 |
 |
|
15.12.08 - Luis Fernando Ramos |
 |
|
|
12.12.08 - Alessandra Alves |
 |
|
|
10.12.08 - Roberto Agresti |
 |
|
|
19.12.08 - Eduardo Correa |
 |
|
|
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
 |
|
|
|
 |
|
17.12.08 - Ricardo Divila |
 |
|
 |
|
|
01.12.08 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 05.04.06 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
| As 65 poles de uma vida - Final |
05.04.06 |
|
 |
|
|
|
 |
| Senna em Suzuka 93, sua penúltima vitória |
|
 |
 |
 |
1993 é o melhor ano de Ayrton Senna, por mais que os números possam discordar.
O brasileiro curte o verão brasileiro, sem contrato assinado com a McLaren ou qualquer outra equipe. Na Europa Mika Hakkinen e Michael Andretti testam para desenvolver o novo carro. Começa a temporada, e Senna corre com contratos válidos por apenas uma prova. Viaja para Kyalami em cima da hora, e de imediato tira tudo do McLaren. A sintonia com o carro é imediata, e Prost precisa de inúmeras voltas para conseguir ser um décimo mais rápido, mesmo ao volante de um carro muito mais potente e com o qual havia treinado muito mais.
Sem os pneus de classificação, Ayrton pouco podia fazer contra as Williams de Prost e Hill, ou mesmo a Benetton de Schumacher (equipada com as válvulas pneumáticas), muito mais eficiente em altas rotações. Ainda assim o brasileiro sagra-se vice-campeão, vencendo 5 corridas - algumas de maneira emblemática. Em Donington mostra a todos o que é ser rápido, adaptando-se imediatamente a todas as inúmeras variações climáticas e ultrapassando 12 títulos mundiais na primeira volta.
Em treinos obtém apenas uma pole, numa volta irresistível em Adelaide. Circuito de rua, claro. Em Mônaco tinha chances de largar na frente, mas sofre acidentes na quinta e no sábado. No Canadá larga em oitavo e faz uma primeira volta tão espetacular quanto em Donington. Ultrapassa Alesi no grampo, por fora, tocando rodas até a chicane que antecede a reta de chegada.
Disputa 13 treinos ao lado de Michael Andretti, vencendo todos. Em média é 1,4 segundo mais veloz que o americano. Em Portugal Andretti é substituído pelo futuro bicampeão Mika Hakkinen, um piloto bom o bastante para obter 26 poles na carreira. Mika era o maior conhecedor daquele carro, e embora tenha disputado apenas 3 classificações ao lado de Senna é o companheiro cujo desempenho mais se aproximou do brasileiro. Ayrton venceu dois dos três confrontos, marcando uma pole contra nenhuma do finlandês, e em média foi 243 milésimos mais veloz. Vale lembrar que o brasileiro venceu duas das três corridas que fez ao lado de Hakkinen.
Em 94 Senna migra para a Williams, e novamente é companheiro de um futuro campeão mundial. Damon Hill disputa três treinos como parceiro de Ayrton, perdendo todos. Em média, o inglês que obteria 20 poles na carreira é 922 milésimos mais lento que o brasileiro. São três poles de Senna em três treinos que disputa pela Williams, com destaque para Aida, uma pista decididamente favorável ao pacote (fora do regulamento) da Benetton.
Hill e Hakkinen se revelariam dois dos maiores rivais de Schumacher nos anos seguintes. Somando três títulos mundiais, 42 vitórias e 46 poles são pilotos vitoriosos. Ayrton, com equipamento idêntico, não deu a menor chance a nenhum dos dois.
Senna morre num acidente em Imola, a pista que tanto dominava. Largara na pole position pela oitava vez em 10 tentativas reais neste circuito, por três equipes diferentes. No sábado, se recusa a defender seu tempo do dia anterior após o acidente de Ratzenberger. Conservava a velocidade irresistível dos tempos da Lotus, mas era agora um homem muito mais maduro e consciente de seu papel, distante do jovem que atrapalhara os adversários em Mônaco anos atrás.
Ayrton largou em primeiro nas últimas quatro corridas que disputou, defendendo duas equipes diferentes. Isso dá a exata dimensão do quanto era competitivo no momento em que teve a carreira e a vida bruscamente abreviadas.
Ao longo dos dez anos de sua carreira Senna deu novo colorido aos treinos. Sua pilotagem agressiva e cirúrgica impressionava não apenas expectadores e jornalistas, mas também os próprios pilotos. Vê-lo levando aqueles carros ao limite extremo, sem dúvidas ou hesitações, sem fritadas de pneus ou derrapagens extravagantes era um privilégio.
Desde a morte de Jim Clark e a adoção de apêndices aerodinâmicos não houve piloto mais rápido que Ayrton Senna. A morte roubou de Senna os anos em que a F1 lhe seria mais favorável, com o reabastecimento e um carro que quase não quebrava. Sem se preocupar em economizar combustível e dispondo de vários jogos de pneus por corrida, livre para exercitar toda sua velocidade, Senna tinha tudo para inaugurar um novo período em sua carreira. Ademais, como veremos, a disputa com Schumacher tinha tudo para ser a melhor de sua vida nas pistas.
 |
| Bélgica 91 Na Jordan, começa a trajetória de Schumacher na F1 |
|
 |
 |
 |
Michael faz sua estréia no GP da Bélgica de 1991. Nunca havia pilotado neste circuito e jamais estivera num F1 antes. Tinha como companheiro Andrea De Cesaris, um piloto com mais de dez anos de experiência, que tinha uma pole na carreira e já havia disputado 10 corridas com aquele carro.
Schumacher obtém o sétimo tempo, 774 milésimos à frente do italiano. O carro era visivelmente equilibrado (De Cesaris por pouco não venceu esta corrida), mas ninguém pôde ignorar o talento daquele alemão.
Na corrida seguinte, em Monza, Michael já veste o macacão da Benetton - àquela altura a quarta força na F1. Pilotava um carro que naquele mesmo ano vencera o GP do Canadá pelas mãos de Piquet - nada mal para quem corria pela segunda vez.
Piquet e Schumacher correram juntos por cinco GPs. O alemão foi mais rápido em quatro oportunidades, perdendo para Nelson na Austrália. Em números absolutos, esta foi a melhor dupla de pilotos já formada na história da F1. Dez títulos mundiais e 107 vitórias até o momento em que escrevo estas linhas. Em média Michael foi 264 milésimos mais rápido que Nelson, e 15 anos depois esta permanece sendo a melhor marca de um companheiro de equipe do alemão. O segundo melhor é Rubens Barrichello. Schumacher jamais voltaria a dividir os boxes com outro piloto campeão.
Em 92, com o fim da carreira de Piquet, a Benetton já trabalhava toda ela voltada para Michael Schumacher. Com seis corridas na F1 o alemão era o primeiro piloto da terceira melhor equipe daquele ano. Teria como companheiro Martin Brundle, e venceria as 16 classificações. Em média foi um 1,019 segundo mais veloz que o inglês.
Em 1993 o companheiro de Schumacher seria o experiente Riccardo Patrese, em sua última temporada. Novamente Michael vence todas as disputas, ignorando as 8 poles que Patrese acumulara ao longo de sua carreira. A diferença média entre os dois foi de 1,147 segundo.
Em 38 treinos disputados, o alemão havia sido superado apenas uma vez, e ainda assim por um piloto tricampeão. Porém, apesar do excelente desempenho, Michael ainda não sabia o que era largar em primeiro.
Em 1994 a Benetton tinha decididamente o chassi mais equilibrado, e o carro que mais burlava o regulamento também. Apesar disso, Schumacher não consegue superar Senna nos treinos que disputam, largando sempre em segundo lugar. A primeira pole viria apenas em Mônaco, imediatamente após a morte de Ayrton. Sem Senna ao volante do Williams, Schumacher era agora o homem a ser batido, e as poles começam a se suceder. Ao todo serão seis em 94.
Neste ano Michael alterna três companheiros de equipe, sendo sempre mais veloz que todos eles. Bate Verstappen oito vezes, Lehto quatro vezes e Herbert duas. Em média é dois segundos mais veloz que os dois primeiros, e um segundo mais veloz que o terceiro.
Herbert segue na Benetton em 1995, e vence o alemão apenas na Bélgica, quando Schumacher enfrenta problemas e ocupa a décima sexta posição. Era o treino número 63 do alemão e ele era superado apenas pela segunda vez dentro de sua equipe - ainda assim em condições anormais.
São mais quatro poles em 95, e a diferença para Herbert sobe para 1,35 segundo. Apesar do verdadeiro massacre imposto aos companheiros, Schumacher parece pela primeira vez estar um pouco abaixo do que poderia ter feito. Com o reabastecimento as condições de treino e corrida tornam-se muito mais próximas, e enquanto ele vence 17 corridas entre 94 e 95, marca 10 poles.
Em 1996 Schumacher começa novo trabalho na Ferrari, ao lado de Irvine. É superado no primeiro treino que disputam, dando a falsa impressão de que o irlandês pudesse enfrentá-lo. Até o fim da parceria, em 1999, foram 58 treinos dos quais Schumacher vence 54. Em média, a diferença entre os dois é de 818 milésimos. Schumacher anotou 13 poles contra nenhuma de Irvine. Venceu 16 corridas no mesmo período.
A partir de 2000 Michael faz dupla com Barrichello. Em meio a tantas mudanças de regulamento foi possível comparar o tempo de ambos ao longo de 102 treinos, e a posição de largada em 103 disputas. Desconsiderei O GP do de Brasil 2002, pois nesta corrida a Ferrari deu carros diferentes a seus pilotos.
Os anos de Barrichello na Ferrari coincidem com o apogeu de Schumacher. À exceção de 2005, os dois tiveram quase sempre equipamento igual ou superior à concorrência. Michael consegue cinco campeonatos consecutivos e um terceiro lugar. Vence 49 corridas e faz 41 poles, contra nove vitórias e 11 poles de Rubens.
2001 é o melhor ano de Schumacher em treinos. Larga sempre entre os quatro primeiros, e conquista 11 poles em 17 corridas. Números exponenciais, mas que reforçam a impressão de Michael teve em vários anos equipamento para lutar pela pole, e não largou na frente tantas vezes quanto poderia ter feito. Basta ver o quanto as poles de Ayrton estão concentradas em determinados anos e consultar o gráfico da parte 1 para ver do que estou falando.
Desde 2003 os carros que treinam no sábado são idênticos aos que largam no domingo, de modo que já não se justifica pelo equipamento que um piloto se dê melhor em treinos ou corridas - exceto por conta de alguma estratégia mais extravagante. Neste período Schumacher vence 20 provas, e larga em primeiro em 14 oportunidades.
Barrichello é o primeiro companheiro de equipe a conseguir se classificar à frente de Schumacher com alguma freqüência. Dos 103 treinos que disputam vence 23, ou 22,3%. É, neste aspecto, seu companheiro com melhor índice. O segundo é Nelson Piquet, com 20%. Em média, Rubinho foi 375 milésimos mais lento que o alemão.
Rubens é também o primeiro companheiro de Schumacher a largar na pole, e o faz em 11 ocasiões. Indo além, Barrichello consegue vencer o heptacampeão nas classificações ao longo de 2003. Larga atrás em 10 de 16 corridas, mas é mais veloz no somatório dos tempos e obtém uma menor posição média. Seus tempos foram em média 121 milésimos melhores do que os de Michael. À parte a boa fase de Barrichello, fica a impressão de que Schumacher continuava aquém de suas possibilidades ao longo dos treinos de classificação.
O Melhor de Todos os Tempos.
Mas afinal, pra que servem tantos números?
Antes de tudo, pra mostrar que Senna e Schumacher encerram o que de mais impressionante aconteceu ao longo das classificações desde a morte de Jim Clark e a introdução dos aerofólios e o formato em cunha. Antes deles, apenas Ascari, Fangio e o próprio Clark foram tão espetaculares.
Depois, servem também para nos mostrar que Ayrton foi sim, e de modo sensível, mais rápido e veloz do que Michael. E isto se confirma em qualquer cruzamento que se faça com os números. Um exemplo: a diferença média de tempo entre Ayrton Senna e seus companheiros de equipe foi o dobro daquela imposta por Schumacher. Ocorre que os companheiros de Ayrton fizeram três vezes mais poles por GP disputado do que os companheiros do alemão. Ao todo, Schumacher correu ao lado de pilotos que somam 45 poles em suas carreiras, das quais 11 foram obtidas enquanto dividiam os mesmos boxes (todas de Barrichello). Senna correu ao lado de pilotos que somam 95 poles, das quais nove obtidas enquanto correram juntos.
Então é injusto que Schumacher bata o recorde de poles de Senna?
Não, de modo algum. O alemão teve que lutar demais para chegar a estes números, e há 15 anos vem dando espetáculos aos sábados, para quem quiser ver. É, sem dúvida, aquele que mais se aproximou do brasileiro nestas virtudes, e o recorde continuará em ótimas mãos. São sete títulos, afinal.
Acontece que o recorde não diz, automaticamente, quem foi o melhor em cada quesito. Este é o ponto. Vimos ao longo deste trabalho a importância de considerar o contexto em análises deste tipo, e o quanto os números podem enganar. O recorde é o recorde, e importa apenas como tal.
Tomar os recordes - sobretudo os absolutos - como referência para eleger os melhores em cada quesito, consiste em expediente tão inconsistente quanto eleger um destes quesitos como o mais importante entre todos, na busca pelo "melhor de todos os tempos".
Com todo o respeito que merecem meus colegas de Comunicação Social, definir o melhor piloto de todos os tempos não é tarefa para jornalistas sérios, e sim para publicitários e profissionais do marketing.
Forte abraço a todos
Marcio Madeira
|
|
 |
| | |
|
|
 |