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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 15.03.10 |
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| Um GP. Muitas vitórias. |
15.03.10 |
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Márcio Madeira
Pode uma única corrida consagrar mais de um vitorioso?
Sim, pode. O GP do Bahrein de 2010, muito além de ser lembrado pelo primeiro triunfo desta promissora parceria entre Fernando Alonso e a casa de Maranello, pode perfeitamente entrar para a história como uma prova que revelou diversos vencedores. A começar pelo próprio asturiano, claro.
Após duas temporadas relegado a papeis coadjuvantes pequenos demais para a grandiosidade de seu talento, Alonso finalmente reencontrou o caminho das vitórias. E que bom que seja assim, pois seria uma grande injustiça que um grande campeão como ele continuasse a ter alguns de seus melhores anos sendo desperdiçados em equipes menos competitivas. Com o desempenho de hoje o bicampeão deixa claro que continua sendo uma aposta confiável, e agora fica a apenas uma conquista de se igualar ao grande Nelson Piquet em número de vitórias. Para quem curte corridas, de uma maneira mais abrangente e menos nacionalista, ver Alonso guiando uma Ferrari certamente é algo que eleva o nível do campeonato mundial.
O feito do bicampeão, no entanto, chega a empalidecer diante da gigantesca vitória obtida por Felipe Massa.
Quando me perguntam se Felipe voltou a ser tão bom quanto era antes de ser brutalmente atingido pela mola na Hungria, eu digo que não. Ele está melhor. Com ainda mais vontade de acelerar, guiando com mais cabeça e mais coração, olhando para os desafios com o otimismo de quem ganhou uma nova vida de presente. Se é verdade que tudo o que não mata nos fortalece, então sob diversos aspectos, Felipe Massa é o piloto mais forte da Fórmula 1.
A segunda posição obtida na corrida de hoje acabou sendo o máximo que poderia atingir, diante dos problemas de temperatura e consumo que enfrentou praticamente durante toda a prova. Evidente que ele perdeu na primeira curva uma posição que poderia ter perdido de forma mais nobre por questões mecânicas, mas esse não é o ponto mais importante. A temporada é muito longa, e neste primeiro momento a questão principal é que Felipe, apesar de fortemente gripado, mostrou a todo mundo que é sim perfeitamente capaz de andar tão rápido quanto Alonso. A começar pelos treinos, quando já na primeira oportunidade fez algo que Nelsinho Piquet, no ambiente corrompido da Renault, demorou 28 provas para conseguir: largou na frente do espanhol.
Seguindo a ordem de chegada, impossível não valorizar também a corrida de Lewis Hamilton. Sempre mais rápido que Jenson Button, Lewis mais uma vez levou o McLaren à melhor colocação possível, somando pontos importantes num momento em que sua equipe não tem equipamento para brigar pela vitória. Os últimos anos tem demonstrado o quanto são importantes os pontos somados ou perdidos no início de cada temporada, e atuações como a do inglês hoje geralmente terminam em campanhas sólidas pelo campeonato mundial.
Mas, se o assunto são os pontos possíveis, então o que dizer da corrida de Sebastian Vettel?
Brilhante como sempre o jovem alemão voou no sábado para mais uma pole position, e na corrida foi o único capaz de andar à frente das Ferraris. Com apenas duas temporadas completas na categoria, Vettel já guia com a consistência de um velho campeão – mesmo quando enfrenta problemas, como hoje. Sua voltas finais, à frente de Nico Rosberg, foram uma verdadeira aula sobre como se atacar curvas sem comprometer o equipamento, e os 12 pontos somados não fazem justiça com sua tremenda atuação. Ainda assim, representam um início de temporada muito melhor do que aquele de 2009, quando ele e Robert Kubica se acertaram infantilmente em Melbourne.
Em proporções menores, também saíram vitoriosos os pilotos da Mercedes, Nico Rosberg e Michael Schumacher. O primeiro, simplesmente por ter conseguido completar sua primeira corrida na equipe à frente do favoritíssimo companheiro de equipe heptacampeão mundial. E o segundo, por ter sido capaz de retornar de uma aposentadoria trienal, aos 41 anos de idade, completando seu primeiro GP já num ritmo competitivo.
Positiva também a estreia de Rubens Barrichello na Williams. Iniciando sua 18ª temporada, o veterano andou sempre mais forte e seguro do que seu rápido e promissor companheiro de equipe, Nico Hülkenberg. No fim, a 10ª colocação esteve próxima do melhor resultado que lhe seria possível, uma vez que nenhum dos 8 favoritos abandonou ou sofreu qualquer atraso significativo.
Resta apenas ver como irá evoluir a disputa interna na equipe à medida que Hülkenberg for adquirindo mais experiência e confiança.
Lucas di Grassi há muito já fazia por merecer um lugar na Fórmula 1, e, dentro das poucas possibilidades da Virgin, andou muito bem enquanto esteve na pista. Uma de suas características sempre foi o início de prova muito forte, e em sua estreia na F1 vez não foi diferente.
O carro, no entanto, é limitadíssimo, e ao menos até que a categoria retorne às praças europeias, não permitirá que o brasileiro lute por qualquer posição pontuável.
Sobre Bruno Senna, escrevi em minha análise sobre os treinos de sexta-feira que chega a ser questionável afirmar que ele estreou na F1, quando na verdade ele guiou um carro tão rápido (ou lento) quanto um GP2.
O mais estranho, no entanto, é que além do regulamento muito menos restrito, a Formula 1 utiliza motores muito mais potentes, bem como pneus mais eficientes do que sua categoria de acesso. Obviamente, portanto, podemos concluir que o carro da Hispania, ao menos nesta fase inicial da temporada, é sensivelmente pior do que um carro de GP2.
Uma situação que por si só já seria absurda, e que se torna simplesmente inacreditável quando lembramos que ambos os modelos foram produzidos pela mesma fabricante, a Dallara. Como a empresa conseguiu fabricar um modelo de Formula 1 inferior ao seu próprio carro da GP2, é uma daquelas perguntas que deverá ecoar sem resposta ao longo das próximas décadas na história da categoria.
Sendo fluminense, eu tive a tristeza de ver o Estado do Rio de Janeiro perder – por erros próprios – categorias como F1, Cart, e MotoGP. No fim, para minha infelicidade maior, testemunhei ainda a maldita mutilação da pista de Jacarepaguá, que hoje vive seus últimos espasmos.
Admiro, portanto, iniciativas de cidades como Curitiba e São Paulo, ao atraírem para si eventos esportivos de importância internacional. Da mesma forma, posso avaliar a quantidade de trabalho necessária para se improvisar uma pista de rua em pouco mais de 3 meses, que pudesse receber uma prova da Fórmula Indy.
Dito isso, porém, não posso deixar de comentar as condições vergonhosas em que se deu a prova, muito mais em função da falta de seriedade com que a organização trata a própria categoria do que por qualquer culpa da equipe brasileira. No fim das contas, a São Paulo 300 acabou sendo uma síntese de todos os motivos pelos quais categorias de ponta necessitam funcionar com altas doses de planejamento e segurança.
O simples fato da corrida ter chegado ao seu fim sem nenhum acidente mais grave já foi um enorme lucro para todos os envolvidos. Espero, de verdade, que para o ano que vem as coisas possam ser um pouco mais profissionais.
Uma ótima semana a todos.
Márcio Madeira
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