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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 25.11.09 |
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25.11.09 |
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Márcio Madeira, do www.ultimavolta.com
É um momento histórico. Em 16 de novembro, a Mercedes Benz, que desde 1955 não alinha carros próprios no Campeonato Mundial, anunciou a compra da Brawn GP, e o retorno oficial à Fórmula 1. Muito mais que o nascimento imediato de uma equipe tradicional e forte, o retorno da Mercedes representa o encerramento de um longo ciclo, e um acerto de contas com a própria história do esporte a motor.
Paralelamente, a fabricante anunciou ainda a venda de seu percentual de ações do McLaren Group à própria McLaren, assumindo, por sua vez, o compromisso de continuar a fornecer seus motores à tradicional parceira ao menos até 2015, ainda que na condição de equipe cliente.
Juan Manuel Fangio e Stirling Moss. Era essa a dupla de pilotos da Mercedes Benz em 1955, quando a fabricante decidiu afastar-se da Fórmula 1, também em conseqüência da maior tragédia em toda a história do esporte a motor, ocorrida naquele mesmo ano, em Le Mans. Dois nomes que não apenas dimensionam o intervalo temporal desta longa ausência das legítimas flechas prateadas, como também sintetizam à perfeição o nível de comprometimento que marcou a passagem da estrela de 3 pontas pelo Campeonato Mundial.
Tendo dominado as competições ao lado da também germânica Auto Union na legendária década de 30, a Mercedes viu no nascente campeonato de Grand Prix uma possibilidade de resgatar momentos gloriosos de sua história e divulgar positivamente sua marca e seus produtos, após o desgastante envolvimento da indústria no esforço de guerra alemão.
Assim, de forma calculada e planejada, a fábrica preparou carros robustos e modernos, colocando à disposição do legendário Alfred Neubauer uma estrutura de aprimoramento impossível de ser igualada por qualquer outro competidor. Por fim, contrataram Juan Manuel Fangio, e pelas mãos do fantástico argentino venceram já em sua corrida de estreia, na 4ª etapa do mundial de 1954 (ou 3ª, se desconsiderarmos Indianápolis), em Reims, na França. A comprovação do potencial imediato do hoje legendário modelo W196, no entanto, se mede muito mais pela segunda colocação do estreante Karl Kling, do que pelo triunfo do futuro pentacampeão.
A partir de então, Fangio venceu três das cinco corridas restantes daquele ano, conquistando em poucos meses o maior desafio do esporte motorizado. No entanto, logo ficaria claro que as pretensões da Mercedes estavam longe de terem sido satisfeitas.
Para 1955 os alemães surpreendem o mundo trazendo para seu segundo carro o jovem e talentosíssimo inglês Stirling Moss, anunciando também um envolvimento muito mais amplo com o esporte. Agora, além do Campeonato Mundial, a Mercedes iria disputar também provas de longa duração como a tradicional Mille Miglia italiana, e as imperdoáveis 24 Horas de Le Mans.
O recado era simples: a Mercedes queria dominar todo o esporte a motor.
Imagine vencer todas as corridas do mundial menos uma – Mônaco, onde seus dois pilotos lideraram até sofrerem panes mecânicas –, escrever um episódio especial na história do esporte, com uma vitória sem igual na Mille Miglia (desta vez pelas mãos versáteis do incrível Moss), e ainda liderar com folga as 24 Horas de Le Mans, tudo numa mesma temporada. Fantástico, não?
No entanto, tal qual uma reedição moderna da parábola da Torre de Babel, quis o destino que em meio a tanto sucesso, a estrela de três pontas fosse também protagonista no pior acidente em toda a história do esporte motorizado, naquela triste edição da corrida em La Sarthe. Na 34ª volta, a Mercedes 300SLR de Pierre Levegh decolou ao chocar-se contra o Austin-Healey do inglês Lance Macklin, indo se despedaçar em meio ao público que assistia à prova às margens do traçado. Ao todo 78 pessoas perderam a vida de maneira dantesca, a imensa maioria delas espectadores.
De repente, o próprio sentido de se promover corridas de automóveis era posto em xeque. Diversas provas foram canceladas, equipes de fábrica abandonaram as pistas, e a Suíça optou por proibir este tipo de evento em seu território, numa decisão que vale até os dias atuais.
Se a intenção inicial dos germânicos já era a de se afastarem ao fim daquela temporada, ela certamente tornou-se uma imposição muito mais firme e longa devido à catástrofe ocorrida na França. Apenas 38 anos mais tarde, na condição de fornecedora de motores para a estreante equipe Sauber, a Mercedes retornaria ao Campeonato Mundial.
O afastamento repentino e melancólico da fabricante, em condições nas quais um golpe do destino eclipsou para sempre um trabalho extremamente bem feito e um esforço muito bem conduzido, sempre deixou no ar a impressão de que havia negócios inacabados entre a Mercedes e o campeonato de Fórmula 1. Tanto que já em 1993, tão logo forneceu seus motores a uma equipe estreante, tiveram início os rumores de um iminente retorno na condição de equipe de fábrica.
Há, no entanto, uma tradição pela qual zelar. Nas duas vezes em que ingressou no mundo dos Grand Prix, a Mercedes simplesmente atropelou qualquer máxima olimpista da corrente do “importante é competir”. Os germânicos sempre jogaram para ganhar, e de fato ganharam. Foi assim nos anos 30, foi assim nos anos 50. Até mesmo por uma questão de coerência histórica, a fabricante de Stuttgart não iria retornar ao palco enquanto não estivesse perfeitamente adaptada aos novos tempos, sentindo-se plenamente capaz de reagir às necessidades competitivas da atualidade. Afinal, o mundo dá muitas voltas em 55 anos de afastamento...
E foi com o intuito de se inteirar dessas novas demandas que a Mercedes estabeleceu sua longa parceria com a McLaren, que remonta ao já longínquo ano de 1995. Ao longo de 15 temporadas os alemães puderam ver de muito perto como deve funcionar uma equipe de Fórmula 1, e aprender com sucessos e fracassos. Já para a McLaren, o preço real por receber motores sempre competitivos ao longos dos últimos 15 anos foi o de gestar e educar um futuro rival.
Mas é claro que ninguém é ingênuo no seio de uma equipe tantas vezes vencedora, como é caso do time chefiado por Ron Dennis. A cúpula da McLaren certamente esteve sempre um passo à frente de qualquer movimentação por parte de sua parceira, e com certeza tinha plena consciência da conjuntura travada nos bastidores envolvendo Mercedes Benz e Brawn GP.
Não por acaso o McLaren Group recentemente anunciou a parcial emancipação de sua divisão McLaren Automotive, responsável pelo projeto e fabrico de uma nova e completa gama de automóveis esportivos de alto desempenho, na mesma faixa de mercado dos Ferrari de rua, por exemplo.
E mais: já há algum tempo a McLaren vem investindo em projetos de motores próprios para estes carros, ainda que obrigações contratuais a impeçam de utilizar tais propulsores em curto prazo. A busca por independência parece estar bastante clara, visando fazer da McLaren uma efetiva fabricante de automóveis, e não mais uma garagista pós-moderna.
O projeto já está em curso, a estrutura já existe, e a marca tem fôlego mais que suficiente para o grande passo. De forma magistral, a McLaren deu o troco à Mercedes: se os alemães aprenderam a construir carros de Fórmula 1, e agora irão enfrentar seus professores nas pistas, a Mclaren também aprendeu a fazer motores, e em breve irá enfrentar seus professores no mercado.
E, claro, os ingleses ainda ‘roubaram’ dos alemães o nº1 estampado na carenagem, trazido a reboque da recente contratação de Jenson Button.
Concretizadas as transações, a equipe que liderou todo o campeonato mundial de 2009 deixa de existir, levando para a História seu fabuloso cartel de ter sido campeã no único campeonato de Fórmula 1 que disputou.
Abandonada pela Honda quando finalmente tinha um projeto vencedor nas mãos, e adquirida pela Mercedes logo após fazer história, a Brawn GP será para sempre uma personagem surreal entre os herois do esporte a motor. Certamente sua saga será lembrada daqui a muitas décadas, e tomada sempre como exemplo de como ainda é possível vencer ao mais alto nível, fazendo mais uso de inteligência do que de pesadas malas de dinheiro.
Além disso, terá eternizado de forma indelével o nome de seu fundador Ross Brawn. Desde já e para sempre um nome a ser conhecido por quem quer que almeje entender um pouco mais de automobilismo, nesta ou nas próximas gerações.
Por fim, impossível não enfatizar a forma como a entrada definitiva de uma fabricante como a Mercedes Benz, da mesma forma que o processo de emancipação da própria Mclaren, põem por terra os argumentos apocalípticos de Max Mosley, segundo os quais não se poderia contar com o suporte das grandes montadoras.
Mesmo sem contar com reduções drásticas de custos, nem tampouco um regulamento técnico ou político minimamente atraente, a Fórmula 1 ainda é capaz de justificar plenamente grandes investimentos e esforços por parte de qualquer empresa vinculada ao mercado de automóveis de passeio.
Basta, para isso, acreditar que irá contar com uma administração minimamente estruturada e estudada.
Márcio Madeira
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