 |
 |
|
11.08.11 - Roberto Agresti |
 |
|
|
17.05.11 - Eduardo Correa |
 |
|
|
18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
 |
|
|
12.12.08 - Alessandra Alves |
 |
|
|
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
 |
|
|
|
 |
|
29.07.11 - Carlos Chiesa |
 |
|
 |
|
|
21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 10.05.10 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
|
|
 |
|
|
|
Lucas Giavoni, do www.ultimavolta.com
Quase como por ironia, o outrora mais criticado desta vez foi o melhor. Altamente questionado pelas atuações apagadas no Bahrein e na China, os erros na Austrália e a inferioridade perante o companheiro principalmente na Malásia, Mark Webber fez na Espanha uma corrida que seus críticos apontariam ser incompatível com a capacidade do australiano.
Uma vez conquistada a pole-position em cima de seu (justificadamente) badalado companheiro, Webber cumpriu à risca sua missão: foi do apagar das luzes vermelhas à bandeirada sem escalas, ou melhor, de ponta a ponta. Caso tivesse marcado a volta mais rápida, faria o raro Grand Slam do esporte a motor - que assim como o conhecido Hat Trick inclui pole e melhor volta, mas a vitória deve ser de ponta a ponta. A verdade é que Mark até tinha condições para fazê-lo, mas não quis. No estágio final da prova, com carros leves, a ordem do dia era administrar a vantagem. Lewis Hamilton, alvo de comentários mais adiante, ficou com a melhor volta.
A vitória alçou Mark para o 4º lugar no campeonato (53 pontos), atrás de Sebastian Vettel (60), Fernando Alonso (67) e Jenson Button (70). Para quem ficou devendo nas primeiras quatro corridas e tinha, sim, a cabeça a prêmio, é realmente melhor do que a encomenda. Esta é a nova chance para Webber mostrar que é piloto à altura do equipamento que tem. É bom ele agarrar com unhas e dentes essa oportunidade, pois parece ser a última de sua carreira.
Apenas para registrar: um Grand Slam não acontece na Formula 1 desde Hungaroring 2004, quando Michael Schumacher contava com a imbatível Ferrari F2004 e conquistaria seu hepta na prova seguinte, em Spa. A última vez no circuito da Catalunha foi em 2002, sempre com esse binômio Michael-Ferrari.
O circuito da Catalunha, por sinal, mostra ano após ano que é um péssimo palco para corridas – e olha que esse não é assinado pelo picareta do Hermann Tilke, rei dos traçados maçantes. Mas não é difícil entender o motivo. Apesar de possuir uma enorme seletividade, com curvas de baixa, média e alta, freadas de todo tipo e uma enorme reta, a pista exige um alto grau de arrasto aerodinâmico no ajuste dos carros.
Essa condição cria uma dependência no grip aerodinâmico que nem mesmo o grande retão (único ponto não-insano de ultrapassagem) salva na questão do sobe-e-desce de posições. O revigorado Schumacher ganhou no box a posição de Button no box na volta 16 e conseguiu segurar o inglês sem apelar por 40 voltas até a bandeirada.
Mas há a parte boa dessa pista. Ser considerada pelos times como ótima para testes significa ser uma espécie de coringa: se um carro anda bem na Catalunha, vai andar bem em qualquer pista. É por isso que tantos pilotos que se tornam campeões na temporada ganham na Espanha – logo, estão em melhor forma e com o melhor carro em mãos.
Temos, portanto, o porquê dessa chegada dos carros à Europa, com seus tradicionais pacotes de atualização, ser um termômetro tão confiável de previsão para as próximas provas: o circuito nos oferece isso.
A questão da “nova chance”, portanto, não se restringe a Webber. Também se estende à própria Red Bull. A equipe, que jogou tantos pontos fora na “turnê do oriente”, terá nova oportunidade para finalmente exercer uma supremacia a partir desta primeira “turnê europeia”, que inclui Mônaco e Turquia antes da viagem para a América do Norte, ao regresso Canadá.
Ficar praticamente um segundo inteiro à frente de McLaren, Ferrari e Mercedes no treino oficial não é pra qualquer time. Mas o recado continua o mesmo: pode ser a última chance da Red Bull aspirar um título, pois nas próximas “guerras de pacotes”, pode ser alcançada pela concorrência. Os problemas enfrentados por Vettel (que em vez de completar uma fácil dobradinha teve que contar com braço e sorte para se arrastar até o 3º lugar) indicam que os trabalhos devem priorizar a confiabilidade, pois em termos de desempenho não há do que reclamar.
Fernando Alonso está com aquele ingrediente essencial na campanha de um campeão: a sorte. Sinceramente, não lembro de ver nenhum caso de “ah, apesar de todos os azares naquela temporada, aquele cara conseguiu ser campeão”. Precisa de sorte sim. E Alonso está com ela, já que em seu único abandono, na Malásia, disputava apenas o 8º lugar quando o motor abriu o bico. Ter transformado um cômodo 4º lugar em um festivo 2º é um daqueles “detalhes” que fazem diferença no passar a régua da tabela de pontos.
Se Fernando é vice-líder com um carro que não é o melhor, pode muito bem ser campeão se a Ferrari finalmente lhe oferecer o melhor. Pior para Felipe Massa, que com o 6º lugar realmente não se encontrou neste fim de semana. Caso ainda pense em ser tratado como primeiro piloto neste ano, tem que obrigatoriamente andar melhor que o companheiro em Mônaco e principalmente na Turquia, onde ele é, disparado, o melhor piloto.
E por falar em Alonso, saiu o último número da impressionante Alonsomania: 98 mil espectadores na corrida. Apenas como comparativo, aquela edição espetacular de 1986 em Jerez (uma das mais eletrizantes corridas de todo o Século XX), que teve Senna batendo Mansell por 14 milésimos, foi assistida por... 15 mil espectadores. Não havia pilotos da Espanha no grid.
O 4º lugar de Schumacher parece ter mais significado do que um simplesmente dizer que “ele finalmente se encontrou”.
O novo pacote de atualização da Mercedes, com soluções como o acréscimo da distância entreeixos, parece ter sido feito sob medida para que o veterano alemão tivesse um carro mais perto de seu estilo de condução. E a melhora de desempenho de Michael gerou imediatamente efeitos colaterais.
De uma corrida para outra, Nico Rosberg (sim, aquele que era vice-líder do campeonato), começou a tomar tempo do companheiro e isso durou todo o fim de semana. Isso significa que o poder político e de liderança de Schumacher dentro da Mercedes nunca esteve por baixo. Ross Brawn sempre continuou apostando suas fichas em Michael, mesmo que para isso ele tenha que dinamitar a campanha de outro piloto, que tinha 40 pontos a mais.
Agora aquele conselho do Rubens Barrichello de “Nico, se eu fosse você eu saía rapidinho daí” começa a fazer sentido...
Em tempo: Uma das modificações da Mercedes foi a nova tomada de ar, que devia ser proibida só porque é horrorosa. Mais uma vez consultando o passado, veremos que já houve proibições na F1 por questões meramente estéticas. Os pavorosos candelabros inventados pela Tyrrell em 1997 começaram a virar moda no ano seguinte e até a Ferrari usou uma vez, até ser definitivamente banido pela FIA...
Lewis Hamilton perdeu um podium no finalzinho. Cenas de um filme já visto? Certamente. Episódio de puro azar? Parece não ser o caso. De fato, temos que lhe dar o benefício da dúvida, pois pode ter sido uma daquelas infelizes falhas de roda, como prontamente afirmou a McLaren. Mas um breve histórico pode apontar Lewis como senhor de sua própria destruição, caso o abandono tenha sido causado por um pneu que não aguentou a condução selvagem do inglês.
Enquanto Hamilton desce, Button, também contagiado pela sorte de campeão que paira sobre Alonso, sobe. Apesar de não ter passado de um tímido 5º lugar, continua líder do campeonato e ganha cada vez mais fãs dentro da McLaren. Ter vencido o campeonato de 2009 mudou Jenson. Ele se comporta como campeão em todas as suas atitudes. Fica até difícil explicar isso sem ser subjetivo.
Está cada vez mais claro que Hamilton é um piloto extraordinariamente rápido, dono de um virtuosismo ímpar e que... não sabe cuidar de seus pneus. O fim da era dos reabastecimentos obrigou os pilotos a revisarem seus estilos e parece que Lewis é um dos que mais está sofrendo com isso, pois agora a F1 premia apenas aqueles que sentam a bota sem destruir a borracha que lhe é dada.
Mas e Vettel? Ele, muitos podem argumentar, também teve problemas de pneu. Mas a escancarada falta de equilíbrio causada por freios defeituosos lhe dá um salvo-conduto. Sebastian deve, portanto, apenas receber os elogios por ter conseguido levar o carro até a linha de chegada a tempo de ir estourar champanhe no dia em que Red Bull e Webber ganharam suas novas chances.
Aquele abraço!
Lucas Giavoni
|
|
 |
| | |
|
|
 |