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As 7 Maravilhas de Schumi - parte II 05.02.10
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A torcida dá as boas-vindas ao super campeão
Maravilha número quatro (ou “A Estátua de Zeus”): GP da Malásia de 2001

Talvez o leitor tenha estranhado, na coluna anterior, a ausência de corridas de Schumacher no período em que dominou a F-1 de forma avassaladora (entre 2000 e 2004). Isso acontece porque, justamente por ter sido tão esmagador – com exceção das temporadas de 2000 e 2003, onde houve certo equilíbrio –, aquele “algo a mais” não foi necessário. A etapa de Sepang foi uma exceção.

Àquela altura, a Ferrari era o melhor carro da Fórmula 1, indiscutivelmente. Schumacher fez a pole, como faria em outros dez GPs naquele ano. Até aí, nenhuma novidade. Só que há uma variável que normalmente anula as vantagens de se ter o melhor carro e ser o piloto mais rápido: a chuva.

Schumacher saiu em primeiro e manteve a liderança até o final da 2ª volta quando escapou da pista (garoa + óleo) e caiu para a sétima posição. O alemão foi aos boxes e colocou pneus intermediários, ao contrário da maioria, que passaria a usar os extremos. Schumi retorna à pista em 11°, logo atrás de Rubens, e lá permanece até a volta 11, quando começa sua “escalada”.

Em apenas cinco voltas, Michael passa um a um até chegar à liderança que não mais perderia. Terminou com uma vantagem de 23 segundos para Rubens Barrichello.



Essa vitória foi a sexta consecutiva de Schumacher, somada às últimas quatro do campeonato de 2000. Trata-se de sua segunda melhor marca nesse sentido, só perdendo para as sete seguidas que conquistou ao longo de 2004.





Schumacher na apresentação do carro em Valência - Clique para ampliar
Maravilha número três (ou “O Farol de Alexandria”): GP da Bélgica de 1995

Muitos consideram esse o melhor momento da carreira de Schumacher. Por que, então, não aparece na primeira posição do nosso especial? Pretendo justificar essa escolha na descrição das outras maravilhas, e não tecendo fatores negativos a esta, que foi uma exibição da mais alta classe.

Qualquer prova, de qualquer piloto, vencida quando se parte do final do grid, é digna de todos os elogios possíveis; se essa corrida acontecer sob chuva, merece ainda mais descrições positivas; e se contar com um duelo em condições desfavoráveis, merece aplausos. Em pé.

Assim como faria na Malásia em 2001, Schumacher ganhou várias posições num curto espaço de tempo: saiu em 16°, e na sexta volta já era 5º! Nas dez voltas seguintes superaria, sistematicamente, Irvine, Berger e Damon Hill, sem contar a posição herdada do então líder Coulthard, que abandonou o GP.

Mas o melhor de tudo aconteceu quando somente Schumacher e Hill disputavam a primeira posição: na chuva, Schumi permaneceu de pneus slick, e lutou bravamente contra o Williams que vinha com pneus de chuva. Essa foi, talvez, sua maior demonstração de controle de um carro em situações adversas ao longo de sua carreira.



Ainda que Schumacher tenha escapado da pista em alguns momentos, alternando a liderança com Hill até a volta 24, ele conseguiu voltar ao primeiro lugar e terminou com vinte segundos de vantagem.





Schumi auxiliando a equipe... - Clique para ampliar
Maravilha número dois (ou “Os Jardins Suspensos da Babilônia”): GP de Mônaco de 1997

Normalmente, tendemos a preferir as corridas que demonstrem um espírito de luta no sentido de brigar por posições, de conquistá-las uma a uma. Esse tipo de vitória causa a impressão de ter sido mais suada e até mesmo mais merecida. Porém, no meu conceito, há vitórias partidas da pole que são até mais impressionantes. É o caso da etapa monegasca de 1997.

Schumacher não alinhou em primeiro no grid, mas foi o que pareceu no momento em que foi dada a largada. O alemão não tomou conhecimento do conterrâneo Heinz-Harald Frentzen, segundo piloto da Williams, e a partir daquele momento a primeira colocação seria somente sua.

Foi daqueles desempenhos históricos, informalmente conhecidos como massacres. O maior mérito de Schumacher, nesse dia, foi tornar inexistente a diferença de equipamento entre Ferrari e Williams, fazendo parecer que era o carro vermelho e não o azul o melhor da temporada (ele chegou a dar volta em Villeneuve!).

Além disso, a quantidade de chuva foi impressionante, tanto é que a prova terminou no limite de 2 horas com ainda 16 giros por serem percorridos!


F1 - Best of Monaco GP 1997 – MyVideo


A diferença de Schumi para o segundo colocado, Barrichello, foi assustadora, principalmente levando-se em conta o número de voltas completadas: 53,3 segundos. Para fechar com chave de ouro, o alemão ainda marcou a volta mais rápida.





...e_testando - Clique para ampliar
Maravilha número um (ou “A Pirâmide de Quéops”): GP da Espanha de 1996

O que aconteceu em Barcelona naquele 2 de junho de 1996 é algo que deve ser recordado pelas futuras gerações. Trata-se de um evento que vai muito além da carreira de Schumacher: foi uma das maiores corridas de qualquer piloto em todos os tempos. Toda a conjuntura que envolveu aquela etapa me leva facilmente a essa conclusão.

Em primeiro lugar, analisemos a questão de equipamento: embora a Ferrari não fosse o pior carro do mundo, vinha muito atrás das Williams, e estava rivalizando com a Benetton na disputa pelo terceiro lugar no pódio e nas largadas. Além disso, no dia da corrida o F310 apresentou problemas, fazendo com que Schumacher alinhasse com seu carro reserva.

Espanha 1996 a obra-prima de Schumacher - Clique para ampliar
Só com esses dois fatores já teríamos ingredientes suficientes para considerar essa uma corrida memorável. Mas as dificulades que Schumi teria naquele dia não pararam por aí: na largada, o carro sofre uma pane, que o joga para a oitava posição (partia em terceiro). Agora sim: todos os elementos de um épico estavam prontos.

Schumacher começa a sua obra-prima já na primeira volta, ganhando duas posições; na volta seguinte, pula para quinto; mais duas e é o quarto; na volta 5 já é terceiro; ultrapassa Alesi lindamente na volta 9 e vence a corrida na volta 12, ao superar Villeneuve.



Sim, “vence”. Ainda que se diga que o GP só terminaria no 65º giro, considero isso apenas um protocolo. A partir do momento em que Schumacher superou seu rival de 97, começou a andar num mundo diferente. Marcou a volta mais rápida do dia com inimagináveis 2,2 segundos abaixo do segundo melhor tempo (!).

Para completar a epopéia, seu Ferrari perdeu um cilindro, o que prejudicaria de modo definitivo qualquer piloto que estava na pista naquele dia. Menos Michael Schumacher, que terminou com 45 segundos de vantagem para Jean Alesi, e sentindo um “frio insuportável no cockpit”, conforme relatou.





Tenham todos um ótimo final de semana.

Marcel Pilatti

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