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O recordista do avesso I 16.07.10
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Alfa Romeo, 1983 - Algo sai errado nos treinos em Imola... - Clique para ampliar
É realmente muito fácil vermos aqui no GP Total acaloradas e, por vezes, intermináveis, discussões sobre grandes performances, vitórias, poles, arrojo, ousadia ou talento natural. Pensei em falar um pouco do avesso disso tudo. E um nome veio automaticamente à minha cabeça: Andrea de Cesaris.

Evidentemente, De Cesaris sobrevive acima do esquecimento e tem seu nome lembrado através dos tempos por sua capacidade ímpar de destruir carros e, impavidamente, sempre seguir em frente sem jamais olhar para trás – e ver o estado em que os deixou.

Isso justifica um dos mais famosos apelidos deste italiano (bem) nascido em Roma, Andrea de Crasheris. E resultam em piadinhas como a que circulava pelo paddock em 1981. Com joviais 22 anos, ele corria sua primeira temporada completa na F1 pela McLaren, que havia sido adquirida meses antes por Ron Dennis, numa jogada esperta em cima do falecido Teddy Mayer:

Pergunta: Por que Andrea corre com o número 8 e não com o número 7?
Resposta: Porque é muito mais fácil visualizar o número 8 de cabeça para baixo!


McLaren 1981 - Estreia do chassi em fibra de carbono em Mônaco, com batida e tudo - Clique para ampliar
Eu me diverti pacas escrevendo este texto. Não faltam argumentos para as minhas risadas. Em 1981, ano da referida piadinha nº 8, De Cesaris estabeleceu novos patamares de destruição no esporte a motor. Segundo um levantamento da época feito por Reginaldo Leme no GP do Canadá, penúltimo da temporada de 15 provas, ele havia batido incríveis 22 vezes (!) nas mais diferentes superfícies, como muros, outros carros, guard-rails ou barreiras de pneus, seja isso em treinos ou em corridas. E não era do tipo que largava o volante quando virava passageiro – segurava-o firme, sem hesitar.

Reza a lenda que Andrea dava tanto trabalho para os mecânicos da McLaren que eles estavam a ponto de fazer greve no fim do ano. Na verdade, só lhe é dada atenuante relevante no GP da Grã-Bretanha, onde foi envolvido em uma batida coletiva causada por Gilles Villeneuve. Na verdade, De Cesaris foi heróico no lance, já que jogou seu carro para fora da pista para não bater na traseira de seu próprio companheiro John Watson. Wattie acabaria vencendo a corrida para a McLaren, acabando com um jejum da equipe que não ganhava desde 1977.

E pensar que esta vaga na McLaren em 1981 poderia ter sido de Chico Serra. Ele, é bom lembrar, correu para Ron Dennis na F3 e F2 pela Project Four. Derrotou De Cesaris como companheiro de equipe pelo título da F3 britânica em 1979, mas, na hora de disputar a vaga na F1, foi derrotado pelo ótimo relacionamento do italiano com a Marlboro.

O pai de Andrea era comerciante que ganhou uma licitação do governo da Itália para ser distribuidor oficial de cigarros de todas as marcas no país – inclusive as da Philip Morris. Mesmo não sendo lobista direto, ele conhecia e indicava as pessoas certas com quem o filho deveria conversar a fim de levantar dinheiro para competir.







Andrea correu na F1 entre 1980 e 1994. Com 208 largadas, é o 8º de uma lista encabeçada por Rubens Barrichello e suas quase 300 corridas. Quando parou, era o 2º colocado, apenas atrás de Riccardo Patrese, o homem a ser superado justamente por Rubinho. De Cesaris é único dos 10 pilotos com mais de dois centos de largadas no currículo a jamais ter vencido, uma vez que Jean Alesi (201) e Jarno Trulli (222) salvaram para si uma vitória cada. O atualmente reserva Nick Heidfeld, 2º a mais largar e não ganhar, só tem 167.

Quando o assunto é abandono em corridas, ninguém chega perto dos números dele. Das 208 largadas, não completou 137 delas, incluídas nessa conta duas desclassificações. Também detém o recorde de 14 abandonos numa só temporada. E isso ocorreu duas vezes! Em 1986, pela Minardi, desistiu de 14, não pegou vaga no grid em uma e terminou a outra em 8º, fora dos pontos. Em 1987, pela Brabham, igualmente desistiu em 14 oportunidades, mas emendou o tabu de 12 corridas seguidas sem completar - isso logo após ser 3º na Bélgica.

Alfa Romeo, 1982 - Fogo amigo com Giacomelli na largada em Zeltweg - Clique para ampliar
De Cesaris também detém o título de maior nômade da História da F1, por ter pilotado por mais equipes que qualquer outro dos que passaram pela categoria: Alfa Romeo, McLaren, Ligier, Minardi, Brabham, Rial, BMS Dallara, Jordan, Tyrrell e Sauber. São nove escuderias, duas a mais que o segundo colocado, Giancarlo Fisichella.

Concluo na 3ª-feira. Bom final de semana!

Lucas Giavoni
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