente em determinadas situações de alta performance (classificações, por exemplo). Todos apontaram o dedo para Mercedes, dada sua supremacia em voltas lançadas. Muito se falou e nada aconteceu, até pouco antes de Baku. Na semana da prova, nova explicação da FIA sobre o regulamento e notificação para os times se prepararem para vistorias mais detalhadas. A Renault sabia o que estava fazendo, só que enquanto o paddock apontava para Mercedes, quem perdia terreno era a Ferrari. Aparentemente a Shell entrega ao time vermelho um lubrificante capaz de melhorar a combustão quando o óleo entra no pistão. Com esse novo controle a Ferrari perdeu terreno, aquele décimo precioso que estava equilibrando o campeonato e que terá que aparecer em evoluções de outras áreas

Boa noticia para o campeonato é que a Ferrari apresenta seus novos motores já em Silverstone, semana que vem.

A troca de cambio pode ter sido reflexo de algum toque na traseira do carro de Hamilton em alguma corrida anterior?

A briga deve ainda ficar os dois times que lideram o campeonato. Sem surpresas e nessa pista com uma vantagem clara para os pontentes carros prateados. Alguma disputa ainda é esperada pela punição de Hamilton que partirá mais de trás do grid. Sem chuva e sem Safety Cars que tumultuem o cenário, é possível esperar uma boa vitória de Hamilton que lhe devolverá a moral na luta pelo título.

Na turma de trás a Red Bull volta a ser protagonista. As atualizações do gerenciamento do motor TAG liberaram uma boa dose de potencia para os carros Austríacos. A vitória na corrida passada também eleva a mora do time e pilotos. A única ressalva é para Max. Nervoso, ansioso e vítima de sucessivas falhas mecânicas, tem que tomar cuidado com os erros por dirigir além do carro. Sinal de alerta ligado no seu box, já que seu companheiro de time já soma mais que o dobro de pontos esse ano.

E pensar que Kyviat terminou 2015 com mais pontos que Ricciardo.

Na turma do meio, continuamos com a incerteza de carros que se comportam de forma muito diferente de pista para pista. É possível esperar alguma vantagem para quem possui os Mercedes nas costas. Só que essa vantagem ainda não se concretizou para a Williams na temporada, deixando caminho livre pra Force India colecionar bons pontos.

Quem pode se aproveitar é a Haas que conta com os Ferrari desse ano e um carro mais constante que o restante dos seus concorrentes. Não é o mais rápido, só que entrega resultados mais lineares, dando a entender que é um carro mais previssível.

A STR ainda pode surpreender, principalmente pelo motivado Sainz Jr. Um puxão de orelha público depois de desclarações atabalhoadas, criaram uma motivação extra por rapaz. Tem que mostrar serviço e comprometimento com financiador do seu sonho de ser campeão mundial.

No fundão teremos o pessoal de sempre. Palmer, as Saubers e Vandoorne. Alonso e Hulkenberg continuarão colocando seus carros a frente de onde poderiam estar. Tadinho de Alonso chegou na Austria com motor novinho, nova versão. Mas não poderá usá-lo na classificação e na corrida.

O tempo da Honda está se esgotando. Em 21 dias chegam as férias de verão na F1 e o período de início de produção dos componentes para os carros de 2018.

A Mclaren vai acomodar os motores japoneses em seus chassis ou a fábrica já tem o gabarito de fixação de outro fabricante?

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Ficha do Grande Premio da Austria

FORMULA 1 GROSSER PREIS VON ÖSTERREICH 2017

Edições: 10 (1997-2003 e 2014-2017)
Perímetro: 4318 metros
Voltas: 71 (306.452 km)
Volta mais rápida: 1’08.337 (2003 – Michael Schumacher – Ferrari)

Lembrando 2016

Vitória: Lewis Hamilton – Mercedes – 1:27’38.107
Pole position: 1’07.922 (Lewis Hamilton – Mercedes)
Volta mais rápida (em corrida): 1’08.411 (Lewis Hamilton – Mercedes)

Pirelli - Macios - Super Macios - Ultra Macios

Pista da Austria

O campeonato chega para para uma prova que apontava um dominio da equipe prateada e nos conduzia para um grande premio completamente tedioso. A punição de Hamilton apresenta um cenário diferente com um pouco mais de tempero na corrida. Podemos ter uma disputa na pista entre os dois grandes adversários ao título de campeão de 2017.

Ainda melhor que não há tempo para vacilos (de equipe e pilotos), logo na semana seguinte temos mais um prova e novas cartas na mesa. Nos campos da Áustria, a Fórmula 1 segue em seu mais barulhento campeonato da história recente.

E isso é demais!

Abraços,
Flaviz Guerra

2 thoughts on “Um ano barulhento!

  1. Flaviz,

    Nesta questão envolvendo Vettel X Hamilton em Baku o maior perdedor foi Vettel, que seria o favorito para vencer a corrida com a parada forçada de Hamilton. São 13 pontos perdidos que poderão fazer falta no final de um campeonato tão disputado. Além do mais a FIA daqui por diante vai redobrar a sua atenção sobre ele, qualquer deslize será fatal.
    O maior ganhador é o Liberty Média, porque o acirramento e divulgação desta disputa está gerando muito interesse e consequentemente bastante $$$$ para eles.

    A corrida de amanhã promete ser bastante interessante com Bottas largando na pole ao lado de Vettel e Hamilton saindo em oitavo. Boas disputas à vista.

    A maior decepção nos treinos ficou por conta das Williams equipadas com motor Mercedes.

    Márcio

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