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Aos 41 - Parte II 23.02.10
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Lucas Giavoni, do www.ultimavolta.com

Andretti com Alfa Romeo em Long Beach 81 - Clique para ampliar
Dando continuidade ao tema da coluna anterior, vamos completar nossa varredura sobre o que os campeões mundiais da F1 estavam fazendo aos 41 anos de idade - data esta que marca o retorno de Michael Schumacher. Leia aqui a primeira parte.

Niki Lauda: Em 1979, Niki estava entediado e saiu da F1 aos 30 anos para fundar a Lauda Air. Pouco depois, sacou que tinha pouco din-din pro negócio e mantinha vontade de vencer. Voltou a correr em 1982 para ser tri e salvar a companhia, que finalmente começou a operar em 1985, ano de sua aposentadoria definitiva. Aos 41, em 1990, estava totalmente comprometido em voar. Sim, ele acabou vendendo a Lauda Air para a Austrian Airlines em 2000, mas fundou uma nova companhia, a Niki, com 11 aeronaves – duas delas da Embraer.

James Hunt: Sem jamais se livrar da fama de playboy e pouco dedicado, Hunt foi perdendo interesse e desempenho após o título em 1976, até parar de vez antes da metade de 1979, sem paciência com a pouco competitiva Wolf. Quando tinha 41 já era comentarista de F1 da BBC ao lado do folclórico Murray Walker. Mas infelizmente não durou muito na carreira: um infarto levou Hunt aos 45, em 1993.

Mansell com Williams na Austrália 94 - Clique para ampliar
Mario Andretti: Os 41 anos foram de péssima memória para o norte-americano. Os vencedores anos pela Lotus já eram passado e ele se via em 1981 a bordo de uma Alfa Romeo pesada como um hipopótamo. Só marcou 3 pontos e logo se dedicaria totalmente à Indy, ganhando o campeonato 1984 pela Newman-Haas.

Jody Scheckter: Tal como Hunt, Jody ganhou o título e logo perdeu a verve – em muito ‘ajudado’ pela politicagem da Ferrari em tempos ruins. A aposentadoria se deu em 1980, aos precoces 30. Uma década depois e ele era dono de uma pioneira empresa nos EUA especializada em simulações de tiro com armas de fogo. Quando abriu o capital da empresa, em 1996, conseguiu (muitíssima) grana para financiar a carreira dos filhos, Tomas e Toby.

Alan Jones: O trovão australiano já não era mais o mesmo aos 41. Isto ocorreu em 1987, um ano após sua derradeira temporada na F1 pelo fracassado projeto Lola-Haas. Ele começaria aos poucos a curtir as provas de turismo em casa, na Austrália, chegando a vice em 1993 com um Ford Falcon, já bem gordinho.

Alan Jones com Lola em San Marino 86 - Clique para ampliar
Nelson Piquet: Vítima daquela hedionda paulada nos treinos da Indy 500 de 1992, Piquet completou 41 anos pouco depois de ter participado da edição seguinte da prova - só deu 38 voltas e o motor abriu o bico. Após um período de reflexão, teve uma sacada pioneira à la Scheckter e fundou em 1994 a Autotrac, empresa de rastreamento de frota. Segundo a própria empresa relata, domina 70% do mercado brasileiro.

Keke Rosberg: O finlandês bigodudo abandonou a F1 aos 37, debaixo de súplicas de Ron Dennis para correr mais uma temporada pela McLaren. Começou a ser empresário e aos 41 tinha em seu portfolio um promissor compatriota chamado Mika Häkkinen, o mais novo campeão da concorrida F3 britânica. E claro, o filho Nico não passava de um pirralho com 5 anos de idade.

Lauda com McLaren em Long Beach 82 - Clique para ampliar
Alain Prost: Aposentado aos 38 e percebendo que comentar F1 para TV francesa era deveras enfadonho, Prost se viu com aquela coceirinha de voltar a pilotar. Chegou a testar Ligier, McLaren e foi até cogitado para ser piloto da Ferrari em 1996, vaga que seria ocupada por Schumacher. Como nada deu certo, resolveu aos 41 comprar a Ligier e transformá-la em Prost Grand Prix – uma tremenda dor de cabeça nos anos seguintes.

Ayrton Senna: Imola 1994 não apenas cobrou a vida de Ayrton aos 34, como nos deixou na sádica dúvida de quantos títulos, poles e vitórias a mais ele teria se chegasse aos 41 – não necessariamente na ativa com essa idade. Este é um tormento que particularmente carregarei como um fardo até o resto da minha vida, juntamente com o de outros botas como Clark, Rindt, Peterson e Villeneuve, que partiram cedo demais. Tudo leva a crer que os números de Ayrton só aumentariam. Os 41 chegariam para ele na temporada 2001.

Nigel Mansell: Opa! Na nossa idade-alvo, o velho Leão estava ganhando na F1 – o que não acontecia com um campeão desde Jack Brabham. As 41 velinhas foram assopradas em agosto de 1994, ano em que foi titular da Newman-Hass na Indy. Com agenda livre, disputou pela Williams o GP da França e as três provas finais. Em Adelaide, a derradeira, venceu após o “Damoncídio” cometido por Schumacher.

Keke com McLaren em sua famosa versão amarela, em Portugal 86 - Clique para ampliar
Damon Hill: Por falar nele... Bem, Damon não teve a mesma vitalidade do pai, que parou de correr só aos 46 – outros tempos. Ele o fez aos 39, em uma temporada 1999 pouco produtiva na Jordan, que vivia seu auge como time. Dois anos depois e Hill ainda estava curtindo a aposentadoria. Mas nos anos seguintes, assumiria a presidência do clube de pilotos da Grã-Bretanha – o fleumático BDRC, dono de Silverstone.

Jacques Villeneuve: Pois é, Jacques é o único campeão ‘anterior’ aos títulos de Schumacher que ainda não fez 41 – algo que só virá em 2012. Em meio a tentativas furadas na Nascar, CDs de música e corridas esporádicas na Top Race, não é de se surpreender se ele continuar procurando vaga na F1 até lá.

Hakkinen com McLaren no Brasil 99 - Clique para ampliar
Mika Häkkinen: Ei! Mika está com 41. Só que completou 3 meses mais cedo que Schumacher, em setembro de 2009. Pena ter se retirado da F1 aos 33, cedo demais. Hoje ele é só garoto-propaganda da Johnnie Walker. Na época em que Michael quase assumiu a Ferrari do lesionado Massa no GP da Europa, alguém poderia ter dado uma marretada na cabeça de Heikki Kovalainen para que Mika também pudesse retornar com a McLaren...

É bobagem especular agora o que os campeões mais jovens como Fernando Alonso, Kimi Räikkönen, Lewis Hamilton e Jenson Button, campeões pós-Schumacher, farão nos próximos estágios da vida. Talvez este seja um texto a ser escrito lá por 2025 – quando eu terei a idade proposta no texto. Vou guardar essa pauta com carinho em uma gaveta escura. Talvez uma bela fase da vida comece aos 40 – ou melhor, aos 41.

Aquele abraço

Lucas Giavoni

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