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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 18.10.09 |
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Márcio Madeira
Existem meios de explicar o oitavo lugar de Rubens Barrichello no GP do Brasil de 2009.
A pole position do brasileiro obtida no dia anterior, ainda que belíssima, teve um preço a ser pago em quilos de combustível. A Red Bull tinha o grande carro do final de semana, e seria mesmo muito difícil se manter à frente de Mark Webber após as rodadas de pit stops.
Contudo, Rubens até que conseguiu emendar uma forte seqüência de voltas mais rápidas nos momentos que antecederam sua primeira parada, e caso mantivesse aquele ritmo, ao menos teria plenas condições de se manter na briga com o australiano, e certamente à frente de Robert Kubica, também em grande prova pela BMW.
No entanto, algo se alterou no equilíbrio da Brawn nº23 após a primeira visita aos pits. Comparando os tempos assinalados por Rubens ao fim de seus 2 primeiros stints, podemos afirmar que seu carro tornou-se algo entre 5 e 6 décimos de segundo mais lento na duração de uma volta. Considerando-se que o 2º stint durou exatas 29 voltas, estamos falando num prejuízo da ordem dos 15 segundos, perfeitamente coerente com a distância de 16,776s que o separava do líder Mark Webber na volta 49.
Rubens não perdeu o GP, portanto, no pneu furado a poucas voltas do fim. Perdeu, isso sim, no desequilíbrio ainda não esclarecido que seu carro apresentou a partir do 2º jogo de pneus. Já o pódio, este sim escapou pelo furo do pneu no 3º jogo de compostos utilizado pelo brasileiro.
Por sua vez, a sucessão de eventos que terminou por decidir o campeonato pode ser também explicada em sua essência. Primeiro, houve o caos, sempre bem-vindo a quem não tem nada a perder, e incômodo a quem poderia vencer em condições normais.
Largando em 14º, Button foi diretamente beneficiado pelas carambolas envolvendo Mark Webber e Kimi Räikkönen; e depois Jarno Trulli, Adrian Sutil e Fernando Alonso. Também herdou a posição de Nico Rosberg, quando o alemão teve de abandonar por problemas mecânicos, e a de Rubens Barrichello quando o brasileiro teve um de seus pneus furado. Na ponta do lápis, Button ganhou nada menos que 6 posições simplesmente por ter se mantido na pista.
E depois houve também os méritos do inglês, que superou com atitude os carros de Grosjean e Nakajima, e depois de muita luta também a Toyota do bravo Kobayashi. Ponha na conta de seu ritmo de prova a posição conquistada em relação a Buemi, e a fatura estará fechada.
Não existem meios de explicar o oitavo lugar de Rubens Barrichello no GP do Brasil de 2009.
Para além de questões técnicas, o resultado frustrante de Rubens Barrichello em seu GP caseiro, após uma pole position apoteótica no dia anterior, deixa de ser apenas uma sucessão de eventos lógicos quando analisado dentro do contexto de suas corridas prévias em Interlagos.
Parece-me uma grande injustiça histórica que Rubens venha a terminar sua carreira sem um triunfo na pista que o viu crescer. Não por questões de simbologia meramente, mas, sobretudo, porque Rubens é sim muito bom em Interlagos, e por diversas vezes ter feito por merecer este objetivo que tanto persegue.
Lembro de seu ótimo 4º lugar em 1994, ou de sua mágica 2ª colocação no grid em 1996, ambos ao volante de uma Jordan. Há dez anos o mesmo Rubens levantou a torcida ao largar em 3º com a Stewart, e liderar com autoridade durante 23 voltas. Houve a mal contada pane seca de 2003, o clima favorável aos pneus Michelin em 2004, e hoje este misterioso desequilíbrio, adquirido quando brigava pescoço a pescoço pela liderança.
Não sei, mas parece mesmo haver um componente imponderável nessa história, algo que escapa à minha capacidade analítica. Seria fácil dizer que falta estrela a Rubinho, mas não tomarei este atalho – especialmente depois da boçalidade dita recentemente pela Hortência. Talvez, simplesmente não esteja escrito, não deva ser. Afinal, o que seria do esporte sem sua esfera mística, sem sua capacidade de nos surpreender?
Certo, apenas, é que a existência ou a ausência de uma vitória em Interlagos no currículo de Barrichello não irá mudar o fato de que ele inúmeras vezes honrou o apoio de sua torcida com atuações acima da média.
Ah, as voltas que o mundo dá!
Final do GP do Brasil de 2008. De um lado, o novato Lewis Hamilton, apenas em sua segunda temporada na Fórmula 1, vivia seu dia de glória ao se tornar o campeão mais jovem da história, numa disputa eletrizante que se definiu apenas na última curva da última volta. De outro, seu compatriota Jenson Button, que por anos havia sido a grande esperança britânica por títulos, vivia um dos pontos mais baixos de sua decadente carreira. Ao encostar seu lento Honda nos boxes após conquistar um miserável 13º lugar, um incêndio de razoáveis proporções consumia toda a mecânica do bólido.
Diante da cena, seu pai John Button pronunciou a frase que se tornaria famosa: -“deixa essa m... queimar!”
Final do GP do Brasil de 2009. Após escrever seu nome na história como campeão mundial através de uma equipe que nem sequer existia um ano atrás, Jenson encontra seu pai, e juntos protagonizam uma das cenas mais emocionantes da temporada. Um longo e lacrimoso abraço selou a coroação do esforço de uma vida, e de uma das viradas do destino mais impressionantes já vistas nas pistas mundo afora.
Jenson Button campeão do mundo. Um título merecido?
Sim. Impossível dizer o contrário. Afinal, o inglês liderou a tabela de pontuação desde a primeira etapa, e deixou de marcar pontos apenas no GP da Bélgica. Além disso, foi sempre combativo, aproveitou praticamente todas as chances que teve, e cometeu pouquíssimos erros.
É bem verdade que raramente foi brilhante, e foi nitidamente superado em velocidade por seu companheiro de equipe a partir do momento em que ambos passaram a utilizar o mesmo sistema de freios. Também é fato que durante a maior parte do ano Jenson não compôs com a Brawn o conjunto mais forte em pista. Todavia, esta constatação tem a propriedade de dizer bem e mal do novo campeão. Afinal, vencer sem ser o mais rápido não deixa de ser algo abonador, ainda que por suas próprias vias.
Há ainda essa ingrata distribuição de resultados. A velha máxima de que a primeira impressão é a que fica não vale para o automobilismo. Tivesse Button vencido 6 das últimas 7 provas do ano, e com certeza seu triunfo seria muito mais festejado pela crítica.
Admitir que se trata de um título merecido, no entanto, não faz de Button automaticamente um grande campeão mundial. A verdade é que a temporada 2009 da Fórmula 1 foi tecnicamente das mais fracas, em grande parte graças à salada técnica imposta pelo nefasto Max Mosley. Com projetos iniciados totalmente do zero, equipes acostumadas a vencer como Ferrari, McLaren, Renault e BMW estiveram na maioria das vezes longe da disputa, abrindo espaço a times menos experimentados.
O grande carro do ano foi o da Red Bull, e seria fácil concluir que a animada equipe austríaca em diversos momentos tratou de perder o campeonato, com a mesma competência com que a Brawn fez sua parte para vencê-lo. Além disso, Barrichello e sua equipe também jogaram inúmeros pontos pela janela, quer fosse através das 4 vezes em que o brasileiro deixou o sistema anti-stall de seu carro atrapalhá-lo, quer fosse pela enorme demora em experimentar o sistema de freios de Jenson Button.
Historicamente, portanto, a corrida de hoje deverá ser mais lembrada por ter consagrado um campeão numa equipe estreante, formada às pressas, do que propriamente pelas atuações de um piloto.
A equipe Brawn fez história ao longo de toda a atual temporada, aproveitando-se do caos instaurado para encenar um verdadeiro conto de fadas no mais improvável dos cenários. Inteligência, experiência e apertos de mão - para glória maior do esporte -, pesaram mais do que aparatos técnicos e contratos milionários. A vitória da Brawn, utilizando a mesma estrutura que não funcionava nas mãos da Honda, foi a vitória do fator humano. E nada mais justo do que reconhecer os méritos deste polêmico e competente Ross Brawn em meio a tudo isso.
A passagem do título de Lewis Hamilton para Jenson Button representa um momento importante na história da Fórmula 1. Até aqui, apenas uma única vez na trajetória da categoria máxima um país havia conseguido se sagrar campeão por dois anos seguidos através de dois pilotos diferentes. Honra esta a ser eternamente dividida pelos gênios de Nelson Piquet e Ayrton Senna, nos idos de 1987 e 1988. Hoje, em Interlagos, a Inglaterra alcançou feito semelhante, e basta uma breve reflexão para entender que se trata de um enorme triunfo para uma nação.
No entanto, se considerarmos que entre 1987 e 1991 o Brasil venceu o campeonato mundial de Fórmula 1 por quatro vezes, o campeonato mundial de Marcas, com Raul Boesel em 1987, a Fórmula 3000 com Roberto Pupo Moreno e Christian Fittipaldi, a Fórmula Indy e as 500 Milhas de Indianápolis com Emerson Fittipaldi, e a Fórmula 3 inglesa com Rubens Barrichello, vemos que mesmo a ótima fase atual da Inglaterra nas pistas do mundo ainda fica em muito a dever aos gloriosos anos de ouro de automobilismo brasileiro.
E o que dizer de Jarno Trulli? Depois de jogar ar fresco sobre sua desgastada reputação com a inesperada segunda colocação em Suzuka, o italiano consegue atirar tudo pelo ralo, no apagar das luzes da temporada, com uma atuação patética em Interlagos.
Primeiro, foi o maior responsável pelo acidente de corrida envolvendo ele próprio e Adrian Sutil. E depois, esquecendo-se de sua dimensão pública, partiu para cima do jovem alemão diante dos olhos do mundo, carregado de imprecações universais.
Para piorar, Trulli ainda teve que conviver com a brava e competente atuação do estreante Kamui Kobayashi, com certeza um dos nomes da corrida. O ‘X’ aplicado a Jenson Button na freada do ‘S’ do Senna não deixou dúvidas sobre a personalidade do jovem nipônico.
Ao fim e ao cabo, Interlagos foi palco para mais uma corrida histórica. Pelo quinto ano consecutivo, o templo que restou do automobilismo nacional teve a honra de apontar o campeão do mundo.
Cenas fortes, como Kovalainen arrastando a mangueira de combustível pouco à frente da Ferrari de Kimi Räikkönen envolta em chamas, certamente farão parte de todas as compilações sobre a categoria nos próximos tempos.
Ganhar, perder... Tudo isso faz parte do jogo. Rubens lutou, aplaudiu o companheiro e rival, e sua elegância ao lidar com a derrota merece todos os elogios. A contagiante emoção da torcida no sábado jamais será apagada, e no fim acho que deveríamos nos sentir todos mais ricos.
Interlagos mais uma vez fez bem à Fórmula 1, e novamente tivemos um piloto nacional brigando pelo campeonato do mundo. Diante dos rumos que vem tomando nosso esporte a motor, é muito mais do que merecemos.
Márcio Madeira
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