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Cevert 28.07.05
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François Cevert
Por Thomas Visani

6 de outubro de 1973, treinos classificatórios para o GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, último GP do ano. François Cevert, que empolgava a Fórmula 1 pela sua velocidade, beleza e grande charme pessoal, precisava de um bom resultado para chegar ao vice-campeonato. Era a última corrida que fazia como companheiro de equipe de Jackie Stewart, seu mentor até então e que havia anunciado a decisão de se aposentar, depois de vencer o título da temporada. No ano seguinte, Cevert já estava confirmado como primeiro piloto da Tyrrell e muitos já o apontavam como favorito ao título.

Com o 4º tempo assegurado nos treinos, Cevert resolve voltar à pista para mais uma tentativa de melhorar sua posição no grid. Vinha muito rápido mas, nas curvas Esses, perde o controle do seu Tyrrell que bate no guard rail do lado esquerdo da pista, sendo então arremessado para o lado oposto, capotando e se arrastando por quase 100 metros.

O corpo de Cevert é cruelmente dilacerado no acidente, sua cabeça se separando do corpo.



Albert François Cevert nasceu em 25 de fevereiro de 1944, em Paris, filho de um joalheiro russo judeu perseguido pelos nazistas.

Exímio pianista, Cevert tinha as corridas de automóveis mais como hobby. Mas, em 1966, ele decidiu inscrever-se no concurso Volante Shell, cujo prêmio seria uma temporada na F3 francesa paga pela empresa. Cevert venceu fácil. A temporada, no entanto, revelou-se muito difícil. O carro era ruim e Cevert tinha de compensar as deficiências desenvolvendo um estilo de derrapagens controladas. Em 1968, já com apoio da Elf, estatal francesa petrolífera, foi campeão com sobras, vencendo quatro provas.

Numa prova de F2 em 69, Cevert conquista o respeito de Stewart

Em 1969, Cevert corre pela Tecno no campeonato de F2, terminando em 3º lugar, conseguindo uma vitória e um 2º lugar. Foi neste ano que ele conquistou o respeito de Jackie Stewart, seu futuro colega de equipe na Fórmula 1. Numa das provas do campeonato, ambos travaram um duelo ferrenho. Repare na foto: eles estão a uns 150km/h e se olhando. Ficam assim até o final da reta, quando Cevert assumiu a ponta, seguindo daí para a vitória. Ele vai participa regularmente também do campeonato de F2 em 1970 (em 6º lugar geral, com uma vitória em Nurburgring) e 1971 (5º colocação, com duas vitórias).



Foi Stewart quem convenceu Ken Tyrrell a trazer Cevert para a Fórmula 1. A chance apareceu em Zandvoort 70, depois que Johnny Servoz-Gavin decidiu se aposentar. Cevert estreou numa prova trágica, marcada pela morte de Piers Courage. O primeiro ponto veio em Monza, outra trágica corrida, onde faleceu Jochen Rindt.

Na temporada seguinte, Cevert já era titular absoluto na Tyrrell, ao lado de Stewart, com quem foi aprendendo os segredos da categoria rapidamente - tão rapidamente que, ao final do ano, terminou o campeonato, seu primeiro completo, em 3º lugar, com 26 pontos, atrás do agora bi-campeão Jackie Stewart e de outro novato, seu adversário e amigo na F2, Ronnie Peterson.

Cevert conseguiu completar somente cinco GPs em 1971, mas venceu um deles, justamente em Watkins Glen, última corrida do ano, subindo ao pódio em outros três GPs. Estatisticamente falando, em 80% das provas que concluiu estava entre os três primeiros. Um desempenho fantástico para um estreante, que já pintava como futuro campeão. Vale lembrar que Cevert foi um dos protagonistas do GP da Itália de 1971, uma das corridas de final mais apertado de todos os tempos, 0,6 segundo separando o vencedor, Peter Gethin, do 5o colocado. Nesta prova, Cevert foi 3o.

Nas 24h de Daytona em 1973, com um Matra

Em 1972, com um carro inconstante, foi apenas 6º no campeonato, com 15 pontos, terminando seis provas, duas delas no pódio.

Foi também em 1972 que Cevert estreou no Campeonato Mundial de Marcas, na prestigiada 24 Horas de LeMans, em parceria com Howden Ganley, pilotando um Matra. No final desta temporada, estreou também no importante e renomado campeonato CanAm. Foi muito bem, vencendo sua quarta corrida e terminando no pódio em outras quatro, ao volante de um McLaren. Terminou o campeonato na 5a colocação, quase empatado com o vice-campeão.

1973 seria o melhor ano da carreira de Cevert e também o seu último. Uma ex-namorada havia visitado uma vidente anos antes que lhe disse que o piloto não completaria trinta anos. A última corrida antes do seu aniversário de trinta anos seria em Watkins Glen.



Anderstop 73, à frente de Stewart

O primeiro piloto a chegar ao local do acidente foi José Carlos Pace, grande amigo de Cevert e que completava 29 anos naquele exato dia. Ao ver o corpo do amigo, desabou a chorar. Poucos conseguiram ficar no local.

Há diversas teorias para a causa do acidente. Algumas dizem que Cevert vomitou em seu capacete pouco antes do acidente, teoria apoiada pelo fato de se ter encontrado vômito no capacete do piloto. Outra teoria é a de que ele pegou alguma irregularidade da pista, bem ondulada no local do acidente, tocou a zebra e perdeu por completo o controle do carro.

A equipe Tyrrell se retira da prova, Stewart não corre seu 100º GP e perde seu escudeiro e grande amigo. A Formula 1 perde um futuro campeão, um piloto brilhante. Cevert marcara 47 pontos nas corridas anteriores, com sete pódios, o que lhe deu o 4o lugar no campeonato de 1973.

O carro de Cevert, segundo após o acidente

Um dia antes do acidente, alguns pilotos reclamaram das condições de segurança de Watkins Glen, inclusive dos guard rails mal fixados. E realmente estavam. Cevert passou por debaixo de um deles. Um ano depois, no mesmo local, Helmut Koinnig, em seu segundo GP na Fórmula 1, sofreu acidente semelhante e também foi degolado. No mesmo local. Após as mesmas reclamações.

Au revoir, François.


Thomas Visani
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