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O circo de Bernie 19.04.09
Escreva pra gente
Marcel Pilatti

Mais uma vez, assistimos a um episódio do Circo Bernie Ecclestone: a exemplo do que já havia acontecido em GPs como Japão-2007 (foram 18 voltas) e Itália-2008, vimos um início de prova atrás do Safety Car, sem possibilidade de ultrapassagens, ou algo parecido. A largada, melhor parte da corrida, foi-nos cortada em virtude do excesso de água. E, ironicamente, muitas vezes a prova começa em condições até piores do que aquelas do momento em que foi postergada.





Esse foi o sexto Grande Prêmio disputado em solo chinês: é a primeira vez, no entanto, que a etapa acontece no início da temporada: sempre oscilando entre final de setembro (2004) e outubro (2005-08), dessa vez acontece em meados de abril. Por quê? Seria mais uma das peripécias de Sir Bernie? Em todo caso, o tiro saiu pela culatra, mais uma vez.



Barrichello chegou a estar na frente de Button
Pensei em realizar um comparativo entre os tempos de volta de prova nessa etapa com as outras duas em que houve chuva. Em 2006, Fernando Alonso foi o mais rápido, anotando 1min37s586, ao passo que, em 2007, Felipe Massa cravou 1min37s454. A melhor volta desse ano, de Barrichello, ficou em 1min52s592. Porém, nas duas anteriores, houve oscilações de pista seca/molhada, o que limita muito uma eventual comparação.





Sebastian Vettel, que ano passado em Monza havia se tornado o mais jovem piloto de todos os tempos a vencer um GP, agora é também o segundo: o feito atual foi conquistado com 21 anos, 9 meses e 16 dias.

Seria exagero apontá-lo como principal candidato ao título ao lado dos pilotos da Brawn?





O pódio de Webber Vettel e Button
Button não fez uma prova excepcional: classificou-se muito atrás do que vinha fazendo, e chegou ao terceiro posto muito mais pela estratégia equivocada da Renault e o desempenho abaixo da média de Rubinho do que por algum mérito que tivesse. Foi ultrapassado com facilidade por Mark Webber. De repente, a Brawn já perdeu sua hegemonia passageira e passaremos a ver uma disputa mais acirrada com a Red Bull.





E é bom falar novamente sobre Barrichello: pela terceira prova seguida, o brasileiro terminou atrás de Button. Ainda que pese o fato de ter largado na frente (até aqui, o placar das classificações registra 2 a 1 para o inglês), de ter atingido uma velocidade máxima superior à do companheiro, e ter registrado a melhor volta da corrida, fica a clara impressão de que Rubens está com alguma limitação em relação ao inglês.

E, do jeito que tudo está acontecendo, pode ser que logo as chances de título se transformem em poeira, outra vez.

A corrida de Barrichello foi muito fraca. A explicação dada pelo piloto é a de que ele teve “problemas nos freios”.





Carro de Massa sendo rebocado mais uma vez sem pontos
E a Ferrari, onde vai parar? Já está conseguindo superar os índices de 1991, 1992 e 1993, temporadas que marcaram um terrível jejum de vitórias (entre Espanha-90 e Alemanha-94 foram 50 GPs sem chegar ao topo do pódio), quando, pelo menos, pontuou alguma vez nas primeiras três corridas. Agora, uma sucessão de erros equipe-pilotos vai limando as condições da Scuderia lutar pelo título, e até mesmo por vitórias.

No último GP, Massa não conseguiu registrar boas voltas e, na sua última tentativa no Q2, acabou por cometer um erro. Na corrida, vinha bem: passou de décimo-terceiro para terceiro, em dado momento, mas aí a famigerada “falha elétrica” acabou com sua corrida. Kimi Räikkonen acabou se classificando entre os 10 primeiros (partiu em oitavo), mas na corrida só não era ultrapassado por quem não quisesse. E resultou que o finlandês terminou a etapa em décimo.

Nico Rosberg e Kimi disputando posição
Importante: tanto Kimi quanto Felipe escaparam da pista quando o Safety Car ainda não havia “liberado” a largada. Pior, impossível. No entanto, Massa pede que a torcida não desanime.

A etapa do Bahrein, dado o histórico Ferrarista na pista (entre 2004 e 2008, venceu 3 GPs e foi pole em outros 3), parece-me ser a última chance dos italianos esboçarem uma reação verdadeira.





Corrida decepcionante, mesmo, foi a de Nelsinho Piquet. Como alguém já disse, a FOM, já percebendo a instabilidade do piloto e o risco eminente de sua vaga na Renault, está usando de recursos que se aproximam das novelas: Nelsinho erra na pista, a câmera corta pra Briatore, dá um zoom, volta pra Nelsinho em apuros, e corta outra vez para Briatore, mostrando o italiano balançando a cabeça negativamente.

Será que ele passa desse ano?





Disputa entre Buemi e Alonso
Já a corrida de Alonso teve lances de céu e inferno: a surpreendente segunda posição no grid – muito motivada por estar mais leve – parecia mais confortável enquanto o Safety-car não deixava a pista. Até que a renault decidiu chamá-lo para fazer seu pit-stop e o espanhol voltou na última posição: o problema é que logo em seguida houve a “largada”.

No entanto, Fernando aplicou uma recuperação sensacional, pulando para o quinto lugar. Nesse meio tempo, protagonizou um belo “pega” com Sebastien Buémi. Quando teve de retornar aos boxes, e na busca pela zona de pontos, acabou rodando. Ao menos, superou uma Ferrari de forma risível.





Outro que fazia uma corrida genial – guardadas as devidas proporções – foi Lewis Hamilton: o inglês foi o primeiro (?) a realizar alguma ultrapassagem, e seguiu galgando posições. No entanto, uma série de erros acabaram estragando com sua epopéia: Lewis passava alguns pilotos e, de repente, rodava ou escapava da pista, tendo de refazer o que acabara de fazer. O sexto lugar acabou sendo lucro.

Carro de Trulli destruído
Lewis, pela primeira vez, se vê atrás de Kovalainen na tabela de pontos: o finlandês, com o quinto lugar, chegou aos mesmos quatro pontos do companheiro de equipe, mas como foi o melhor resultado (!) da McLaren até aqui, aparece em 9º (Hamilton é 10°). Muito bom pra quem, até agora, não havia completado uma volta sequer.





O acidente de Robert Kubica com Jarno Trulli, bem lembrado pelo locutor, encontra paralelo com dois dos maiores pilotos de todos os tempos:

Senna, na Austrália-89:



Schumacher, na Bélgica-98:







Na minha última coluna, eu lancei duas perguntas: a resposta de ambas foi o que se esperava: não.





Boa semana a todos.

Marcel Pilatti

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