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Welcome Back! 09.12.09
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Hakkinen venceu em Silverstone 2001
Silverstone, qual filho pródigo, retorna ao calendário da F-1, e nele permanecerá até 2026, de acordo com o contrato. Para sacramentar esse retorno, foram vendidos 6.500 ingressos nas últimas 24 horas, um recorde. Nada mais justo. Silverstone, assim como Monza e Mônaco, faz parte do grupo de corridas que jamais deveriam deixar o campeonato.

Digo isso por vários motivos: por estar no calendário desde 1950, ainda que em muitos anos tenha “revezado” o GP britânico com Brands-Hatch; por conta de toda paixão que envolve sua torcida (as vitórias de Mansell, em 1987 e principalmente 1992, com invasão da pista); por trazer episódios memoráveis...

No entanto, apesar de todos esses destaques positivos, só fui perceber o tamanho da importância de Silverstone para a história do automobilismo em 2001, quando Mika Häkkinen estava em vias de se aposentar, mas não queria deixar as pistas sem antes vencer nesse circuito: segundo o bicampeão, sem Silverstone seu currículo “não ficaria completo”.

Para celebrar essa que é uma de minhas pistas prediletas, e aproveitando o fim do ano para fugir um pouco do usual, lanço aqui o meu “Top 5” das etapas sediadas nessa antiga base de guerra.





5) 1967

Para muitos, Jim Clark foi o melhor piloto de todos os tempos. Quem ainda não conferiu o “especial” em homenagem ao escocês voador aqui no site deveria fazê-lo com urgência. O que mais impressiona em sua carreira, e é usado como argumento por essas muitas pessoas que o consideram o maior, é sua incrível regularidade e sua capacidade de converter vitórias em desempenhos avassaladores que faziam com que o automobilismo parecesse fácil.

O que aconteceu em Silverstone na temporada de 1967 é um belo exemplo disso.

Naquela temporada, Clark não dispunha do melhor equipamento. Isso ficava a cargo da Brabham, que defendia o título do ano anterior. Mas o escocês marcou a maior parte das pole-positions (6 em 11) e foi também o maior vencedor daquela temporada – foi o primeiro colocado em 4 GPs: com aquele patético “sistema de medalhas” que Ecclestone queria implantar, Jim teria mais um título em seu currículo.

Em Silverstone, marcou a primeira de uma seqüência de quatro poles, com um detalhe: foi praticamente um segundo mais rápido que o segundo colocado, seu companheiro de equipe Graham Hill. Na largada, Brabham (3º) superou Hill (2º), mas jamais conseguiu se aproximar de Clark. O escocês seguia solitário à frente, enquanto Denny Hulme – o eventual campeão – se recuperava de uma má largada e ultrapassava ambos.

Mas Graham Hill conseguiu recuperar-se, e passou Clark na volta 26. Os dois seguiram muito próximos até que, na volta 55, Hill começou a enfrentar problemas na suspensão traseira e teve de ir aos boxes. A partir desse momento, Clark converteu sua liderança numa vitória com 13 segundos de diferença para o segundo colocado. Outro destaque da prova foi a ultrapassagem de Cris Amon sobre Brabham nas voltas finais, fundamental para a decisão do título a favor de Hulme.



4) 1993

O GP de 1993 seria candidato a “um dos mais monótonos de todos os tempos” não fosse Ayrton Senna estar no auge de sua pilotagem. Como descrito por Caíque Pereira na coluna “A maior vitória brasileira na F1”, o que Senna fez aquele dia talvez tenha sido a maior demonstração de habilidade e arrojo de toda sua carreira, superando os grandes desempenhos de Suzuka (88) ou de Donington.

Largando em quarto, Senna pula para segundo logo de início, superando Schumacher e Prost, e começa um dos maiores duelos da história da F1. Prost, com um carro MUITO superior, tenta de todas as maneiras ultrapassar Ayrton, mas este, sempre adotando diferentes trajetórias, consegue segurar o “Williams de outro planeta” por durante várias voltas, quando é finalmente superado.

Em seguida, Senna trava o duelo com Schumacher, mas o alemão o ultrapassa no mesmo ponto em que Prost o superara. Depois disso, a corrida ficou monótona como boa parte daquela temporada. Senna abandonaria a prova na penúltima volta, por pane seca: a terceira consecutiva, desde 1991.



3) 2003

Rubens Barrichello é especialista em dois circuitos: Interlagos e Silverstone. Porém, ao contrário do que aconteceu no primeiro, neste último ele conseguiu uma vitória (E que vitória!).

Em 2000, Barrichello conquistara sua primeira pole pela Ferrari nesse circuito, mas a vitória ficou para o GP da Alemanha: por problemas mecânicos, o piloto abandonou aquela prova. Em 2002, realizaria uma das melhores corridas de sua carreira: conquistando a segunda posição no grid, seu carro apresenta problemas antes da largada e Barrichello parte dos boxes. Durante a corrida, supera sistematicamente 20 pilotos, até completar a dobradinha com Schumacher.

Mas em 2003, conquista aquela que foi a melhor vitória de sua carreira. Creio que muito já foi dito, e todos aqui devem lembrar. Jackie Stewart disse, certa vez, que foi uma das melhores corridas de F1 nos últimos quinze anos.



2) 1975

Apesar das 101 vitórias na Fórmula 1, o Brasil teve relativamente poucas dobradinhas: apenas 11, desde 1970. Destas, 8 foram com Piquet e Senna, e uma com Piquet-Moreno. As outras duas, ficaram a cargo de Fittipaldi e José Carlos Pace. Ambas aconteceram na memorável temporada de 1975.

No GP do Brasil daquele ano, Moco conquista de forma histórica aquela que foi sua única vitória na história da F-1, justamente em Interlagos. Emerson Fittipaldi completou a alegria brasileira ao chegar na segunda colocação. A segunda e definitiva dobradinha da dupla, aconteceria em Silverstone, dessa vez com as posições “trocadas”.

A corrida foi um completo caos, muito semelhante à do ano passado.

Pace largou em segundo, enquanto que Emerson saiu em sétimo. Moco pulou para a primeira colocação, e a manteve até a volta 13, quando foi superado por Regazzoni. Emerson vinha em sexto, e nesse momento começou a garoa. A maioria dos pilotos foi aos boxes para realizar a troca de pneus, mas os dois brasileiros permaneceram na pista com slicks. Na 22ª volta, eram primeiro e segundo.

Logo, a diferença da dupla para os demais quase acabou, uma vez que os pneus novos rendiam muito melhor. Mas à medida que a chuva foi diminuindo, os brazucas se consolidaram na ponta. Na 53ª volta, começou a chover muito forte, e três voltas depois nada menos que 11 pilotos rodaram/bateram, entre eles, José Carlos Pace.

A prova foi cancelada devido às condições, e Emerson foi o único entre os primeiros a completar a volta 56. Foi a última vitória do “Rato” na Fórmula 1.



1) 1987

Para mim, o GP que marcou o retorno e estabelecimento da etapa inglesa nesse circuito, foi a melhor edição da etapa de Silverstone. Diversos elementos contribuem para que eu a considere como tal. Em primeiro lugar, naquele ano tivemos uma disputa que, a exemplo do campeonato de 1986, teve quatro dos maiores pilotos de todos os tempos brigando pelo título (Senna era o líder, até então), e isso já é motivo suficiente para considerar aquela etapa especial.



Além disso, Piquet ainda não havia vencido no ano, mas mesmo assim estava à frente de Mansell na tabela, fomentando cada vez mais a guerra interna da Williams; Para apimentar ainda mais a rivalidade, Piquet marcou a pole com menos de um centésimo de vantagem para Mansell na casa do “leão”; para dar tons teatrais à prova, na largada Prost (que partia em 4º) chega à primeira posição, mas é superado por Piquet já na segunda curva, e logo depois por Mansell.

Por último, e mais importante, as eletrizantes voltas finais. Mansell, obviamente beneficiado pela troca de pneus, veio estabelecendo voltas mais rápidas (ficou com a melhor do dia), e a dois giros do fim sucede-se uma das maiores ultrapassagens de todos os tempos. A versão automobilística do “drible do elástico”.



Mansell ficaria sem gasolina pouco depois de receber a bandeirada.





Nessa que é a minha última coluna de 2009, me despeço dos amigos do GP Total desejando a todos um Feliz Natal e um ano novo abençoado. Que possamos viver em paz.

Abraços a todos.

Marcel Pilatti

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