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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » Junho |
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Junho |
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Caro Pandini e demais "memórias de elefante" do site
dias atrás estava relembrando as grandes corridas de Barrichello e cheguei até uma lembrança imprecisa. Remete à última prova de F-3 de 1990, em Interlagos. Lembro de Barrichello executando uma manobra de ultrapassagem na reta final da última volta, e, com isso, garantindo o título de Christian Fittipaldi (não lembro se era o brasileiro ou o sul-americano). A ultrapassagem foi sobre o Negri?
Será que você saberia mais detalhes sobre esta corrida?
E aos leitores, se alguém tiver esta corrida gravada, por favor entre em contato comigo pelo e-mail corridasantigas@yahoo.com.br para que possamos combinar uma boa troca.
Abraços, e desde já muito obrigado,
Márcio Madeira da Cunha
Oi, Márcio
Eu estava presente nessa corrida. Barrichello realmente ultrapassou Oswaldo Negri Jr. na última volta e, com esse resultado, deu o título sul-americano a Christian Fittipaldi, que terminou em quinto lugar depois de ser ultrapassado, em uma bela manobra, por... Pedro Paulo Diniz.
Negri já havia assegurado o título brasileiro e lutava com Christian pelo sul-americano. Barrichello, por sua vez, participava com um Dallara-Alfa da equipe Forti Corse (sim, a mesma que depois correria na F1) apenas para ganhar experiência na F 3, categoria que disputaria em 1991 na Inglaterra. Uma guerra de nervos se desenvolvia desde alguns meses antes: a Daccar, equipe de Negri, era uma das duas únicas que corriam com Ralt (a outra era a Cesário Fórmula, de Augusto "Formigão" Cesário). O regulamento sul-americano obrigava as equipes a usarem chassis fabricados no máximo até 1988. Só que quase todas optaram por trazer chassis Reynard e Dallara, desprezando os Ralt.
A equipe Daccar, financiada pelo piloto-empresário Fausto Prado, contratou Negri e inscreveu dois Ralt-VW, sendo o segundo pilotado pelo próprio Fausto. Negri venceu várias corridas e as outras equipes passaram a questionar a legalidade da suspensão de seu carro, que não seria original de fábrica. Foram feitas consultas à Ralt, que informou ser a suspensão de Negri um equipamento adotado pela fábrica em meados de 1988 - portanto, dentro do regulamento sul-americano. A FIA, por meio do comissário técnico Gabriele Cadringher (não tenho muita certeza quanto à grafia deste sobrenome), também confirmou a legalidade do carro de Negri.
Se houvesse um mínimo de bom senso, a polêmica teria sido encerrada. Em vez disso, ela recrudesceu e se transformou em baixaria pura. As demais equipes, com poucas exceções, bradavam contra a ilegalidade dos carros da Daccar. A TV Tarobá, pertencente ao piloto Pedro Muffato e responsável pela geração de imagens de TV nas transmissões, chegou a boicotar a presença de Negri no vídeo na sétima etapa, em Interlagos, onde ele ganhou. No final da corrida, acusou Muffato, retardatário, de tê-lo prejudicado de propósito ao tomar uma volta e de ter tentado jogá-lo para fora da pista. Na etapa seguinte, em Buenos Aires, mais baixaria: os organizadores da F3 simplesmente não incluíram os caminhões de transporte da Daccar entre os veículos autorizados a cruzar a fronteira Brasil-Argentina. Com isso, a equipe não pôde entrar naquele país e ficou fora da corrida. A essa altura, até mesmo a imprensa especializada se dividiu: alguns jornalistas defendiam a Daccar e outros se alinharam à corrente que acusava a equipe de competir com um carro fora do regulamento.
Depois disso, as coisas se acalmaram, apenas aparentemente. A Daccar foi forçada a instalar em seus carros a primeira versão de suspensão dos Ralt de 1988 - e mesmo assim Negri continuou ganhando. Negri conquistou o título brasileiro e chegou à última etapa, em Interlagos, com chances de ser também campeão sul-americano. Não lembro a pontuação exata, mas sei que Negri precisava vencer a corrida e torcer para Christian Fittipaldi terminar no máximo em quinto lugar. Nessa altura do campeonato, Fausto Prado havia parado de pilotar devido a um acidente ocorrido na sétima etapa, em Interlagos. Em seu lugar, entrou Pedro Paulo Diniz, que vinha correndo por uma equipe particular.
Negri liderou a última corrida praticamente de ponta a ponta, seguido por Barrichello a uma distância de cerca de dois segundos. Diniz largou no meio do pelotão e fez várias ultrapassagens até chegar em Christian, que era o quarto colocado. Conseguiu ultrapassá-lo em uma manobra arrojada e, com isso, garantiria o título a Negri.
Só que mais uma vez Pedro Muffato acabou interferindo na disputa. Não se sabe se intencionalmente ou não, Muffato, mais uma vez retardatário, segurou Negri na última volta, o suficiente para ele perder pelo menos um segundo da vantagem sobre Barrichello. E isso fez com que ele perdesse a corrida na reta de chegada.
Após a corrida, um show de protestos: a equipe de Negri protestou contra Barrichello, acusando-o de ter feito uma ultrapassagem sob bandeira amarela; Muffato foi agredido por um elemento desconhecido que vestia uma camiseta da equipe de Negri. Comprovou-se depois que tal pessoa não era da equipe, mas lavrou-se um protesto contra Negri por conduta anti-desportiva de elemento da equipe. E outros protestos acabaram vingando. Não lembro exatamente o que foi decidido em cada um deles. Sei apenas que o resultado da pista foi homologado, dando o título sul-americano a Christian.
Tudo isso, infelizmente, acabou manchando a credibilidade da Fórmula 3 sul-americana, um campeonato que até então vinha em ascensão, tanto em termos de interesse da mídia quanto dos patrocinadores. Algumas boas fases vieram depois, mas a categoria nunca se recuperou completamente dos danos causados à sua imagem por ocasião da temporada de 1990.
Abraços (LAP)
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