Na segunda-feira, a conceituada revista italiana AutoSprint publicou uma entrevista com Bruno Senna e o tom da conversa deixou claro que o brasileiro será piloto da equipe que substituirá a Honda. Na Folha de S. Paulo, em matéria assinada por Fábio Seixas, o acordo também foi confirmado. Segundo ambas as publicações, o contrato do piloto valerá por três anos.
No entanto, a assessoria de imprensa do piloto voltou a negar que haja o acerto. Enquanto ainda aguardamos uma definição, não custa lembrar alguns dos capítulos dessa situação, que mais parece novela mexicana:
Na quinta-feira 12, o site GrandPrix afirmou que Bruno Senna seria piloto do “novo” time, fato que foi negado pelo piloto horas mais tarde. No mesmo dia, veiculou-se que Ross Brawn teria enviado um e-mail a todo o staff, dando conta da “salvação” da equipe de Brackley.
Já na sexta-feira, o “The Guardian” trouxe à tona que um grande patrocínio de quase 60 milhões de reais (oriundo de empresas brasileiras) garantirá a participação da equipe por pelo menos quatro etapas: Austrália, Malásia, China e Bahrein.
A demora nessa decisão, no entanto, pode ser explicada pela nota publicada na última segunda-feira, pelo GrandPrix: há um novo interessado na compra do time (que pode ser o grupo Virgin). Segundo o site inglês, “o fato de isso não estar sendo divulgado abertamente, sugere que as negociações estão num estágio delicado”.
Um sintoma que tem me incomodado bastante ao ler entrevistas tanto de Bruno quanto de Nelsinho é a insistência em ficar longe das comparações com os pilotos de mesmo sobrenome. Nelsinho vem a campo dizendo que não está na F-1“por causa do pai” ao passo que Bruno quase que o parafraseia dizendo não estar ali “só pelo nome”.
É lógico que os dois devem procurar traçar seus caminhos particulares, e não tentar repetir o que pai e tio fizeram. Porém, o discurso excessivo torna-se também uma demonstração de insegurança: nada melhor que o trabalho para calar as críticas.
Jacques Villeneuve e Damon Hill, também filhos de grandes nomes, foram ofuscados no início de suas carreiras pelos resultados de Gilles e Graham, mas ao longo dos anos escreveram os próprios nomes na história. Vale à pena relembrarmos a ótima coluna “Pais e Filhos” de Ivan Capelli.
A entrada de Bruno na (ex-)Honda dá seqüência a outro boato: a despedida, já definitiva, de Rubens Barrichello da Fórmula 1 abre chances para que ele consiga vaga em outra grande categoria do automobilismo: a Stock Car.
Sinceramente, eu me pergunto se não era melhor ele continuar jogando golfe...
A equipe USF1 (detalhes sobre o time norte-americano na brilhante coluna assinada pro Lucas Giavoni) já está com data marcada para sua estréia na Fórmula 1: o site oficial da equipe mostra um relógio regressivo que conta os dias, horas, minutos e segundos faltantes: será segunda-feira, ao meio-dia (no Brasil).
E ronda a hipótese de que a dupla de pilotos seja formada por Danica Patrick e Scott Speed, que já correu na Fórmula 1. Bairrismo total.
Outra história que mais parece novela mexicana é a da tal “super-licença”. Primeiro, dia 23 de janeiro, surgiram as notícias de que os pilotos estavam indignados com os novos valores. Em seguida, no dia 6 de fevereiro, houve até a menção a um possível boicote no primeiro dia do GP da Austrália.
Mas, então, o Grand Prix divulgou no dia 10 que três pilotos já teriam pago para ter o documento; No entanto, o site não informou quem são os três. Para finalizar, no dia seguinte (11/02) Max Mosley “respondeu” aos pilotos: “Eles são os mais bem pagos de todo o automobilismo, então me parece lógico que tenham de contribuir mais”.
O “Velho Max” ainda argumentou que é “graças ao pagamento dessas taxas que a segurança na Fórmula 1 tem melhorado tanto, e salvou a vida de vários deles”.
O modelo de Bernie
E por falar em dinheiro, Bernie começa a sustentar a hipótese da realização de um Grande Prêmio em Roma. No último dia 4, lá esteve Herman Tilke, o mago da destruição (vide no que transformou Hockenhein) para analisar as necessidades de um circuito urbano na capital italiana.
Lucca di Montezemolo já havia deixado claro seu pensamento sobre a hipótese dessa corrida: “Se for só uma volta...”. Mas eis que, no último sábado, o promotor (Maurizio Flammini) do eventual GP afirmou ter apoio irrestrito de Ecclestone bem como dos governos local, regional e provincial – como fossem vereadores, prefeito e governador, por aqui.
O que mais chama atenção, no entanto é o fato de Maurizio ter afirmado que Bernie Ecclestone lhe “assegurou” que Monza continuaria sediando o GP da Itália caso a etapa romana fosse aprovada.
Me engana que eu gosto! Todo mundo sabe que isso é uma jogada de Bernie pra tomar mais dinheiro dos organizadores de Monza; caso contrário, “Adio” - como aconteceu com Silverstone. O que menos interessa a Bernie é o fato de este ou aquele GP ser um templo do automobilismo. O que vale é $$$, só $$$.
Enquanto isso, os organizadores das corridas da França e da Alemanha correm contra o tempo: pelo lado dos franceses, o Senado já votou pela autorização da construção de um novo autódromo, próximo ao Vale do Sena e, do lado alemão, a Câmara do Comércio e Indústria da região de Hockenhein tem escrito para todos os seus membros pedindo que comprem ingressos para a etapa de 2010, a fim de garantir a realização do GP.
Isso é o que nós poderíamos chamar de “efeito Bernie”.
Massa sob areia
Pra quem acha que “Tempestade no deserto” era somente o nome da operação do exército americano no Kuwait, precisa ver as imagens dos testes de quarta (11) e quinta-feira (12) no Bahrein.
Nas sessões da última terça-feira, Kimi Räikkonen foi o mais rápido, terminando com a marca de 1m32s102 (pouco mais de um décimo melhor que Trulli) após o Ferrari número 4 ter problemas com o KERS pela manhã.
E por falar em Kimi, uma publicação da Finlândia (o “Ilta Sanomat”) afirma que Räikkonen está afastado do álcool. Dado o histórico do rapaz, essa é uma que eu custo a crer...