A última semana foi a mais agitada do ano na Fórmula 1. E olha que o mundial ainda não começou...
Bernie Corleone
Na terça-feira, dia 17, uma bomba explode: o mundial de Fórmula 1 tem uma nova regra para definir seu campeão: o número de vitórias. Agora, aquele piloto que mais vencesse corridas, seria declarado campeão mundial, ainda que não fosse o que somasse o maior número de pontos.
No mundo todo, fãs, jornalistas, pilotos, dirigentes e ex-pilotos manifestaram-se contra a nova regra, declarando-a absurda e incoerente com os princípios do esporte (?). Vejamos algumas das mais importantes.
Jarno Trulli deu talvez a declaração mais contundente: “A Fórmula 1 quer morrer”, disse o italiano. Já o bicampeão mundial Fernando Alonso, foi <mais diplomático. Segundo o espanhol, “o ponto de vista do espectador não foi levado a sério pela FIA”.
O inglês Jenson Button parece ter sido o único piloto a ver algo bom na nova regra, ainda que com ressalvas; já Rubens Barrichello foi veemente na crítica, especialmente porque o pagamento é consequencia dos pontos conquistados.
Equipe Brawn chegando em Melbourne
Enquanto isso, o atual campeão mundial Lewis Hamilton chamou de “vergonhosa” a situação. Por fim, Schumacher [aquele que mudou as regras, em 2003], também foi contrário: “não faz sentido”, disse. Entre os dirigentes, houve alguma diferença.
Lucca di Montezemolo chamou a situação de “Grave, absurda e perigosa”. Já Vijay Mallya afirmou que a idéia “é excelente, na medida em que dá mais motivação aos pilotos para ganharem”. Porém, o indiano ressaltou que “a altura da [introdução da] regra estraga toda a preparação da temporada”. E foi mais ou menos isso que as equipes se basearam para derrubar a medida arbitrária e descabida.
Quando do anúncio da medida, feito pela FIA em 17/03, a FOTA emitiu um comunicado, onde procurava “expressar seu desapontamento e preocupação pela unilateralidade da decisão”. A Associação acrescentou que o regulamento pode “arruinar a essência (...) de um dos esportes mais populares do mundo”.
Ironicamente, a “vitória” da FOTA nesse caso foi assegurada pela própria FIA: no artigo 199 do código esportivo internacional da FIA está previsto que decisões desse porte sejam tomadas com antecedência e comunicadas às equipes antes de serem estabelecidas.
O corinthiano Rubens chega a Melbourne
No dia 20, foi dado como certa a suspensão temporária do novo regulamento, e isso foi oficializado durante a última semana. Felipe Massa manisfestou satisfação : segundo o vice-campeão de 2008, a decisão de revogar “foi a melhor para o esporte”.
Flavio Briatore, que ficou consternado com as questões de redução de custos, também declarou-se satisfeito com a revogação, e usou um famoso dito popular: para o dirigente italiano, “o que aconteceu demonstra que, com a união das equipes, temos força”.
Mas Bernie Ecclestone não se deu por vencido [no melhor estilo “uma batalha pela guerra”], e garantiu que o novo sistema entra em vigor em 2010. Resta torcer pra que não aconteça.
Nick Heidfeld passeando antes do GP
A Saga interminável de Bernie a fim de acabar com a F-1 teve outro capítulo na última terça: o jornal britânico “The Times” publicou uma matéria revelando que alguns times teriam ameaçado fazer um boicote ao GP da Austrália caso não fossem revistas as quantias financeiras destinadas às equipes.
Segundo o presidente da FOM, os dirigentes de Renault e McLaren foram os principais autores das ameaças. “Flavio disse: 'Não vamos colocar nossos carros no avião. Não vamos viajar'. Foi ele quem começou, auxiliado e estimulado por Ron", disse Ecclestone.
Não contente, Ecclestone soltou uma das pérolas do ano: “Se eles vêm aqui com uma arma e a apontam para a minha cabeça, melhor que puxem o gatilho. E que eles tenham certeza de que há balas, porque se eles errarem, melhor olharem para fora."
Pronto! Aconselho os leitores e jornalistas a pararem de chamar Bernie Ecclestone de “Tio Bernie” e começarem a chamarem-no de “Padrinho” ou “Don Ecclestone”.
Os últimos preparativos para a pista
Curtinhas, sobre a FIA:
- Lembram daquela história das superlicenças? Piloto chia daqui, Max ironiza de lá? Pois a entidade concordou em baixar os preços.
- Para não perder o fio da meada da “campanha de destruição da categoria”, foram anunciadas mais restrições de testes;
E a história do investimento da Virgin Group na Brawn GP volta a tomar força...
Afinal, a Brawn GP pode surpreender ou não? E a performance elevada do time nos testes é truque ou não?
Rubens Barrichello revelou, em entrevista ao programa “Linha de Chegada”, que ficou preocupado com a possibilidade de blefe, no início, e até pediu que o peso do carro fosse avaliado; Entretanto, o delegado Charlie Whiting disse que os difusores da equipe [assim como os de Williams e Toyota] estão dentro da legalidade.
Renault, BMW e Ferrari haviam feito uma reclamação à FIA sobre os difusores, e tiveram o apelo negado; Mesmo assim, a Red Bull avisou que vai fazer “um protesto oficial em Melbourne contra o uso de tais difusores”.
Aliás, sabem quem será o reserva imediato da RBR, em Melbourne? Isso mesmo, David “sempre ele” Coulthard.
Mas vamos ao que realmente interessa: primeiras sessões de treinos livres no GP da Austrália.
Na primeira parte (22h30 no Brasil), o melhor tempo ficou com Nico Rosberg, da Williams, e a “primeira fila” foi completada por seu companheiro de equipe, Kazuki Nakajima. O tempo de Rosberg foi de 1min26s687. Kimi Räikkonen veio logo atrás. Rubens Barrichello conseguiu o quarto melhor tempo e Jenson Button foi o sexto. Felipe Massa foi o sétimo e Nelsinho Piquet ficou apenas com a 18ª posição, a intermináveis 2,8s de Rosberg. Coisa que não acontecia quando os pais se enfrentavam...
A segunda sessão apresentou poucas mudanças, a mais notável delas sendo a queda drástica de Raikkonen da terceira para a 11ª posição. Nico Rosberg foi mais uma vez o mais rápido, e Barrichello dessa vez foi o segundo, a apenas um décimo da Williams. Button foi quinto, confirmando a qualidade da Brawn. Felipe Massa foi apenas décimo e Piquet amargou a penúltima posição.
No segundo treino livre, a marca de Nico foi de 1min26s053 É interessante fazermos uma comparação com os tempos do ano passado: na primeira sessão de treinos livres do GP de 2008, Raikkonen estabelecera o melhor tempo em 1min26s461; na segunda sessão livre, o líder fora Hamilton, comm 1min26s559; E a pole ficou com o inglês, na marca de 1min26s714...
O que mostra que a mistura “Proibição aerodinâmica + volta dos slicks + uso do KERS” acabou por influenciar no rendimento dos carros...