Assisti ao filme Cars e me diverti bastante com a história, principalmente com os italianos Luigi e Guido.
Em sua coluna sobre o filme, só faltou mencionar 1 personagem: Darrell Car Trip (o comentarista da TV). Nada mais é uma homenagem a Darrell Waltrip, que hoje trabalha como comentarista nas transmissões da Nascar.
Darrell que é irmão de Michael Waltrip, ostenta um belo currículo:
769 Largadas
84 Vitórias
3 Títulos
Sua última temporada foi em 2000. Um lance curioso, é que ele estava presente na Daytona 500 de 2001 (prova trágica, onde Dale Earnhardt, "The Intimidator" sofreu um acidente fatal) como comentarista. Curiosamente quem venceu a prova foi Michael Waltrip (se eu não me engano a 1ª vitória dele em Daytona), e no círculo da vitória colocaram os irmãos para baterem um papo.
Obs: Não sei se tem algo a ver, mas a última corrida de Richard Petty, "The King", marcou a estréia de um jovem talento, chamado Jeff Gordon. Seria esta a menção no fim do filme ?
Há algum tempo, li aqui sobre aquela corrida fatídica de Le Mans em 1955 (coluna O Pior dos Erros, de 5/6/2006). Achei esse vídeo, que ilustra bem aquela época:
Rega, com Ferrari, em sua estréia na F1, Holanda 70.
Saudades mesmo Edu
Da Fórmula 1 menos profissional, mais ingênua, menos pasteurizada, mais competitiva, mais disputada.
Com menos eletrônica, menos interferência de terceiros, decidida dentro das pistas, pelos pilotos e não fora delas por dirigentes que na maioria das vezes nunca sentaram em um carro de corridas.
A Fórmula 1 do coleguismo entre pilotos, menos carrancuda, mais alegre, onde os pilotos com certeza se divertiam muito mais, pois podiam correr em outras categorias (sim, elas existiam antes de serem "podadas" para não enfraquecer ou dividir o publico).
Rega na Espanha 71.
Saudades, saudades, muitas saudades.
A Fórmula 1 menos "nascarizada", com regulamento sério, que não precisava ser mudada ano a ano. Com sistema de pontos mais justo, mais honesto, com pistas tradicionais, suas curvas conhecidas, e não mutiladas em nome de mais segurança.
Rega na Argentina 72, o radiador do Ferrari obstruído por uma folha de jornal.
E para piorar, o grande Clay Regazzoni, "il bravo ferrarista", foi chamado para correr no autódromo lá de cima. Deixam saudades também, pilotos como Rega, Pace, Gilles, Peterson, que demonstravam garra e garantiam o espetáculo.
Mais um dia quente, de final de primavera, por aqui. Estava deitado no sofá da sala, com meu pai, vendo o noticiário da tarde da Globo quando ouço aquilo que me deixou muito triste e que não sentia já fazia há muito tempo: morre Clay Regazzoni.
Largando para o GP da Espanha 74.
A princípio, estranhei e não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Mas depois, quando entrei rapidamente na Internet e vi os sites, estava vendo o que realmente aconteceu... O mais curioso é que o motivo de meu estranhamento foi o estado como Clay estava. Não fazia nem dois meses que o vi numa matéria sobre a temporada de 1974, em que ele, em plena forma e se preparando para correr numa corrida especial, deu uma entrevista num italiano audível e bem humorado por sinal, aparentando perfeita saúde física.
Perseguido por Emerson, na Áustria 74.
Mas aí, vem uma ironia do destino e, os céus, lhe tiraram a sua vida. É
claro que este, e de todos nós, é nosso destino algum dia. Mas certamente, o modo em que morreu o Clay, não era justo, já que ele sempre mostrava superação e, assim como o saudoso Alessandro Zanardi, era um ícone de força de vontade ativa, aquele que, mesmo com tudo aquilo que sofrera num acidente automobilístico, estava animado e tudo ia bem com sua vida.
O que posso dizer sobre ele? Bem, não o vi correr, mas ao longo de minhas pesquisas, downloads, leituras, enfim, descobri o ser humano e o piloto que era Clay Regazzoni. Um piloto que, certamente, a F1 precisava hoje, porque sua simpatia, ah, era tão par, que ninguém conseguia copiar.
Na Bélgica 76.
Ele foi um piloto tão corajoso que, diante de uma substituição de uma hora para outra de lugar, consegue arrancar um sorriso, após chegar em quarto e marcar seus primeiros três pontos em sua primeira corrida, em Zandvoort 1970. Ou ainda: vencer num tímido e desanimado palco de Monza, aonde um outro simpático piloto, Jochen Rindt, morreu num triste acidente.
Mas talvez, o ponto mais alto, alias, um não, dois, foram:
Com Ensign, na África do Sul 77.
1 - GP da África do Sul de 1973: Regazzoni era mais um dos competidores naquela corrida, que era apenas a terceira corrida daquele ano (e que assistiu duas vitórias seguidas nas duas primeiras corridas de Emerson), de quinze no total, se viu em meio a temíveis chamas e, num exato instante, eis que surge um piloto, baixinho, franzino, calvo, que nem tinha muitas conquistas, mas que demonstrou boa vontade em ajudar aquele piloto, que ardeu nas chamas, Mike Hailwood. Mesmo com suas mãos ardendo, o inglês tentou, tentou, e no final, o velho Rega sai de seu carro e, graças a Deus, nada sofre. Este é um dos pontos, ou melhor, momentos marcantes dele.
Com Shadow, em Mônaco 78.
2 - GP dos Estados Unidos Oeste de 1980: Este é outro momento marcante, de quando, aos 41 anos de idade, numa equipe pequena para média, corria para tentar voltar a conquistar algo, bate de uma maneira que, as suas pernas ficam comprometidas para sempre. Mas aí vocês podem pensar: "Poxa, com isso, ele não faz mais nada, ficaria imprestável e nem sequer corridas ele pilotaria, desse jeito". Que nada! Regazzoni foi mais além e mostrou uma superação que, o seu sorriso, já dizia tudo, depois de tudo isto ter
acontecido.
Com Williams, vencendo na Inglaterra 79.
Bom, essa foi minha singela homenagem, a um homem que, sempre que for ver suas fotos e os poucos vídeos que tenho no PC, vou me lembrar com carinho do homem humano e do piloto que foi, um dos melhores de todos os tempos!
Pedro Jr.
Com Ensign, nos EUA 80, sua última corrida na F1.
Enfim, só citei dois momentos marcantes da carreira dele. Mas certamente, há muito mais. Talvez ele não teve aquela coragem e determinação para bater Emerson naquela corrida em Watkins Glen, no ano de 1974, segundo o próprio suíço confessou. Mas em contra-partida, Regazzoni não precisou vencer muito para mostrar que era um grande piloto e, com isso, ele merece, por tudo que fez na sua longa carreira, um lugar nos livros, registros, enfim, em tudo relacionado ao automobilismo.
Algumas semanas atrás, assim como quem não quer nada, perguntei ao meu filho o que ele gostaria de receber do Papai Noel. A resposta veio sem titubear: “uma pista de Fómua 1 com controle remoto”. Assim mesmo, sem o “r” e o “l”. Exatamente como ele fala.
Não minto que me surpreendeu. Tudo bem que ele tem uma grande influência minha no que diz respeito ao esporte, principalmente pelos finais de semana acompanhando as corridas, as revistas especializadas que de vez em quando repousam na mesa da sala, a minha coleção de miniaturas de carrinhos de F1 que ele teima em pegar, os DVDs, e por aí vai.
Mas realmente não esperava, mesmo porque com pouco mais de três anos, ele está naquela fase “infernal” de super-heróis. Só fala em Homem Aranha, Batman e até Power Rangers, mesmo com os pais insistindo em Irmãos Coala, Backyardigans, LazyTown, etc. Mas não tem muito jeito.
A surpresa é ainda maior quando imagino que ele nunca viu uma pista de Fórmula 1, do tipo Autorama. Asseguro-lhes que ele nunca brincou disso comigo, nem mesmo com os primos, um pouco mais velhos.
Pensei que essa idéia fosse mais uma daquelas jogadas no ar, sem muita pretensão, como tantas outras que acontecem. Mas curiosamente, dias depois, meu sogro perguntou a ele o que ele tinha “escrito” para o Papai Noel. Não deu outra: “uma pista de Fómua 1 com controle remoto”.
Ouvi, e agora já com um misto de orgulho babão e espanto, pensei que as coisas estavam ficando realmente sérias.
Para completar, num típico programa natalino, eis que a mãe o leva juntamente com a mais nova, para tirar fotos com o Papai Noel num shopping aqui do Rio.
Sorrisos de um lado, abraços de outro, e vem a tradicional pergunta do bom velhinho ao meu filho. O garoto, todo simpático e curiosamente sem medo, disse que já tinha “escrito” uma carta para ele, pedindo a tal “pista de Fómua 1 com controle remoto”. E ainda perguntou se ele já tinha comprado o presente.
Bem, depois de tanta insistência e porque não espontaneidade, disse a minha esposa que achava meio cedo esse negócio de pista de F1, que ele está numa fase em que os brinquedos perdem sua importância muito rapidamente e que... Foi quando ela me interrompeu:
– Marcelo, você não me disse que seu primeiro contato com a Fórmula 1 veio justamente do Autorama da Estrela ? Que um dos seus sonhos era brincar de Autorama com seu filho, assim como seu pai fez contigo ? Caramba, para um apaixonado como você por esse esporte, o que mais um pai pode querer ?
P.S. Temo que ano que vem, escreva uma crônica parecida com essa, mas falando dessa vez de PlayStation, ou joguinho pra PC, ou etc, etc...
Aproveito para desejar a todos, um Natal com muita saúde e paz.
Amigos,
para não ficar parecendo que eu sempre e apenas procuro diminuir o talento de Schumacher - sendo que na verdade somente digo que ele não foi um Senna, um Fangio ou um Clark (o que não é demérito nenhum) - segue aí o link de um vídeo do Grande Prêmio da Bélgica de 1995, por muitos considerada a melhor de Michael (junto com o da Espanha, de 1996) na Fórmula 1.
Nessa corrida, ele largou na 16a posição e, com a decisão de se manter na pista com pneus lisos (quando todos iam trocar para os de chuva), conseguiu chegar à 1a posição. Mas o desempenho em si não impressionou tanto como essa volta e meia. Coisa genial. Coisa de um dos melhores de todos os tempos.
1) Inicialmente e antecipadamente desejo um feliz natal a todos e próspero 2007. Que o GPTotal continue como é, sendo o melhor site da Formula 1 e do automobilismo que existe na face da terra...
2) Havia uma diferença entre Pace e o Emerson para mim. Apesar de fã incondicional dos dois eu gostava mais do Pace. Por que? Simplesmente o Emerson ganhava tudo e o Pace nada. Por isso acredito que a vitória mais emocionante da minha vida foi a do Pace em Interlagos. Lavei a minha alma. Comparar os dois fica complicado. Emerson entrou na Formula Um pela porta da frente e o Pace não. Dizer que o Pace era piloto de carros de turismo e não de formulas é um absurdo. O cara era muito bom em qualquer carro. Talvez o Pace não tenha sabido administrar a sua carreira fora das pistas, ao contrario do Emerson, mas digo apenas o seguinte: quem não viu o Moco correr, perdeu.
3) Creio que estas imagens do acidente de Tom Price foram as que na época mostradas pela TV, que passava a corrida ao vivo. Quem assistia pela TV, também não percebeu a gravidade do acidente. Eu mesmo só vi como o acidente realmente ocorreu num filme que vi no cinema e na época mostrou como tudo aconteceu. Até o acidente do Lauda foi mostrado de forma inédita neste filme. Foram cenas chocantes.
Não incluir Pace entre os 10 melhores pilotos brasileiros de F1 me parece uma grande injustiça, mesmo considerando a opinião da tal pessoa próxima e grande conhecedora do assunto.
Se formos compará-lo ao Emerson, até concordaria que este era melhor. Mas que me perdoem Alex, Ingo, Wilsinho e L.P.Bueno, todos pilotos pelo qual tenho o maior respeito e admiração, além de ídolos meus que foram, além de Helinho, Gil e Kanaan, que nem chegaram à F1, não tenho dúvidas de que o Moco era superior a todos eles. Ou eu vi outro filme.
Bacana a tua mensagem, que não é confusa coisa nenhuma, já passei por isto, vontade de correr e não ter grana, te entendo perfeitamente, afinal curto automóveis corridas desde que me entendo por gente.
Entretanto se não der para ser piloto, não faz mal, se divirta no kart
indoor, que hoje existe e não existia 31 anos atrás, quando tinha a sua
idade.
Freqüente, além do GPTotal, o warm-up, blog do saloma
(Blog-do-Saloma.blogspot.com), e tantos outros sites fantásticos que estão na rede, pilote e sonhe a vontade, é um grande barato.
Em tempo: Concordo contigo, o Moco dirigia paca, não era melhor nem pior do que o Emerson, eram equivalentes, se existia um desta época, embora uns dez anos mais velho, que talvez fosse um pouco superior aos dois, este era o Luiz Pereira Bueno, pena que não era um garoto quando foi para Europa e arrebentou na F-Ford inglesa na SMART (Stirling Moss Racing Team), sem nunca ter andado em monopostos no Brasil. Faltou grana.
Primeiro gostaria de pedir autorização aos leitores Anderson Rubin e Rodrigo Melo dos Santos para citar uma frase de cada um (com os devidos créditos) no livro que estou terminando sobre Fórmula 1. Ambos disseram algumas coisas bastante sábias e de muita sensibilidade.
Depois, gostaria de me manifestar sobre a questão Pace, que vem sendo discutida aqui. Em especial, falo ao leitor Augusto Lage.
Caro Augusto, seu texto me parece um pouco contraditório. Você afirma que não existem pilotos especialistas em fórmula ou carros de turismo, e sim pilotos com talento ou sem talento, e com dinheiro ou sem dinheiro.
No parágrafo seguinte, contudo, você diz que não considera fácil comparar pilotos, e que não se anima a fazer a sua lista de melhores.
Ora, se de fato existissem apenas os 4 grupos de pilotos que você citou, comparar pilotos seria algo extremamente fácil e imediato.
Quero, com todo o respeito, discordar frontalmente de você. Pilotar um carro de corridas no limite é algo complexo o bastante para demandar uma série de aptidões e rotinas, podendo os pilotos serem avaliados segundo uma série significativa de critérios.
Reproduzo aqui apenas os que cito em meu livro, sabendo que existem outros:
Automatismos (o quanto o piloto tornou automáticas as funções de piloto); Rapidez, velocidade e ritmo (uma coisa nada tem a ver com a outra; conforme já expliquei aqui, em artigos publicados no Friends); capacidade de adaptação; habilidade para aquecer os pneus; direção reativa e direção planejada; sensibilidade; reflexo; precisão; visão gestáltica; paciência, autocontrole; habilidade para ultrapassar; preparo físico, mental e emocional; motivação; amadurecimento; estratégia; negociação de contrato; capacidade de autopromoção; administração de imagem pública; preservação do equipamento; conhecimentos mecânicos; sorte; caráter...
Graças a essa imensidade de componentes e o agravante do aspecto binomial da disputa (conjunto piloto-carro) torna-se tão difícil comparar pilotos, quando a idéia é dizer quem foi melhor. Comparar estilos, porém, é algo possível e até fácil.
Sugiro aos leitores a leitura do excelente livro do Edu: Fórmula 1: Pela Glória e Pela Pátria. Nele, nosso amigo dedica um capítulo intitulado "Dom Casmurro" à carreira de José Carlos Pace. Ali vocês encontrarão adjetivos muito mais elogiosos ao talento do piloto do que na própria biografia deste, assinada por Luís Carlos Lima.
Entendo perfeitamente o que disse Eduardo, e concordo com ele. Pace certamente era um piloto de talento brilhante, e desfilava uma 'tocada' visivelmente mais inspirada que a de Emerson ou de Reutemann, por exemplo. Porém, as demandas específicas da Fórmula 1 vestiam muito melhor às características do Rato e de Lole que as de Moco.
Faltava a Pace o comprometimento cada vez mais cobrado na F1. Preparação física, por exemplo, é algo com que ele só veio a se preocupar após perder o Gp da Argentina em 77 por puro esgotamento.
Rápido, veloz, brilhante, tudo isso ele era. E o fazia sem destruir o carro. Um tremendo potencial. Porém, seu próprio peso e seu despreparo para a vida o tornavam muito mais competitivo (em termos de resultados) em carros de turismo ou protótipos do que num Fórmula 1. Inúmeras vezes ele partia na frente com decisão, exibindo seu forte ritmo e sua tremenda habilidade. Contudo, quase sempre o azar, a falta de preparo físico ou de visão da prova como um todo acabavam por roubar-lhe um bom resultado.
A quem interessar possa, tenho gravadas diversas corridas do Moco, como a esplêndida Alemanha 73, no velho Nurbürgring. Vi o bastante dele para dizer essas coisas.
Existe sim um abismo entre pilotar um Karman_Porsche e um Fórmula 1. Ignorar isso seria o mesmo que habilitar um jovem que acaba de fazer seu primeiro vôo solo num planador a pilotar um Jumbo ou um caça da força aérea.
Quanto ao "il Commendattore" é difícil avaliar suas preferências. Li tempos atrás um livro dele intitulado "Pilotti, che gente" e as avaliações que faz sobre os pilotos Ferrari e não Ferrari são mais ou menos como as eternas discussões sobre quem é o melhor, extremamente pessoais e carregadas de julgamento de valor subjetivo.
Mas respondendo sua observação, o Enzo Ferrari também não contratou Peterson, Piquet e outros do mesmo calibre. A história do Piquet foi muito comentada na época, pois segundo a imprensa o Piquet teria chamado o Comendador de "velho gagá" por não tê-lo contratado. Talvez o Piquet não fosse um piloto de fórmula, "né mêrmo?"
Quanto à atual "especialização" eu só lamento... Pilotos jovens hoje só querem ser pilotos de Fórmula-1, por isso dedicam-se desde cedo aos monopostos, tornando-se pilotos limitados, na minha opinião. Vejam o Schumacher, correu de turismo, de GT e de Marcas (protótipos), o que CERTAMENTE o tornou mais completo que outros. As reações dos diversos veículos, por serem diferentes permitem que se desenvolvam maior sensibilidade ao pilotar.
Quanto ao Stewart, a seu favor posso lembrar as grandes corridas que fez pilotando a Lola Can-Am, ao Siffert que nunca teve um F-1 competitivo, mas volta e meia fazia corridas sensacionais, assim como o Pedro Rodrigues. Será que o Emerson seria o piloto que foi se não tivesse pilotado os Gordinis, os Renault 4cv da Torque, o VW 2 motores e outras maravilhas da indústira automobilística? Teria a mesma sensibilidade? A mesma habilidade de domar as feras? Fosse qual fosse a caranga, o Emerson acelerava e se destacava. Para mim este é um exemplo de piloto.
Mas gostaria de mudar um pouco o rumo desta conversa, para falar do "CAMPEONATO NACIONAL DERBY DA DEMOLIÇÃO" que se tornou a Stock-car. Uma vergonha! Fechar a porta para meu conceito é mudar a trajetória UMA VEZ antes do adversário colocar o carro do lado. O adversário com meio carro ou mais ao lado, não é "fechar a porta" é "bater a porta na cara". Foi assim com várias tentativas de ultrapassagem, lembram-se do Ingo? Bateram a porta na cara dele, jogando ele no muro da entrada do Esse do Senna e ele só conseguiu passar por que estava MAIS DE MEIO CARRO AO LADO do homicida. O que se vê é no retão neguinho jogando o carro pra todo lado para evitar ultrapassagem. Creio que a regra da FIA é clara: só se pode mudar a trajetória uma vez!
Que o Cacá Bueno merecia ser campeão, pela consistência durante todo o campeonato, creio que ninguém tem dúvidas. Mas as duas atitudes, em Jacareáguá com o Losacco e em Interlagos com o Orsi, foram lamentáveis e indignas de um campeão. Principalmente pela declaração que deu após a corrida "ao vivo e a cores pela PLIN-PLIN" de que toda vez que o Hoover fechasse a porta ele ira fazer a mesma coisa, ou seja confessou que bateu de propósito.
Já externei minha opinião e reforço agora, antes que haja mortes ou danos irreparáveis a algum piloto, a organização deveria instituir uma regra que carros com a carenagem danificada, deveriam ser obrigados a entrar no box para trocar, fazendo perder tempo muito precioso, faria com que pelo menos as batidas propositais fossem evitadas.
Lembro-me bem que no mergulho, um piloto escorregou na saída da curva e dois pilotos aproveitaram para passá-lo. O Ingo vinha embutido no carro da frente e provavelmente o piloto que estava sendo ultrapassado não o percebeu e tentou voltar para a trajetória atrás do carro que o ultrapassava, não vendo o Ingo. A batida de lado foi inevitável, mas nitidamente sem intenção. Já naquela do esse do Senna...Quase o Ingo fica estampado na mureta!
Aqui faço uma pergunta que vai reforçar minha tese: Alguém já viu o Ingo, ele mesmo 100 vitórias na Stock, bater em alguém propositadamente para tirar da frente? Nem quando um retardatário está segurando ele faz isso. Ou Chico Serra? Ou o Boessel? Não porque eles sabem que são bons, sabem o risco que existe e são Pro-fis-sio-na-is. Todos grandes campeões.
O único grande campeão com atitudes de Dick Vigarista foi o Schumacher, logo ele o maior vencedor, que péssimo exemplo ele e a FIA por não puní-lo exemplarmente, deìxaram para a nova geração.
O importante é que a nossa emoção sobreviva (já ouvi isto de alguém!).
E, por falar em emoções e elogios, vai aqui um pedido, em caixa alta:
MANTENHA EM DESTAQUE, POR UM BOM TEMPO E NUNCA RETIRE DO SITE, esta obra prima sua que é o "A F1 mais pobre" (coluna de 13/11/06).
Uma das coisas mais sérias que já li sobre automobilismo, você estava iluminado quando escreveu este texto, de clareza e síntese ímpares, os filmes muito bem escolhidos. Tenho recomendado para gente que precisa se esclarecer.
De certo, vai servir como bíblia para esta geração de gente que não sabe o que foram "corridas" e desembarca agora, achando que os últimos quinze anos foram uma maravilha. Idolatram medíocres como o tal alemão, vêem algum valor em "campeões" como damon hill, villeneuve, os finlandeses (todos em caixa baixa, mesmo) e outros que estão por aí, apertando botões.
Não preciso falar mais nada! Só parabéns. Um milhão de vezes!