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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 29.03.10 |
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| Exaltações e supressões |
29.03.10 |
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Lucas Giavoni
Em relação ao GP do Bahrein, parece que a Austrália recebeu uma outra categoria. Mas não. É a velha Fórmula 1 de sempre, escancarando para quem quisesse observar com atenção seus pontos fortes e fracos de modo muito intenso diante de uma ótima corrida, eletrizante do começo ao fim.
Aquele numeroso coro de vozes queixosas – e extremamente precipitadas – de duas semanas atrás sequer tocou no assunto “mudança de regulamento” em Melbourne. E ficou patente que a corrida só apresentou a movimentação e o resultado que teve justamente pela exaltação das regras boas e a providencial supressão das regras ruins.
Tenho pouquíssima amostragem para considerar as afirmações a seguir como verdades estatísticas, mas posso torná-las válidas, de certo modo, com a análise circunstancial da prova australiana.
Afirmação 1: Regra dos pneus distintos prejudica a mobilidade tática e a busca por ultrapassagens.
Uma vez que a chuva forçou largada com pneus intermediários, caiu a obrigatoriedade dos competidores usarem pneus macios e duros durante a prova. E Jenson Button deu uma verdadeira palestra de como cuidar de um jogo macio durante improváveis 52 voltas, superando a tática que seria a mais “usual”, de usar um set a mais. O tresloucado Lewis Hamilton detonou dois jogos no mesmo período em que Jenson conservou o seu único e passou toda a prova se pegando com Mark Webber, que correu em tática semelhante e foi, sim, culpado pelo acidente na penúltima volta, ainda que de modo claramente não intencional.
Preciso, por sinal, pagar tributo a Jenson. Ele realmente justificou o número 1 que carrega no bico da McLaren. Arrisco dizer que foi a mais prodigiosa exibição da carreira do inglês - e olha que estamos falando de um período que engloba uma década inteira. Foi melhor que a vitória na Hungria em 2006, melhor que todas as outras conquistas pela Brawn.
Sem contar a escapadela na volta 6, logo após colocar os slicks ainda frios na muito molhada tomada da curva 3, Jenson manteve uma tocada incrivelmente rápida, constante e sem detonar a borracha, em seus movimentos de volante em “câmera lenta”, facilmente percebidos em câmeras onboard.
E para evidenciar o quando Jenson foi consistente, depois da vantagem na fase molhada, ele virou pontualmente na casa de 1min30s entre as voltas 31 e 44, sem exceção! Depois disso, só atrasou uma volta na casa de 1min29s entre a 45 e a 52 – seu melhor giro na corrida e que foi sucedido por tempos contidos até a bandeirada, quando a corrida já estava no bolso.
Cá com meus botões, durante a pré-temporada, pensei que Jenson seria facilmente batido em duelo particular com Lewis Hamilton, que tem estilo de pilotagem totalmente oposto e uma personalidade forte dentro da McLaren a ponto de querer concentrar atenções e o desenvolvimento do carro para si, além de ser hipoteticamente mais veloz nas classificações.
Esse meu pensamento, por exemplo, fazia total sentido na 6ª volta da prova. Hamilton, com a agressividade que lhe é intrínseca, passou Jenson com relativa facilidade em briga pelo 6º lugar. Lewis havia feito boa largada e avançava de modo promissor.
Mas fui equivocado nesse meu palpite. Jenson acusou o golpe e buscou a melhor solução possível, que obviamente não era um revide na pista. Ele percebeu naquele instante que não seria possível ganhar na velocidade absoluta e resolveu arriscar vencer através da antecipação tática e, posteriormente, no ritmo ideal de prova.
Button mostrou que pode ser tão zeloso com os pneus que não será surpresa se durante o ano ganhar muitas posições por fazer um pit a menos que os outros. Reitero: uma pena existir essa infâmia de uso obrigatório de dois compostos. Ela não deixa Jenson mostrar ainda mais seu talento e pilotar uma prova inteira com os mesmos pneus, passando a perna em todo mundo como fez Gerhard Berger no Hermanos Rodríguez com uma linda e colorida Benetton-BMW.
Isso, por sinal, passa por um importante condicional, que nos leva à...
Afirmação 2: O fim do reabastecimento ajudou na dinâmica da prova.
É até possível dizer que o fim do refuel, considerado pelos catastróficos como “vilão” na etapa do Bahrein, bancou o “mocinho” na trama australiana, já que possibilitou a tática vencedora e habilidosa de Button.
Ao apostar em Lewis e não em Jenson durante a pré-temporada, eu negligenciei a questão da F1 sem reabastecimento, que tanto defendo, ser um jogo muito mais complexo do que simplesmente enfiar a bota o mais fundo possível e depois de 25 voltas pegar mais combustível e borracha nova à vontade - o porto-seguro de Hamilton. Pois é, quebrei um estigma para mim mesmo...
O mais engraçado é que o próprio Jenson chegou a afirmar durante a pré-temporada que isso possibilitaria os pilotos a realizarem táticas “malucas”. Estava coberto de razão e com uma carapuça na mão...
Afirmação 3: A chuva ajudou a mascarar os problemas de qualificação e aerodinâmica
O problema do qualify atual está na escolha forçada de pneus para a prova, o que entre os 10 primeiros significa usar o mesmo jogo da volta válida para o grid. Normalmente equipes optam por um mesmo composto e tudo fica “pasteurizado”.
Caso fosse abolido o parque fechado e fossem permitidos ajustes diferenciados para a qualificação (e não equipamentos diferenciados, para não encarecer), alguns conjuntos rápidos em treino poderiam enfrentar conjuntos mais fortes nas corridas. Isso era intenso principalmente nas épocas de guerras de pneus, não mais do que um palavrão no dicionário da F1 atual.
Mas às vezes, nada como uma chuvinha pra colocar um pouco de tempero numa corrida e mascarar esse problema. A largada em pista úmida e a posterior maratona para buscar os slicks fez com que o grid fosse embaralhado de modo natural, com competidores nas mais variadas táticas e níveis de desempenho tendo que resolver a maior parte das posições na pista, ajudados pelas afirmações 1 e 2.
O ambiente com aderência limitada provocou muitos errinhos e, combinado a um circuito que possui muitos pontos de ultrapassagem, fez com que o número de ultrapassagens superasse as mais otimistas expectativas e diminuísse o problema da turbulência causada pelos difusores duplex. Afinal, a prova foi em Albert Park e não em “pé-no-Sakhir”, como costuma dizer o meu irmão...
Afirmação 4: Button felizmente não brilhou sozinho
Robert Kubica, Felipe Massa e Fernando Alonso também tiveram desempenhos bem acima da média. Sebastian Vettel também foi ótimo como sempre até quebrar (quase como sempre...). Não é possível repetir o discurso do Bahrein de que Sebastian perdeu outra vitória garantida, pois era grande a chance do alemão fazer uma parada a mais que Button, sem conseguir alcançá-lo depois. No entanto, o campeonato está rolando e Vettel está ficando para trás.
Ao mencionar o desempenho de Kubica, também posso afirmar que, como Button, ele deve ter feito sua melhor exibição na F1, pois andou muito mais do que uma Renault supostamente pode entregar. Um segundo lugar absolutamente brilhante, mantendo atrás de si a dupla da Ferrari por todo o terço final da corrida - e sem detonar a borracha.
Em 2009 ele já havia guiado demais em Melbourne e se envolveu naquela batida doidona com Vettel na volta final.
Massa, único a visitar o pódio nas duas etapas, fez uma largada-dragster digna de Gilles Villeneuve e fez uma correção espetacular ao colocar uma roda na grama no meio da prova. Também defendeu-se muito bem de um Alonso que caiu para 18º na largada e executou diversas ultrapassagens. Ambos os ferraristas fizeram o vencedor stint logo. Fernando foi muito assediado pelos pilotos com borracha nova Hamilton e Webber – até se baterem – e posteriormente a Mercedes de Nico Rosberg, em tentativa na última volta.
Tonio Liuzzi e Rubens Barrichello não foram propriamente brilhantes, mas fizeram a corrida que era possível com seus equipamentos e terminaram novamente nos pontos. Já Michael Schumacher virou assunto pelo desempenho apagadíssimo, apto a brigar apenas com a Toro de Jaime Alguersuari pelo pontinho final.
Michael, que chegou a tomar X do Xará di Grassi, está inegavelmente enferrujado, mas todos conhecem a determinação daquele que continua sendo o grande senhor dos números da F1. A pressão vai aumentar, mas Michael não vai querer jogar a toalha.
Recomendo, em regime de urgência, uma Araldite ou Super-Bonder para os bicos da Sauber. Sobre as estreantes Lotus, Virgin e Hispania, bem... quanto menos se falar, melhor.
Próxima prova é em Sepang, pista Hermann Tilke, no próximo domingo. Se chover ou se por milagre revogarem a regra dos pneus, talvez possamos ter um pouco de ação por lá também, mesmo que o traçado não ajude muito...
Aquele abraço!
Lucas Giavoni
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