Aproveitando o início da Copa do Mundo, vou tentar trazer um pouco deste maravilhoso torneio para o nosso site. Pensei comigo: entre tantos favoritos e zebras apontados, seria possível traçar um paralelo com a Fórmula 1? É a conclusão à qual tento chegar.
Comparar os pilotos e as seleções através do número de títulos me parece óbvio e injusto, ao mesmo tempo. Afinal, a Seleção Brasileira de futebol, sob esse aspecto, seria como Michael Schumacher. Porém, os papéis por eles atualmente desempenhados são significativamente diferentes. De igual modo, fica difícil pensar que o Uruguai (bicampeão mundial) possa ser comparado a algum dos outros três pilotos com título.
Levando tudo isso em conta – e sabendo que o término da primeira rodada/início da segunda já indica algumas reviravoltas (para bem e para mal) nos prognósticos –, chego a alguns palpites.
Sebastian Iniesta
Sebastian Vettel é uma espécie de Seleção da Espanha: muito conhecimento da arte de pilotar, desempenhos grandiosos e vistosos, mas ainda sem um “selo de garantia”: a Espanha havia perdido apenas uma partida das últimas quase 50 que disputou: justamente a semifinal da Copa das Confederações, contra os Estados Unidos. E o que aconteceu na estreia da Copa? Uma derrota para a seleção suíça (!), apesar do maior volume de jogo e superior quantidade de chutes a gol. Algo como a batida entre companheiros na Turquia.
Mark Klose
Mark Webber está lembrando os times da Alemanha: assim como a seleção germânica, que normalmente é qualificada como “feia” quanto ao seu futebol, mostra ao mundo uma versão diferente e renovada. Webber, como os alemães, está competitivo, e tem superado aquilo que se entende por “futebol bonito" (Vettel). Historicamente, a Alemanha é muitíssimo mais bem-sucedida que a Espanha, e é também o time que mais vezes chegou em finais de copa (ao lado do Brasil). Desde 1966, em apenas 3 copas não ficou entre os três melhores.
Robert Kubica é alguma seleção Africana, de quem se espera pouco, mas, justamente por isso, a surpresa é maior. Kubica está fazendo, agora, algo como o que Camarões fez em 1990, ou Senegal em 2002, quando estes derrotaram os então campeões mundiais, e terminaram entre os 8 melhores colocados – quando todos esperavam, no máximo, um lugar entre os 16. E não apenas em resultados, mas também em espetáculo. Nessa edição, porém, apenas a Costa do Marfim parece ter alguma chance.
Fernando Rooney
Fernando Alonso tem se assemelhado à seleção da Inglaterra. Antes do começo, foram apontados como favoritos: chegaram com moral, seja pela campanha das eliminatórias ou pelos testes de inverno; e têm a seu favor a força da tradição (Alonso bicampeão, Inglaterra campeã e pátria de grandes clubes). Mas ambos estão passando por circunstâncias inesperadas: a batida nos treinos de Mônaco ou o frango contra os EUA, os cortes de Beckham e Ferdinand e o pouco avanço da Ferrari em relação às rivais.
Felipe Massa me lembra a seleção dos EUA, pois, assim como os americanos no futebol, Massa sempre foi considerado abaixo do que realmente pode render. Em 2008, ele disputou o título e por muito pouco não se sagrou vencedor. Ano passado a seleção estadunidense, depois de eliminar a Espanha, por muito pouco não foi campeã em cima do Brasil na Copa das Confederações. Mesmo assim, mais uma vez os americanos chegam descartados.
Nico Rosberg me lembra uma seleção de Portugal, pois, assim como nossos colonizadores, Rosberg parece que não nasceu pra 'coisa': Portugal teve grandes craques em sua história, e agora tem outro jogador genial, mas parece fadado a sucumbir diante de "camisas mais pesadas". E Nico, quando consegue dois pódios e é vice-líder, tem de aceitar passivamente uma troca de carro, e vê seu desempenho despencar e até mesmo gente dizendo: "amarelou". Como fazem com Portugal.
Michael Schumacher é hoje uma seleção da França e, assim como os "Bleus", possui no passado seu trunfo. O time francês chega à Copa depois de uma repescagem, e sem muita credibilidade como 'favorita'. Sem Zinedine Zidane - assim como Schumacher, o maior nome do esporte no final dos 90 e meados dos 2000 -, todos sabem que ao menos 50% da força do time desaparece. E curioso é que Schumacher é um Zidane de si mesmo: assim como Zizou, o grande Schumi ficou em 2006. Falta carro...
Maicon Button
Jenson Button está para a F1 atualmente como a seleção Brasileira para a Copa: o inglês é o atual campeão mundial, já obteve duas excelentes vitórias, encara um osso duríssimo de roer (Hamilton) e, mesmo assim, é extremamente subestimado. O time do Brasil é o atual campeão da Copa das Confederações, e se classificou em primeiro lugar nas eliminatórias sul-americanas. Alguém duvida do que são capazes, mesmo que não sejam espetaculares?
Lionel Hamilton
Lewis Hamilton é mais ou menos como a seleção da Argentina: depois de muitos erros e tropeços na fase preparatória, chega à Copa como uma das favoritas, e tem o melhor jogador do mundo em campo. Lewis encarou em 2009 um ano de fortalecimento pessoal e profissional tremendos, e agora, depois de ter dificuldades com Button, reencontrou o caminho para a vitória. Porém, qual Argentina, há ainda muitos fantasmas por se exorcizar. E só o talento não vai resolver.
Em toda competição futebolística, sempre aposto na Argentina ou no Brasil. Mas a Alemanha está jogando uma bola... Ou pelo menos estava, até a derrota hoje, pra Sérvia