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Apertadores de Botão 19.07.06
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Aaron Robinson desliga o controle de tração,
as fotos anexas referem-se ao pequeno acidente que o jornalista Aaron Robinson, da Car and Driver, sofreu ao testar a novíssima Ferrari 599GT.

Ele desligou o novo controle de tração, o chamado manetino, para fazer uma foto bonita para a revista de julho/2006, e o carro saiu do controle. Veja bem, isto aconteceu com uma pessoa acostumada a carros potentes, e que pilota regularmente carros de turismo no campeonato americano.
bate o Ferrari 599GT


Isto deve dar o que pensar para aqueles que dizem que os pilotos atuais são apenas apertadores de botão, e que o carro faz tudo sozinho. Não quero voltar à velha discussão, pois acho que os pilotos antigos (anteriores à década de 80) eram mais heróicos devido às deficiências tecnológicas, mas os atuais (principalmente o heptacampeão) também tem o seu talento pois sabem quando e quais botões apertar.

Eu mesmo critiquei duramente o Barrichello e sua dança dos botões;
e confere o preju
não critico o fato dele apertar o botão errado em Mônaco, mas sim o fato dele não ter assumido o erro e depois dizer que ainda não se acostumou com a configuração da Honda e que na Ferrari era diferente. Então que pare de jogar golfe no Playstation e dedique-se 300 horas por dia a saber o que faz cada botão do seu volante, é isso o que esperamos dele - a dedicação de um campeão.





Ainda no embalo do excelente Friends do Manuel Blanco, "Mérito e recordes", de 22/5, e da coluna da Alessandra Alves, "Brincar de correr", de 26/5, será que Thomas Edson (fundador da GE, para quem não sabe), Henry Ford ou Alfred Sloan (William Durant foi quem teve a visão de fundar a GM, mas quase a levou à falência; foi Sloan que pegou o touro a unha e estruturou o negócio) foram melhores empreendedores que Bill Gates? Será que ele é apenas um apertador de botões? Será que as empresas não mudaram apenas de patamar, mas o talento continua o mesmo? Seria ele menos capaz por ter um universo tecnológico à sua frente e ter usado o apoio de advogados, banqueiros, estrategistas e programadores?

O talento de ter uma visão, ter a intuição do objetivo final, planejar, vender o seu projeto, o seu ideal, buscar investidores, conquistar apoio de clientes e fornecedores, identificar e aglutinar pessoas capazes, dar-lhes uma direção, foca-las em suas responsabilidades, motiva-las, corrigi-las, eliminando aqueles que destoam do objetivo, recompensa-las, enfim dirigir um negócio dentro de uma estratégia traçada, vendo um objetivo que às vezes só é claro para você, como Cristovão Colombo fez, não o torna um grande empreendedor e executivo? Onde estão os concorrentes da Microsoft? Alguém se lembra do Visicalc, do Lotus, do Wordplan? Seria o feito de Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, mais ou menos heróico que o de Colombo, sendo ambos pioneiros ao seu tempo? Difícil responder, pois os argumentos são infinitos.

Dennis Hulme na Argentina 74, sua última vitória na F1
Grandes campeões (Rosemayer, Nuvolari, Ascari, Fangio, Hill, Brabham, Clark, Stewart, Emmo, Piquet, Lauda, Prost, Senna, Schumacher) não agiram como grandes empreendedores e executivos e aglutinaram recursos e talentos, próprios e dos outros membros da equipe, para alcançar um objetivo, sendo que algumas vezes só eles sabiam onde queriam chegar?

Outras tantos não falharam,
Didier Pironi com o magnífico Ferrari 126CK na Holanda 81
mesmo sendo campeões esporádicos ou talentos incipientes, vítimas das circunstâncias, muitas vezes criadas por eles mesmos (Hulme, Cevert, Peterson, Regazzoni, Villenueve, Pironi, Rosberg, Mansell, Jacques, Damon, Mika)?

Não desdenho o talento de nenhum deles e certamente gostaria de ter um décimo milionésimo da capacidade que eles tinham para conduzir um carro a mais de 300 km/h, mas mesmo assim acho que todos vão concordar que o segundo grupo, por diferentes motivos e circunstâncias individuais, inferior ao primeiro, embora o meu coração se agite e tente colocar alguns em lugar especial (no meu caso, Cevert, Peterson, Villenueve, Pironi, Mansell e Mika, os mais insanos "botas" que vi correr; o Andrea de Cesares era apenas isso, insano).

Mika Hakkinen e seu McLaren no Brasil 99
Pense por um momento no seu trabalho, no seu negócio, no seu chefe, no seu presidente, no seu sócio, nas suas responsabilidades. Pense como o sucesso ou o fracasso da sua empresa, do seu negócio está ligado ao talento e capacidade de quem está lá em cima e tem a responsabilidade de fazer tudo isso e ainda obter um bom resultado. Mais ainda se você for autônomo, o resultado depende apenas do seu esforço e talento e ganhando mil ou um milhão, a conquista é sua. Gerenciar um negócio tem muito a ver com pilotar um carro, se você quer ter uma carreira consistente e vencedora, e não quiser ser apenas um talento meteórico passando pelo mundo.

Por isso, para mim, todos aqueles que conseguiram chegar lá, dentro de regras aceitas e com muita dedicação, esforço e suor, merecem o meu respeito. Você pode ser um hacker anarquista até a medula, achar que o Bill é um capitalista monopolista totalitário perverso, pode usar o Linux e desejar a falência da Microsoft, mas não pode questionar o talento de quem a construiu, apertando os botões certos na hora certa.

Voltando ao início, e falando de talento, intuição, dedicação, realização e botões,e pedindo o perdão à Alessandra e grupo feminino pelo momento porco-chauvinista, cheguei à conclusão que a mulher é como um Boeing (ou Airbus) que vem sem manual de pilotagem; se você usa as suas qualidades acima descritas e aperta os botões certos ele decola que é uma belezura e vai para altitudes de cruzeiro. Mas se você erra a seqüência de apertos, dá no chão (literal e figurativamente).

Agora, falando de botões, volantes e campeões, para que serve mesmo o manetino? E como se solta o botão do sutiã?

Abraços
Victor Lagrotta

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