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Fórmula 1.0 06.03.09
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Prezados Amigos do GPTotal

Rubinho e Button em Interlagos 08
Li com muita atenção, simpatia e empatia comentário de Rogério Tófoli Kezerle, de São Paulo, publicada na sessão dos Leitores de 3/2/2009, sobre o triste destino das Competições Automobilísticas no Brasil.

Com todo o respeito à sua opinião, Rogério, apenas não concordo com seu comentário sobre o Rubinho, pois quem pilotou como ele, no Desafio das Estrelas de Kart, em dezembro de 2008, ainda tem bastante a oferecer. Penso que faltou estar no lugar certo e na hora certa, pois quando esteve no lugar certo, a hora era a errada.

No mais concordo plenamente com suas opiniões e a seguir, arrisco algumas opiniões e sugestões.

Ainda me recuso a crer e aceitar o ocaso do automobilismo de competição brasileiro pois acredito que haja salvação desde que seja o automobilismo de competição brasileiro repensado imediatamente!

Infelizmente não é de hoje que a bancarrota do automobilismo se instalou. Tenho convicção que ela começou com o extermínio das categorias de fórmula em nosso país, a começar pela ótima Fórmula Ford, que foi a categoria com mais longevidade que tivemos, além de ter sido, também, uma das com menor custo de participação. Poderia citar, também, as Fórmulas Volkswagen 1.300 e 1.600, sendo que a última não era nada barata, mas a sua estrutura permitia que "garagistas" um pouco mais abonados competissem, sem necessitar do que hoje "é necessário" (caminhão, motorhome, scooters, pessoal uniformizado etc.) para participar, por exemplo da Stock Car V8.



Naturalmente quando me refiro a um staff incluindo caminhão, scooter etc. estou ironizando um pouco, mas só um pouco, pois acredito que nenhuma equipe da Stock Car nos dias de hoje chegue transportando sua equipe toda em um velho automóvel e tendo em cima de um simples reboque seu carro de corridas, pneus, peças, combustível etc. Se alguém conhece um caso assim, por favor, escreva a respeito, pois além de um feito heróico, é também, pelos menos, inédito no automobilismo de competição brasileiro atual.

Creio que, se for criada uma categoria de Fórmula, com fabricação livre de chassis e utilização de motores, por exemplo, 1.0 , oito válvulas para não encarecer muito e multi-marcas, teremos além de uma categoria de base forte, uma categoria de grid cheio.

Outro erro que me parece, está sendo cometido e ninguém fala, quem sabe, até mesmo por não ter sido percebido ainda: a idéia de que uma categoria de base, barata e relativamente de baixa potência, deva ser conduzida exclusivamente por pilotos jovens e saídos do Kart. Na minha opinião, nada mais errado! Que mal há na participação de pilotos mais velhos e experientes, junto com os garotos e garotas do Kart? Afinal, grande parte dos pilotos brasileiros, já não está mais em idade de pensar em uma carreira no automobilismo de competição internacional, entretanto, gostaria de participar de corridas com custo mais acessível. Já os que ainda sonham e podem construir uma carreira internacional, teriam o necessário nas categorias de base.







Não querendo inflamar uma antiga discussão aqui no GPTotal, mas me parece necessário comentar que é mais fácil e lógico que um piloto com formação e experiência em Fórmulas, possa se transferir e se adaptar mais facilmente para uma categoria de carros de turismo do que o contrário.

Na época em que tínhamos as saudosas Fórmulas VW 1.300, VW 1.600, Fórmula Fiat , Fórmula Ford, Fórmula 2 Brasil e, até mesmo, no inicio da Fórmula 3 Sul-Americana, havia um saudável convívio entre pilotos jovens e os mais velhos; entre os mais experientes e os inexperientes. Ah! E o mais importante: havia também orçamentos e patrocínios de todas as cifras. Todas adequadas a cada participante, sem que ninguém se sentisse diminuído, muito antes pelo contrário, todos felizes por estarem alinhando no mesmo grid.

Acredito que se for criada uma categoria de Fórmula, com chassis tubular ou no máximo, semi-monocoque, com regulamento técnico confiável em termos de segurança, mas simples construtivamente e liberado para quem queira construí-lo, desde que, rigorosamente dentro do regulamento e de normas de segurança e soldagem, com a aerodinâmica simples (spoilers e aerofólios limitados) apenas para que o piloto se habitue a pequenos acertos (grip mecânico de suspensão e grip aerodinâmico), motor que poderá ser 1.0, desde que tenha livre apenas o escapamento, o módulo eletrônico e com pneus radiais, penso que esta, poderá se a receita para uma categoria forte e duradoura com a Fórmula Ford Inglesa.



Embora as categorias que citei, fossem categorias "de fábrica", pois seu nome levava as marcas em questão, o que proponho hoje é uma categoria independente das fábricas porém que possam utilizar motores e componentes de qualquer marca, tornando-se algo independente, forte e firme, não dependendo da "boa vontade" das montadoras mas sim optando pela marca de motor que lhe for mais vantajosa e deixando à livre escolha do piloto, sendo esse, limitado mas amparado pelo regulamento técnico, que permitira uma equiparação técnica das marcas existentes. Como sugestão, vai lá: Fórmula 1.0, se a escolha for por motores de 1.000 c.c.

Percebam que ótimo seria: haveria à disposição vários chassis de vários fabricantes conforme era no passado e o piloto optaria por determinada marca de chassis, o que promoveria uma disputa sadia entre os fabricantes: do mesmo modo, escolhido o chassis, o piloto escolheria o fabricante de motor, buscaria a concessionária da marca escolhida e lá teria a disposição seu motor. Nos autódromos, poderíamos encontrar caminhões (de concessionárias ou não) disponibilizando peças nos dias de corridas, tal qual acontecia nos tempos de ouro da Fórmula Ford, onde o caminhão da Motorcraft se fazia presente.

Sei que é uma "receita antiga" a que estou propondo, mas às vezes, é necessário repetir o passado para se obter sucesso.

Por derradeiro e respondendo a questão do colega Rogério: infelizmente para o automobilismo de competição brasileiro e para nós que o amamos, não vejo excesso de pessimismo em seus comentários e opiniões, mas sim, uma grande lucidez e realismo de sua parte, no que tange à dura realidade de nosso automobilismo de competição! mas creio, ainda haja tempo de salvar nosso automobilismo!

Bem amigos, penso que já escrevi demais, mas lanço a idéia da Fórmula 1.0 para ser discutida no GPTotal, com mais detalhes e sugestões.

Forte abraço à Família GPTotal

Paulo C. Winckler , Porto Alegre

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