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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 08.06.07 |
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| Stewart na estrada de SPA |
08.06.07 |
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O GP da Bélgica não foi disputado ano passado, o que em si é um fato a se lamentar. Tradicionalmente promovido após o GP da Hungria, a corrida belga teria comemorado os 40 anos desde a histórica prova de 1966, quando um acidente mudou a mentalidade de uma geração, e a face do automobilismo como um todo. Celebrando o retorno dessa tradicional etapa, relembremos um pouco do histórico GP de 1966, cujo personagem principal é o jovem escocês Jackie Stewart, 27 anos completados um dia antes da corrida.
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| Os restos do BRM de Stewart |
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Dia 13 de junho de 1966, Spa-Francorchamps, Bélgica. Segunda prova do mundial de pilotos.
Nos treinos, John Surtees consegue uma volta espetacular, e assegura a pole com mais de 3 segundos de vantagem sobre Jocken Rindt. Stewart alinha em 3º, quatro segundos mais rápido que Graham Hill, em 9º com equipamento idêntico. O tempo de Stewart é fantástico, se lembrarmos que seus pneus Dunlop eram inferiores aos Firestone da Ferrari, e que seu motor ainda era bem menor do que os três litros recentemente permitidos por regulamento.
Se o atual traçado de Spa ainda impressiona, há quarenta anos era muito mais espetacular. A pista tinha 14 quilômetros de extensão e propiciava, já em 1966, médias superiores a 230 km/h. Em termos de desafio era tão surreal quanto Nürburgring, porém ainda mais veloz e inseguro. Percorrer curvas de altíssima velocidade, no limite extremo da aderência, sem contar com ajuda aerodinâmica, áreas de escape, chassis minimamente resistentes ou um suporte médico razoável não era propriamente uma tarefa para homens corajosos. Era coisa para loucos.
Tudo fazia parte de um certo chauvinismo, uma mentalidade machista herdada da irresponsabilidade dos “pegas” de rua. Aceitava-se a morte como parte da profissão de piloto de corridas, e essa era uma visão geral mesmo entre os corredores. Por isso eram bem pagos, e por isso traziam aquela aura legendária, meio rebelde. Tudo, porém, começaria a mudar naquela tarde de tempo incerto.
No momento da largada não chovia na parte inicial do circuito. Os 18 competidores voam em direção à Eau Rouge, com Surtees à frente. Como não havia volta de apresentação, ninguém podia imaginar que poucos quilômetros à frente, em Burnenville, o céu estaria desabando.
Vencida a subida em direção a Les Combes, o grupo se depara com o dilúvio. Surtees ainda tem alguma visibilidade, e consegue manter-se na pista. Sem este privilégio, Hulme, Jo Siffert, Mike Spence e Jo Bonnier rodam de imediato. O último nem pode reclamar da sorte, uma vez que escapou de cair num penhasco graças ao peso do motor Maserati V12 que equipava seu Cooper.
Stewart consegue superar este primeiro desafio, mas é surpreendido por um rio que atravessava a pista na terrível Masta Kink. Ele sofre com aquaplanagens e sai da pista, no que foi providencialmente seguido por seus companheiros de BRM. O carro verde de Jackie acaba demolindo uma cabana de lenhador (!) enquanto rodopia até cair numa vala, danificando seriamente o monobloco.
O que acontece nos 25 minutos seguintes me remete à história bíblica da conversão de São Paulo Apóstolo. Contam os textos sagrados que Saulo de Tarso, então perseguidor ferrenho dos cristãos, seguia em direção a Damasco quando teve uma visão do Cristo e literalmente caiu do cavalo. Passou três dias sem enxergar ou se alimentar, e renasceu para sua época adotando um novo nome.
De quanto tempo precisa uma pessoa para mudar? Paulo precisou perder a visão por três dias, só que Paulo não pilotava carros a 300km/h. Para Stewart, acostumado às alucinantes velocidades dos GPs, a sensação de ficar preso por 25 minutos dentro de um carro batido, encharcado de combustível, foi algo terrível o bastante. Quando Hill e Bob Bondurant – seus companheiro de equipe e aquaplanning – arrancaram o volante usando a serra de um espectador, retiraram do carro um novo homem.
Assim como Paulo, Stewart passou a combater algo que, antes da queda, era-lhe natural. Para sua surpresa, seu discurso em prol da segurança encontrou dura resistência mesmo entre os pilotos. Ainda hoje, Jackie não esconde a mágoa por este tipo de comportamento de seus antigos companheiros.
Por sorte ou capricho do destino, Stewart não era um piloto qualquer. Na verdade, muito longe disso. Afinal, o que dizer de alguém que venceu 27 dos 64 GPs que completou? Com sua habilidade nas pistas e sua consciência e atitude fora delas, o “vesgo” dedicou os anos seguintes de sua carreira a mostrar ao mundo a tênue e fundamental diferença entre coragem e irresponsabilidade, entre superação e inconseqüência.
Stewart nunca fechou os olhos ou se calou diante das terríveis condições de segurança de seu tempo, apesar de toda a resistência que encontrou. No entanto, jamais deixou que esta consciência visionária afetasse seu ritmo de prova e sua competência ao volante, não raramente assumindo riscos que “os corajosos” rejeitavam. Eis a verdadeira bravura!
Jackie foi incansável em sua luta contra proprietários de circuitos, organizadores, construtores e pilotos, contaminados pela crença da morte inevitável ou simplesmente indispostos a custear a busca por segurança Chegou a receber ameaças de morte, e continuou atuante mesmo após sua aposentadoria, ao fim de 1973. Já afastado dos cockpits, permaneceu ainda por algum tempo como líder da GPDA. E, conforme ele mesmo não cansa de repetir, tudo aconteceu ali, durante aqueles longos 25 minutos de espera:
“Não me preocupava com a questão da segurança até aquele dia. (...) Eu pensava como todos os outros a esse respeito. Era sempre o outro que ia morrer. Mas desta vez eu estava preso dentro do carro, ensopado de combustível e ali fiquei por um tempo terrivelmente longo. Tive muito tempo para pensar sobre a questão, 25 minutos ou mais. Durante todo este tempo percebi como eu poderia facilmente ter morrido, com que rapidez isto poderia acontecer. E isso me deixou muito enraivecido”.
Na pista, o público foi brindado com uma corrida emblemática de Jocken Rindt. A despeito de seu carro mais pesado e seus pneus Dunlop, o austríaco deu a primeira mostra na Fórmula 1 do enorme talento que já o havia consagrado em outras categorias. Na primeira volta rodou na Masta Straight, mas soube se recuperar a ponto de abrir a seguinte em quarto, colado nos líderes. Na quarta volta assumiu a liderança, e só a perderia 20 voltas mais tarde, a quatro do fim, quando a pista começou a secar e seu diferencial apresentou algum defeito. Terminou em segundo, atrás de Surtees, que também tinha seus problemas com a bomba de combustível. Mas isso tudo acabou ficando em segundo plano, diante da importância do personagem nascido naquele dia.
Corridas com vítimas fatais sempre entram para a história. Esse dia em Spa, porém, é lembrado justamente por seus efeitos positivos sobre a segurança. GP da Bélgica, 1966. A corrida na qual muitos deixaram de morrer.
Márcio Madeira da Cunha
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