 |
 |
|
15.12.08 - Luis Fernando Ramos |
 |
|
|
12.12.08 - Alessandra Alves |
 |
|
|
10.12.08 - Roberto Agresti |
 |
|
|
19.12.08 - Eduardo Correa |
 |
|
|
27.10.08 - Luiz Alberto Pandini |
 |
|
|
|
 |
|
17.12.08 - Ricardo Divila |
 |
|
 |
|
|
01.12.08 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 18.05.05 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
|
|
 |
|
|
|
Jack Brabham estava sendo a sensação do campeonato de 1970. Mesmo já tendo anunciado a sua aposentadoria no início do ano, a sua performance estava sendo espetacular até então. Tinha vencido o GP da África do Sul, a primeira desde o GP do Canadá de 1967, e conseguido a pole na Espanha, somente perdendo a corrida por quebra do motor. O seu grande adversário no início da temporada tinha sido o escocês Jackie Stewart: com a estreante March, foi terceiro na África do Sul e primeiro na Espanha. A performance do “Old Jack” não foi diferente em Mônaco. O Grande Prêmio de Mônaco de 1970 é considerado pelos especialistas um dos mais sensacionais da história.
Desta vez o adversário de Jack Brabham foi o austríaco Jochen Rindt. O australiano somente conseguiu a quarta posição no grid devido a falhas nos freios. Na sua frente saíram Denny Hulme com Mclaren, Chris Amon e Jackie Stewart com March.
Stewart novamente começou liderando a corrida, mas o seu motor começou a falhar na sexta volta. Amon, em segundo, estava com problemas no freio. Brabham passou por Amon na volta 22. Cinco voltas depois, Stewart finalmente pára e o australiano assume a liderança.
“Eu me vi numa confortável liderança. Eu sabia que aquela era minha última temporada, e o meu derradeiro GP de Mônaco. Eu estava feliz em ter a certeza que podia tocar o equipamento com folga, sem correr riscos e terminar. Mas isso foi de qualquer forma uma fraqueza minha”, comenta Jack Brabham no seu livro “The Jack Brabham Story” (ISBN – 1 86205 625 X). Continua Brabham: “De qualquer forma, preservar o carro ou uma pequena vantagem foi uma consideração minha, feita de uma forma mais fácil do que deveria. Só para recordar, tinha condições de ter pisado mais fundo, poderia ter consolidado a minha liderança antes de entrar na zona de conforto, e poderia ter garantido outra vitória”.
Rindt, ao contrário, começou mal. Foi ultrapassado pela Matra de Henri Pescarolo, ficando em sétimo. Com as paradas de Stewart, Jackie Ickx e Jean Pierre Beltoise, Rindt tinha entre ele e o líder as presenças de Amon, Hulme e Pescarolo. Rindt despertou para a corrida. Ali estava começando a se tornar o campeão de 1970. Passou Pescarolo na volta 36, passou Hulme na 41, não precisou passar o Amon que abandonou por problemas na suspensão. Longos quinze segundos separavam Rindt e Brabham. Em Mônaco, quinze segundos parecem mais longos que em outros circuitos. A equipe Brabham considerava que Jack não seria alcançado até o final da corrida e nem sequer pensou em sinalizar a aproximação do austríaco.
Volta a volta Rindt foi tirando a distância do tri-campeão, passando muito além dos limites que o “velho 49C” permitia. Rindt lembraria que “nunca havia dirigido tão rápido como naquele dia, e esperava nunca mais ter que dirigir daquela maneira”. Faltavam quatro voltas Brabham ainda estava nove segundos a frente de Rindt, quando encontrou Jo Siffert tentando levar seu carro quase sem gasolina para os boxes.
Brabham conta no seu livro: “Nas cinco últimas voltas encontrei mais retardatários do que em quaisquer outras na minha carreira inteira... Nas proximidades do Cassino, encontrei Jo Siffert balançando de um lado para o outro tentando pescar as últimas gotas de combustível no seu sistema coletor. Tive que virtualmente fazer um crash-stop para evitar bater nele, e tive que recolher. Os fiscais balançavam as bandeiras, braços, apontavam para ele, mas de qualquer forma tive que usar a calçada para poder ultrapassa-lo. Eu estava virando em 1m24s, e aquela volta eu virei em 1s29.3! E então eu comecei ver nos meus espelhos o nariz dourado e vermelho e branco. Jochen já estava atrás de mim”.
Brabham perde preciosos cinco segundos enquanto Rindt acelera mais ainda, a diferença cai para 2.4 segundos. Na última volta Rindt cola em Brabham, tentando induzir o experiente australiano ao erro. Rindt não teria mais uma volta sequer se quisesse vencer. No grampo do Gasômetro (em 1970 o conjunto que vinha após a tabacaria – piscinas e Rascasse – não existia: era uma reta que terminava num grampo que terminava na reta da chegada, no local onde é a Antony Noghes), a última curva da prova, surge na frente da dupla o De Tomaso de Piers Courage.
Segue a narrativa de Brabham: “Eu ainda tinha o controle completo quando contornei a chicane, mas logo depois eu encontrei três carros desesperadamente lentos, descendo a passos lerdos em direção à tabacaria pelo lado esquerdo. Eu tive que virtualmente parar de novo, e então eu estava indo em direção à última curva, o grampo do gasômetro, e após dela a bandeirada quadriculada. Nesta hora o meu coração parecia querer sair pela boca... Agora eu tinha um problema real nas minhas mãos, porque Jochen estava chegando, eu sabia que ele estava chegando. De fato eu estava abrindo o caminho para ele... A sua velocidade de saída na Tabacaria tinha sido maior que a minha. Quando me aproximei do gasômetro ele já estava quase me tocando. E da minha parte, ia pelo meio da pista, eu então encontrei Piers Courage no De Tomaso vermelho de Frank Williams, aparentemente encostando com o motor quebrado”.
Foi o momento crucial da prova, segundo Jack Brabham: “Bom, aquela situação era uma loteria”. Brabham hesita, não sabe se tenta passar Courage por dentro ou por fora. Tinha que administrar também a possível tentativa de ultrapassagem de Rindt. Durante o breve instante de hesitação (para muitos uma barbeiragem), Jack acaba perdendo o ponto de freada. Mesmo assim ainda consegue decidir por onde passar (por dentro), mas encontra exatamente o ponto em que a pista estava suja com cimento colocado sobre uma poça de óleo. Os seus freios travam. Jack roda e vai bater de leve nas barreiras o deixa o motor morrer.
Rindt passa e vence.
Brabham ainda tem que passar por um outro aperto. Com o seu motor parado um prestativo bandeira se aproxima correndo para tentar empurrar. Se ele fosse empurrado ele fatalmente seria desclassificado. Jack consegue ligar o motor, mas ainda tem que atropelar o comissário porque ele ainda insistia em tentar empurrar o seu carro. Foram os primeiros pontos de Rindt na temporada de 1970. Foi a última vitória do consagrado Lotus 49C. Foi uma corrida em que a vitória somente chegou na última curva, ou melhor, a vitória certa foi perdida na última curva.
Olavo Ito
|
|
 |
| | |
|
|
 |