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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 26.07.09 |
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Márcio Madeira
Tradicionalmente o GP da Hungria costuma contar muitas de suas histórias aos sábados, uma vez que o traçado absolutamente carente de inspiração parece ter sido projetado com a única intenção de coibir ultrapassagens. Este ano, porém, essa tendência esteve elevada a uma nova dimensão, em virtude do lamentável acidente com Felipe Massa. Essa foi, certamente, a grande notícia do fim de semana, e por conta dela a corrida em si já começou num segundo plano.
Desde o fim de semana negro em Ímola, 15 anos atrás, a Formula 1 viu diversos acidentes graves, alguns dos quais plasticamente até mais impressionantes do que aqueles que vitimaram Ayrton Senna e Roland Ratzenberger. Entre todos eles, porém, raríssimos foram os potencialmente fatais para os pilotos. Assim, de memória, creio que o mais sério de todos tenha sido o de Mika Häkkinen, nos treinos para o GP da Austrália em 1995. Naquela ocasião, o futuro bicampeão mundial teve a vida salva por uma traqueotomia emergencial ainda na pista.
O acidente de Felipe Massa no sábado não foi o mais feio dos últimos anos, mas certamente foi o mais perigoso deles. Mais ainda do que o de Häkkinen, pois a mola que o atingiu como se fosse um enorme e pesado projétil esteve perto, muito perto, de ter penetrado pela viseira. Por uma questão de milímetros o olho esquerdo, e provavelmente a própria vida de Massa, foram poupados. Na mesma pista onde um ano atrás fez a corrida de sua vida, Felipe, sábado, nasceu pela segunda vez.
Torço, a partir de agora, para que assim como Häkkinen após 1995, Schumacher após 1999, ou mesmo Mark Webber após o recente atropelamento sofrido na pré-temporada, Massa volte logo para dar a volta por cima nas pistas.
Passado o momento do trauma, e com a saúde de Felipe aparentemente estabilizada e fora de risco, começam as especulações sobre o futuro do brasileiro e da Ferrari. São muitas as perguntas levantadas nos bastidores. Poderá Massa voltar a pilotar no mesmo nível de excelência dos últimos tempos? Se sim, qual o tempo necessário para sua recuperação? Quem a equipe deve chamar para substituí-lo, caso o brasileiro não possa guiar em Valência, dia 23 de agosto? De que maneira este acidente pode afetar a dança das cadeiras da categoria, num momento no qual Fernando Alonso é dado como certo em Maranello, e no qual Kimi Räikkönen parecia ter as malas prontas para a Brawn GP?
Sem qualquer resposta minimamente fundamentada para nenhuma destas questões, a ‘rádio paddock’ fervilha em elucubrações. Fala-se, inclusive, num ocasional retorno de Michael Schumacher à categoria, na condição de substituto de luxo do contundido brasileiro.
Em meio a tudo isso, o manual do bom jornalismo diz que o melhor é esperar pelo desenrolar dos fatos e pelos índices da recuperação de Felipe. Estamos nas férias do verão europeu, e há tempo mais que suficiente para se avaliar os ecos de tudo o que aconteceu na Hungria antes que se façam as malas para Valência.
No mínimo estranha essa aparente tendência dos carros a perderem peças em Hungaroring. Assim, de cabeça, me recordo de Nigel Mansell, que perdeu a porca de uma de suas rodas em 1987, Fernando Alonso, que passou pelo mesmo desprazer em 2006 e voltou a passar hoje, além de Barrichello, que em 2003 já havia perdido um conjunto de roda e suspensão traseira em plena reta, e agora acabou por perder a mola que atingiu o capacete de Felipe.
E aí? Apenas coincidências, ou algo a ver com características da pista? Bom, coincidência ou não, a equipe Renault foi punida pelo ocorrido com o espanhol, e salvo recursos e apelos, não irá alinhar seus carros em Valência.
Como se Nelsinho já não tivesse problemas o bastante...
O acidente com Felipe Massa, apenas 6 dias após a morte de Henry Surtess numa corrida de Formula 2 em Brands Hatch, reacende a discussão sobre a segurança de se pilotar com a cabeça exposta. Como um segundo raio a cair no mesmo lugar, o diálogo entre um e outro evento confere novos significados às duas ocorrências, e reduz em muito a margem daquilo que se possa atribuir a azar ou fatalidade.
Se algo pode ou não ser mudado não é a questão mais importante. O crucial, neste momento, é discutir o assunto como um todo. Parece-me que experiências no sentido de se criar uma bolha protetora transparente – como as de Lexan nos aviões de caça – se fazem no mínimo necessárias.
Ah, sim... Em meio a tudo isso, também houve uma corrida na Hungria.
Desde os treinos livres ficou claro que, fosse por alterações na hierarquia das equipes, ou fosse por características peculiares a uma ‘pista de rua sem casas’, o resultado da corrida magiar prometia surpresas.
De um lado havia a Red Bull, dominadora das últimas provas, cuja facilidade para aquecer os pneus poderia se reverter num problema de superaquecimento num clima como o de Budapeste no verão, da mesma forma que sua maior distância entre eixos poderia não se adaptar da melhor forma aos cotovelos do Hungaroring.
Havia também a McLaren, com a mesma velocidade mostrada já no carro de Lewis Hamilton em Nürburgring; a Ferrari, tornada confiável e cada vez mais veloz ao longo do ano; e a líder do mundial Brawn GP, de quem por diversos motivos se esperava um desempenho mais competitivo do que nas últimas provas.
O que ninguém esperava, com certeza, era uma pole position de Fernando Alonso.
Num treino já totalmente atípico pelo ocorrido com Massa, e também pela ausência de Barrichello na Q3, o asturiano partiu para uma estratégia kamikaze de largar extremamente leve e tentar liderar nas voltas iniciais. Certamente não era uma estratégia para ganhar corrida, mas quem sabe servisse para ao menos posicionar bem o bicampeão, de forma que ele pudesse tirar tudo de seu sofrível Renault.
Minha tendência natural é a de ver com bons olhos tentativas como a de Alonso, provavelmente cansado de andar somente no pelotão intermediário. Analisando com mais calma, porém, é fácil intuir na postura do espanhol uma provável tentativa de valorizar o próprio passe num momento em que cabeças estão sendo convencidas, contratos estão sendo relidos, e decisões estão sendo tomadas. Com certeza os bons desempenhos de Alonso e Räikkönen devem estender por alguns dias a mais as dores de cabeça de Felipe Massa.
Em nenhuma pista até agora o Kers havia sido tão decisivo quanto foi na Hungria. Com uma distância considerável entre a posição de largada e a freada para a primeira curva, além de diversas retas curtas nas quais os carros não chegam nem perto de suas velocidades máximas, o Hungaroring premiou todo o esforço de Ferrari e McLaren por desenvolverem o equipamento. Principalmente porque tanto Kimi Räikkönen quanto a dupla da Mclaren não traduziram no grid o ritmo possível para seus carros.
Foi através do Kers que os dois últimos campeões mundiais conseguiram se posicionar entre os líderes quando as luzes vermelhas se apagaram, e foi também através dele que Hamilton deixou Webber para trás na segunda volta.
Lewis, aliás, comprovou na corrida deste domingo a inconstância que vem marcando essa fase inicial de sua carreira. Na Alemanha, com equipamento tão bom quanto o que teve na Hungria, jogou uma boa corrida fora na 1ª curva. Já desta vez fez tudo certo, e conseguiu dar vazão às inquestionáveis qualidades naturais que fizeram dele o campeão mais jovem da história. Para cada corrida infantil, outra brilhante.
Outro que pecou pela inconstância foi Mark Webber. Pode até parecer implicância falar isso do piloto que mais pontos somou nas últimas corridas, e que vem sendo a ameaça mais consistente ao título de Jenson Button. No entanto, depois de marcar a melhor volta do dia com um tempo meio segundo melhor que o 2º colocado, Mark deixou claro que tinha sim equipamento para fazer mais que o 3º lugar na corrida. Fórmula 1 é o topo do esporte, e não se espera de um candidato a título mundial nada menos do que ser capaz de repetir suas melhores voltas ao longo de um GP inteiro, se isso for estrategicamente conveniente.
No mais, o GP da Hungria de 2009 foi apenas mais uma corrida convencional. A Brawn GP confirmou as expectativas de que teria problemas a partir do momento em que as grandes potências começassem a desenvolver seus carros, e se não reagir vigorosamente durante o intervalo até o GP da Europa seus títulos de pilotos e equipes estarão seriamente ameaçados.
A grande sorte de Jenson Button, ao menos até aqui, é que Sebastian Vettel e a Red Bull cometeram diversos erros ao longo do ano, perdendo vários pontos que os potenciais de carro e piloto deveriam ter garantido. Hoje, contudo, culpa nenhuma no abandono do jovem alemão, supostamente em conseqüência do toque involuntário com a Ferrari de Kimi Räikkönen ainda na primeira volta. Button, enquanto isso, segue como o único piloto a somar pontos em todas as etapas deste mundial 2009...
Há pouco o que dizer sobre os desempenhos de Rubens Barrichello e Nelsinho Piquet. O veterano teve um fim de semana apagadíssimo, que começou com o 13º tempo no grid de largada, passou por uma primeira volta catastrófica, e terminou quando foi o último numa disputa melancólica com Jarno Trulli e Kazuki Nakajima pela oitava posição. Uma Toyota, uma Williams e uma Brawn se matando por um ponto no meio da temporada. Algo difícil de se imaginar nas primeiras corridas do ano, quando justamente essas eram as três equipes equipadas com o polêmico difusor de dois andares...
Nelsinho Piquet, por sua vez, não repetiu o bom desempenho do ano passado e esteve sempre fora da zona dos pontos. Sua condição dentro da equipe é miserável, e a verdadeira guerra de bastidores para que o piloto se mantenha na equipe até o fim da temporada, com equipamento igual ao de Alonso, parece estar afetando ainda mais seu desempenho. Para 2010, com toda a certeza, Nelson pai já está negociando com outras equipes.
Por tudo o que se viu na Hungria, os próximos dias prometem ser decisivos para os rumos da Fórmula 1 a curto prazo. Como se dará a recuperação de Felipe Massa, como seu acidente afetará o mercado dos pilotos, e como a Brawn irá enfrentar a evolução da concorrência?
Essas e outras perguntas terão de ser, todas elas, respondidas nos próximos capítulos dessa história. Vale a pena acompanhar os noticiários com atenção.
E também não custa nada direcionar algumas preces pela plena recuperação de nosso melhor piloto na atualidade.
Márcio Madeira.
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