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Vacaloca, parte 2 04.10.09
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Marcel Pilatti

Era só a questão do horário ou a prova estava sonolenta mesmo? Como diz Chico Buarque, “Já é madrugada, acorda, acorda...”.





Alguém me corrija, mas creio que essa tenha sido a corrida com o maior número de acidentes nos treinos, certo? E também foi recordista em se tratando de punições: 7. Aliás, o que dizer da palhaçada – sem ofensa aos palhaços – das posições largada? Você faz um tempo, é punido e descobre que larga lá atrás, e depois te colocam lá pra frente?

Tudo em nome do “espetáculo, amigo”.





Alonso e Hamilton: muy amigos
Dois anos atrás, também após uma GP do Japão, nosso colega de GP Total Luís Fernando Ramos escreveu uma coluna dizendo que a F-1 já tinha um campeão, Lewis Hamilton. O decreto aconteceu após aquela prova, quando Hamilton venceu, com Raikkonen em terceiro e Alonso abandonando. Dessa forma, o inglês tinha 12 pontos de vantagem para o companheiro de equipe, e 17 ante o adversário ferrarista.

Não seria o caso de, agora, dizermos o mesmo? Button tem uma vantagem até melhor que a que tinha Lewis: são 14 pontos para o segundo e 16 para o terceiro. O melhor mesmo é esperar pois, tal qual 2007, sabemos que o “imponderável” acontece...

Aliás, com Vettel a apenas dois pontos de Barrichello, eis uma desculpa mais do que perfeita para a Brawn depositar todas as fichas em Button: o “caso Hamilton” de 2007 pode ser uma ótima explicação.





Barrichello, notorizado por grandes desempenhos com carros inferiores e performances no mais das vezes “na média” com carros muito acertados – especialmente na comparação direta com seu companheiro de equipe –, vem confirmando mais uma vez a tese: nas últimas 8 corridas, terminou 5 vezes à frente de Button, somou 12 pontos a mais, e largou 7 vezes melhor posicionado (!).

Mas parece que não é o suficiente. Suzuka, palco de 4 dos 8 títulos brasileiros na Fórmula 1, parece ter sido o decreto de mais uma derrota.





Barrichello não conseguiu atacar Raikkonen
Em entrevista pós-GP ao repórter da Globo, Rubens afirmou que “já está sendo agressivo”. De acordo com Barrichello, “não tem muito de falar 'Ah, tem de acelerar, ser agressivo'”. Gostei. E creio que 2009 marca uma mudança definitiva na imagem pública do piloto.





Largada fulminante de Hamilton: semelhante àquela do GP da Inglaterra, ano passado. Pulou de terceiro para segundo, e dividiu a primeira curva com Vettel de modo determinado; mas o alemão, que também não é de largar o osso, manteve a trajetória.







Vettel estava completamento eufórico
Foi uma vitória impressionante de Sebastian Vettel. Confesso que me surpreendi já no treino, por saber que o jovem alemão marcou a pole. E com uma vitória tão maiúscula, fiquei mais surpreso ainda.

Não por ser Vettel, nem pela equipe, que esse ano já deram várias demonstrações de força. Mas por ter sido o dia mais dominante do ano, só comparável a alguns desempenhos de Buton no começo da temporada.

Essa, sim, foi uma vitória de ponta-a-ponta (alguém bem que podia explicar ao locutor as diferenças entre uma prova onde você larga em primeiro e termina assim e uma na qual você não perde a liderança nem quando vai aos boxes?).

Sua comemoração ao final, muito mais eufórica que o habitué, não pode ser explicada apenas pela manutenção das chances de título...





Na minha visão, Vettel se alinha a Lewis Hamilton na questão “Vacaloca”, de Roberto Agresti.





Um fato curioso do GP deu-se no desfile dos pilotos: segundo li em Motor Sport, Alonso e Hamilton estavam em clima amistoso, e chegaram a dividir o mesmo carro na apresentação.

Ano que vem, com ambos provavelmente dividindo forças, será que vai ser assim?





Falando em Alonso, acho que me surpreendi ainda mais do que com a vitória de Vettel: quando vi o espanhol em décimo, achei que era o efeito da madrugada mesmo... o negócio é esperar a Ferrari.





“Falando em Alonso” (parte 2), hoje tem entrevista de Nelsinho Piquet na Globo, uma semana depois do Nelsão rasgar elogios à FIA e afirmar que, se não o melhor, é o piloto mais honesto de todos os tempos.

E agora a Nascar se abre como possibilidade para Nelsinho. Será que ele vai cantar, de novo,“Papai me empreste o carro, Papai me empreste o carro”?





Abraços a todos. Tenham uma boa semana.

Marcel Pilatti

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