 |
 |
|
11.08.11 - Roberto Agresti |
 |
|
|
17.05.11 - Eduardo Correa |
 |
|
|
18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
 |
|
|
12.12.08 - Alessandra Alves |
 |
|
|
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
 |
|
|
|
 |
|
29.07.11 - Carlos Chiesa |
 |
|
 |
|
|
21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 27.08.08 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
| As voltas mais rápidas de Senna I |
27.08.08 |
|
 |
|
|
|
PARTE 1: Uma marca desprezada
Marcel Pilatti
 |
| Senna perseguido por Prost durante o campeonato de 91 |
|
 |
 |
 |
Ao longo de sua carreira, nos 161 GPs que disputou, Ayrton Senna assinalou por 20 vezes o recorde da pista. Na verdade, os registros históricos contam 19, e Senna fica empatado com Damon Hill. Isso acontece porque lhe é descontada a melhor volta do Grande Prêmio do Japão de 1989, onde foi desclassificado, sendo creditada a Prost, que chega por conta disso a 41 melhores voltas.
O que mais notabilizou Ayrton, porém, não foram suas voltas rápidas em corrida, e sim em treinos classificatórios. Foram 65 ao longo da carreira, número três vezes maior do que o de voltas mais rápidas. Por que, então, acontece essa espécie de discrepância? O jornalista Marcio Madeira da Cunha nos dá a dica: "Senna, assim como Fangio e Clark, era um piloto descendente".
Marcio explica: "[os descendentes] normalmente são as caças, e não os caçadores. (...) são mais espetaculares". Em contraponto a eles, existem os pilotos 'ascendentes', que seriam representados por Alain Prost e Michael Schumacher, entre outros, definidos como "cerebrais". Assim, notamos que os descendentes são os pilotos que largam na frente rumando à vitória, enquanto que os ascendentes são os que partem mais de trás do grid.
Algo que fica notável nessa diferença é que os descendentes têm mais poles que vitórias: Senna fez 65 poles e ganhou 41 vezes; Clark 33 a 25 e Fangio 29 a 24 Por outro lado, os ascendentes venceram mais do que largaram em 1º: Schumacher triunfou em 91 corridas e partiu em primeiro por 68 vezes; Prost, 51 a 33. Em resumo: Os descendentes primam pela velocidade pura; os ascendentes, pela estratégia de corrida.
 |
| Senna e Piquet juntos, no Rio 88 |
|
 |
 |
 |
Seguindo essa linha de raciocínio, é também interessante notar que, no caso dos descendentes, o número de melhores voltas por GP também é inferior ao de poles: Senna, 65 a 20; Fangio, 29 a 22; Clark, 33 a 28; E dos ascendentes, é maior: Schumacher 76 a 68, Prost, 40 a 33. Por aí, podemos entender melhor a característica descendente X ascendente: este, "compensa" os treinos na corrida; aquele, "garante" a corrida nos treinos.
Mas, embora se tenha explicado a razão de Senna ter feito menos voltas mais rápidas do que pole-positions, algo que fica inexplicado é o porquê de esse número ser "tão" menor. Essa marca aparentemente baixa de melhores voltas é, inclusive, usada como argumento pelos detratores de Senna para "provar" que o piloto brasileiro não era "tão bom assim": dizem eles, isso mostra que o brasileiro “não era rápido quando precisava” (sic).
De fato, é de se estranhar, pois mesmo os outros pilotos citados que possuíam características de pilotagem semelhantes às de Ayrton, marcaram mais recordes de pista que o brasileiro em um número bastante menor de corridas. Estranha-se, também, o fato de Berger (210 GPs disputados) estar à frente de Senna, com 21; E mais, é a única marca na qual Piquet, com 23 em 207 GPs, sobrepõe Senna. Indo além, Coulthard (238 GPs), tem só duas a menos que o brasileiro (18).
Mesmo sabendo que a média de volta mais rápida por GP de Ayrton Senna (12,4%) é superior a de Piquet, 11,1%, Berger, 10%, e Coulthard, 7,6%, continuamos sem entender porque Senna não tinha a melhor volta como sua especialidade. Por outro lado, temos que Kimi Raikkonen (único do grid atual a ter passado a marca de Senna) já possui 31 melhores voltas em 130 GPs (até o começo de julho), e está prestes a se tornar o piloto com a segunda melhor marca, superando as 40 de Prost.
Aliás, é possível dizer que o finlandês poderia se aposentar como recordista nesse quesito, pois possui pouco mais de metade das corridas de Schumacher (250). Na média, Kimi marcou a volta mais rápida em 23,8% dos GPs que disputou. Schumacher, 30,4%. O que faz-nos crer que ainda vai demorar para que algum piloto supere Schumacher em uma das cinco grandes marcas (títulos, vitórias, poles, pontos e voltas mais rápidas) é que Raikkonen deve abandonar a F-1 em 2009 – e se for bi em 2008, talvez já nesse ano.
Uma explicação comumente dada pelos fãs de Ayrton Senna para justificar o fato é a de que na época não havia reabastecimento; logo, a melhor volta não era decisiva, e às vezes era algum piloto do "pelotão do meio" que ficava com a marca. Até certo ponto, esse argumento procede, uma vez que o recorde de Schumacher e o atual "reinado" de Kimi, nasceram nas voltas anteriores ao pit stop. (Por exemplo, após sua vitória no GP da França de 2007, os jornais italianos diziam: "Kimi provou ter o mesmo talento de Schumacher").
Porém, olhando para as estatísticas dos anos em que Senna pilotava, sem contar 1994 – quando o reabastecimento voltou –, vemos que essa justificativa é um pouco evasiva: em 1986, por exemplo, Senna não fez nenhuma, enquanto que Nelson Piquet marcou sete vezes a volta mais rápida, Mansell a cravou em quatro ocasiões, enquanto que Berger foi duas vezes o mais rápido, assim como Alain Prost, e a que sobrou ficou a cargo de Teo Fabi (!).
Como, então, entender a performance de Ayrton Senna? Creio que, assim como as atitudes de uma pessoa são o que melhor define seu caráter, a melhor maneira de se analisar as voltas mais rápidas de Senna é ver como e quando elas foram obtidas. Segue a lista:
PISTA |
ANO |
LARGADA |
FINAL |
Mônaco |
1984 |
13º |
2º |
Portugal |
1985 |
1º |
1º |
Canadá |
1985 |
2º |
- |
EUA |
1985 |
1º |
1º |
Mônaco |
1987 |
2º |
1º |
EUA |
1987 |
2º |
1º |
Itália |
1987 |
4º |
2º |
Mônaco |
1988 |
1º |
- |
Canadá |
1988 |
1º |
1º |
Japão |
1988 |
1º |
1º |
EUA |
1989 |
1º |
- |
Alemanha |
1989 |
1º |
1º |
Espanha |
1989 |
1º |
1º |
Japão |
1989 |
1º |
- |
Mônaco |
1990 |
1º |
1º |
Itália |
1990 |
1º |
1º |
Itália |
1991 |
1º |
2º |
Japão |
1991 |
2º |
2º |
Portugal |
1992 |
3º |
3º |
Europa |
1993 |
4º |
1º |
A tabela acima nos mostra que em 60% das vezes que Senna marcou a melhor volta, também marcou a pole; 55% das vezes, saiu vencedor; Em 40% venceu e fez a pole; e 75% das vezes terminou no pódio. Mas o mais interessante dessas marcas é que apenas nos anos de 1988 (3) e 1989 (4) Senna tinha um carro muito superior aos demais (sem contar Alain Prost). Em 90 (2) e 91 (2) seu carro tinha o mesmo nível de Ferrari e Williams, respectivamente, e nos demais anos (total de nove recordes) era mais fraco.
 |
| Senna e Prost, a dupla da McLaren em 88, aqui no GP da França |
|
 |
 |
 |
Das suas 20 melhores voltas, em 19 ele foi potencial vencedor: 10 vieram acompanhadas da vitória; Em quatro, ele abandonou quando estava na liderança; Em duas ele venceu, mas não levou: numa foi obrigado a ceder a posição e em outra foi desclassificado. Nas outras três, ele foi o segundo colocado: em duas liderou boa parte, e numa outra partiu da 13ª posição com um carro medíocre e chegou em segundo, sendo a prova interrompida. A única exceção é a corrida de Portugal, 1992: largou e terminou em 3º, com um carro demasiado inferior.
Outros números interessantes: 90% das suas voltas mais rápidas aconteceram em GPs onde ele venceu mais de uma vez; em todos os GPs onde marcou a melhor volta, ele também marcou pole-positions. Isso significa que Senna, a exemplo do domínio em vitórias e poles, também tinha notoriedade em determinados circuitos quando se tratava da melhor volta.
Foi quatro vezes o mais rápido da corrida de Mônaco, lugar onde marcou 5 poles e venceu nada menos que 6 vezes. No Japão, basta dizer que foi onde ele ganhou seus três títulos, mas também venceu duas vezes (oficialmente) e em outras duas ocasiões teve a vitória "tirada". Fez a pole três vezes seguidas. Nos EUA, permanece o maior vencedor, com 5 triunfos, e largou em 1º também em 5 ocasiões.
Na Alemanha, venceu três GPs consecutivos, todos eles partindo da pole. Na Itália, ganhou duas vezes, e esteve muito perto da vitória em outras três corridas (quando foi 2º), tendo marcado 6 poles ao todo. No Canadá e na Espanha, foram duas vitórias para cada circuito, sendo 3 poles no primeiro, e quatro nesse último. Já Portugal foi um GP que ele venceu apenas uma vez, embora tenha marcado duas poles. Em Donington, foi a única edição.
Por outro lado, vemos que no GP da Bélgica, onde venceu simplesmente 5 vezes e anotou 4 poles, e em Imola, onde estabeleceu o recorde de poles num mesmo circuito (com 8 largadas em 1º) e venceu 3 GPs, Ayrton jamais marcou a melhor volta. E é aí que entra a questão crucial: quantas vezes em sua carreira Senna precisou fazer a melhor volta?...
Falamos mais sobre o assunto na 2a parte deste texto
Abraços
Marcel Pilatti, Curitiba
|
|
 |
| | |
|
|
 |