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05.03.10 - Roberto Agresti |
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11.03.10 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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01.03.10 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 26.06.09 |
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Vocês já tentaram imaginar o quanto é preciso de força mental para vencer uma corrida? O quanto é preciso estar bem preparado consigo mesmo para alcançar tal objetivo? O quanto, por exemplo, Hélio Castroneves precisou trabalhar sua cabeça antes de entrar na disputa das últimas 500 Milhas de Indianápolis e vencer?
Tenho pensado muito no equilíbrio mente x corpo e o quanto um é extremamente dependente do outro quando nos deparamos com grandes desafios. Comecei a pensar nisso no último mês, quando me coloquei à prova no que foi o maior desafio da minha vida. Não foi na pista, e sim numa montanha. Assim como o automobilismo, o alpinismo e a vela são minhas outras grandes paixões. Escalei a Huayna Potosi de 6.088 metros, na Bolívia. Curioso que as altas montanhas são como os grandes circuitos – poucos no mundo.
Para escalar uma montanha dessas é preciso muito preparo físico. Desde dezembro vinha treinando. Corridas longas diárias com mochila nas costas, fisioterapia para fortalecer pernas e joelho, nutrição balanceada, mas mesmo assim, o que eu achava suficiente foi muito pouco. A montanha assusta, a sua força assusta. O primeiro contato com a falta de oxigênio mete medo. Puxar ar e não conseguir encher os pulmões e mesmo assim continuar o extenuante trabalho físico é algo que suga não somente as forças físicas mas também a mental. É preciso um auto-controle gigantesco para não entrar em pânico com as reações do corpo.
Encarar o fato de que você pode estar andando sobre uma fina camada de neve e que a qualquer momento o chão pode ceder e você despencar a 30 metros numa greta, não é nada fácil. Olhar para aquele monstro que é uma montanha desse tamanho e conseguir reunir forças para enfrentá-la requer além de uma preparação física, uma força mental e uma força de vontade enormes. Tenho certeza, foram essas forças que me levaram ao cume.
Depois de três dias de preparação no glaciar da montanha, fazendo exercícios de caminhada com grampões nas botas plásticas, piolets (piquetas), resgates de gretas e sistemas de segurança - parti para o acampamento 2, a 5.125 metros. De lá, às 2 horas da manhã, segui rumo ao cume. Andávamos encordados, eu e um guia de alta montanha boliviano, caso um despencasse, caberia ao outro segurar a corda, trabalhar no sistema técnico ideal para o momento e tentar o resgate. Numa alta montanha nada é certeiro, muita coisa pode dar errado - tal qual uma corrida, não existe uma fórmula, e nem uma certeza. O cume pode não ser atingido, o alpinista pode não retornar – são riscos reais, e que todos que se colocam neste desafio sabem das conseqüências.
O frio durante a madrugada foi terrível, tanto que as quatro blusas que usava (entre térmicas, fleeces, corta-vento), as três calças (térmica, high dry, impermeável), as duas meias, luvas, gorros, não estavam dando conta. O cansaço, então, não tenho nem palavras para passar a sensação. Minhas pernas tinham até espasmos. Já tinha utilizado todas as minhas reservas de energia, toda a minha força física havia se esvaído. Não tinha mais de onde puxar forças para dar um passo à frente. Não tinha ar, estava com dores, tinha muito frio, cansado, e o cume ainda estava distante. Mesmo assim não queria parar. Tinha um desafio a ser superado.
Foi com muita força de vontade, relembrando cada momento de minha preparação, lembrando de cada pessoa que por mim torcia que tirei forças para continuar erguendo minhas pernas e movimentando os braços. Pisava na neve com “garra”, como se cada passada fosse uma conquista a mais – e realmente estava sendo! Pensava no sonho que estava realizando, há quanto tempo por aquilo desejava. Minha vontade de chegar lá venceu minha força física.
Depois de sete horas e quinze minutos, ou seja, às 9h15 da manhã, cheguei ao cume. Houve uma junção de emoções, lembrei do esforço de todos os meus sentidos que me levaram até ali. Chorei de alegria, da intensidade da montanha, de felicidade por ela ter me permitido olhar do alto toda sua beleza, chorei por ter, acima de tudo, percebido do quão longe minha vontade pode me levar, e que sou sim capaz de fazer o que quiser, desde que realmente queira muito algo.
Eu venci, e não apenas porque cheguei ao cume. Venci porque vitória para mim significa mais que o lugar mais alto. Vitória para mim é mais, é quando conseguimos vencer nossos próprios limites – sejam quais eles forem.
Tiago Toricelli
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