<% strBraco = "Leitores" strSub = "Help" strDoc = "20070530" strData = "30.05.07" strNome = "Tudo está escrito" %> ..:: GP TOTAL ::..
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Manuel Blanco

Diz a mitologia grega que o Deus Apolo, ao conhecer a jovem Cassandra, ficou prendado de sua beleza, enamorando-se loucamente por ela. Esperando ser correspondido, Apolo conceda à sua amada o dom da profecia, de ver o futuro. Porém, Cassandra, uma vez dona do poder, não se entrega a Apolo. Sentindo-se profundamente enganado mas incapaz de revocar a dádiva concedida, ele lança uma maldição sobre Cassandra: esta, ainda conservando o poder da profecia, perderia toda credibilidade e ninguém jamais acreditaria em suas palavras.

Esta maldição todavia perdura pois, mesmo que a previsão do futuro seja um desejo do ser humano, este, geralmente, desconfia da existência desse dom, apesar de que alguns exemplos parecem desafiar a lógica e o ceticismo predominantes.

No automobilismo, temos exemplos de manifestações premonitórias surpreendentes, que não deixam ninguém indiferente, aumentando ainda mais o halo de mistério que as envolve. Dentre os exemplos mais desconcertantes temos o caso que envolveu o piloto François Cevert.

<% camimg = "Img/20070530/01.jpg" titimg = "Cevert, perseguido por Stewart, na Suécia 73" %> Cevert manteve uma longa relação sentimental com Anne van Malderen, desde que se conheceram em 1964. Segundo contou a moça, em 1959 ela havia acompanhado a sua mãe numa visita a uma clarividente. Esta, ao perceber a presença de Anne, diria que ela iria conhecer um charmoso rapaz de olhos azuis.

Em 1966, quando a previsão da clarividente já se havia cumprido, Anne decide visita-la mais uma vez, mas sem mencionar que já havia estado lá sete anos antes. Anne lhe entrega uma foto de Cevert e espera por suas predições. A vidente, após uma longa abstração, lhe diria:

- Você já esteve aqui. Você já o encontrou!

Quando Anne lhe diz que François queria ser piloto de corridas, a vidente confirma que Cevert logo teria sucesso e uma brilhante carreira pela frente, porém termina dizendo que ele não chegaria aos 30 anos de idade.



Em 1973, durante os treinamentos para o GP dos Estados Unidos, em Watkins Glenn, Cevert perderia a vida num pavoroso acidente. Nessa mesma manhã, Cevert havia dito a um companheiro na Tyrrell que aquele era um belo dia e que ele não gostaria de morrer num dia tão lindo. Era 6 de outubro e Cevert se dispunha a disputar o seu último GP antes de completar seus 30 anos, o que teria acontecido em fevereiro de 1974.



Graças a Anne há bastantes detalhes sobre o caso de Cevert, o que não acontece em outros. Mesmo assim nestes outros casos há detalhes que podem promover uma certa inquietude que desafia os limites do que consideramos puramente lógico e casual.

<% camimg = "Img/20070530/03.jpg" titimg = "von Brauchitsch com Mercedes em Nurburgring 1932" %> Em 1932, pouco antes da corrida que se disputaria no circuito de Avus, em Berlim, um vidente, quando perguntado sobre o resultado da corrida, escreveu o nome de dois pilotos num pedaço de papel, que seria dobrado e lacrado. Segundo este vidente, um daqueles pilotos venceria a corrida enquanto que o outro morreria. A prova teve lugar no dia 22 de maio, tendo como vencedor Manfred von Brauchitsch, com um Mercedes, mas, durante a primeira volta se produz um grave acidente quando um Bugatti descontrolado, e após derrubar algumas arvores, se arrebenta num muro. Seu piloto, o príncipe Jiri Lobkowicz, resultaria morto.

Quase esquecido, o pedaço de papel é finalmente aberto e os nomes que nele constavam eram os de Brauchitsch e o de Lobkowicz.

Como vemos, a tônica predominante nestes casos é a presença de fatos inexplicáveis e desconcertantes. Há ainda casos em que os signos premonitórios resultam tênues e, no momento, não se lhes presta atenção até depois dos acontecimentos que envolvem os seus protagonistas.

Em 1994, o GP de San Marino resultaria trágico pelas mortes de Roland Ratzemberger e Ayrton Senna. Dizem que Senna, pouco antes, havia tido uma longa conversa com Alain Prost, na qual parece que puseram fim à sua inimizade de anos. Também se observou em Senna um comportamento estranho e taciturno e, segundo diriam pessoas próximas ao brasileiro, como Syd Watkins, Senna, pela primeira vez não parecia estar disposto a correr. Porém, quando o semáforo ficou verde, Senna, como de costume, se lançou com todo ímpeto em busca da vitória. Desta vez, porém, encontrou um muro em seu caminho.



Este mesmo comportamento melancólico havia sido observado anos antes em Ronnie Peterson, antes daquele fatídico GP da Itália de 1978.

Disse um amigo do sueco que, naquela mesma manhã, haviam tido uma conversa e que, em certo momento, ele perguntou a Peterson porque não lutava pelo titulo, pois este ainda estava ao seu alcance. Peterson lhe respondeu que, antes do inicio da temporada, ele, Chapman e Andretti haviam acordado que seria Andretti quem lutaria pelo campeonato e, mesmo que esse fosse só um acordo entre cavalheiros, ele estava disposto a cumpri-lo até o fim. Terminou dizendo: "eu não gostaria de ser lembrado como alguém que não cumpre os seus compromissos".

Teriam Peterson e Senna sentido, de algum modo, o peso de destino sobre eles?



<% camimg = "Img/20070530/04.jpg" titimg = "Regazzoni com Williams em Mônaco 79" %> Em 1982, Gilles Villeneuve e Didier Pironi mantinham uma dura disputa pela primazia no seio da Ferrari. Nos treinamentos para o GP da Bélgica, pouco antes do fim da sessão, Pironi melhora o tempo de Villeneuve. O canadense, rapidamente, sai à pista decidido a superar o francês porém, numa curva, se encontra com Jochem Mass, que retornava ao box. O choque é brutal e cobra a vida de Gilles. Mass, diria depois não ter visto o pobre Villeneuve.

Pouco antes, Gilles havia dito a um repórter que "não se pode levantar o pé do acelerador quando se corre a altas velocidades. A única esperança que resta é que o piloto à frente te haja visto pelos retrovisores".

As palavras de Gilles terminariam sendo premonitórias do seu triste fim, tanto quanto a brincadeira que aprontaram a Clay Regazzony no GP da Itália de 1979.

<% camimg = "Img/20070530/02.jpg" titimg = "A cadeira de rodas da Williams" %> Regazzoni, pouco antes, havia vencido o GP da Inglaterra, dando a Frank Williams a sua primeira vitória na Fórmula 1. Porém, o carro havia começado a temporada bastante mal e até se dizia que não era mais do que uma "cadeira de rodas". Como vemos na foto, a brincadeira consistiu em colocar no box da Williams uma cadeira de rodas com os pneus e o aerofólio dianteiro do carro de Clay. No entanto, o destino resultaria cruel com Clay e Frank, pois ambos terminariam confinados numa cadeira de rodas, conseqüência de graves lesões medulares. No caso de Clay, devido a seu acidente em Long Beach durante o GP dos Estados Unidos de 1980 e Frank, seis anos depois, como resultado de um acidente de trânsito. Diria que o destino não gostou da brincadeira.



Diz um provérbio árabe que "tudo está escrito", uma clara alusão ao fato de não sermos donos do nosso destino nem podermos reescrever o roteiro de nossas existências, restando-nos, unicamente, cumprir com seus desígnios.

Manuel Blanco

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