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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 23.03.07 |
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| Marcianos e Descartes |
23.03.07 |
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Manuel Blanco
Em 1877, o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli apresenta o resultado de suas longas observações do planeta Marte, acompanhadas por detalhados mapas da sua superfície, onde destacavam as misteriosas linhas que podiam ser vistas desde a Terra.
Segundo as conclusões de Schiaparelli, as linhas eram cursos de água e batizadas com nomes de rios da terra (Eufrates, Ganges e Nilo, por exemplo). O trabalho do astrônomo logo foi traduzido para o inglês mas houve um problema: a palavra italiana usada por ele para definir os cursos de água – “canali” - foi equivocadamente traduzida como "canal".
A palavra correta devia ter sido "channel", pois "canal", em inglês, define cursos de água artificiais. O equivoco provocou um interesse generalizado por Marte e deu origem a toda classe de especulações sobre quem teria "construído" os canais - os famosos marcianos.
Recorri ao caso de Marte para ilustrar o exemplo de como uma má interpretação pode mudar o sentido das coisas, tal e como me parece que aconteceu, e creio que ainda acontece, com o caso dos polêmicos descartes de pontuação que durante tanto anos estiveram vigentes na Fórmula 1.
O regulamento sempre contemplava um determinado número de "melhores resultados" (“best results" em inglês e "meilleurs resultats" em francês) que seriam os tidos em conta na hora de determinar a pontuação e não a totalidade dos resultados da temporada. O sistema valeu desde o primeiro campeonato, disputado em 1950, e sofreu algumas variações em relação à quantidade de resultados a serem considerados até que, em 1980, se estabelece uma fórmula pela qual seriam tidos em conta como "melhores resultados" o número total de corridas dividido por dois mais três. Numa temporada com 16 GPs, por exemplo, 11 seriam os resultados tidos em conta para determinar a classificação final do campeonato.
Porém, este sistema de "melhores resultados" acabou sendo popularmente definido como um sistema de "descartes", o que lhe dava um sentido pejorativo e, ao meu modo de ver, com um propósito totalmente diferente do que se buscava. A idéia original, ficava assim pervertida e o sistema parecia até malévolo.
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| Senna à frente de Prost em 88 |
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Esta má interpretação do sistema ficou claramente em evidência em 1988 quando Prost conseguiu mais pontos "brutos" do que Senna. O sistema foi duramente criticado porque Prost teve de "descartar" os seus cinco piores resultados. Com isso, perdeu o campeonato.
Muito já foi dito aqui mesmo no GPTotal sobre aquela temporada e não vou insistir no assunto pois, agora, só trato de apresentar o meu ponto de vista sobre o sistema dos "melhores resultados" que, na minha opinião, era bem melhor que o atual, que leva em consideração todas as corridas da temporada.
Acredito que, se o objetivo é determinar quem é o melhor do campeonato, é normal que isso se determine em base dos "melhores resultados". Assim, o sistema evitava que um determinado piloto que estivesse lutando pelo título, ficasse privado dessa luta devido a um imponderável mecânico ou a um acidente.
Vejam o que aconteceu com Raikonnen em 2003: O rapaz estava em plena luta pelo campeonato quando o acidente ocorrido em Nurburgring o deixou praticamente sem nenhuma possibilidade de seguir na batalha. E o pior é que o pobre Raikonnen não teve nenhuma culpa no acidente. Mesmo assim, acabou a só dois pontos de Schumacher, apesar de sofrer outros dois abandonos ante apenas um do alemão.
O sistema dos "melhores resultados" dava ao piloto que viesse a sofrer algum abandono, a possibilidade de compensar esse mau resultado em uma futura corrida, coisa que me parecia bastante justo. Neste ponto, gostaria de voltar ao exemplo do campeonato de 1988 para vermos a evolução do campeonato segundo o sistema dos melhores resultados
Como vemos, o sistema funcionou muito bem permitindo a Senna recuperar-se dos abandonos sofridos no Brasil, Mônaco e Itália e dos problemas enfrentados em Portugal e Espanha. Porém, seria engano afirmar que Senna ganhou o campeonato graças ao sistema. Não há dúvida de que este lhe deu a ocasião de compensar seus maus resultados, mas essa mesma possibilidade também lhe foi dada a Prost, que poderia ter lutado por melhorar os seus resultados anteriores. Mas, o caso é que Prost não foi capaz de melhorá-los, portanto a sua derrota não deve ser atribuída ao sistema.
O sistema dos "melhores resultados" valeu por 41 temporadas e em apenas duas - 1964 e 1988 - o piloto com mais pontos brutos não se tornou campeão. Este me parece um bom balanço, pois o sistema praticamente não interferia no desfecho dos campeonatos. Com o sistema, se pretendia que os pilotos buscassem a vitória com mais afinco, de maneira que quantos mais "melhores resultados" tivessem, as probabilidades de vencer o campeonato aumentavam. Os pilotos tinham que compensar alguma falha anterior ou melhorar qualquer resultado que não fosse uma vitória.
Com o sistema, não apenas os pilotos eram incentivados a arriscar mais por vencer, mas os engenheiros também. Vejam o gráfico: nele vemos representada a diferença entre a percentagem de corridas válidas segundo o sistema de melhores resultados e a percentagem de corridas completadas pelos campeões e pelos três primeiros classificados em conjunto de cada temporada do período de 1970 a 1990.
Como pode apreciar-se, as diferenças não eram muito significativas, De fato, vemos como a percentagem de provas válidas e corridas completadas pelos campeões foi exatamente a mesma: 75,9 %. No caso dos três primeiros classificados em conjunto, a diferença é insignificante.
Este foi um dado que me chamou muito a atenção e que me levou a pensar que, talvez, as freqüentes falhas mecânicas daquela época (principalmente de motor), não fossem tão fortuitas quanto podiam parecer. Como disse antes, a possibilidade de compensar algum mau resultado é possível que animasse os engenheiros a correr mais riscos dos que correriam num campeonato onde todos os resultados fossem válidos, procurando tirar o máximo rendimento possível dos carros. Parece, até, que esses riscos estavam bem calculados e, inclusive, adequados ao percentagem de provas válidas de maneira tal que os abandonos nunca superassem o número de provas prescindíveis.
Resulta curioso lembrar todas aquelas quebras de motor quando aqueles mesmos motores equipavam os carros do Campeonato de Marcas e agüentavam provas muito mais longas que um GP. Para 1972, a FIA determinou que os motores do Mundial de Marcas tivessem 3.000 cm3, o que possibilitou o uso dos motores da F1. Nesse mesmo ano, a Ferrari, com o seu motor 312, proclamou-se campeã vencendo todas as corridas que disputou. Nos anos 1973 e 1974, foi a vez da Matra e, em 1975 e 1977, foi a Alfa Romeo quem resultaria ganhadora.
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| John Surtees, com o exótico Ferrari azul e branco, campeão em 64 |
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Os motores Cosworth, como na Fórmula 1, também equipavam varias equipes independentes e, apesar, de que nenhuma logrou derrotar as grandes equipes de fabrica, conseguiram vitórias de mérito como a da Rondeau em Le Mans 80.
Na Fórmula 1, um beneficio colateral dos abandonos era dar às equipes pequenas mais possibilidades de conseguir algum bom resultado ou até vencer. Talvez, sabendo-se incapazes de lutar pelo título, é possível que estas equipes arriscassem até mais por conseguir alguma vitória ou por fazer um bom papel no campeonato.
Porém, o resultado do campeonato de 88 estimulou os detratores do sistema de "melhores resultados". Eles pressionaram tanto que a FIA acabou abolindo-o para 1991. Desde então, as equipes tratam de terminar todas as corridas, garantindo o máximo de pontos possíveis. Não há dúvida que a eclosão das assistências eletrônicas ajudou muito a aumentar a fiabilidade dos carros, mas creio que um sistema que prima a regularidade fomenta o conservadorismo e conformismo. Até os carros acabaram sendo construídos de maneira que resulta muito difícil ultrapassar, dando origem aos freqüentes "trenzinhos", volta após volta.
Recordemos novamente a temporada de 2003, quando Schumacher era inclusive criticado por apenas conservar a diferença de pontos que havia conseguido no principio do campeonato. Então, eu fui o único aqui no GPTotal que o defendeu das críticas. A culpa não era dele - era do sistema. Isso aconteceu de novo em 2005 e 2006.
Resulta curioso como a mudança do sistema de pontuação acabou afetando tanto o desenvolvimento do campeonato. Talvez não seja devido à abolição do sistema de melhores resultados. Mas é muita coincidência.
Enfim, eu preferia o sistema dos "melhores resultados".
Um abraço,
Manuel Blanco, Valência, Espanha
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