 |
 |
|
11.08.11 - Roberto Agresti |
 |
|
|
17.05.11 - Eduardo Correa |
 |
|
|
18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
 |
|
|
12.12.08 - Alessandra Alves |
 |
|
|
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
 |
|
|
|
 |
|
29.07.11 - Carlos Chiesa |
 |
|
 |
|
|
21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 04.06.08 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
| Monzanapolis – 2a parte |
04.06.08 |
|
 |
|
|
|
Márcio Madeira da Cunha
(Leia a 1a parte deste clicando aqui)
A lista de participantes sofreu algumas alterações importantes, a partir do momento em que começaram os treinos classificatórios. Mike Hawthorn, futuro campeão daquela temporada, admitiu desde o início que não havia gostado da pista. Além disso, estava sofrendo com alguns problemas estomacais, de tal forma que a principal Ferrari passou a ser conduzida por Luigi Musso. Por sua vez, o carro do italiano passou para as mãos de outro futuro campeão, o norte-americano Phil Hill.
Com o carro de Hawthorn, Musso obteve a pole position à impressionante média de 281Km/h. Bob Veith conseguiu o melhor tempo entre os visitantes – e o segundo no geral - com uma média 3 km/h inferior. Atrás dele veio Fangio, liderando um pelotão com tempos muito próximos. Moss obteve o décimo primeiro tempo. Eis a tabela completa com as médias de velocidade:
| Pos |
No |
Piloto |
Média |
1 |
12 |
Luigi Musso |
281.077 km/h |
2 |
9 |
Bob Veith |
278.857 |
3 |
19 |
Juan Manuel Fangio |
275.841 |
4 |
35 |
Eddie Sachs |
275.841 |
5 |
26 |
Don Freeland |
275.180 |
6 |
1 |
Jimmy Bryan |
275.014 |
7 |
5 |
Jim Rathmann |
274.521 |
8 |
75 |
Johnny Thomson |
268.682 |
9 |
8 |
Rodger Ward |
268.635 |
10 |
98 |
Troy Ruttman |
268.578 |
11 |
10 |
Stirling Moss |
264.553 |
12 |
49 |
Ray Crawford |
263.641 |
13 |
24 |
Jimmy Reece |
263.188 |
14 |
14 |
Phil Hill |
259.468 |
15 |
56 |
Maurice Trintignant |
258.591 |
16 |
4 |
Masten Gregory |
254.293 |
17 |
2 |
Jack Fairman |
246.376 |
18 |
16 |
Harry Schell |
245.586 |
19 |
6 |
Ivor Bueb |
241.960 |
Havia-se convencionado que a corrida seria disputada em três baterias, com 63 voltas cada. Pouco antes que fosse dada a primeira largada, porém, houve uma espécie de anticlímax: descobriu-se que um dos pistões do carro de Fangio estava irremediavelmente danificado. O prestígio do piloto foi suficiente para atrasar a largada em alguns minutos, mas logo ficou claro que o reparo demandaria mais tempo do que a organização poderia esperar. Assim, a corrida teve de começar sem seu principal nome.
Os carros americanos usavam caixas de câmbio de apenas duas velocidades, e por isso mesmo perdiam muito tempo na aceleração inicial. A Ferrari havia equipado seu principal carro com uma caixa de cinco marchas, mas optou por retirar duas engrenagens para a corrida. Ainda assim, a marcha a mais dava a Luigi Musso uma bela vantagem no momento da largada em movimento. Valendo-se disso, o italiano completou a primeira volta com o tempo de 56s, sendo seguido de perto por Sachs, Bryan e Rathmann.
Na segunda volta Sachs assumiu a liderança, voltando a perdê-la para Musso após este ter virado uma volta na casa de 54,8s. Na quinta volta Eddie voltou a liderar, e duas voltas depois o italiano era superado também por Bryan. Ainda assim a torcida continuava empolgada pois Luigi estava num de seus melhores dias, guiando na inclinação como um verdadeiro veterano. O momento, na verdade, era mais importante do que se poderia supor. A habilidade de Musso, demonstrada através de perigosas derrapagens controladas a mais de 300 km/h, estava sendo vista pela última vez. Sete dias mais tarde o piloto viria a falecer, durante o GP da França válido para o campeonato mundial. A mesma prova que marcaria a aposentadoria de Fangio.
Na décima primeira passagem Rathmann assumiu a liderança, para não mais perder. Atrás dele, Musso e Sachs seguiam numa disputa vigorosa pela segunda colocação, até que na vigésima volta o motor do último literalmente se desfez. A tranqüilidade de Musso duraria pouco, no entanto, pois seis voltas mais tarde ele seria visto levando a Ferrari aos boxes. O motivo? Musso não estava mais suportando a intoxicação pela queima do metanol!
Não, por mais que tentemos, nenhum de nós jamais vai conseguir sequer imaginar o que se passava atrás daqueles volantes...
Diante da situação inusitada, novos pneus foram colocados no carro e Hawthorn assumiu o volante, retornando à pista na sétima colocação. Àquela altura, o incrivelmente versátil Stirling Moss já aparecia numa excelente terceira posição.
Ao final da volta 53, Bob Veith ultrapassou Moss. Logo em seguida Troy Ruttman fez uma bela manobra, aproveitando-se da presença de um retardatário para ultrapassar aos dois. O risco, no entanto, de nada valeu, pois Ruttman teve que reabastecer pouco depois. Eis o resultado da primeira bateria:
1ª Bateria - Prix Esso (63 voltas) |
| Pos |
No |
Piloto |
Tempo |
1 |
5 |
Jim Rathmann |
59m40.9s, 269.178km/h de média |
2 |
1 |
Jimmy Bryan |
1h00m04.1s |
3 |
9 |
Bob Veith |
1h00m26.4s |
4 |
10 |
Stirling Moss |
1h00m35.1s |
5 |
75 |
Johnny Thomson |
61 voltas |
6 |
12 |
Luigi Musso/Mike Hawthorn |
60 voltas |
7 |
98 |
Troy Ruttman |
60 voltas |
8 |
24 |
Jimmy Reece |
59 voltas |
9 |
56 |
Maurice Trintignant |
59 voltas |
10 |
49 |
Ray Crawford |
58 voltas |
11 |
2 |
Jack Fairman |
57 voltas |
12 |
16 |
Harry Schell |
56 voltas |
13 |
4 |
Masten Gregory |
55 voltas |
14 |
6 |
Ivor Bueb |
45 voltas |
R |
8 |
Rodger Ward |
20 voltas |
R |
35 |
Eddie Sachs |
20 voltas |
R |
14 |
Phil Hill |
17 voltas |
R |
26 |
Don Freeland |
17 voltas |
DNS |
19 |
Juan Manuel Fangio |
Pistão quebrado |
Fez-se necessário um intervalo de 90 minutos entre uma e outra prova, para que os mecânicos pudessem em alguma medida minimizar o desgaste imposto pela pista, que além de tudo era extremamente ondulada. Os pilotos iriam iniciar a corrida conforme as posições de chegada na bateria anterior, num exemplo que faria muito bem aos dias de hoje, diante das arbitrárias e infames inversões de grid que infestaram as pistas nos últimos anos. Entre os pilotos, Fangio mais uma vez não teria condições de largar. Já Maurice Trintignant seria substituído por um jovem e promissor talento estadunidense chamado Anthony Joseph Jr. Também conhecido como A. J. Foyt...
 |
| O Eldorado Maserati de Moss |
|
 |
 |
 |
Rathmann liderou esta bateria de ponta a ponta. Na primeira volta ele era seguido por Bryan, Musso, Moss e Veith, e enquanto o italiano parava na volta 19 novamente sofrendo com os efeitos do metanol - dessa vez passando o volante para Phill Hill -, os demais seguiam trocando posições. Ruttman logo se juntou a este grupo. Já Hill seria obrigado a fazer a troca de um pneu na quadragésima volta.
Moss, então o terceiro colocado, aproximava-se de Veith, e por sua vez era seguido de perto por Bryan e Ruttman. Começava assim uma batalha muito acirrada entre estes quatro pilotos, que iria durar da 31ª à 56ª passagem. Ao longo destas fantásticas 25 voltas, a forte sucção gerada pelos carros foi a senha para um sem-número de ultrapassagens. Infelizmente o motor de Moss apresentou uma acentuada perda de potência a partir da 57ª volta, limitando-o à quinta colocação. Eis o resultado da segunda bateria:
2ª Bateria - Prix Mobil (63 voltas) |
| Pos |
No |
Piloto |
Tempo |
1 |
5 |
Jim Rathmann |
1h00m18.5s, 266.388 km/h |
2 |
9 |
Bob Veith |
1h00m35.3s |
3 |
1 |
Jimmy Bryan |
1h01m00.9s |
4 |
98 |
Troy Ruttman |
1h01m02.2s |
5 |
10 |
Stirling Moss |
62 voltas |
6 |
56 |
AJ Foyt |
61 voltas |
7 |
24 |
Jimmy Reece |
60 voltas |
8 |
49 |
Ray Crawford |
60 voltas |
9 |
12 |
Luigi Musso/Phil Hill |
60 voltas |
10 |
2 |
Jack Fairman |
57 voltas |
11 |
6 |
Ivor Bueb |
51 voltas |
R |
8 |
Rodger Ward |
31 voltas |
R |
4 |
Masten Gregory |
(as fontes divergem quanto ao número de voltas) |
R |
16 |
Harry Schell |
12 voltas |
R |
75 |
Johnny Thomson |
1 volta |
R |
26 |
Don Freeland |
? |
DNS |
19 |
Juan Manuel Fangio |
Pistão quebrado |
DNS |
35 |
Eddie Sachs |
|
DNS |
14 |
Phil Hill |
O carro usado na primeira bateria não largou na segunda |
Fangio finalmente apareceu no grid para a terceira bateria, mas sua participação limitou-se a uma única volta, dessa vez por conta de problemas com a bomba de combustível. Rathmann novamente assumiu a liderança, seguido pelos dois Jaguares, enquanto Moss caía para último por não ter conseguido utilizar a primeira marcha no momento da largada. Estava pronto o cenário para uma impressionante recuperação.
Na 14ª volta Moss ultrapassava Hawthorn para assumir a sexta posição. Na 20ª era a vez de Ray Crawford ceder a quinta colocação. Moss começa então uma feroz perseguição ao Jovem A. J. Foyt, descontando 2s por volta. Na volta 29, Bob Veith subitamente perde uma roda (!), elevando Stirling ao quarto posto. Cinco voltas antes, os já famosos gases produzidos pela Ferrari levaram Hawthorn a desistir, passando a ‘batata quente’ para o pobre Phil Hill.
Na 41ª volta, porém, Moss desapareceu. O sistema de direção de sua Eldorado-Maserati falhou quando ele vinha em aceleração máxima na inclinação. Seu carro chocou-se contra os rails no topo, derrubando um punhado de pilares antes de parar na base da curva. O piloto teve muita sorte de sair ileso desse terrível acidente. Foi a última alteração no posicionamento dos principais pilotos.
3ª Bateria - Prix Shell (63 voltas) |
| Pos |
No |
Piloto |
Tempo |
1 |
5 |
Jim Rathmann |
59m37.9s, 269.404 km/h |
2 |
1 |
Jimmy Bryan |
1h00m04.6s |
3 |
12 |
Mike Hawthorn/Phil Hill |
60 voltas |
4 |
49 |
Ray Crawford |
60 voltas |
5 |
24 |
Jimmy Reece |
59 voltas |
6 |
6 |
Ivor Bueb |
52 voltas |
R |
56 |
AJ Foyt |
54 voltas |
R |
4 |
Masten Gregory |
44 voltas |
R |
10 |
Stirling Moss |
40 voltas |
R |
9 |
Bob Veith |
28 voltas |
R |
98 |
Troy Ruttman |
12 voltas |
R |
19 |
Juan Manuel Fangio |
1 volta |
Os tempos foram então somados para que se obtivesse um resultado final, sendo Jim Rathmann proclamado vencedor.
Resultado Agregado (189 voltas) |
| Pos |
No |
Piloto |
Tempo / distância percorrida |
1 |
5 |
Jim Rathmann |
2h59m37.3, 189 voltas, 268,25 Km/h |
2 |
1 |
Jimmy Bryan |
3h01m09.6, 189 voltas |
3 |
12 |
Mike Hawthorn/Luigi Musso/Phil Hill |
3h01m00.0, 180 voltas |
4 |
49 |
Ray Crawford |
3h01m26.4, 178 voltas |
5 |
24 |
Jimmy Reece |
3h01m50.2, 178 voltas |
6 |
56 |
AJ Foyt/Maurice Trintignant |
2h55m58.8, 174 voltas |
7 |
10 |
Stirling Moss |
2h40m59.2, 164 voltas |
8 |
9 |
Bob Veith |
2h27m23.0, 153 voltas |
9 |
6 |
Ivor Bueb |
3h01m25.8, 148 voltas |
10 |
98 |
Troy Ruttman |
2h13m07.9, 135 voltas |
11 |
2 |
Jack Fairman |
2h00m13.7, 114 voltas |
12 |
4 |
Masten Gregory |
2h00m11.1, 99 voltas |
13 |
16 |
Harry Schell |
1h18m33.2, 71 voltas |
14 |
75 |
Johnny Thomson |
1h05m25.8, 65 voltas |
15 |
8 |
Rodger Ward |
51 voltas |
16 |
35 |
Eddie Sachs |
20 voltas |
17 |
26 |
Don Freeland |
17 voltas? |
18 |
14 |
Phil Hill |
17 voltas |
19 |
19 |
Juan Manuel Fangio |
1 volta |
Infelizmente o automóvel Clube de Milão teve prejuízo com a organização da prova, e ela nunca mais voltou a ser realizada.
Passados cinqüenta anos desde sua última e mais famosa edição, Monzanapolis segue dando o testemunho de um período histórico no qual o esporte a motor ainda era movido a sonhos. Uma pista incrível, os melhores pilotos, os carros mais velozes... por que não? Nada de restrições contratuais, direitos de imagem, salários milionários, lastros, grids invertidos ou emoções de mentira. Apenas o homem, a máquina, a pista, alguns apertos de mão e a paixão pela competição.
Meio século após aquela bandeirada final em Monza, torna-se cômodo dizer que aqueles eram tempos ‘românticos’. Afinal, o que diriam eles sobre o nosso tempo? O contraste entre presente e passado gera desconforto, pois vivemos dias de grande ironia. Dispomos de tantos meios materiais, mas já não podemos sonhar como antigamente. Nos tornamos completamente reféns de nossa própria esterilização.
Ao relembrar a simplicidade por trás de sonhos como Monzanapolis, uma pergunta torna-se difícil de evitar: em qual curva da história nós vendemos nossa humanidade?
Ao encerrar essa narrativa eu aproveito para convidar os amigos do GPtotal a visitarem o site de notícias automobilísticas que estou criando ao lado de outro veterano do Gepeto, o também leitor e jornalista Lucas Giavoni. O endereço é www.ultimavolta.com e a previsão é que esteja funcionando a todo vapor dentro de duas semanas.
Forte abraço a todos, e até breve.
Márcio Madeira da Cunha
|
|
 |
| | |
|
|
 |