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Não perca, em 2010 07.12.09
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Márcio Madeira, do www.ultimavolta.com

Hamilton e Button em Silverstone 2008
Fanático por velocidade é assim mesmo, não consegue sossegar. Mal iniciamos dezembro, e já estamos nós com a cabeça em março de 2010, quando os motores voltarão a roncar. E não serei eu a criticar este comportamento, uma vez que sofro deste mesmo mal.

Seguindo então aquela velha máxima segundo a qual a melhor forma de se livrar de uma tentação é simplesmente cair nela, me permiti passar os olhos naquilo que já é possível antever do novo ano, para ficar atento de antemão a alguns eventos que prometem bastante. Os amigos leitores certamente irão encontrar diversos outros pontos de interesse, mas aqui, sem pensar muito, posso listar alguns.

1) Lewis Hamilton e Jenson Button na McLaren

Ao reunir os dois últimos campeões mundiais num mesmo boxe, a McLaren deu ao mundo a oportunidade de avaliar com um pouco mais de nitidez os valores de suas recentes conquistas. É claro que o contexto será diferente, e não haverá nada de muito científico nisso. No entanto, se a diferença de desempenho entre eles vier a ser grande, será inevitável olhar para o passado com outros olhos.

Além disso, também será muito interessante ver como os dois compatriotas, agora com status de campeões mundiais, irão se relacionar a partir do momento em que tiverem que disputar pontos e posições. Afinal, só um deles poderá vencer ao fim do ano.

2) Felipe Massa e Fernando Alonso na Ferrari

Ao que tudo indica nosso bravo Felipe recuperou-se plenamente do terrível trauma físico sofrido na Hungria, e se assim for nós poderemos ter uma disputa do mais alto nível dentro da Ferrari. Vários fatores devem contribuir para isso.

O primeiro, claro, é a qualidade dos competidores. Em minha opinião Fernando é o piloto mais completo da F1 e continua a ser a referência. Massa, por sua vez, é um competidor nato, que jamais se apequena diante de ninguém, e que vem sendo sempre capaz de melhorar a cada ano. À sua indiscutível velocidade ele vem somando uma constância cada vez maior, uma autoconfiança inabalável, e uma crescente intimidade com a pista molhada.

Além do mais, Fernando queimou-se eternamente com a McLaren, de tal forma que vê na Ferrari sua única chance de guiar por um time vencedor a longo prazo. Não o vejo disposto a comprar certas brigas antes de ter conquistado para si o coração da equipe, que atualmente pertence a Felipe.

Novamente em minha opinião, um dos fatores decisivos desta disputa deverá ser a atuação de Felipe nas duas primeiras provas do ano. Tradicionalmente Massa começa mal suas temporadas, e esse é o tipo de vacilo que uma raposa como Fernando Alonso irá esperar para assumir uma posição de liderança na tabela, e, a partir dela, na equipe.



3) Bruno Senna na F1

Há um lado emocional e um racional em relação ao ingresso de Bruno Senna na F1. O emocional, claro, será ver o velho capacete amarelo e o sobrenome Senna aparecendo nos créditos. Algo que certamente deve trazer sensações estranhas num primeiro momento a quem, como eu, cresceu vendo o terremoto Ayrton sacudir o mundo da velocidade, tanto tempo atrás.

Mas, no fim, essa é só a nossa humanidade falando, uma vez que as semelhanças param por aí. Bruno é um novo piloto, que a partir das chances que o sobrenome lhe deu, justificou no braço sua vaga na categoria.

De certo que até aqui não foi um piloto fenomenal. No entanto, para quem tem menos de cinco anos de experiência, seu currículo é bastante animador. O piloto parece ter herdado do tio a habilidade sob chuva, e em categorias de base andou muito melhor do que nomes como Sébastien Buemi e Kamui Kobayashi, por exemplo.



4) Lucas di Grassi

Até o momento em que escrevo estas linhas Lucas di Grassi ainda não foi confirmado em nenhuma equipe da F1 para 2010. Espero de verdade que este quadro mude nos próximos dias, pois nada seria mais injusto do que este talentoso e esforçado piloto ficar de fora por mais um ano. Ainda mais quando aparecem tão cotados os nomes de alguns pilotos que foram largamente superados por ele na GP2, como o russo Vitaly Petrov, seu companheiro em 2008.

As chances maiores, ao que tudo indica, são pela Manor, embora também fale-se dele como companheiro de Robert Kubica na Renault. A equipe, no entanto, é o que menos importa a esta altura. Pelo piloto que é, Lucas não pode em hipótese alguma fazer uma 5ª temporada de GP2.



5) MotoGP

Há muitos anos a MotoGP vem sendo a mais emocionante categoria de topo do esporte a motor, e se depender do grid previsto para 2010 essa tendência só deve se agravar. Afinal, depois de muitos anos de domínio absoluto do monstro Valentino Rossi, o genial italiano finalmente viu pela frente uma rara geração de moleques extremamente talentosos, que o deram a oportunidade de expressar toda a dimensão de sua reserva técnica.

Em 2010 o espetacular australiano Casey Stoner – que encerrou 2009 formando o conjunto mais forte com a diabólica Ducati – virá recuperado da misteriosa doença que o atrapalhou este ano, e com fome de título. Paralelamente, o sempre veloz Jorge Lorenzo deverá se mostrar um rival ainda mais duro para Rossi dentro da própria Yamaha, criando um cenário que, apenas por isso, já justificaria um acompanhamento atento da categoria.

No entanto o grid contará ainda com a presença sempre imprevisível de Dani Pedrosa, além dos excelentes estreantes Hiroshi Aoyama (último campeão das já saudosas 250cc), Marco Simoncelli (campeão da mesma categoria em 2008), Ben Spies (campeão da Superbike em 2009), além do rapidíssimo espanhol Álvaro Bautista.

No fim, é um cenário de sonhos. Afinal, um verdadeiro deus do esporte, às vésperas de quebrar o recorde absoluto de vitórias e já na fase final de sua carreira, terá de defender sua reputação diante da geração mais talentosa surgida nos últimos tempos. Nenhum roteiro de Rocky Balboa imaginaria algo mais simbólico.

6) Rally

Situação parecida à de Valentino Rossi deverá viver o não menos brilhante Sébastien Loeb, recém-consagrado hexacampeão mundial do WRC. Afinal em 2009, pela primeira vez desde que começou a monopolizar o esporte, Loeb esteve perto de ser derrotado por um rival na pista. O finlandês Mikko Hirvonen, da Ford, apresentou uma melhora significativa ao longo da atual temporada, e promete fazer a sua parte no ano que vem para que Seb trabalhe sempre naquela margem de genialidade a que somente ele e poucos outros tem acesso.

Loeb, aliás, mais uma vez foi cotado para assumir um cockpit na Fórmula 1, e só não disputou o GP em Abu Dhabi porque teve seu pedido de superlicença incrivelmente negado pela FIA. Uma pena, pois o francês já mostrou imensa versatilidade ao ser tricampeão da Corrida dos Campeões, vice-campeão em Le Mans, e ao andar muito bem sempre que sentou em qualquer tipo de monoposto.



7) WTCC

Para quem curte carros de turismo, também vale a pena acompanhar com atenção o lindo papel que vem sendo desempenhado pelo curitibano Augusto Farfus Jr. no campeonato mundial. Terceiro colocado na temporada 2009, Farfus foi de longe o piloto mais rápido em pista, e o melhor nome da BMW.

É certamente um dos melhores pilotos de turismo do mundo, recordista absoluto de vitórias, extremamente respeitado lá fora, e aqui continua a ser um desconhecido para a maior parte do público.







Por fim, não posso deixar de recomendar a biografia do grande Roberto Pupo Moreno, que estou tendo a honra de escrever a seu convite, e que será lançada no primeiro semestre pela Editora Alaúde. Para além do talento que todos já conhecem, a história de vida do ‘Baixo’ é uma verdadeira lição de esperança e superação, que certamente causará admiração mesmo aos que não entendem absolutamente nada de corridas.





Esta é minha última coluna de 2009. Aproveito então a oportunidade para agradecer a todos os que diversas vezes se manifestaram dando um inestimável retorno aos textos que publiquei. A seção dos leitores é com certeza o maior patrimônio deste site, e estão todos de parabéns por mais um ano de postagens em sua maioria no mais alto nível. Espero de verdade que todos tenham um verdadeiro Natal em família, e um 2010 repleto de saúde, alegrias, e boas corridas.

Márcio Madeira

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