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Dois gols não serão suficientes 13.03.09
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Marcel Pilatti

Rubinho em Barcelona, 2a feira
Finalmente acabou a novela da Honda. Às 21 horas (horário de Brasília) da última quinta-feira foi anunciado oficialmente que Ross Brawn seria o novo dono do time – que passaria a se chamar Brawn GP – e que a dupla de pilotos seria a mesma dos últimos três anos, com Rubens Barrichello e Jenson Button.

Rubens Barrichello, no melhor estilo Ronaldo Nazário de Lima – como bem retratado na última coluna do Edu – renasce das cinzas e faz com que muitos de seus críticos ou calem-se ou mudem o discurso batido: antes, ele estava “acabado” e “ninguém mais o queria”; agora, “é um sortudo”, e “não tinham nada melhor disponível”.

Se a trajetória de Barrichello se assemelha a de Ronaldinho no campo da descrença que ambos despertam antes de seus retornos, Rubens terá de lutar muito mais que o “Fenômeno” para ser, pelo menos, bem visto por essas bandas: a Barrichello não serão suficientes dois gols contra defesas lentas pelo campeonato paulista; ele teria que, no mínimo, ser 8 vezes campeão mundial, marcar algo como 60 poles e vencer umas 80 corridas... em uma mesma temporada!!





É curioso como no Brasil as coisas mudam conforme o sopro dos ventos. É bom lembrar que, especialmente na Inglaterra e Itália, Barrichello é tido em alta conta e é muito valorizado pelo que realizou no automobilismo – não apenas na F-1 – ao longo de mais de 20 anos de carreira.

Respeito esse que fez a “Gazzetta dello Sport” praticamente reproduzir a entrevista que Rubinho deu ao francês “L'Equipe”: “Na minha cabeça, Interlagos [2008] não foi meu último GP (...) A minha capacidade e a minha força vêm dos meus anos de Ferrari”

Como diz o ditado: “tropeçar também ajuda a caminhar”.







E Barrichello se mostra confiante. Dois dias depois do anúncio, veio a campo dizer que “quer ganhar” e que “não vai correr para fazer número ou para chegar a 300 GPs”. Segundo o brasileiro, o carro da Brawn GP será bastante competitivo: “Aerodinamicamente ele nasceu muito bem, temos o mesmo motor que a McLaren, que é uma coisa que me deixa muito confiante. (...) acho que vamos ter um carro bem rápido”

Mas antes que as más línguas tratem de açoitá-lo afirmando que “esse tipo de promessa é que sempre o prejudicou”, é bom darmos uma olhada em como foram os testes da semana passada, entre 9 e 12 de março em Barcelona.

No primeiro dia, Jenson Button conseguiu a 4ª posição no geral [tendo liderado pela manhã], a apenas 0.8s da BMW de Nick Heidfeld (1º) e a pouco mais de dois décimos da Ferrari de Kimi Räikkonen; Na terça, quem treinou foi Rubinho, e foi terceiro no geral, a seis décimos do líder Räikkonen.

No dia seguinte, Button retornou às pistas e foi o primeiro colocado no geral; Por fim, na quinta, foi a vez de Barrichello registrar o melhor tempo do dia, e mais: foi a melhor marca de todos os 4 dias de testes, com 1min18s926.

É claro que o natural é desconfiar de tempos tão assombrosos vindos de uma equipe que só agora realiza seus primeiros testes. Como Eduardo Correa afirmou ao leitor Alexandre, de São Paulo, esses “temporais” só podem ser truque ou milagre.

Fernando Alonso garantiu que não se trata de blefe ou maquiagem. Resta saber se os fãs de F-1 crêem no “Sobrenatural de Almeida”, de Nelson Rodrigues.





O “mano Brawn” já demonstrou sua competência ao reestruturar a Ferrari ao lado de Rory Byrne e Jean Todt. Terá ele a capacidade de assumir isso sozinho? Aliás, ele tratou de pôr fim às especulações e afirmou, no último dia 11, que a Brawn GP não é totalmente sua.

Quatro personagens integram a cúpula do time: Nick Fry, Nigel Kerr (diretor financeiro), Caroline McGrory (do conselho das leis) e o John Marsden (Recursos Humanos).





Da mesma forma que a Brawn GP está “assustando” positivamente, a McLaren surpreende pelo lado negativo: a equipe tem tido sucessivas quebras nos testes, e jamais terminou uma sessão dos recentes treinos (foram 9, entre os dias 1º e 12) entre os três primeiros. As melhores marcas foram obtidas por Heikki Kovalainen, com um quarto lugar e 1min20s535 em Jerez, e Lewis Hamilton com um oitavo e 1min20s860 em Barcelona.

Norbert Haug admitiu que a equipe “não está onde gostaria”. Edu, na resposta ao supracitado leitor, afirmou que a McLaren vai se acertar. É a mesma opinião de Kimi Räikkonen.



No entanto, pode ser que a McLaren tenha criado uma verdadeira “bomba”, a famosa “cadeira elétrica”, fato que não seria inédito em sua história. Vamos relembrar a coluna “Vexame!” de Luis Fernando Ramos.





Pergunta que não quer calar: se a Brawn andar mais que a McLaren, a Mercedes fará com a equipe de Brackley o mesmo que a antiga Honda fez com a Super Aguri, quando a filial pontuou mais que a matriz [2007]?





Por falar em pontos, a FOTA (Associação dos Times de Fórmula Um) propôs algumas mudanças no regulamento. A principal delas, e a que influi mais diretamente no campeonato, se refere à pontuação. A nova proposta é a de que sigam pontuando os 8 primeiros, porém, os que subirem ao pódio somarão mais: O primeiro levará mais dois pontos, ao passo que segundo e terceiro terão acrescidos um ponto, ficando 12-9-7-5-4-3-2-1.

Seria a quinta mudança de pontuação [além do fim da pontuação compartilhada, em 1958] desde a criação do mundial: a primeira, foi em 1960; A segunda, já no ano seguinte; A terceira veio 30 anos depois, em 1991; E a mais recente aconteceu doze anos mais tarde. Essa última, todos sabem, aconteceu porque Schumacher “dominava a categoria”; as três primeiras, não se sabe porquê.

E a nova?





Será que finalmente poderemos saber quem é o melhor entre Senna e Schumacher?

Bruno Senna disse que há a possibilidade de ele disputar o DTM (Alemão de Turismo). Sua justificativa é simples e direta: "Tenho que ficar por perto de uma empresa que esteja representada também na F-1".

Segundo Paul Jackson, ex-chefe de Bruno na iSport (equipe da GP2), seria um “desperdício”. Norbert Haug, diretor da Mercedes-Benz, confirmou que fez essa proposta pra que Bruno disputasse a categoria.

Na última semana, Bruno testou em Le Mans, um carro da LeMans Series. Lá também estiveram Nicolas Prost e Leo Mansell, filhos dos ex-campeões. Ainda, não nos custa lembrar, um quarto sobrenome famoso na F-1 dá suas aceleradas no DTM: Ralf Schumacher.





Mansell, o pai, resolveu voltar a aparecer. Para isso, atacou Lewis Hamilton, o campeão de 2008, dizendo que o seu título é muito mais válido. A base argumentativa de Mansell não se valeu da dificuldade de guiar, dos adversários mais capacitados ou da inferioridade dos carros mas, sim, da quantidade de pilotos que corriam na sua época.

"Qual é o objetivo de um campeonato que só tem 18 ou 20 carros no grid?", perguntou o Leão. "Quando eu ganhei o título, eu bati 25 pilotos. Isso tira 20% do crédito da conquista de Lewis”.

Então, tá!







Enquanto foram divulgadas fotos das obras no circuito de Abu Dhabi, e a França mostra seu projeto a fim de retornar ao campeonato, Martin Whitmarsh declarou que as equipes precisam trabalhar juntas para promover um retorno aos GPs na América do Norte.

Segundo o novo chefe da McLaren, “nós devemos olhar para onde estão nossos investidores, e a América é um dos principais (...) seja a Ferrari, seja a Daimler, seja a BMW, você vê os principais investidores e todos eles consideram a América um mercado significativo”.

Em 2008, Indianápolis havia sido cortada do calendário, e para esse ano o GP do Canadá foi também excluído. Trata-se da primeira vez desde 1950 em que não haverá nenhuma corrida em país norte-americano.

Como diriam os Beatles, “You don't know how lucky you are, boy / Back in the US / Back in the US”





E uma notícia que mais parece piada [de mau gosto]. Na última semana, Briatore atacou: “Há três carros fora do regulamento”.

Seriam os três da Benetton de 1994?

Bom final de semana

Marcel Pilatti

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