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11.08.11 - Roberto Agresti |
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17.05.11 - Eduardo Correa |
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18.09.09 - Luis Fernando Ramos |
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12.12.08 - Alessandra Alves |
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27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 30.03.06 |
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| As 65 poles de uma vida - Parte 3 |
30.03.06 |
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| Senna perseguido por Berger no GP do Brasil. |
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É hora de comparar o desempenho obtido por Ayrton Senna e Michael Schumacher ao longo de suas carreiras nos treinos de qualificação. Mas com que objetivo? Determinar qual dos dois foi o melhor? De modo algum. Antes, aproveito as análises dos diferentes contextos escondidos nos badalados números para questionar essa incessante e obcecada busca pelo "melhor de todos os tempos".
A maior dificuldade que encontrei ao longo deste trabalho foi adequar as estatísticas ao longo de tantas mudanças (infelizes) nas regras. Sim, porque ao contrário de muitos jornalistas, eu considero leviano atribuir a pole do GP da Itália de 2005 a Juan Pablo Montoya. Aqui neste estudo, para fins de estatística, as corridas onde Schumacher foi penalizado com a perda de 10 posições no grid serão tomadas por sua posição de merecimento, conforme o tempo obtido. Do mesmo modo, sempre que sua posição foi afetada pela troca de motores de algum competidor eu considerei a posição real, e não a de largada.
Comparar o que fizeram Senna e Schumacher ao longo das classificações dos últimos 22 anos foi muito interessante. Impressionante ver o domínio que ambos exerceram sobre companheiros de equipe. Schumacher, por exemplo, após ter sido superado por Piquet na classificação da Austrália em 91 só voltaria a sê-lo na Bélgica, em 1995, quando teve problemas e largou em 16.
Aliás, os primeiros anos da carreira de Schumacher dentro do universo dos treinos de classificação chegam a ser mais impressionantes do que os de Ayrton. Vivendo a realidade muitas vezes precária de equipes menores em meados da década de 80, o brasileiro alterna seqüências impressionantes com um ou outro resultado decepcionante.
Senna começa na Toleman e enfrenta problemas em Imola que o impedem de obter tempo para a largada - pela primeira e única vez em sua carreira. Naquele fim de semana a Toleman não participou dos treinos de sexta porque já tinha contrato assinado com a Michelin para a próxima corrida e vivia um imbróglio com a Pirelli, que pela última vez forneceria os pneus. É claro que o fato da corrida ser na Itália atrapalhou as coisas. Por fim, Senna teve um problema de pressão do combustível no sábado e não obteve um tempo real. Para se ter uma idéia, foi 6 segundos mais lento que seu companheiro de equipe, Johnny Cecotto. Na média das outras corridas Senna foi quase dois segundos mais rápido. É óbvio que, em condições normais, teria se classificado. Imola, porém, não foi a única vez em que enfrentou problemas. Na Bélgica, Cecotto é meio segundo mais rápido, e larga 3 posições à frente do brasileiro. Ao todo são oito treinos (sem contar Imola) ao lado do venezuelano, dos quais Ayrton vence sete.
Em Portugal Senna brilha, e classifica o Toleman na terceira posição, um segundo à frente de Stefan Johansson, seu novo companheiro.
Ao longo de 1985 Ayrton é superado nos treinos três vezes por Elio De Angelis, a começar pela primeira corrida, no Brasil. No Canadá De Angelis torna-se o primeiro companheiro de Senna a largar na pole. Schumacher só veria isso acontecer quando Rubens Barrichello estabeleceu o melhor tempo em Silverstone, 2000.
Aqui novamente os números merecem atenção. É preciso lembrar que Elio estava na Lotus desde os tempos de Chapman, e era o responsável principal pelo desenvolvimento do carro desde o anúncio da saída de Mansell para a Williams em fins de 1984. Tinha privilégios de primeiro piloto, e isso fica claro quando lembramos de corridas como Imola. Elio disputou (e venceu) esta prova utilizando um motor mais avançado do que aquele que equipava a Lotus de Ayrton. O brasileiro liderou toda a prova, até ficar sem combustível a incríveis quatro voltas do final.
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| Senna, com o Toleman de suspensão quebrada, em Detroit 84. |
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Na Áustria Ayrton volta a ter problemas, e classifica-se apenas em décimo quarto. Na corrida chegaria em segundo, após vibrante prova de recuperação. Nunca mais deixaria de largar entre os oito primeiros até o fim de sua carreira. Ao todo, Senna venceu 13 das 16 classificações disputadas com o piloto italiano.
Olhando em perspectiva, 1985 foi uma prévia do que se repetiria 3 anos depois. Ayrton muda de equipe e encontra um piloto talentoso, que contava com cinco anos "de casa". Elio, além de rápido, era muito querido por todos dentro do time. Obteve 3 pole positions em sua carreira e venceu duas provas. Tinha na regularidade sua maior virtude, sendo sempre um constante pontuador. Vendo por este ângulo, e lembrando que em 84 Elio se classificara 11 vezes à frente de Mansell, o feito de Senna começa a ganhar os contornos que efetivamente merece. Ayrton termina o ano com sete poles, e em média é mais de um segundo mais rápido que De Angelis.
Em 1987, pouco antes do acerto de Ayrton com a nova equipe McLaren-Honda tornar-se público, Alain Prost concedeu uma entrevista na qual questionava o real valor do brasileiro. Dizia Prost: "Todos dizem que ele é o mais veloz dentre nós, mas eu questiono isso porque a Lotus é, há muito, equipe de um só piloto, e não há como saber o quanto ele é realmente rápido".
Tinha razão o Professor. Em 86 e 87 a Lotus trabalhou exclusivamente para Senna, e qualquer comparação com os tempos de Dumfries ou Nakajima seria fora de propósito. De todo modo, impressiona constatar que o brasileiro não apenas foi mais rápido em todas as vezes que esteve na pista, como o fez com larga folga. Em média, foi 3,418 segundos mais rápido que Dumfries, e 3,814 melhor que Nakajima.
Como observou Prost, Ayrton era tido como o mais veloz e espetacular dos pilotos, mas tinha ainda muito o que provar. Em seus anos de Lotus obteve 16 pole positions, mas apenas uma em 87.
Essa queda de rendimento explica-se não apenas pelo melhor desempenho dos carros Williams pilotados por dois campeões super motivados mas, sobretudo, pelo novo formato dos treinos. Sem os pneus de classificação, Ayrton via anulada sua maior virtude: a rapidez. Piquet e Mansell tinham várias voltas para poder explorar os limites de seus carros, e anotariam juntos 12 poles. 1987 serve para mostrar a realidade da Lotus, atrás certamente de Williams, Ferrari e McLaren, e o quanto as poles de Ayrton deviam-se fundamentalmente à sua formidável rapidez na exploração dos limites de carro e pista.
A pole obtida por Senna em Imola merece comentários à parte. Se por um lado perde um pouco de seu valor dada a ausência de Piquet, por outro mostra o quanto Senna dominava o traçado que terminaria por ceifar-lhe a vida.
O recorde de sete poles seguidas nesta pista é muito mais significativo do que possa parecer, e deveria ser lembrado sempre como um dos maiores feitos deste piloto. Entre 85 e 91 foram várias as conjunturas. Senna pilotou por duas equipes diferentes nas mais diversas condições, e enfrentou os mais diversos conjuntos. Houve anos com pneus de classificação e outros sem. Ainda assim, sempre neste período Senna largou na pole em Imola. Uma breve reflexão acerca disso mostra o quanto, em meio a tantas variáveis, seu talento para explorar os limites ainda fazia a diferença. Não há qualquer coincidência aqui: sete poles seguidas numa pista dizem muito mais que 13 ou 14 poles numa mesma temporada.
Chegamos finalmente a 1988, e é hora de ver o quanto Senna é realmente bom. Os tempos de Lotus e atenção exclusiva ficaram para trás. Agora Ayrton entra numa equipe vencedora, e tem como companheiro Alain Prost, já àquela altura o maior vencedor da história da categoria e somava as mesmas 16 poles de Senna.
Em 1988, a Goodyear não manteve os pneus de classificação. Os pilotos teriam tempo de sobra para se adaptarem às condições de pista e equipamento, de modo que a velocidade de cada piloto seria mais importante do que a rapidez.
Ao fim do ano, Senna havia sido mais veloz que Prost em 14 das 16 provas. Somados os tempos de todas as voltas de classificação fora 6.948 segundos mais rápido, numa média de 0.434 por pista.
Muita coisa mudou entre 88 e 89, e isso ajuda nosso estudo. Em 88 Prost e Senna se enfrentaram em carros turbinados, classificando com pneus moles de corrida. Senna mostrou-se quase meio segundo mais veloz que o francês, e certamente um pouco desta diferença deve-se às características dos carros turbinados, que combinavam melhor com o estilo do brasileiro.
Em 89 os carros seriam aspirados, e estavam de volta os pneus de classificação. Paralelamente, a guerra entre os dois companheiros de equipe estava agora declarada. Se minhas idéias sobre rapidez, velocidade e ritmo estiverem certas, então o domínio de Senna sobre Prost nos treinos deverá ser ainda mais acentuado, posto que agora o piloto precisa encontrar os limites em apenas quatro voltas rápidas.
Ao fim do ano isto se confirma. Novamente Ayrton vence 14 das 16 disputas, repetindo as 13 poles. Larga na primeira fila em todas as provas do ano, e na soma dos tempos é 13,773 segundos melhor que o francês, ou 861 milésimos em média.
Pronto, não há mais nada o que provar. Senna é o piloto mais veloz, e principalmente o mais rápido da F-1. Entrou na McLaren e impôs sua superioridade àquele que era o mais cético a respeito de suas virtudes. Liderou em todas as provas (mesmo na França, ainda que por pouco tempo), e na pista esteve quase sempre à frente do rival.
Os dois anos de disputa interna com Prost são o ponto alto da carreira de Senna em treinos. Alain obteve 33 poles ao longo da carreira, mas apenas quatro delas ao lado de Ayrton, apesar do francês dispor também ele do melhor equipamento.
Ao todo foram 32 disputas, 28 delas vencidas por Senna. 26 poles do brasileiro contra quatro do tetracampeão. A única pista dominada nos dois anos por Prost foi Paul Ricard, onde era praticamente imbatível.
Entre 90 e 92 Ayrton divide o cockpit da McLaren com Berger. O austríaco contava com a simpatia do circo e tinha a reputação de ser um piloto bastante rápido. A temporada começa em Phoenix com um Senna estranhamente apático. Berger é o pole, e vê reforçada suas impressão de que poderia ser mais rápido que Senna em carro idêntico. Ao fim do ano, porém, já não restam dúvidas quanto a isso: o brasileiro vence 12 das 16 disputas com o novo parceiro, sendo em média 396 milésimos mais rápido. O austríaco obtém duas poles, contra 10 de Senna.
Nos anos que se seguem a diferença entre os pilotos da McLaren só faz aumentar. Em 91 Senna larga (novamente) sempre entre os três primeiros e vence 13 das 16 disputas - em 92 seriam 15. Nestes dois anos o brasileiro consegue nove poles, contra duas do austríaco. A diferença média também subiu de 665 milésimos em 91 para 733 em 92.
Após o GP de Mônaco de 91 Senna contava 56 poles em 114 GPS disputados, apesar da temporada na Toleman e da Lotus em 87. Nada menos que 49,12% de suas largadas haviam sido em primeiro.Uma estatística como esta mostra o quanto Ayrton aproveitou as chances reais que teve de ser o pole. Notem que ele largou 65 vezes em primeiro, e apenas 22 em segundo. Os números de Schumacher, ao menos aqui, são muito mais modestos.
Ao todo, Senna e Berger foram companheiros por 48 corridas. O brasileiro venceu 40 destes treinos, marcando 19 pole positions. Berger largou em primeiro quatro vezes neste mesmo período e encerrou a carreira contando 12 pole positions.
A ausência dos pneus de classificação em 92 e 93 reduz severamente as possibilidades de Senna lutar contra os excelentes carros da Williams. Marca apenas uma pole em cada uma dessas temporadas, mas larga entre os três primeiros em 15 das 16 provas de 92. Consegue a primeira fila em cinco oportunidades, o que em si é um feito, dado o tempo que cada piloto dispunha para explorar os limites.
Falamos sobre os últimos anos da carreira de Senna e sobre a trajetória de Schumacher em nosso próximo encontro.
Grande abraço
Marcio Madeira
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