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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » Maio |
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| Grahm Hill com um Lotus 49 na Corrida dos Campeões de 70 |
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Pelo que eu já li sobre o assunto, e não foi muito, sei que durante várias décadas, até aos anos 80, houve várias corridas de F1 que não contavam para o campeonato.
Gostaria de saber qual o motivo que levava à realização destas provas. Apenas promoção? Testes? Participavam todos os pilotos oficiais das equipas? Sei que também participavam outros pilotos.
Haveria a obrigação sobre os pilotos mais midiáticos de participarem nestas provas? Esses pilotos mesmo sabendo que não iria contar para o campeonato corriam todos os riscos inerentes à participação de uma prova de F1 e que nessa altura a segurança era ainda uma "batalha secundária" para os dirigentes da F1. Qual seria a sua (dos pilotos) opinião sobre este tipo de provas? Qual seria a sua motivação para participar neste tipo de eventos?
E para finalizar qual o motivo que levou a que desde 1983 nunca mais se tivesse realizado uma prova deste gênero.
Obrigado
José Ferreira, Portugal
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Olá, José
Vou tentar responder por partes...
As corridas extracampeonato tiveram origens distintas. Algumas eram provas de Grand Prix (categoria que antecedeu a Fórmula 1): nos anos 30, 40 e 50, as provas mais importantes levavam o nome do país (GP da Itália, GP da Alemanha) e outras levavam o nome da cidade onde eram disputadas (GP de Nápoles, GP de Pau, GP de Tripoli). Na década de 1950, elas eram maioria no calendário: era comum a temporada ter de 7 a 10 GPs oficiais e outros 10 extracampeonato. Também coincidia de haver duas corridas em países diferentes no mesmo dia.
Nos anos 60, as corridas extracampeonato passaram a se concentrar na Inglaterra, que havia concentrado a sede da maioria das equipes. Algumas dessas corridas, como a Race of Champions (Brands Hatch) e o International Trophy (Silverstone), eram bastante tradicionais e ofereciam bons prêmios, razão que motivava a participação de várias equipes, ainda que fosse raro as provas extracampeonato contarem com a totalidade dos pilotos que disputavam o Mundial. Também era comum as provas extras misturarem nos grids carros de F 1, F 2, F-5000 e, às vezes, até carros esporte e esporte-protótipos.
No começo dos anos 70, surgiram outras duas modalidades de provas extracampeonato: as meramente promocionais (como a Rothmans 50.000, que misturava carros de várias categorias) e as homologatórias, que serviam como teste para novos países ou circuitos interessados em ter GPs oficiais. Enquadram-se nesta última o GP do Brasil de 1972, em Interlagos, e o GP de Brasília, que inaugurou o autódromo da Capital Federal.
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| Lauda e seu BRM no International Trophy de 73 |
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Não havia obrigação de participar. Mas, mesmo não contando pontos, as provas extras eram aproveitadas pelas equipes para estrear novos carros ou testar componentes - lembre-se que na época não se faziam tantos testes quanto hoje e não havia recursos de simulação em computador. E, se tudo corresse bem, a equipe ainda levava um bom dinheiro. Os pilotos, que também reforçavam suas finanças, encaravam as provas extras com a mesma seriedade das provas oficiais. Em 1974, a equipe Lotus inscreveu apenas um carro para a Race of Champions, em Brands Hatch. Colin Chapman teve que fazer um cara-ou-coroa entre seus pilotos, Ronnie Peterson e Jacky Ickx, para decidir qual participaria da corrida. Ickx ganhou na moeda e também na pista. A corrida foi disputada sob forte chuva e Ickx assumiu a liderança a quatro voltas do final ao ultrapassar a Ferrari de Niki Lauda. Muitos dizem que esta ultrapassagem, feita por fora, foi uma das mais belas manobras já vistas na F 1. O jornalista brasileiro Marcus Zamponi cobriu essa corrida para a revista Auto Esporte e viu a ultrapassagem ao vivo. Até hoje se arrepia com a lembrança.
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| Ronnie Peterson e seu Tyrrel na Corrida dos Campeões de 77 |
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A última corrida de F 1 extracampeonato foi a Race of Champions de 1983, vencida por Keke Rosberg. Elas desapareceram por falta de interesse das equipes (que não tinham cobertura tão intensa quanto a de um GP oficial) e dos organizadores (o custo de uma corrida de F 1 ficava cada vez mais alto). Depois disso, o Motor Show de Bolonha, na Itália, teve algumas disputas com carros de F 1 - normalmente cinco ou seis, que competiam contra o relógio ou em duplas em um circuito improvisado. Foi no Motor Show de Bolonha que Rubens Barrichello venceu pela primeira vez uma competição com carros de F 1 - no final de 1993, quando estava na Jordan.
Em tempo: muitas das corridas extracampeonato surgidas na época dos GPs resistem até hoje, só que disputadas por categorias menores. São os casos do GP de Pau (França), do GP da Loteria de Monza (Itália) e do International Trophy. Quase todas são hoje disputadas por carros de F 3 ou F 3000.
Abraços (LAP)
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| A primeira fila no grid de Reims 58, com Hawthorn à frente, tendo mais ao fundo Musso e Schell |
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Em sua coluna de 20/2, Edu publica uma belíssima foto de Juan Manuel Fangio, tirada durante o último GP disputado por ele, em Reims 58.
Enquanto acelera o seu Maserati, Fangio olha, algo desolado, para o lado, certamente contando as voltas para o fim da corrida.
Pergunto se vocês sabem algo mais sobre esta excepcional imagem.
Rafael Roberto, Fortaleza
Bom olho, Rafael
Quando vi a foto publicada aqui no GPTotal, até pensei em pedir ao pessoal da Red Cube para aplicar um "Clique e amplie" nela - o que vou fazer agora.
É, de fato, uma foto belíssima, daquelas que merecem um "vale mais do que mil palavras". Ela mostra um Fangio esgotado, um montanhista cansado das montanhas. Pode-se dizer mesmo que parecia temeroso, assustado com a violência do esporte que ele abraçara. Não se esqueça que nesta mesma corrida Luigi Musso perdeu a vida.
Não sou capaz de dizer se a foto foi tirada antes ou depois do acidente - provavelmente depois, já que o acidente de Musso ocorreu nas primeiras voltas -, tampouco se Fangio sabia da gravidade do acidente (ele o viu, com certeza; estava logo atrás do Ferrari de Musso, quando este voou para fora da pista e capotou. Musso foi levado ao hospital, onde foi declarado morto). De qualquer forma, é um registro cru do empenho cobrado pelo automobilismo daquele tempo em termos humanos e esportivos.
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| Outra foto de Fangio em Reims 58 |
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Para quem não conhece bem as circunstâncias do fim da carreira de Fangio, vale dizer que ele, depois de vencer quatro Mundiais seguidos, enfrentava problemas com seu Maserati, decididamente ultrapassado, a equipe lutando contra problemas financeiros de tal forma graves que tudo o que pode fazer foi constituir uma equipe semi-oficial e modificar um pouco o modelo do ano anterior.
Coincidência ou não, Juan Domingos Peron fora deposto e um grande acordo comercial mantido entre o governo argentino e Omer Orsi, dono da Maserati, havia sido cancelado. Isso tudo num momento em que a Fórmula 1 embarcava em sua primeira grande revolução, os motores passando da dianteira para a traseira dos carros. O GP da Argentina daquele ano foi o primeiro vencido por um Fórmula 1 com motor traseiro.
Com pouco dinheiro, tudo o que a Maserati podia tentar era reduzir o peso do seu carro com auxílio de uma lima, já que alguns dos concorrentes de Fangio chegavam a ter carros 220 kg mais leves. E os mecânicos limaram de tal forma as peças do Maserati que Fangio teve a haste do pedal de embreagem quebrada em pleno GP da França. Ele reclamava também que o carro havia perdido toda a sua facilidade de condução, só para descobrir que estava equipado agora com amortecedores e outras peças cujos fabricante pagavam à equipe pelo seu uso.
Em sua biografia, argentinamente intitulada "Fangio, Quando o homem é mais do que o mito", ele relata todo o seu desagrado pela pretensa profissionalização do esporte, com os interesses comerciais pressionando mais e mais. "Justo eu, que nunca corri pensando em quanto dinheiro iria ganhar. Só queria correr. E ganhar, se possível". Pesou também, claro, o fato de Fangio contar nesta altura 47 anos ante 25 de alguns dos seus rivais.
Na véspera da corrida, sozinho em seu hotel, ele conta que começou a pesar todos os sacrifícios que estava se impondo. Concluiu que não havia mais prazer em correr e não considerava isso um bom sinal.
Durante a corrida, em meio às grandes retas de Reims, a mesma Reims onde havia estreado na Europa em 1948, estes sentimentos se consolidaram e ele tomou sua decisão. Nas últimas voltas da prova, correndo em 4º lugar, Fangio é alcançado por Mike Hawthorn, que liderava e poderia facilmente ter colocado uma volta sobre ele. Respeitosamente, porém, o inglês reduz o ritmo do seu Ferrari e limita-se a acompanhar Fangio até a bandeirada.
Ao descer do carro, o argentino apressou-se em cumprimentar Hawthorn e dizer-lhe "estou indo, Mike. Deixo as corridas para sempre". Era 6 de julho de 1958.
Aquele que talvez tenha sido o maior piloto de todos os tempos nunca mais retornou às pistas
Abraços (EC)
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