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Histórico! 30.08.09
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Marcel Pilatti

Primeira Pole, Primeiros Pontos, Primeiro Pódio
O Grande Prêmio da Bélgica de 2009 pode ser contado por alguns momentos e personagens cruciais.

1) Giancarlo Fisichella – Force India

Sem dúvida, o(s) nome(s) do fim-de-semana. O feito realizado por piloto e equipe ainda não foi devidamente valorizado, nem parece que será. Quando, ano passado, Sebastian Vettel fez pole/venceu a corrida de Monza, a performance do garoto foi elevada à condição de feito histórico devido, entre outras razões, ao fato de um dia a Toro Rosso ter sido uma Minardi. Porém, a Force India substituiu a Spyker em 2008, e tal equipe jamais havia pontuado nessas três temporadas!

A pole position de Fisichella no sábado toma contornos mais impressionantes se analisarmos dois aspectos: primeiro, o carro do italiano não era o mais leve do grid: tinha 648 kg contra 644,5 de Barrichello, e tinha apenas 1kg a menos que Kubica – BMW – e estava 0,5 abaixo de Glock – Toyota –, carros esses que, em condições normais, sempre foram mais rápidos que a FI.

E o segundo fator importante para se destacar o desempenho de Fisico, é que o italiano conquistou a primeira posição de largada com pista seca. Por melhor e mais impressionantes que tenham sido as poles de Barrichello na própria Bélgica em 1994 ou do já citado Vettel em Monza/2008, ambas as posições foram conquistadas com pista molhada.

Por fim, a proximidade de Fisichella com relação a Raikkonen (a distância final entre os dois foi inferior a um segundo, e em diversas voltas o italiano foi mais rápido que o finlandês) só comprova como, nas palavras do próprio, Fisico “poderia ter vencido”.

2) Kimi Räikkonen – Ferrari

Em meio ao acidente de Felipe Massa e às especulações incessantes de Fernando Alonso, Kimi vem apresentando um ótimo desempenho no campeonato. Nas últimas três corridas, subiu ao pódio em todas: foi segundo na Hungria, terceiro em Valência e primeiro agora em Spa. Se analisarmos as últimas cinco etapas, Raikkonen é justamente o piloto com o maior número de pontos somados: 25.

É verdade que ainda falta uma performance mais convincente nos treinos: com a exceção do GP de Mônaco, onde Kimi largou em segundo, a Ferrari não conseguiu nenhuma primeira fila ao longo da temporada (aí inclusas as performances de Massa, cuja melhor posição de largada foi o 4º posto na Espanha). Porém, nas corridas o carro da Ferrari tem se mostrado bastante confiável e já podemos nos preparar para um regresso vermelho ao topo em 2010.

Na verdade, Kimi era uma aposta quase geral antes da corrida: à sua frente, largavam pilotos com equipamentos com um rendimento inferior ao da Ferrari (exceção feita à Brawn); os carros da equipe italiana vêm equipados com o Kers; e por último, mas não menos importante, o histórico de Kimi em Spa: venceu lá de 2004 a 2007 (não houve GP em 2006) e em 2008 liderou a maioria das voltas, só perdendo a corrida no final (na polêmica com Hamilton).

Assim como Lucas Giavoni citou na sua coluna de 23/08, eu também esperava para o GP da Bélgica algum texto relacionado ao “Retorno do Rei”, em referência às seis vitórias de Schumy em Spa. Mas me parece que esse título cabe perfeitamente a Kimi, que hoje igualou o número de trunfos de Jim Clark nessa pista. Segundo o finlandês, Spa é “perfeita para ele”.

Rubens Barrichello terá de lutar muito
3) Rubens Barrichello

Uma vez que não conseguiu a pole, mesmo estando mais leve que os três pilotos à frente, Barrichello tinha como necessidade o “partir pra cima” logo na largada, e precisava chegar à primeira posição antes de sua parada nos boxes. Räikkonen era visto como seu principal adversário – e a vitória do ferrarista só fez comprovar essa ideia –, e portanto era imprescindível, além do ataque, uma boa estratégia de defesa da posição (Kimi vinha logo atrás de Rubens).

Mas Rubens, assim como aconteceu no GP da Austrália, teve problemas na largada, por algum problema no câmbio o qual ainda aguardamos uma explicação mais clara.

Barrichello dificilmente tornará a ter uma oportunidade tão boa quanto essa de encurtar a distância que o separa de Jenson Button: o companheiro de equipe conquistou apenas a 14ª posição no grid e com muito custo chegaria na zona de pontuação. Não bastasse, logo na primeira volta o inglês envolveu-se num acidente e abandonou a corrida. Porém, nesse momento Rubens estava lá atrás...

Além da ausência de Button, pode-se até considerar o sétimo lugar de Barrichello como positivo, à medida que Mark Webber (que até Spa era terceiro) não marcou pontos e Rubens teve sérias chances de abandonar o GP a duas voltas do fim.

No entanto, Vettel apresentou uma boa performance – partiu do oitavo posto e terminou em terceiro – e cada vez mais leva a RBR ao impasse sobre qual dos dois pilotos privilegiar (ou, pelo menos, “se esforçar mais”): a diferença entre Barrichello (2º) e Webber (4º) é de apenas 4,5 ponto, e 1,5 separam o alemão do australiano.

O grande problema disso tudo é que, com 50 pontos por se disputar, a Brawn não vai arriscar os 16 de vantagem que Button tem.

4) Renault

O quarto personagem do GP merece citação não porque Romain Grosjean tenha causado (foi ele mesmo?) o acidente múltiplo, nem porque Fernando Alonso esteve muito próximo de um pódio que foi definitivamente eliminado por um problema no pit stop. A equipe francesa virou uma espécie de “coadjuvante de luxo” devido a uma informação lançada pelo comentarista Reginaldo Leme, da Rede Globo.

Para se ter uma ideia da repercussão do “furo” do jornalista, o site GrandPrix.com cita em sua página inicial o comentário de Reginaldo: “A TV Globo afirmou que Nelson Ângelo Piquet foi ordenado a bater no GP de Cingapura de 2008”. O site ainda complementa: “houve suspeitas na época, mas nenhuma prova encontrada”. Horas depois, o site confirmou que “a FIA está investigando o caso”.

Como a FOM (Formula One Management) tem investido pesado na questão de direitos autorais, poucos são os vídeos oficiais de corridas que “sobram” na internet. No Youtube, é possível ver apenas vídeos filmados da arquibancada na etapa de Singapura:



Antonio Pizzonia deixou duas mensagens relativas ao assunto em seu Twitter: No sábado de madruga, ele escreveu: “Amanhã ou segunda mundo da F1 terá surpresas. Aguardem pq é coisa quente...”. Hoje, durante a corrida, postou: “E a bomba na F1 começa a estourar.. Aguardem pq isso, é apenas o começo”.

Nelsinho Piquet não se pronunciou em sua página no microblog, limitou-se apenas a ironizar a batida do substituto: “Boa, Grosjean”, disse.

Não podemos afirmar nada, mas a história é muito estranha, e difícil de acreditar, por dois motivos básicos: um porque Nelsinho seria cúmplice no “crime”, e outro porque não havia como planejar os problemas enfrentados por Felipe Massa em seu pit stop.

1 ano e 4 meses depois...
Ano passado, houve um boato semelhante que gerou a mesma polêmica: segundo o jornalista Lemyr Martins publicou em livro, Rubens Barrichello teve sua mãe sequestrada no GP da Áustria de 2002 e por isso teve de ceder sua posição a Schumacher. Nesse caso, ficou comprovado ser história falsa.

E algumas semanas atrás eu recebi um e-mail que falava sobre uma possível “venda” da Copa do Mundo de 1998, que fez com que a Seleção Brasileira entregasse a partida para a França na final daquele Mundial. Eu ainda acho que a culpa foi do Zidane.

Boa semana a todos.

Marcel Pilatti.

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