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O País do Futebol! 27.04.10
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O Brasil é o país do futebol! Mas sempre me perguntei: será que é só isso? Mesmo depois do tri de Ayrton Senna, do fato dele ser idolatrado no mundo inteiro? Mesmo depois do bi na Fórmula 1 de Emerson Fittipaldi e todo o seu pioneirismo em ter uma equipe brasileira, sua briga por segurança, por abrir as portas do automobilismo mundial para os brasileiros e ser aplaudido de pé nos Estados Unidos (por muitas vezes, em ocasiões diferentes como eu já pude presenciar), sem contar tanto mais, como o bicampeonato das 500 milhas de Indianápolis?



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E Nelson Piquet então? O seu tri na Fórmula 1 e todas as novidades técnicas que ajudou a desenvolver na categoria? Todo o reconhecimento que tem fora do Brasil, assim como Helio Castro Neves, tri das 500 Milhas, prova da qual aqui nem preciso discorrer sobre sua importância. E olha que estou falando só de automobilismo, não estou citando nem o tri de Roland Garros de Gustavo Kuerten, nem Torben Grael, e seu “Brasil 1”, além de comandar o título da Volvo Ocean Race de 2008/2009. Tem ainda Robert Scheidt, octacampeão da Laser (já consagrado por uma grande revista internacional de vela, como o Pelé dos mares). Isso sem falar da seleção brasileira de vôlei, que já ganhou tudo que podia, dos títulos da ginástica artística, com a criação de movimentos próprios… Enfim, será que o Brasil é mesmo só, e só, o país do futebol?



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Fico constantemente imaginando, quantos outros Sennas, Kuertens, Graels, Scheidts, Bernardinhos, Daianes e Hypólitos podemos ter escondidos por aí. Não sei onde, mas quem sabe no Acre, Rondônia, Roraima, sei lá onde, mas que acabam não aparecendo ou surgindo por total falta de apoio e oportunidades.

Eles podem estar, por exemplo, em Arroio do Silva, um balneário ao sul de Santa Catarina, perto da divisa com o Rio Grande do Sul. Lá, existe uma competição já há mais de vinte anos e, pasmem, não envolve bola nem trave. E sim, pneus, motor e muita adrenalina. Um arrancadão diferente, usando o que se tem nas mãos, no caso, por se tratar de uma região de muitas transportadoras, um caminhão, ou melhor, dezenas deles.



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A prova reúne, anualmente, milhares de pessoas, que chegam a quintuplicar a população da cidade. Perto de 200 mil assistem a prova e pergunte se voltam no ano seguinte? Com mais amigos ainda!

O que mais chama atenção, é que Arroio não tem autódromo e nem uma reta de arrancada mas, em compensação, tem uma das maiores praias do litoral brasileiro, permitindo assentar um retão de mais de 1 quilometro sobre a areia. Seiscentos metros para acelerar, em três faixas, lado a lado, e mais 600 para segurar o “cavalo” (tudo devidamente organizado e liberado pelos órgãos públicos, políticos, de segurança e ambientais). São cinco categorias e, em uma delas, é possível mexer mais ainda na potência do bruto, fazendo-o passar dos mil cavalos. Nas outras categorias, o mesmo caminhão que trabalha fazendo o Brasil não parar, estrada afora, entra na reta despejando toda sua potência. O resultado é um show! Um evento e tanto, e mais que isso, um sonho para muitos.



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Os pilotos que, na verdade, são os próprios caminhoneiros que dia após dia arriscam a vida nas buraqueiras brasileiras, se preparam todo o ano para as horas de Ayrton Senna, Fittipaldi e Piquet que viverão. São momentos, que segundo eles próprios, permanecem até o ano seguinte. Sendo revividos a cada parada de descanso nos postos de combustível e a cada conversa jogada fora tendo como companhia um café ou um arroz tropeiro.









Na próxima parada, num posto qualquer desses de beira de estrada, olhe bem ao lado. Você pode estar perto de um desses caras: bi, tri, heptacampeões do Arrancadão. Podiam ser Sennas, Piquets, Fittipaldis, mas fazer o que? O Brasil é o país do futebol.

Tiago Toricelli

tiagotoricelli@hotmail.com

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