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Dunga Barrichello 13.08.10
Escreva pra gente
Marcel Pilatti

Desafio das estrelas 2008: falsidade?
Enquanto a gente passa vida discutindo quem foi o “Pelé”, Rubens Barrichello provou que é o Dunga da Fórmula 1. A grande diferença entre os dois é que ex-jogador/técnico tem um título mundial: ambos não foram nem são ases nos seus esportes, passa(ra)m a carreira toda reclamando de perseguição e têm uma grandiosa dificuldade de lidar com a, efêmera, glória que experimentaram.

Além da vitória na Copa do Mundo, outra diferença entre Barrichello e Dunga se dá no modo como se dirige(ia) m à imprensa: ao contrário de Rubens, que optou pela imagem de vítima, denominando a si mesmo “um brasileirinho”, o capitão do tetra sempre demonstrou rancor.







Mas por que essa comparação?

Mais uma vez, pelas declarações do piloto, e pela forma ele como conduz sua imagem. Já o defendi diversas vezes, mas sempre que julguei necessário o critiquei.

Barrichello transformou sua ultrapassagem sobre Schumacher numa vingança, por mais que queira negar: “ele está entalado”, disse, após o GP em Hungaroring. Quis fazer da ultrapassagem uma prova de que só não vencia Schumacher antes porque não podia, por mais que queira negar: “prometi pro Brasil que ele não passa mais”, completou. E mais: resolveu tornar sua saída da Ferrari numa atitude heróica, como não concordasse com a hierarquia: “agora as pessoas sabem porque saí antes do término do contrato”.





Não vou me alinhar àqueles que alegam que Schumacher só foi favorecido na Ferrari, em detrimento de Barrichello, duas vezes (Áustria 2001 e 2002), e que Schumy-Ferrari 'pagaram' Áustria 2002 naquele mesmo ano, em Indianápolis. Desse modo, dizem, a única coisa que 'eles' devem a Barrichello é o segundo lugar de 2001.

Dizer isso é tão absurdo quanto pensar que Rubens foi de fato melhor que o alemão e que teria sido ele o campeão do mundo em alguma(s) daquelas 5 temporadas. Houve, sim, muitos episódios patéticos por parte da Ferrari, e em muitos deles Barrichello foi o 'laranja'. Os acontecimentos da Áustria foram apenas os mais visíveis, mas talvez não tenham sido nem mesmo os mais sujos.

Essa situação já havia ficado clara no oitavo GP de Barrichello pela Scuderia, no Canadá, em 2000, quando foi “recomendado” a não ultrapassar o alemão.



Rubens diria depois do GP: “Não vejo problemas em ter escoltado Michael quando isso me foi pedido pela equipe. Eu confio neles e tenho certeza de que quando estiver à frente de Schumacher me será permitido vencer”.

O conformismo do brasileiro era latente. Será que ele ainda não tinha percebido “como eram as coisas na Ferrari”?





Dois anos depois, em Interlagos, a Ferrari estrearia o modelo F2002, depois de assistir à dobradinha da Williams na Malásia: detalhe, apenas Michael Schumacher poderia usar a nova “versão”: Barrichello manteria-se com o F2001. Na corrida, nenhuma surpresa: Schumacher venceu e Barrichello abandonou na 16ª volta, por “pane hidráulica”, quando liderava.
Em 2003: fingimento puro?
No entanto, certamente a mais patética das cenas daquela temporada aconteceu no GP da França: é importante lembrar que para Schumacher ser campeão nesse dia era necessário que 1) ele vencesse, 2) Montoya fosse no máximo terceiro e 3) Rubens não chegasse na 2ª posição.

Schumacher obteve a segunda colocação nos treinos e Rubens foi terceiro. Sabidos da confiabilidade dos Ferrari e da superioridade técnica em relação aos rivais, era difícil imaginar outra coisa além de uma dobradinha.

Qual foi a solução encontrada?


f1 2002 france
Enviado por abcpower20. - Noticias em video na hora

Na saída do carro, Barrichello chegou a fazer uma “banana” pros mecânicos ferraristas. Mesmo com tudo isso ele ainda não tinha percebido “como eram as coisas na Ferrari”?





No ano seguinte, tivemos pela primeira vez Barrichello à frente de Schumacher num campeonato: até o segundo GP, ambos somavam oito pontos, mas Rubens tinha a seu favor uma segunda colocação ante um 4º e um 6º do patrão.

No GP do Brasil, aquela falha monumental: Barrichello na liderança – Schumacher já havia rodado e abandonado a prova – e uma “pane seca” (muito comum nos anos 80...) o elimina da disputa. Mais tarde, no GP da Itália (Barrichello havia superado Schumacher naquela pista nos últimos dois anos, e voltaria a fazê-lo em 2004), a Ferrari disponibilizou um motor 15cv mais potente para o piloto número 1.

Mas o grande momento do ano aconteceu na Hungria, corrida que marcou a primeira vitória de Alonso na F1: Barrichello (3º) estava muito melhor que Schumacher (9º). No meio da reta, sua suspensão se arrebenta e o piloto vai de encontro à barreira de pneus.



A Ferrari declarou publicamente que o motivo de tal quebra foi a maneira como o piloto número dois atacou as zebras: “de forma pouco usual”. Da parte de Rubens, só silêncio, e nada mais. Em sua 4ª temporada ele ainda não tinha percebido “como eram as coisas na Ferrari”?





Em 2004, por incrível que pareça, não houve nenhuma grande polêmica em pista envolvendo os dois, à parte o fato de a Ferrari ter feito um carro totalmente moldado para Schumacher, que não gostou do modelo 2003 (situação semelhante à atual da Mercedes, não?).

O carro de 2004 foi o melhor da história da F1 ao lado da Williams de 1992 e da McLaren de 1988, e isso levou Rubens a renovar por dois anos. Porém...
Espanha 2004: só pra fazer média?
No GP de Mônaco de 2005, na última volta, Barrichello é ultrapassado por Schumacher, que vinha em oitavo. Foi a primeira vez que o brasileiro trouxe a público sua irritação com o alemão: “Um campeão mundial como ele não precisa fazer as coisas dessa maneira”, disse.

Mas a gota d'água, segundo o próprio Barrichello, viria meses depois, no GP dos EUA daquele mesmo ano: “O time me pediu que diminuísse meu ritmo para que Michael pudesse chegar mais perto e me passar (...) eu sabia que tinha chegado minha hora de sair”.


Résumé USA 2005
Enviado por Atsam. - Videos de NASCAR, F1, tuning e drift

Demorou para Rubens perceber “como eram as coisas na Ferrari”, não?

Porém, em suas explicações atuais, o brasileiro esqueceu totalmente do GP dos EUA, e resolveu dizer que “não saiu da Ferrari antes porque não tinha nenhum equipamento melhor”. Novamente, Rubens se equipara a Dunga, pois este preferia reservas de clubes italianos aos titulares do Santos.





O que não dá pra engolir, mesmo, no “pós-ultrapassagem” de Rubinho, é essa história de que não aguentava o “clima” na Ferrari e de que “já comeu muita coisa ruim por causa de Schumacher”. Ano passado, por exemplo, Rubens proferiu uma das maiores besteiras de todos os tempos, tanto como piloto quanto como pessoa: “eu fingia ter amizade com Schumacher só para fazer média”.





O GP da Hungria de 2010 provou aquilo que todo mundo já sabia: Michael Schumacher não sabe perder. Mas também mostrou que, infelizmente, Rubens Barrichello não sabe vencer.
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