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...is not my lover 12.07.09
Escreva pra gente
Marcel Pilatti

Após ver a promissora temporada do alemão em 2007 – menos pelo quinto lugar e mais pela forma como bateu Kubica e pela visível melhora que a BMW apresentava –, eu pensava que Nick Heidfeld conquistaria sua primeira vitória em 2008 e, assim, se tornaria o piloto que mais disputou GPs até chegar a primeira vitória.

Antes que o leitor pergunte o porquê de eu citar Heidfeld (nulo no GP de hoje), eu digo que naquela minha “previsão” eu acertei e errei, ao mesmo tempo: errei ao apostar em Heidfeld, mas acerei ao dizer que em breve um piloto da atual geração seria aquele que em mais corridas esteve presente até vencer a primeira delas: o australiano Mark Webber.

Confira aqui a lista dos pilotos com maior número de GPs no currículo até o primeiro triunfo:

  1. Webber – 130
  2. Barrichello – 124
  3. Trulli – 118
  4. Button – 114
  5. Fisichella – 110
  6. Hakkinen – 97
  7. Boutsen – 95
  8. Alesi – 92
  9. Irvine – 82
  10. Mansell – 72
  11. Herbert – 71
  12. Patrese – 71
  13. Ralf Schumacher – 70
  14. Depailler – 69
  15. Massa – 66




Mané Webber: o piloto que mais demorou pra chegar lá
A primeira vitória de Mark Webber sucedeu aquela que foi também a sua primeira pole. E o australiano só não fez um “hat-trick” porque no trecho final da corrida Fernando Alonso registrou a volta mais rápida do dia, após imprimir um ritmo alucinante. Mas o triunfo do piloto da RBR foi ameaçado pela imprudência do próprio...

Rubens Barrichello partiu melhor que o australiano, o que obrigou Webber a uma tentativa desesperada de defender sua posição: Rubens partiu do lado direito e quase não fez movimentos com o volante, apenas acelerou. Webber trouxe seu carro para tentar defender a ascensão de Barrichello, mas viu que o brasileiro já estava quase na mesma posição.

Então, deu um soco no volante, ocasionando um toque que faz Barrichello sair da trajetória “correta”. Ironicamente, porém, Barrichello ficou numa posição melhor para tangenciar a curva, e assumiu a primeira posição.

(É importante lembrar que foi a mesma manobra que Mark Webber havia realizado em duas ocasiões anteriores: Suzuka-2005, contra Alonso, e Fuji-2008, ante Massa)







Na volta 12, é feito o anúncio de que Webber será punido. Na 15ª, ele cumpre seu drive-through ao mesmo tempo em que Barrichello – até então líder – faz sua parada nos boxes voltando em terceiro. O australiano retorna à pista na primeira posição, e daria início a uma excelente performance.

Apenas cinco voltas depois, Webber faz seu pit-stop, e volta no oitavo posto. Na volta 22, ou 23, ele participa de uma interessante briga com Kubica e Button pela sexta posição. À primeira vista, parecia que o australiano dificilmente conseguiria a vitória, e que só brigaria por um lugar no pódio...

Mas na 33ª volta, ele retoma a liderança, e começa uma série de voltas rápidas – olha, até que falaram pouco de Michael “coelho na cartola” Schumacher! – e só perderia a liderança por alguns momentos, após sua segunda parada (na 44ª volta), quando Vettel assumiu a primeira posição antes de ir aos boxes.

Venceu com folga.





A largada em Nurburgring
O vencedor de Nurburgring também havia perdido a segunda posição para Lewis Hamilton, naquele início de prova, após uma largada sensacional do britânico, impulsionada pelo Kers, muito semelhante àquelas que a Renault fazia nos idos de 2003/04.

Mas um toque - aqui, involuntário - entre os dois ocasionou um furo no pneu de inglês, que lhe custou não só aquele posto, mas toda e qualquer chance de pontos, ou de pelo menos encerrar corrida na mesma volta do vencedor...







Jenson Button acabou conquistando um ponto a mais em cima do companheiro de equipe, ficando à sua frente nas voltas finais. Mas o inglês não fez nada de espetacular, pelo contrário. Suas ultrapassagens foram raras, salvo a disputa com Massa no início. Segundo ele, a corrida de hoje foi um desastre. Estaria Button “administrando” o resultado faltando 8 etapas para o final?





Felipe Massa fez uma boa corrida, subindo ao pódio pela primeira vez desde o traumático GP Brasil do ano passado. O maior mérito do brasileiro talvez tenha sido o de segurar Barrichello por durante cinco voltas. Ainda bem que Rubinho não gesticulou como no Bahrein...





O “campeão ocasional” (essa é uma das pérolas do ano) Kimi Räikkonen abandonou mais uma vez com problemas no carro. O finlandês não vence há 23 corridas e, embora saibamos que não podemos lhe cobrar vitórias esse ano, parece ficar cada vez mais claro que ano que vem teremos uma equipe totalmente latina na Ferrari: matriz italiana, pilotos brasileiro e espanhol.







Kimi e Sutil antes do toque: colunista de luto
E foi justamente Kimi que novamente frustrou (sem culpa, dessa vez) a torcida desse colunista: tal qual Mônaco-2008, um acidente entre o finalndês e Adrian Sutil tira as chances de pontos da equipe Force India. Hoje, a “derrota” foi mais dolorida que a da copa de 1982: Sutil largou em sétimo, o que é praticamente um milagre, e chegou a andar em segundo no seu GP de casa!

Talvez a falta de paciência tenha sido determinante para que ocorresse o choque entre o pneu da Ferrari e o bico da Force India.





Outros destaques que eu gostaria de fazer:

  • Nico Rosberg, fez uma corrida interessante, chegando na quarta posição, após ter partido em 15º. Uma excelente prova de recuperação;
  • Nelsinho Piquet, depois de 1 ano e meio e 24 classificações atrás, conseguiu partir à frente de Alonso. Mas nada produziu na corrida, continua zerado no ano e só lhe restou reclamar da equipe;
  • Essa carroça da BMW pode entrar pra lista dos piores projetos de todos os tempos;
  • Espero que Sebástien Bourdais possa voltar a apreciar o gosto do champagne. Lá na França...






Barrichello esteve à frente de Button
E ficamos sem ver o “moonwalk” de Barrichello no pódio. Sem Billie Jean, Frank Williams quer ver o brasileiro dançando ao som de outra música: segundo o famoso dirigente inglês, as reclamações de Rubens no pós-corrida são “dignas de cartão vermelho”.

Rubens falou que não queria “ouvir o blá-blá-blá da Brawn” e que a equipe havia dado um “show de como perder uma corrida. Horas depois, o piloto de certa forma retirou o que disse, dizendo que conversou com o time e que o que aconteceu foi uma “combinação de coisas”.

Confesso que tais declarações não merecem comentários posteriores...

Boa Semana a todos.

Marcel Pilatti.

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