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Tragicômico 25.09.09
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Marcel Pilatti

Você já viu esta cena
Nelson Piquet, o pai, deu entrevista a Reginaldo Leme. A matéria vai ao ar domingo a noite, no programa “Fantástico”. Piquet afirmou: “Eu lidei com automobilismo por toda a minha vida. Não conseguia acreditar naquilo”.





O excelente filme “Frost/Nixon”, um dos cinco candidatos ao Oscar de melhor filme em 2009, fala sobre o impeachment de Richard Nixon e traz uma mensagem ao telespectador: “Sua [do ex-presidente] única herança foi a adição do sufixo 'gate' a todo caso que envolva corrupção”. Perfeito. Tivemos a prova concreta ao ver o nome “Cingapuragate” pronunciado aos quatro cantos nas últimas semanas.

Além dessa coincidência (?), cito o filme (para mim, muito mais merecedor do prêmio máximo do que o vencedor, “Quem quer ser um milionário?”) por conta também de suas relações diretas com o caso da F-1: “Nixon foi um Flavio Briatore” (ou seria o contrário?), há quem diga.





Choveu no circuito pela manhã
Após o fim do mais recente (me recuso a chamar de 'o pior') caso de sujeira na Fórmula 1, milhares de debates e juízos vieram à tona – e isso você, leitor, já está cansado de saber. Em sua última coluna, Edu brilhantemente lembrou que, sim, no passado já havia falcatruas mas também que, não, elas não eram tão corriqueiras nem tão inerentes.

Mas menciono a coluna do Eduardo em razão do título escolhido: “Fórmula 1 como reflexo do mundo”. Sim, é isso mesmo. Em última instância, assim como eles dizem sobre o cinema, “a F-1 imita a vida” – ou seria o contrário?

Briatore e Dirceu
Em meu blog, o F1 Critics, fiz um pequeno post comentando as decisões da FIA sobre o caso, após o envio do comunicado final da entidade. Da forma mais irônica possível, o caso da Renault nos remete ao que houve aqui, no Brasil, em 2005, quando foi escancarado o caso “mensalão”:

- Nelsinho Piquet desempenhou o papel que outrora fora representado por Roberto Jefferson: participou de maneira ativa na maracutaia, e depois se tornou quem trouxe a sujeira à tona;
- Pat Symonds agiu no estilo Antônio Palocci e suas reuniões na mansão, quando o caseiro Francenildo (seria o Piquezão?) jogou a m... no ventilador;
- Briatore vestiu a carapuça dum José Dirceu, o verdadeiro chefe de tudo, que manda e desmanda.
E Alonso se saiu no melhor estilo Lula: “eu não sabia de nada, companheiro”.







Ficamos sem saber o que pensar: Bernie Ecclestone, o manda-chuva, disse que “a punição dada a Briatore foi excessiva”; e Alonso afirmou que considera aquela uma vitória justa, e que não tem de ser anulada. (Vale à pena conferir a entrevista feita por AutoSport com o espanhol).





Symonds e Palocci
No grupo dos téoricos da conspiração, está quem considere o fato de Alonso ter sido inocentado mais um [forte] indício de que o espanhol pilotará para a Ferrari em 2010.

Além de Lucca di Montezemolo ter, pela primeira vez, aberto a possibilidade de que Raikkonen não está garantido, e ter seguido o dito de Ecclestone afirmando que a punição a Briatore foi muito pesada, sabe-se da inconcebível influência da Ferrari na Federação Internacional – podendo o ex-diretor da equipe italiana virar Presidente, inclusive –, e a Scuderia não poderia ter um piloto punido ou sob suspeita.

Jefferson e Nelsinho
Outro indício forte da mudança Renault-Ferrari por parte do bicampeão é que ma última quinta-feira a Mutua Madrileña (ao lado do banco ING, que já havia anunciado a saída no começo da temporada) anunciou rescisão – imediata – com a montadora francesa. A empresa espanhola tem acompanhado Alonso ao longo de toda sua carreira: saiu junto dele da Renault para a McLaren, em 2007, e também com ele retornou à Renault no ano seguinte.

Na sua edição dessa sexta, o jornal espanhol “La Razón” (que não é 'As' ou 'Marca) fala sobre a visita do presidente ferrarista a Madrid para selar o acordo com o Santander, e deu como certa a participação do espanhol pela Ferrari no mundial de 2010.





Ah, sim, meus amigos, eu já ia esquecendo: ainda há espaço para falar da parte “esportiva” (?) da F-1.

Lula e Alonso
No início da manhã, Rubens Barrichello liderou os treinos, ficando aproximadamente dois décimos à frente do companheiro Button. Mark Webber, outro postulante ao título, apareceu em terceiro, com Vettel em quinto – entre eles, o vencedor do GP ano passado, Fernando Alonso.

Mas como até nisso o Singapuragate nos persegue, a grande notícia/comédia do dia, foi a batida de Romain Grosjean, substituto de Nelsinho, no MESMO LOCAL onde toda a polêmica aconteceu.





Na última quinta, Rubens Barrichello disse estar chocado com o desdobrar do caso Renault, mas tanto ele quanto Lewis Hamilton indicaram que Nelsinho ainda tem chances na F-1. Kubica usou outro viés, falando de surpresa com a “imunidade” de Nelsinho, enquanto que Kimi disse “não ser nenhuma surpresa se ele nunca mais voltar”.

Daqui sai o campeão
No entanto, o próprio Piquet-filho indica que pode vir a adotar o automobilismo norte-americano como alternativa às prováveis portas fechadas na F-1. Talvez lá seja mais arriscado bater no muro...

Marcel Pilatti

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