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Boas novas para 2010! 08.09.09
Escreva pra gente
Tiago Toricelli

O fórmula trazido pela Fiat - Clique para ampliar
Há alguns meses venho trabalhando em um projeto para tentar decifrar em matérias, qual poderá ser o futuro do automobilismo brasileiro. A dúvida a respeito é grande, a dificuldade em decifrar a incógnita maior ainda.

Não sou nenhuma mãe Dinah com uma bola de cristal na mão, por isso mesmo parti de alguns pontos bem claros. O primeiro, visível a todos: a lacuna existente entre o kart e as categorias de monopostos. Qual o caminho que um piloto, hoje no kart, que sonhe com a Fórmula 1 deve tomar? O que preenche esta brecha? Vamos citar a Fórmula 3 - segundo dados da organização, a do Brasil é a mais veloz do mundo. Mas, será suficiente? Será que somente ela consegue arcar com a responsabilidade de desenvolver talentos brasileiros para o futuro na Fórmula 1?

Particularmente, tenho minhas dúvidas. Os pilotos costumam ter de sair do Brasil e encarar campeonatos europeus de monopostos para somar quilometragem e trabalhar em um ambiente mais profissional e competitivo. Quando digo profissional, não quero dizer que a F3 não o é, até mesmo porque sei que quem trabalha com ela, tenta ao máximo fazer a categoria crescer. Mas a verdade é que, sem apoio e divulgação, fica tudo mais difícil. Tanto, que hoje, para conseguir sobreviver do automobilismo, o piloto, mesmo que sonhe com a F1, tem de muitas vezes abrir mão disso e partir para uma realidade mais rentável, se não quiser parar de correr.

O Fiat Linea preparado para competição - Clique para ampliar
A solução, caso não tenha apoio (grana mesmo) para ir a Europa e lá entrar na vitrine que são algumas categorias de monopostos, é ficar no Brasil e entrar para a Stock Car. Correr de turismo e assumir o caminho dos carros antes conhecidos por terem pilotos mais experientes, com mais rodagem, já que são carros que permitem um reflexo mais lento que os fórmula – ariscos por natureza.

Cheguei a uma conclusão inicial, que chamei de argentinização. Será que esse é o mal do Brasil atualmente no automobilismo? Pilotos que se lançam desde cedo aos carros de turismo e têm de abrir mão dos fórmulas, por não existir uma grande escola e vitrine no país.

Há pouco, em uma viagem à Argentina, percebi que lá, eles dispõem de uma variedade muito grande de autódromos. Em contrapartida, quais são as categorias principais? Carros de turismo! Que eu me lembre, o último argentino na F1, foi Gastón Mazzacane, e desde então quem surgiu? Será que entramos em uma tendência a solidificar o turismo e abrir mão do monoposto?

Também falando de vitrine, tenho acompanhado de perto o Mundial de MotoGP e há pouco estive ao lado da garotada brazuca que corre na Espanha, atual berço das corridas de moto na Europa. Por lá, Eric Granado e Lucas Barros procuram um lugar ao sol. Será que não conseguiríamos desenvolver uma vitrine maior – do que os campeonatos aqui já existentes – para que outros “Alexandre Barros”, que por muito tempo representou o Brasil lá fora, apareçam?

Do outro lado dessa questão vejo com bons olhos o futuro das categorias off-road. As montadores desse tipo de carro vêm construindo verdadeiras escolas e celeiros de competidores, desenvolvendo neles o bichinho do rally.

Acompanho de perto, por exemplo, os eventos da Mitsubishi, que tem a Cup (velocidade) e a Motors (regularidade). São competições montadas em um ambiente super seguro, com uma organização ímpar e auxílio de grandes nomes do esporte no país, como Guilherme Spinelli e Lourival Roldan. Basta ter um carro da marca, se inscrever doando uma certa quantia em alimentos e levar a família para participar, ver tudo de perto, além de contar com prêmios, almoço e uma grande diversão durante o final de semana. Já vi muitas duplas que começaram por brincadeira na Mit e agora são grandes competidores.





Detalhe do cockpit do fórmula - Clique para ampliar
Voltando para a pista, foi graças a tudo que escrevi acima que recebi com muita satisfação a confirmação de uma notícia que tinha ouvido falar – o surgimento do “Racing Festival”. A organização, que tem Felipe Massa como padrinho e principal incentivador, afirma que o evento unirá grandes pilotos e revelações, carros com alta tecnologia e melhor custo-benefício do segmento. O início do campeonato está previsto para abril de 2010 e abrangerá além das categorias para carros Formula Future Fiat e Trofeo Linea, disputa de motos com a classe 600 SuperSport.

O objetivo é estruturar uma categoria para dar espaço a novos talentos do esporte nacional e fazer a ponte entre o kart e as principais categorias de fórmulas brasileiras e do exterior. Massa diz que a categoria Formula Future é inédita por ter a característica de ser 100% escola. Os pilotos terão as mesmas condições ao longo do campeonato e será uma estrutura de ponta. As etapas serão realizadas aos finais de semana no formato “rodada dupla” para os carros, ou seja, haverá corridas no sábado e no domingo. A meta é reduzir custos, já que os pilotos utilizarão as mesmas estruturas e logística durante todo o final de semana, sem prejudicar o lado esportivo do campeonato.

Os Fórmula Future Fiat são importados da França e vêm 0Km. Na categoria, correrão pilotos de 16 a 20 anos. O custo anual será de 250 a 300 mil reais, numa competição de 12 etapas em seis circuitos. A promessa é que o pacote inclua tecnologia de ponta, preparação dos carros e suporte além das pistas, como dicas de preparação física e treinamento para atender a imprensa. O Trofeo Linea terá carros de turismo com motores de 1.4 16v turbo. As motos 600 SuperSport serão divididas em 10 equipes, cada uma formada por dois pilotos.

Estou bastante ansioso pelo início dessa competição. Acredito ser um passo importante para o fortalecimento de um esporte que trouxe tantas alegrias e ótimas lembranças para nós brasileiros. Torço muito para que dê tudo certo – o Brasil só terá a ganhar com isso. Parabéns ao Felipe Massa pelo comprometimento e às empresas que estão apoiando o evento. Da minha parte, fica um grande desejo de boa sorte e de disputas emocionantes em 2010.

Tiago Toricelli
(tiagotoricelli@hotmail.com)

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