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Compañeros 26.07.10
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A minha ideia, antes mesmo do GP acontecer, era escrever uma coluna comparando os companheiros de equipe esse ano, lançando um olhar sobre a corrida em si e analisando como ela reflete ou reforça os desempenhos dessa temporada. Porém, ainda que isso possa ser feito, uma certa dupla de pilotos receberá muito mais atenção do que todas as outras juntas.

Desse modo, tecerei pequenos comentários sobre o 'resto' e depois vou me ater à Ferrari.





A Red Bull está fazendo todos os seus esforços para perder esse campeonato, em especial Sebastian Vettel, celebrado a todo momento com gênio, etc.

Sua atitude logo no início da corrida revelou um de seus maiores defeitos: afobação. A boa notícia para o jovem alemão é que seu companheiro Mark Webber foi particularmente mal, largando atrás e ainda perdendo duas posições no fim das contas, em sua performance mais fraca desde o Bahrein.





Na McLaren, que, junto com a Mercedes, é a mais nacionalista das equipes, tudo segue com a frieza e precisão britânicas. Ok, não foi o GP dos sonhos, Button cometeu erros e esteve apagado, Hamilton também não subiu ao pódio e chegou a declarar que o time era a “terceira força” na Alemanha, mas eles seguem na ponta, tanto dos construtores quanto dos pilotos.

E, diferente do clima de Ferrari e Red Bull, os “caras” parecem mesmo se respeitar.







Na Mercedes, o negócio é 2011.

O piloto número 1 ficou no Q3 e ganhou duas posições ao fim das contas. Já o número 2 (não se engane com posições de classificação no campeonato nem com placar dos treinos: isso não importa), subiu uma posição – através do trabalho dos boxes.

Com uma arquibancada inteira da torcida organizada (que fez um belo mosaico com os nomes de Nico e Michael), a frustração não podia ser maior.





Outra decepção alemã foi a Force India: os motores Mercedes estavam num fim-de-semana para esquecer, definitivamente. Na Williams, depois de grandes GPs em Silverstone e Valência, uma grande decepção. E na Renault, Kubica segue fazendo mais do que o possível.





Falemos agora de Ferrari.
Vettel e Webber sem ordens de equipe? - Clique para ampliar


Estou achando bastante exagerada a reação pública nesse caso. Não que eu defenda o acontecido, não que eu considere “esportivo”, nem nada próximo. Mas o excessivo tom moralizante, especialmente depois de tudo que já foi visto na F-1, me parece muita hipocrisia.

Um fato que me chamou a atenção no “pós-GP” foi ver que, a exceção dos envolvidos, apenas três pilotos em atividade comentaram sobre o caso: Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Lucas Di Grassi.

Sobre o último, trata-se, obviamente, da questão de ele ser brasileiro, e a resposta é até meio exigida. Já sobre Barrichello e Schumacher, é porque eles são os personagens mais lembrados em situações como essas (tanto a favor de Schumy – canadá 2000, Áustria 2001 e 2002, EUA 2005 – quanto contra – Malásia 1999, EUA 2002).

E parece que a situação permanece a mesma, nas opiniões: Schumacher disse que “faria o mesmo”, e Barrichello afirma essa atitude ser “tudo que ele já conhece”. Schumy ainda ponderou: “só não pode ser tão descarado assim”.





David Coulthard, que foi o Barrichello-Irvine de Hakkinen, foi um dos que veio em defesa do caso: “Essa regra que proíbe ordens de equipe é ridícula”. Coulthard, de 13 vitórias e um vice-campeonato na F1 (alguma coincidência?), pouco tem a reclamar daqueles tempos em que ele era obrigado a estacionar seus carros para que Mika vencesse. Aliás, às vezes até pilotos de outras equipes o faziam.







Christian Horner, chefe da Red Bull, foi um dos que reclamou de forma vêemente: “É uma pena para a F1 que não se tenha permitido que Felipe e Fernando tenham competido um contra o outro. Não há tantos pontos entre os dois.”

O que será que Mark “nada mau para um segundo piloto” Webber tem a dizer sobre isso?

E mais engraçado: a justificativa de Horner, no caso da asa dianteira, foi que estaria priorizando Vettel por ele ter... mais pontos que Webber!





Felipe Massa alternou momentos de bom e mau humor: ora fingiu que não houve nada, ora mostrou irritação com o caso, ora disse que Alonso de fato era mais rápido, ora que fez um trabalho pensando na equipe, ora que ele mesmo quis deixar passar, enfim...

Uma das coisas interessantes que foi dita pelo piloto foi sobre 2007/2008, com Raikkonen: “no primeiro ano, eu ajudei a equipe e ele, depois, eles me ajudaram”.

Hamilton e Button antes de serem companheiros
Sim, Massa não tem memória ruim, sobre esses casos: em 2007, todos lembram do pitstop em Interlagos; E todos lembram da freada de Kimi na China, em 2008: sem aqueles dois pontos, talvez não tivéssemos o final “thrilling” do campeonato de 2008.

Mas Massa tem mais coisas a se recordar: Em Suzuka, 2006, ele, já sem chances de título, quase estacionou o carro ao final da reta nas voltas iniciais. E na Turquia, naquele mesmo ano, quando obteve sua primeira vitória, chegou a declarar publicamente que sabia que se Alonso não estivesse em segundo, ele não teria vencido.

Só que, em 2006, Massa não reclamou. Aliás, em Suzuka ele estava brabo mesmo era com o fato de Schumacher não ter vencido.





Alonso, independente de suas conquistas e sua grandeza, pelo menos nisso já está ao lado de nomes hitóricos do esporte, como Michael Schumacher, Zinedine Zidane, Diego Maradona, Alain Prost (Balestre) e dos atores Robin Williams e Sylvester Stallone.

Ele tem, gradativamente, se tornado um “inimigo Público” do Brasil. Já no ano de 2007, quando não havia brasileiro em combate e vestiu-se a carapuça de Hamilton (lembram de Galvão chamando-o de Robinho?), Alonso começou a ser pichado publicamente.

Esse ano, depois dos “boxes da China”, esse prêmio já pode ser computado na carreira do espanhol além dos dois títulos e das 23 vitórias – ele igualou Piquet, ao contrário do que disse Luís Roberto.







Se fosse fulano...

Ontem, um dos “trending topics” do Twitter foi o nome “Senna”. Por quê? Porque a grande maioria dos internautas estava criticando Felipe Massa e dizendo que “se fosse o Ayrton, não deixaria isso acontecer”.

O Jornalista Juca Kfouri, normalmente mais centrado em futebol, deu seus pitacos e chamou o mundo da F-1 de “mundo de babacas” - ao que, talvez, não esteja tão errado. E, no final, depois de criticar os pilotos brasileiros, falou que “Se fosse o Nelson Piquet (pai), não deixaria isso acontecer”.

Não sei.

Schumy e Nico vida difícil
Mas me lembrei do texto “Reutemann contra Jones”, de Luís Fernando Ramos: Carlos Reutemann, sim, mandou sua equipe às favas, contratos e sinalizações foram ignorados.

Como disse o grande atacante brasileiro Careca, “nos falta uma gotinha de sangue argentino”.





Boa semana a todos.

Marcel Pilatti
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